sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Don't Stop"




Há sempre mil razões para sermos felizes todos os dias da nossa vida!

A escola vai ao teatro - Jojo, o reincidente

Daqui!


Hoje, levei os meus alunos ao teatro, no CCC. Fomos ver "Jojo, o reincidente", de Joseph Danan, levado à cena pelo Teatro da Rainha.

Segundo o encenador Fernando Mora "Jojo é um miúdo que está fechado em casa e que dentro da casa tem de inventar o exterior, e fá-lo com o que tem à mão, objectos da cozinha, móveis, cadeiras, etc.."
Pensada para crianças, mas dirigida para todas as idades, a peça, quase sem diálogos, desenvolve-se em torno das "reincidências" que valem a Jojo diversas bofetadas de uma mãe que o encenador considera simbolizar "o poder" de tentar "manter a ordem" na casa onde as brincadeiras "geram a desordem".


Jojo, como todas as crianças, cria o seu mundo, não aceita o mundo que lhe põem à frente. Ele constrói e inventa outras coisas com os objectos que encontra à mão, pela casa, fazendo da sua casa o mundo que ele quer. Por vezes, leva uma estalada da mãe, pois ela não aceita as brincadeiras do filho: que é lá isso de empilhar as cadeiras para construir uma torre? E que é isso de dar um concerto musical, utilizando as peças do aspirador, desmembrando-o? E uma fogueira no meio da sala para brincar aos Índios? É um mundo incompreendido pelos adultos, pela mãe, este mundo de Jojo...


Hesitei durante muito tempo em relação ao título. Durante bastante tempo, a peça chamou-se Tom, o reincidente. Mas senti que não era aquilo. Experimentei outros. Jim, o reincidente. Paulo, o reincidente. Com Pierrot, o reincidente, acreditei mesmo que era aquilo. Mas a valsa continuou. Jimmy. Nicolas. Lulu. Toto. Nunca era aquilo! Até que enfim se fez luz. Ia ser: Jojo, o reincidente! Vá-se lá saber porquê! Iam dizer-me mais uma vez que era uma peça autobiográfica. Ora eu sei-o bem: Jojo e eu somos dois, mesmo, se durante anos na minha família me chamassem Jojo (Até eu dizer: Stop! Porque já não aguentava mais). Eu, ao contrário do Jojo, era uma criança ajuizada, talvez demasiado ajuizada (Ai! Sinto que os meus pais dão voltas.). E a minha mãe nunca me deu a mais pequena bofetada (o meu pai também não, aliás). Ponho uma hipótese: é que as asneiras, eu não as fazia, porque era eu que dava a mim próprio a bofetada antes de as fazer – tenho a certeza que percebeste muito bem.
Agora cresci (pouco… mas agora, com cinquenta anos, já não tenho ilusões, não vou crescer mais), escrevo peças em que posso fazer tudo o que quero sem apanhar uma bofetada. E ensino teatro na universidade a grandes rapagões e grandes raparigas a quem não preciso de dar bofetadas para eles trabalharem, porque eles gostam disto!

joseph danan



Noam Chomsky: Bush torturer, Obama just kills




Vale a pena ouvir!

"Let's make money"




Documentário essencial para se entender o mundo em que vivemos pela óptica financeira internacional.

Trouxe daqui!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Uma lição de vida



"Eu quero, eu posso, eu vou seguir em frente..."

Stay creative

New official language in the European Union‏


The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.

As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5- year phase-in plan that would become known as "Euro-English".

In the first year, "s" will replace the soft "c". Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard "c" will be dropped in favour of "k". This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter. There will be growing publik enthusiasm in the sekond year when the troub lesome "ph" will be replaced with "f". This will make words like fotograf 20% shorter.

In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.

Also, al wil agre that the horibl mes of the silent "e" in the languag is disgrasful and it should go away.

By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as
replasing "th" with "z" and "w" with "v".

During ze fifz yer, ze unesesary "o" kan be dropd from vords kontaining "ou" and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensi bl riten styl.

Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi tu understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.

Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas

If zis mad you smil, pleas pas on to oza pepl

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Porque sou fã de Santana Castilho


Pensar sem palas

1. Eles serão fortes enquanto formos fracos e a indignação for só dalguns. Só pararão quando estivermos secos como os gregos e apenas nos restar o coiro, esbulhado todo o cabelo. Nas últimas semanas, depois do Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal terem “descoberto” o que muitos sabiam há anos, a degradação da política expôs-se em crescendo. Dum lado, reclama o PS contra o escândalo da Madeira. Do outro, grita o PSD que a responsabilidade pelo buraco do continente é do PS. Os dois têm razão. Porque os dois são culpados. Os notáveis do costume, alguns deles outorgantes da impunidade que protege a política, emergiram do ruído pedindo leis que sancionem os que gastam o que não está autorizado. Como se o problema fosse da lei, que existe e é ignorada, e não fosse dessa espécie de amnistia perpétua que decretaram. É, assim, fácil prever como terminará o inquérito que o Procurador-Geral da República determinou. O destino dos mesmos é o de sempre: sem o mínimo incómodo, muito menos de consciência, uns, eles, continuarão a dizer aos outros, nós, cada vez mais sufocados, que temos que pagar o que (não) gastámos.

Sobre a Madeira, um notável de Bruxelas mostrou surpresa. Estava em Wroclaw, na Polónia, com todos os ministros das finanças da Europa. Foram para decidir sobre a Grécia, que se afunda e arrastará com ela a Europa e o euro. Não sei quanto gastaram, mas foi muito. Sei que decidiram coisa nenhuma. Sobre a Madeira, outro notável, o presidente da nossa República, disse com ar grave: “Ninguém está imune aos sacrifícios”. Estava nos Açores, onde teve a oportunidade de apreciar o “sorriso das vacas” e verificar que “estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Não sei quanto gastou, mas não terá sido pouco. Disse-me Rita Brandão Guerra, deste jornal, que Sua Excelência se fez acompanhar de 30 pessoas, 12 seguranças, dois fotógrafos oficiais, médico e enfermeira pessoais, dois bagageiros e um mordomo inclusos.

2. “O cratês em discurso directo” podia ser o título desta crónica. Porque há uma prática evidente e um discurso, que emergem sob a responsabilidade de Nuno Crato, eticamente deploráveis. A 14 de Setembro, o Ministério da Educação e Ciência confirmou que as escolas só podiam contratar professores ao mês, mesmo que o horário fosse para o ano inteiro. Independentemente de ter emendado a mão, com justificações trapalhonas, pressionado pelas reacções, o importante é ter posto a nu a seriedade que não tem, a ética em que não se move e a facilidade com que calca a dignidade de uma profissão. Que pretenderiam as mentes captas dos seus responsáveis? Não pagarem Agosto? Interromperem o vínculo no Natal e na Páscoa? Aumentarem a competição mercenária a que estão a reduzir a Escola? Isto não é fazer política. A isto chama-se canibalizar a Educação.

3. O pudor mínimo mandaria que o primeiro-ministro se recolhesse ao mosteiro do silêncio em matéria de avaliação do desempenho dos professores. Não sabe do que fala, nem sabe que não sabe do que fala. Mas falou. Falou para felicitar o Governo e destacar o rigor daquilo que o dito fez. No dia seguinte, o rigor tornou-se público: a avaliação dos mais de mil directores de agrupamentos e escolas é o primeiro paradigma da pantomina. Segundo a bíblia da econometria pública, o Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho da Administração Pública, caberia aos directores regionais de Educação avaliá-los e classificá-los. Só que esses foram todos apeados. E os senhores que se seguem não cumprem o requisito legal de terem seis meses de contacto funcional com os avaliados. O desleixo, a improvisação e o amadorismo estão aqui. Mesmo que Passos Coelho os felicite.

4. Quem também falou foi a Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário. Depois do que ouvi, em entrevista ao Correio da Manhã, fiquei esclarecido, que não surpreendido. Move-se no desconhecido, a Senhora. Foram constantes expressões como: “talvez”; “até pode ser”; “estamos a equacionar”; “estamos a trabalhar no estudo”; “ainda está em fase de estudo”; “ainda está a ser trabalhado”; “é nossa intenção fazer”; “é nossa intenção introduzir”; “é nossa intenção universalizar”. Quando saiu deste registo assertivo, esbarrou com a realidade. “Alargar o ensino pré-escolar a idades mais precoces”? Se agora estamos nos três anos, propõe passar os partos para o jardim-escola, para aproveitar o tempo? Menorizar a Educação Física? Escolarizar a educação da infância? Lastimável!

5. Talvez seja uma simples coincidência, mas no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues o processo foi o mesmo: em momento cirurgicamente escolhido, caiu na imprensa um número grande de faltas de professores. O Diário de Notícias de 26 transacto noticiou 514 mil dias de baixas médicas, de Outubro de 2010 a Janeiro de 2011. E apimentou o escrito com a suspeição de fraude. Tirada a fraude, que deve ser investigada e castigada, se confirmada, pensemos o facto sem palas. Relativizados os números e admitindo que os dias se distribuíam uniformemente por todos os docentes, estaríamos a falar de qualquer coisa que não chegaria a um dia (0.85) por mês, por professor. Mas não distribuem: há baixas prolongadas (gravidezes de risco, baixas pós-parto, doenças graves e assistência a filhos). E ainda há o período considerado, de Inverno, em plena visita do vírus H5N1. Entre tantas, três perguntas mereciam tratamento jornalístico: por que razão só agora foi tornado público algo que se verificou há oito meses? Quantos dias trabalharão os professores portugueses para além do seu horário de trabalho? Haverá relação causal entre as doenças dos professores e as políticas educativas seguidas?


Santana Castilho


"Há quem tenha medo que o medo acabe."




Mia Couto lê nas Conferências do Estoril 2011 um texto que escreveu sobre o medo. Vale a pena ouvir!

Trouxe daqui!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Para rir e para chorar!

Não é bem assim!

E não é que é mesmo verdade!

Ética, hem! O que é isso?

Brasileira, Portuguesa...

O máximo! Pobre bichinho!
Os preços dos alimentos disparam: ainda bem que não acontece o que nos mostra a vinheta...

Sem comentários!

Ora aqui está uma grande verdade!

Infelizmente, a violência é cada vez mais uma realidade nas nossas escolas!

Deveria desaparecer completamente do planeta...

Aqui, temos um carteiro tão medroso que não deixa as cartas, porque tem medo dos cães. De vez em quando, recebemos uma resma de cartas que já deveriam ter chegado há muito...

O ensino, o ensino, o ensino... Faz-se tão pouco pelo ensino público!

Não é só no Brasil!

Pois!

Enfim!

Infelizmente, ainda é uma realidade!
Andamos todos carregadinhos de impostos e ainda nos vão carregar mais...

Completamente em queda, vai a pique!

A corrupção veio para ficar! Esta palavra deveria ser banida do dicionário, talvez assim nos livrássemos também dos corruptos! Limpeza a fundo!


Há mais aqui. Este último veio da pena do Antero.

A Mena na cozinha



Ovos Rotos

1 cebola
1 dente de alho
150 g de bacon
batatas cortadas aos palitos
1 embalagem de cogumelos frescos
sal
pimenta
6 ovos
azeite

Pique a cebola e o alho, corte o bacon em tiras e leve ao lume a refogar.

Coloque as batatas a fritar na Actifry com uma colher de azeite, durante 20/25 minutos.

Quando a cebola estiver transparente, junte os cogumelos bem lavados.

Quanto os cogumelos estiverem cozinhados, junte os ovos, tempere com sal e pimenta e mexa até os ovos cozerem.

Evolva as batatas no preparado anterior e sirva com salada.
É uma refeição super-rápida e do agrado de todos.
Bom apetite!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fernando Pessoa - breves notas biográficas


Fernando António Nogueira Pessoa nasce em Lisboa no dia 13 de Junho de 1888. Perde o pai aos cinco anos, o que o vai marcar profundamente. Passa a infância em Durban, África do Sul, e recebe uma educação de influência anglo-saxónica, devido ao casamento da sua mãe com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban.
Regressa a Lisboa em 1905 e exerce uma actividade profissional ligada à tradução de documentos comerciais.
A explosão dos heterónimos dá-se em 1914, após o rompimento com a revista A Águia. A morte do seu amigo Mário de Sá-Carneiro, em 1916, em Paris, abala fortemente Fernando Pessoa, que passa a ser dominado por uma nuvem de tédio e melancolia.
É 1934 que marca o ano da publicação da Mensagem, o único livro de versos portugueses, organizado e publicado pelo poeta, que lhe proporcionou o prémio de categoria B, consequência do concurso ao prémio Antero de Quental, do Secretariado de Propaganda Nacional.
A 30 de Novembro de 1935, morre no Hospital de S. Luís dos Franceses, vítima de uma cólica hepática.

Antiguidades e curiosidades



FILME DO PORTO E DO MINHO COM QUASE CEM ANOS (DO INÍCIO DO SEC. XX)


Sabe o que era o Pathé na cidade do Porto?

O Pathé era uma sala de espectáculos ao ar livre, situada onde mais tarde vieram a fazer o cinema Batalha.

No Pathé passaram os primeiros filmes mudos da cidade. Era o único cinema.

As pessoas diziam. Vamos ao Pathé em vez de dizerem vamos ao cinema, nos princípios do séc.XX.

Projeccionista dos filmes era o Sr. César. Conhecido pelo Cesinha.


E sabe o que era o Pathé-Baby? Não?

Era um formato de filme de 9,5 mm. que, ao contrário dos outros formatos (8, 16, 35 ou 70 mm); não tinha os furos para arrasto no lado da película, mas no meio, entre cada duas imagens.

Como resultado, o tamanho da imagem era quase igual ao do 16 mm, pois aproveitava toda a largura da película.

Tinha a desvantagem de o gancho de arrasto facilmente sair do sítio e estragar a película. Para minimizar isso, alguns projectores tinham dois ganchos de arrasto, que "apanhavam" dois furos sucessivos.
O formato estava relativamente vulgarizado, e até havia representantes da marca. No Porto, era em Santa Catarina, não muito longe do Via Catarina, mas do lado oposto.

As melhores saudações para todos, especialmente os portuenses ou de algum modo ligados à INBICTA.



Jorge Gonzalez Esteves

domingo, 25 de setembro de 2011

O mundo fantástico da publicidade



O primeiro vídeo é a propaganda pronta, o segundo o "making off". Genial!

Por vezes, é preciso recomeçar!



Este vídeo retrata a vida de um agricultor que transforma a sua fazenda familiar numa "fábrica" de produção animal. Chega, no entanto, à conclusão que a sua vida está totalmente errada. Ninguém é feliz ali! Então, é hora de "voltar ao início" em busca de um futuro mais sustentável.

Alice é viciada em trabalho e tenta conciliar a sua vida profissional com a sua vida familiar. Alice acaba por perder o emprego e o marido. Com a ajuda de Marcela, uma vizinha, Alice descobre que é possível ter sucesso na sua profissão sem deixar os pequenos prazeres da vida de lado.

sábado, 24 de setembro de 2011

Coisas minhas!

No dia 22 de Setembro fiz aninhos e recebi muitos miminhos e presentinhos. Vou mostrar-vos alguns!

Uns brincos e um colar bem versátil. Lindos! Ainda não estreei! Presentes da filhota e do maridão.

Não é espectacular? Gosto muito!

O colar também pode servir de cinto. Recebi (de mim) este vestidinho. Compro sempre um presente para mim! Vou vesti-lo amanhã.

Do meu filhote e da Vió. Para belos banhos cheirosos, cheios de espuma, relaxantes!

De uma amiga: sais de banho num frasquinho lindo!

E foi assim que saí de casa para ir dar aulas, toda gira!

Pormenores do meu casaquinho, costas com encaixe em renda (guipur).

É lindo, um verdadeiro espanto! Adoro!

O vestidinho.

O vaso com flores que tenho na minha casa de banho serviu de cenário para tirar a foto... Os sais não moram ali, claro, foi só para a fotografia!

Fiquei apaixonada por este tecido e tive de o trazer para casa. Não tinha ainda reposteiros na sala, porque ainda não tinha encontrado OS REPOSTEIROS dos meus sonhos! Encontrei-os, finalmente! Não são lindos?

A Mena na cozinha

Sardinhas assadas no forno

sardinhas
1 cebola
2 ou 3 dentes de alho
coentros
pão ralado
azeite
sal
pimenta

Amanhe e tempere as sardinhas com sal meia hora antes de as preparar.


Disponha a cebola e os alhos cortados às rodelas e os coentros num pirex, fazendo uma caminha para a sardinhas, e regue com um fio de azeite. Passe o peixe por pão ralado misturado com uma pitada de pimenta e coloque por cima da caminha. Regue com azeite novamente e enfeite com uns pezinhos de coentros.
Leve ao forno a 200º até as sardinhas ficarem lourinhas.


Sirva com batatinhas cozidas, cortadas às rodelas, e com o molho a temperar.
Bom apetite!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Débil - Cesário Verde


A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,

A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

"Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!"
De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és ténue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.

Cesário Verde


Este poema põe em relevo uma figura feminina que escapa à típica mulher citadina, mas também à mulher que surge no espaço rural.
O sujeito serve-se de um conjunto de signos que contribuem para caracterizar a mulher: "bela, frágil, assustada, recatada, honesta, fraca, natural, dócil, recolhida", remetendo para o seu retrato moral. Já os vocábulos "loura, de corpo alegre e brando, cintura estreita, adorável, com elegância e sem ostentação, esbelta e fina, ténue" remetem para o seu aspecto físico.
Por outro lado, o sujeito lírico considera-se "feio, sólido, leal; sente-se prestável, bom e saudável quando a vê, ao ponto de desejar beijá-la. Afirma ainda ser "hábil, prático e viril", ou seja, com força suficiente para a socorrer quando ela precisar.
Para além da figura feminina, o sujeito poético refere ainda os espaços citadinos como o café, o largo, as ruas, caracterizando-os de forma negativa, chamando ao café "devasso"; do largo destaca o pedestal e das ruas a agitação que nelas se verifica. Nestes espaços movimentam-se figuras sórdidas, que ele caracteriza por " turba ruidosa, negra" e por " uma chusma de padres de batina". Isto significa que o local urbano em que se encontra se presta à movimentação mesquinha destes seres escuros que permitem destacar a fragilidade da jovem como a única capaz de clarear estes locais, torná-los mais brilhantes e mais atractivos ao sujeito lírico.
Com o intuito de evidenciar o contraste entre o espaço e a jovem senhora, o sujeito poético faz referência ao ajuntamento, característico dos espaços urbanos, onde a agitação e a confusão imperam. Sobressaem as diferentes classes sociais que se podiam encontrar no espaço citadino, o que permite afirmar que a cidade era palco de vários seres que nele se movimentam, uns por ociosidade, outros por obrigação, tal como seria normal numa cidade onde está a chegar a industrialização e para onde acorrem os mais pobres, na expectativa de aí encontrarem melhores condições de vida.
A luminosidade deste dia só é posta em evidência quando a figura feminina surge nos locais onde anteriormente se moviam figuras conotadas com os aspectos negativos da cidade. Só a visão desta mulher frágil e pura lhe possibilita uma visão mais positiva da realidade, estando aqui realçados o tempo e o espaço psicológicos, ou seja, aqueles que se resultam do estado de espírito do sujeito poético e da sua construção.
O sujeito lírico revela o receio de perder a mulher admirada, porque, "os corvos" a poderiam arrancar daquele local, a ela que não passava de uma "pombinha tímida e quieta". Por isso, o sujeito poético mostra-se capaz de a salvar, mesmo que seja a custo da sua própria vida, mostrando-se protector da fragilidade e capaz de tudo para poder conservar aquela figura que o fazia recordar a simplicidade do campo e das mulheres que o povoam.
Apesar da oposição que Cesário Verde costuma estabelecer entre a mulher do campo e a mulher da cidade, a figura feminina que aqui é retratada é uma espécie de mistura, uma vez que o retrato que dela traça está associado à mulher campesina, mas o espaço em que se movimenta é-lhe estranho e, por, isso, esta sente-se perdida, a necessitar da protecção masculina. Trata-se de uma mulher do campo que se sente desnorteada num espaço que não está adequado à sua fragilidade.
Cesário Verde serve-se de um conjunto de processos que, também neste poema, podem ser percepcionados. É o caso do vocabulário preciso e exacto e as imagens carregadas de visualismo que dão uma visão perfeita das realidades visionadas. Além disso, percebe-se a objectividade que imprime ao conteúdo, afastando-se, deste modo, do lirismo romântico. Para retratar fielmente a realidade ou as figuras com que depara, o autor emprega a adjectivação e as frases preposicionais de valor adverbial. Acresce ainda referir o uso das quadras e dos versos decassilábicos que permitem uma maior aproximação à prosa.
Concluindo, este é um texto cheio de referências à realidade social, onde se percepciona a crítica e a ironia de que Cesário Verde se serve e que reflectem o seu carácter subjectivo.

Outono, sê bem-vindo!




Chegou o Outono, veio de mansinho, eram nove e pouco. Poucos deram por ele! Alguns, distraídos, até se levantaram cedo, mas na lufa-lufa, na correria que é todas as manhãs, passaram por ele sem o ver. Outros... nem querem vê-lo, fazem de conta que ainda não chegou, fazem vista grossa, é preciso aproveitar todos os raios de sol por mais pequeninos que sejam. Também poucos deram pela partida do Verão que saiu, pé-ante-pé, de pantufas, sem se despedir, levando o calor.
O Outono traz-nos outros encantos, as árvores vão-se despindo, devagarinho, numa dança lenta e harmoniosa ao som do vento; o chão atapeta-se suavemente de folhas amarelecidas, de verdes desvanecidos, envelhecidos. Estas folhas amareladas, tingidas aqui e ali ainda de verde, castanhas e avermelhadas protegem a vida, que há-de um dia despontar, das sementinhas caídas, encolhidas na terra húmida, escondidas, à espera que o tempo as transforme de novo num verde manto florido.
É verdade, o Outono chegou!