segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Poema de agradecimento à corja

O Zé povinho, burro de carga dos ricaços, guiado pelos políticos vendidos ao poder económico.
Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Encontrei aqui!

Coisas com histórias


Era uma vez um casaquinho preto, nada de especial, mas que era para usar numa ocasião - essa sim - especial. Virei o casaco, revirei o casaco, tornei a virar e a revirar... Saí de casa, parei numa retrosaria, comprei uns metros de renda preta. Voltei para casa e pus as mão na agulha, cose daqui, cose dali e o casaquinho ficou logo com outro ar. Tirei-lhe o cinto horroroso que vinha com ele e fiz outro (está mais abaixo). Um dia desses, mostro como ficou o conjuntinho...
O laço em cota com pérola, é um alfinete ou pregadeira que fiz para pôr no casaquinho ou no top que se segue.

De lacinho ao peito: gosto de rendinhas, bordados, lacinhos...

Gosto de fazer os desenhos para as rendas para os meus naperons, lencóis, toalhas... Assim, não há o perigo de ter uma toalha igual a todo o mundo. Nem sabem gozo que me dá fazer, em papel quadriculado, os desenhos para fazer em croché ou para bordar...

Cá está o cintinho do casaquinho, rematado com a mesma rendinha do casaco e a pulseira em pérolas e cota prateada...

Pulseiras em cota prateada, pérolas e contas Pandora...

Estas letras também foram desenhadas por mim, são as iniciais do nome da minha filhota! Adoro fazer trabalhos destes, são uma verdadeira terapia!



Escândalo: O ME prepara-se para formar alunos "ignorantes fala-barato»

O fim anunciado da disciplina de História

Para raciocinar criticamente sobre um assunto é preciso começar por conhecê-lo. Pretendendo-se formar «estudantes críticos» sem lhes fornecer a necessária formação e treino, apenas se formam ignorantes fala-barato.

Nuno Crato, O “eduquês” em discurso directo, Gradiva, 2006, p. 86

O ministro da Educação Nuno Crato prepara-se, no âmbito da nebulosa reorganização curricular que se encontra em curso, para extinguir a disciplina de História do terceiro ciclo como área autónoma do saber.

Não admira que este economista e matemático de formação assuma tal responsabilidade, pois parece não convir aos políticos, economistas e gestores que moldaram e controlam o mundo neoliberal deprimido de hoje que este seja interpretado a partir de critérios metodológicos e quadros do conhecimento que só a ciência histórica pode fornecer. Decididamente, não interessa a estes directores e manipuladores da situação que os jovens e futuros cidadãos desenvolvam uma consciência histórica que lhes permita questionar e rebater de forma argumentada o paradigma económico-social e político nacional e mundial contemporâneo.

Hoje os media estão contaminados por economistas-gestores que opinam sobre tudo e condicionam a opinião pública. Esses mesmos economistas-gestores que nunca foram capazes de antecipar a crise — ou não tiveram o interesse ou a coragem para o fazer — e são agora incapazes de nos apresentarem soluções perceptíveis para a superar, mas que, à conta dessa crise, invadiram os meios de comunicação social, dominam o mundo financeiro e empresarial e determinam a acção dos políticos. Os mesmos economistas-gestores que, entretanto, resolveram obnubilar o facto de a crise dos subprimes de 2008 estoirar nos EUA (e depois, por efeito dominó, na Europa) devido às desreguladas e criminosas actividades especulativas do sector privado. E que hoje nos vêm dizer que a culpa de estarmos a descer ao inferno tem de ser somente assacada aos gastos desmedidos que os políticos fizeram no sector público – ou seja, em prol de um Estado-providência que, apesar de ter cometido (intoleráveis) erros de palmatória, é afinal acusado de ter desejado praticar o supremo crime de assegurar uma sociedade mais justa e democrática, em que todos tivessem igual acesso à educação, à saúde e à justiça.

É, no entanto, curioso registar que perante a iminência do fim das disciplinas de História e de Geografia no terceiro ciclo do ensino básico, que se prevê serem fundidas numa disciplina híbrida — a qual, pormenor de somenos importância, será doravante leccionada por professores de História sem formação de Geografia e por professores de Geografia sem formação de História —, toda a gente fique calada. Com efeito, sobre este assunto só os sindicatos dos professores denunciaram com alguma fogosidade o risco de esta medida, estritamente economicista e sem justificação pedagógica e cívica, poder contribuir, a curto ou médio prazo, para o despedimento de muitos professores de História e de Geografia contratados ou mesmo dos quadros de nomeação definitiva das escolas e, portanto, com 10 ou até mais de 15 anos de trabalho.

Onde estão os professores de História do ensino básico e secundário? E por onde andam os professores de História do ensino universitário? E onde está a Associação de Professores de História que, depois de ter apresentado uma petição/manifesto contra tal medida, parece ter-se desinteressado do assunto? E o que pensa sobre este tema a sempre tão interventiva Confederação Nacional de Associação de Pais? E os ex-presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio? E, ainda que mal pergunte, que justificação pretende dar Nuno Crato para assumir a responsabilidade política desta decisão? Note-se, o mesmo que antes de estar ministro advogou, num livro que pretendeu desconstruir, argutamente, os mitos da pedagogia romântica e construtivista, ser «preciso centrar forças nos aspectos essenciais do ensino, ou seja, na formação científica de professores, no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento […]» (O «Eduquês» em discurso directo, Gradiva, 2006, p. 116).

Se a disciplina de História for mesmo banida dos currículos do terceiro ciclo do ensino básico — registe-se, no exacto momento do rescaldo das exuberantes comemorações do centenário da Primeira República (1910-2010) —, então sugiro ao ministro Nuno Crato que mande para as urtigas a «formação científica dos professores» e o «ensino das matérias básicas» que tanto defendeu, e opte por idênticos processos para outras disciplinas. Nomeadamente, que trate de fundir a disciplina de Matemática com a disciplina de Ciências Físico-químicas e a disciplina de Português com a disciplina de Inglês. Desta forma, o Ministério da Educação poderá cumprir os seus crípticos desígnios de contribuir para a formação de alunos «ignorantes fala-barato», instruir cidadãos castrados, despedir professores e, evidentemente, poupar dinheiro. A escola pública e o país agradecem.

Luís Filipe Torgal

domingo, 30 de outubro de 2011

Oração do assaltado ( Funcionário Público)



Meu Deus que sois infinitamente amável e justo...
Este país, como podeis enxergar aí de cima, é constituído por uma quadrilha de ladrões especializados e seus assessores, de um lado; e por ingénuos sustentadores da ladroagem, do outro lado. Os primeiros passam a vida a desfalcar os segundos, e é esse o seu trabalho ou profissão. Se estivestes atento lograstes observar o mais recente assalto daqueles. Foi uma autêntica razia às carteiras desprotegidas dos funcionários públicos de Portugal. Pior, só as pilhagens das tropas napoleónicas no Vale do Nilo. Por isso, vos rogamos, Senhor, que aconselheis o governo a repartir o que roubam por quem merece e precisa.

Senhor louvado, não permitais que o nosso dinheiro se encharque de lama sob a pata suja do BPN. Iluminai o cérebro torpe deste governo (envolto nas trevas) para que o utilize em obras úteis aos cidadãos. Que as adjudique a empreiteiros honestos, caso ainda os haja.

Deus todo poderoso, aconselhai o poder a não esbanjar as divisas agora públicas dos funcionários do Estado, em despesas íntimas ou particulares. Defendei-nos do aparelho político e financeiro; dos seus gastos torrenciais em viagens inúteis; em carros topo de gama e em motoristas; em alcavalas secretas, negociatas mirabolantes, e privilégios manhosos; em apoios a federações de não sei quê e em fundações de não sei quem; em pareceres e estudos inconsequentes; em obras de autarcas alucinados que exigem em cada Vila um Castelo.

Finalmente, ó mais justo ser do universo, tentai persuadir o Dr. Ervas a arrumar com as telenovelas da RTP. Já nos chegam as outras! E aturar o “galinheiro” da Teresa Guilherme.



Fernando Pessoa - A fragmentação do eu / o tédio emocional


A tendência constante para a intelectualização conduz Pessoa a um permanente processo de auto-análise. A dúvida e indefinição relativamente à sua identidade, a angústia do auto-desconhecimento - "Por isso, alheio, vou lendo / Como páginas meu ser" - levam o ortónimo a ser incapaz de viver a vida, mergulhando no tédio e angústia existenciais, no desalento e no cepticismo mais profundos.
Vários acontecimentos na sua vida acentuam esse desencanto. A notícia da morte do seu grande amigo Sá-Carneiro em Paris, em Abril de 1916, por exemplo, abala-o profundamente, deprimindo-o ainda mais.
No entanto, Pessoa perseguiu insistentemente a felicidade que nunca atingiu, ou porque não encontrou quem o entendesse, ou porque ele próprio não foi capaz de sair do turbilhão em que se enredou e de se relacionar com os outros, de quem se sente irremediavelmente separado.
Insatisfeito com o presente e incapaz de o viver em plenitude, porque a fragmentação se instalou, Pessoa anseia por vivências, estados de ilusão, sonhos que possibilitem "coisas impossíveis". O desejo de viajar, de ser o que não é, reflecte a sua insatisfação permanente. Mesmo aquilo que está próximo é sentido como longínquo. Vejamos os poemas:

"Viajar! Perder países!" - A permanente fragmentação do eu é reforçada pela metáfora que inicia o poema:
  • a constante despersonalização;
  • a inexistência de motivos para viver a vida;
  • a solidão e a melancolia do sujeito poético.
"A aranha do meu destino" - Consciente de existir, o sujeito poético sente-se como uma presa de si próprio:
  • a metáfora da teia de aranha, como expressão do seu aprisionamento;
  • o desconhecimento de si próprio;
  • a consciência excessiva.
"Náusea. Vontade de nada." - O sujeito poético exprime:
  • a desistência da vida;
  • a incapacidade de agir;
  • a imagem de um eu "espectador" da vida;
  • o tédio de tudo.
"Tudo o que faço ou medito" - O sujeito poético confessa:
  • a frustração resultante da dualidade "querer" / "fazer";
  • o sentimento de náusea diante do que realiza;
  • a contradição, o conflito interior entre a alma e o ser;
  • a impossibilidade de concretizar os seus anseios.
Na poesia de Pessoa ortónimo proliferam, ainda, momentos em que o sujeito poético se assume como um ser fragmentado - "Não sei quantas almas tenho. / Cada momento mudei. / Continuamente me estranho." - um ser que se estranha a si próprio, contemplando-se de fora.

sábado, 29 de outubro de 2011

Tempos difíceis (só para alguns!)

Já nada é como era!

Nem isso merecem!

E o que está a dar é ser-se imbecil, ignorante... Os governantes agradecem!

O que fizeram deste país?

Não se vislumbra nem uma nesguinha de luz!

Pois sou, mas não me adianta nada ser!

Somos roubados todos os dias por essa corja de mentirosos!

Fartíssima!

Creio que muitos já sentem que chegou o fim do mundo!

Triste, triste, triste!

Enfim!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A Mena na cozinha

Espirais à bolonhesa

250 g de massa (espirais)
250 g de carne picada
1 cebola
1 dente de alho
3 dl de água
1 dl de vinho branco
azeite
sal
pimenta
orégãos

Descasque e pique a cebola e o alho miudinhos.
Introduza na sua MasterChef todos os ingredientes e misture bem.
Seleccione a função Chef, com a tampa fechada, para 15 minutos e carregue na tecla Início.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O que a Troika queria aprovar e não conseguiu!

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicosque servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - háhospitais de província com mais administradores que pessoaladministrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.


18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.


20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros o Estado.

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;

26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.


30. Pôr os Bancos a pagar impostos.

*Ao "povo", pede-se que dê a conhecer isto ao maior número de pessoas...

POR TODOS NÓS E PELOS NOSSOS FILHOS.

Conselho aos Filhos de Portugal


Mensagem recebida de um emigrante a viver no estrangeiro:


Se és um jovem português,

atravessa a fronteira do teu País

e parte destemido

na procura de um futuro com Futuro


Porque no teu País

A Educação é como uma licenciatura

tirada sem mérito e sem trabalho,

arquitectada por amigos docentes

e abençoada numa manhã dominical


Porque no teu País

É mais importante a estatística dos números

que a competência científica dos alunos.

O que interessa é encher as universidades,

nem que seja de burros


Porque no teu País

A corrupção faz parte do jogo

onde os jogadores e os árbitros

são carne do mesmo osso

e partilham o mesmo tempero


Porque no teu País

A justiça é ela própria uma injustiça

porque serve quem é rico e influente

com leis democraticamente pobres


Porque no teu País

As prisões não são para os ladrões ricos

porque os ricos não são ladrões

já que um desvio é diferente de um roubo


Porque no teu País

A Saúde é uma doença crónica

onde, quem pouco tem

é sempre colocado na coluna da despesa


Porque no teu País

Se paga a quem nada faz

e se taxa a quem pouco aufere


Porque no teu País

A incompetência política

é definida como coragem patriótica


Porque no teu País

O mar apenas serve para tomar banho

e pescar sardinhas


Porque no teu País

Um autarca condenado à prisão pela justiça

pode continuar em funções em liberdade

passeando e assobiando de mãos nos bolsos


Porque no teu País

Os manuais escolares são pagos

enquanto a frota automóvel dos políticos

é topo de gama


Porque no teu País

Há reformas de duzentos euros

e acumulação de reformas de milhares deles


Porque no teu País

A universidade pública deixou cair a exigência

e as licenciaturas na privada

tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades


Porque no teu País

Os governantes, na sua esmagadora maioria

apenas possuem experiência partidária

que os conduz pelas veredas do "sim ao chefe"


Porque no teu País

O que é falso, é dito como verdade,

sob Palavra de Honra!

São votos ganhos numa eleição


Porque no teu País

As falências são uma normalidade,

o desemprego é galopante,

a criminalidade assusta,

o limiar da pobreza é gritante

e a venda de Porsche e Ferrari ... aumenta


Porque no teu País

Há esquadras da polícia em tal estado

onde os agentes se servem da casa de banho

dos cafés mais próximos


Porque no teu País

Se oferecem computadores nas escolas

apenas para compor as estatísticas

do saber "faz de conta" em banda larga


Porque no teu País

Se os teus pais não forem ricos

por mais que faças e labutes

pouco vales sem um cartão partidário


Porque no teu País

Os governantes não taxam os bancos

porque, quando saírem do governo

serão eles que os empregam


Porque no teu País

És apenas mais um número

onde o Primeiro-Ministro se chama Alice

que vive no País das Maravilhas

mesmo ao lado do teu.


Foge !

E não olhes para trás !"

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fernando Pessoa - A nostalgia de uma infância mítica


No caso da infância, é inegável que Pessoa dela sentia uma grande saudade, mas trata-se de uma saudade, de uma nostalgia imaginada, intelectualmente trabalhada e literariamente sentida como "um sabor de infância triste". O poeta afirma, igualmente, numa carta a João Gaspar Simões de 11 de Dezembro de 1931, que a saudade é "atitude literária", símbolo de pureza, inconsciência, sonho, paraíso perdido.
No entanto, o tom de lamento que perpassa nalguns dos seus poemas resulta do constante confronto com a criança que outrora foi, numa Lisboa sonhada, mas ao mesmo tempo real porque familiar, palco dos primeiros cinco anos da sua vida, marcados pela forte relação afectiva com a mãe.
Insatisfeito com o presente e incapaz de o viver em plenitude, Pessoa refugia-se numa infância, regra geral, desprovida de experiência biográfica e submetida a um processo de intelectualização. Os poemas que ilustram este fascínio pela infância são:

"Quando as crianças brincam" - A evocação da infância surge como motivo de criação poética:
  • o real (a brincadeira das crianças) como pretexto para uma reflexão introspectiva - "Quando as crianças brincam / E eu as oiço brincar";
  • a infância como um tempo onírico - "E toda aquela infância / Que não tive me vem";
  • a identificação da infância como um tempo de felicidade apenas pressentida;
  • a articulação passado / presente / futuro: o jogo dos tempos verbais - "fui"; "serei"; "sou";
  • a permanência da dualidade pensar / sentir - "Quem sou ao menos sinta / Isto no coração".
"Pobre velha música!" - O ouvir da "Pobre velha música!" faz convergir o passado e o presente:
  • o presente marcado pela nostalgia do passado - "Enche-se de lágrimas / Meu olhar parado."
  • a percepção de dois modos de ouvir - "Recordo outro ouvir-te.";
  • o desejo violento de recuperar o passado - "Com que ânsia tão raiva / Quero aquele outrora!";
  • a permanente incapacidade de ser feliz - "E eu era feliz? Não sei: / Fui-o outrora agora." - sublinhada pelo oxímoro.
"O menino da sua mãe" - O sujeito poético parte da imagem de um soldado morto e abandonado no campo de batalha para exprimir o dramatismo de uma vivência familiar:
  • o contraste entre as expectativas da mãe e da criada velha e a realidade;
  • a precocidade da morte;
  • a intemporalidade da situação dramática evocada;
  • a fugacidade dos momentos de felicidade.
"Não sei, ama, onde era," - O sujeito poético evoca o universo simbólico dos contos infantis, dos reis e das princesas para, a partir dele, expressar a saudade de um tempo de felicidade:
  • a simbologia do tempo e do espaço referidos - "Sei que era Primavera / E o jardim do rei...";
  • a estrutura dramática e o desdobramento do sujeito poético presente no diálogo entre um "eu" feminino e a ama;
  • os lamentos presentes no discurso parentético das quatro primeiras estrofes, reveladores da dor de crescer e pensar - "(Filha, os sonhos são dores...) - e da inevitabilidade da morte - "(Filha, o resto é morrer...)";
  • a dor de pensar - "Penso e fico a chorar...";
  • a identificação entre as narrativas infantis e a felicidade - "Conta-me contos, ama... / Todos os contos são / Esse dia, e jardim e a dama / Que eu fui nessa solidão...".



Porque sou fã de Santana Castilho

Quando a mentira oprime a nação

Ricardo Santos Pinto, do blogue “Aventar”, prestou-nos um serviço cívico: recolheu em vídeo (ver) afirmações e promessas de Pedro Passos Coelho, enquanto candidato a primeiro-ministro. O cotejo desse impressivo documento com as medidas tomadas pelo visado, nos curtos quatro meses de poder, evidencia o colossal logro em que os portugueses caíram. Se em quatro meses a sua acção é pautada por tanto despudor e falta de ética, que sobra à nação para lhe confiar quatro anos de governo?

O orçamento do Estado para 2012 é bem mais bruto que o tratamento “à bruta” que Passos Coelho recriminou a Sócrates, no vídeo em análise. Aí se consagra, com uma violência desumana, o que Passos Coelho disse que nunca faria: confisco de quatro meses de salários aos servidores públicos e reformados; fim de deduções fiscais; aumento de impostos, designadamente do IRS e IVA. Ao embuste ardilosamente tecido em ano e meio de caça ao voto acrescenta-se a falácia com que se justifica o assalto aos que trabalham. Com efeito, muito mais que a invocada má gestão das contas públicas no primeiro semestre, da responsabilidade de Sócrates, pesa a irresponsabilidade da Madeira e o caso de polícia do BPN. Na primeira circunstância, ocultando manhosamente o plano de ajustamento, antes das eleições, Passos Coelho protegeu Jardim e escamoteou quem saldaria o escândalo. Sabemos agora que são os funcionários públicos e os pensionistas. Na segunda, enquanto os responsáveis pelo tenebroso roubo permanecem impunes, os contabilistas que governam venderam o BPN ao desbarato, limpinho das dívidas colossais. O povo vai pagar e pedem-lhe agora que não bufe, por causa dos mercados.

Passos Coelho manipula grosseiramente os factos quando afirma que a média salarial da função pública é 15 por cento superior à dos trabalhadores privados. Ele sabe que a qualificação média dos activos privados é bem mais baixa que a homóloga pública, onde trabalham, entre outros técnicos de formação superior, milhares de médicos, professores, juízes, arquitectos, engenheiros e cientistas. Para que a comparação tenha validade, há que fazê-la entre funções com idênticos requisitos académicos. A demagogia não colhe. Como não colhe o primarismo de dizer que não estendeu o corte dos subsídios aos privados porque o Estado não beneficiaria, mas sim os patrões, que pagam os salários. Esqueceu-se de como fez com o corte deste ano? Ou toma-nos por estúpidos?

O orçamento esconde-se cobardemente atrás da troika para invocar a inevitabilidade das suas malfeitorias. Mas vai muito para além do que ela impõe e expõe a desvergonha da ideologia que o informa: quando revê a Constituição da República por via contabilística; quando poupa, sem escrúpulos, os rendimentos do capital e esquece os titulares das reformas por exercício de cargos públicos, numa ostensiva iniquidade social; quando permite que permaneçam incólumes os milhões que fogem ao fisco; quando compromete, sem réstia de tacto político, a solidariedade entre os cidadãos, pondo os que trabalham no sector privado contra os que trabalham no sector público; quando, atirando o investimento na Educação para o último lugar da União Europeia, ao nível dos indicadores do terceiro mundo, não só não desce o financiamento do ensino privado como o aumenta em nove milhões e 465 mil euros; quando, depois de apertar como nunca o garrote à administração pública, aumenta quase quatro milhões de euros à rubrica por onde pagará pareceres e estudos aos grandes gabinetes de advogados e outros protegidos do regime (Sócrates contentava-se com 97 milhões, Passos subiu para 100,7 milhões); quando, impondo contenção impiedosa nas áreas sociais, inscreve 13 milhões e meio para despesas de representação dos titulares políticos; quando, numa palavra e apesar do slogan do “Estado gordo”, apenas emagreceu salários e prestações sociais, borrifando-se nas pessoas e no país e substituindo o critério do bem comum pelo critério do bem de alguns.

Incapaz de ajudar o país a crescer, Passos tomou a China por modelo e acreditou que sairemos da fossa com uma economia repressiva e de salários miseráveis. Refém que está e servidor que é de grupos económicos e interesses particulares, Passos Coelho perdeu com este orçamento a oportunidade de resgatar o Estado. Ministério a ministério, não se divisa qualquer programa político redentor. Não existem políticas sectoriais. Se Passos regressasse à protecção de Ângelo Correia, Álvaro a Vancouver e Crato ao Tagus Park, Gaspar, só, geria a trapalhada que tem sido tecida de fininho. Recordemo-la. Em Maio passado, o memorando de entendimento que o PS, PSD e CDS assinaram com a troika consignava para 2012 cerca 4.500 milhões de euros de redução da despesa e cerca 1.500 de aumento da receita (leia-se impostos). Apenas três meses volvidos, o documento de estratégia orçamental do Governo para o período de 2011 a 2015 já aumentava os números de 2012: a redução da despesa pública crescia quase 600 milhões e as receitas a cobrar aumentavam quase 1.200, pouco faltando para a duplicação do número antes considerado. Foi obra, em três meses. A meio de Outubro, novo documento oficial reiterava os números anteriores. Mas eis senão quando, escassos dias volvidos, surge o orçamento, que passa a redução da despesa, em 2012, para quase 7.500 milhões e fixa o aumento de impostos em cerca de 2.900 milhões. Diferenças colossais em documentos oficiais, com quatro dias de premeio, merecem a confiança dos contribuintes? Com a classe média a caminho da pobreza e os pobres a ficarem miseráveis, a esperança morreu. Definitivamente. Bastaram quatro meses. Esperemos que o país acorde e se mobilize.

Santana Castilho