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terça-feira, 10 de abril de 2012

Ricardo Reis

  • NasBlockquoteceu no dia 19 de Setembro de 1887, no Porto.
  • Era um pouco mais baixo e mais forte que Alberto Caeiro.
  • A sua pele era de um moreno mate.
  • Foi educado num colégio de Jesuitas.
  • Teve uma educação clássica, de raiz greco-latina: latinista por formação, helenista por autodidactismo.
  • Era médico.
  • Em 1919, expatriou-se para o Brasil, por ser monárquico.
  • Era latinista, ensinava latim, num colégio americano.
  • Fernando Pessoa afirma que Ricardo Reis escrevia melhor do que ele próprio.
  • Discípulo de Caeiro, que admira pela sua calma, serenidade com que encara a vida, procura atingir a paz e o equilíbrio do seu mestre.
  • Os textos de Ricardo Reis mantêm o equilíbrio próprio do espírito clássico, conseguido por uma engenhosa harmonia entre o epicurismo e o estoicismo.

Epicurismo - doutrina moral baseada num ideal de sabedoria que tem por objectivo a tranquilidade da alma, conseguida por:
  • não temer a morte;
  • buscar os prazeres simples da vida, sem excessos;
  • fugir à dor.

Estoicismo - doutrina moral que propõe regras de vida próprias para alcançar a felicidade e a sabedoria:
  • dominar as paixões;
  • aceitar a ordem universal das coisas, incluindo a morte.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma Após Uma as Ondas Apressadas




Uma Após Uma
Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.

Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o 'spaço
Do ar entre as nuvens 'scassas.

Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.

Só uma vaga pena inconsequente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada.


Ricardo Reis


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cascata de flores


Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Recicl'arte


Cápsulas de Nespresso marteladas, arame de cobre e pérolas em fio de couro.


Sofro, Lídia, do medo do destino

Sofro, Lídia, do medo do destino.
A leve pedra que um momento ergue
As lisas rodas do meu carro, aterra
Meu coração.

Tudo quanto me ameace de mudar-me
Para melhor que seja, odeio e fujo.
Deixem-me os deuses minha vida sempre
Sem renovar

Meus dias, mas que um passe e outro passe
Ficando eu sempre quase o mesmo, indo
Para a velhice como um dia entra
No anoitecer.


Ricardo Reis


Eia as razões por que devemos reciclar:

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Amanhã não existe



Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Connosco, cedo, cedo.

O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.

Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?

Ricardo Reis


O tema deste poema é a efemeridade da vida e a consequente necessidade de viver o momento presente.
Esta ideia de transitoriedade das coisas surge logo na primeira estrofe ("Pois que nada dure") e é confirmada pela certeza de que mesmo "durando" perde a utilidade "neste confuso mundo". Estas certezas fazem com que o sujeito lírico faça a apologia do "prazer do momento", apesar de este constituir "o mal presente". E é a consciência aguda da sua fragilidade que o leva a afirmar que ele é "o derradeiro / Ser de quem" finge ser.

A filosofia de vida aqui expressa por Ricardo Reis é a do "carpe diem" horaciano e a de Epicuro, uma vez que aqui se revela a importância de gozar o momento presente, tirando apenas o prazer desse instante, apelando à racionalização das emoções e à necessidade de comprazimento com aquilo que a vida no presente lhe oferece. O estoicismo é também visível uma vez que as paixões não são aqui expressas, mas sim a auto-disciplina e auto-controlo defendidos pelos estóicos.

O sujeito poético considera que "o mal presente" é preferível "À absurda cura do futuro". Atendendo a que a vida é fugaz, é preferível viver aquilo que no momento temos, a esperar mudanças futuras, que poderão até nem serem vividas por nós. Além disso, "o mal presente" é a única certeza que possui, mesmo porque o futuro é desconhecido e nada garante que o que aí vamos encontrar não seja tanto ou mais absurdo do que aquilo que vemos no presente. Parece, pois, aceitável afirmar que o sujeito lírico tem medo de um futuro desconhecido e, por isso, prefere contar com o que tem e não ficar à espera que o futuro traga alguma "cura", alguma solução.

O último verso do poema parece remeter para a impossibilidade de o homem controlar os seus actos, o seu destino. Quando se interroga sobre o poder de um ser que apenas pode ser fingimento, uma vez que o que está para além dos limites do tempo pode ser um mistério, verifica-se que é esse mistério que comanda o próprio homem, é uma espécie de destino trágico que apenas permite viver parcelarmente. Contrariamente ao que seria de esperar, dado que Ricardo Reis é o poeta da razão, o sujeito poético não assume uma atitude antropocêntrica, muito pelo contrário, há uma certa desresponsabilização ao afirmar a sua impotência face ao fluir inexorável da vida humana.

Os recursos estilísticos que sobressaem no texto são característicos da poética de Ricardo Reis. Por isso, temos a metáfora ("Com que seu bem compramos"), assim como uma antítese, uma vez que se pretende comprar o bem que o mal encerra, transmitindo a ideia de desagregação e de desconcerto do sujeito lírico; o hipérbato, verificável ao longo de todo o poema, mas que revela o gosto pela estrutura frásica latina ("O prazer do momento anteponhamos") e o emprego dos verbos no presente do indicativo ("perdemos", "é", "compramos", "existe", "finjo"), no gerúndio ("durando") e no presente do conjuntivo com valor exortativo, ou seja, apelativo ("obramos", anteponhamos").






A Mena na cozinha

Carne de porco com amêijoas

1 lombo de porco
2 colheres de polpa de pimentão
2 colheres de polpa de tomate
piripiri ou malagueta em conserva
pimenta
2 kg de amêijoa
1 cabeça de alhos grande
sal
azeite
vinho branco

Corte a carne em cubos. Na picadora, junte os alhos e o sal e reduza a puré.

Junte a pasta dos alhos à carne, a polpa de tomate e de pimentão, o piripiri, a pimenta e o vinho. Misture bem. Deixe a marinar, pelo menos uma hora.

Leve um tacho ao lume com 1 dl de azeite. Escorra a carne e frite-a no azeite quente.

Retire a carne, quando estiver cozida. Deite as amêijoas no molho da fritura da carne e deixe-as abrir em lume brando.

Quando as amêijoas estiverem abertas, junte a marinada e a carne, misturando bem e deixando apurar um pouco.
Sirva com batatas fritas e salada.
Bom apetite!


Trabalhinho:

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Amigos para sempre - Amigos para siempre

Hace poco acepté el compromiso de hacer un post para mis amigos en español, para los que asiduamente frecuentan este espacio. Pues bien, es hoy! Para todos ustedes, mis amados visitantes y en especial para la Siry con mucho cariño…


I SENTIMENTI PIÙ DOLOROSI

E LE EMOZIONE PIÙ PUNGENTI,

SONO QUELLI ASSURDI:L'ANSIA DI COSE IMPOSSIBILE,

PROPRIO PERCHÈ SONO IMPOSSIBILE,

LA NOSTALGIA DI CIÒ CHE NON C'È MAI STATO,

IL DESIDERIO DI CIÒ CHE POTREBBE ESSERE STATO,

LA PENA DI NON ESSERE UN'ALTRO,

L'INSODDISFAZIONE PER L'ESISTENZA DEL MONDO.



OS SENTIMENTOS MAIS DOLOROSOS

E AS EMOÇÕES MAIS PUNGENTES,

SÃO AQUELAS ABSURDAS: A ÂNSIA DE COISAS IMPOSSÍVEIS,

MESMO PORQUE SÃO IMPOSSÍVEIS,

A SAUDADE DE TUDO AQUILO QUE NUNCA ESTEVE,

O DESEJO DE TUDO O QUE PODERIA TER ESTADO,

A PENA DE NÃO SER UM OUTRO,

A INSATISFAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DO MUNDO.

Fernando Pessoa


Così presto passa tutto quanto passa!

Muore così giovane davanti agli dèi tutto quanto

Muore! Tutto è così poco!

Niente si sa, tutto si immagina.

Circondati di rose , ama, bevi

E taci. Il resto è niente.

(da Odi di Ricardo Reis)


Tão cedo passa tudo quanto passa!

Morre tão jovem ante os deuses quanto

Morre! Tudo é tão pouco!

Nada se sabe,tudo se imagina

Circunda-te de rosas, ama, bebe

E cala. O mais é nada

(Ode de Ricardo Reis)


" BREVE OS DIAS,

BREVE O ANO ,

BREVE TUDO.

FALTA POUCO A SER NADA"


Amigos para sempre - Amigos para siempre


Amistad y amor, poema de Pablo Neruda


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

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O trem da vida - El tren de la vida





Miminhos!

Recebi este miminho da Chocolate! Obrigada por te teres lembrado de mim, adorei!


MIMO DA THEMIS

Este foi-me oferecido pela Sónia. Muito obrigada, amiga!


Aqui ficam os miminhos para quem quiser levar. Obrigada pelas visitas e pelos comentários sempre tão agradáveis. Um beijinho grande para todas!


Trabalhitos: colares




sexta-feira, 21 de março de 2008

Árvores e Poesia

Dia Mundial da Poesia


O Dia Mundial da Poesia foi instituído na 30ª Conferência Geral da Unesco, em 2000.


Dia da Poesia...

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa


Agora as palavras


Obedecem-me agora muito menos,
as palavras. A propósito
de nada resmungam, não fazem
caso do que lhes digo,
não respeitam a minha idade.
Provavelmente fartaram-se da rédea,
não me perdoam
a mão rigorosa, a indiferença
pelo fogo-de-artifício.
Eu gosto delas, nunca tive outra
paixão, e elas durante muitos anos
também gostaram de mim: dançavam
à minha roda quando as encontrava.
Com elas fazia o lume,
sustentava os meus dias, mas agora
estão ariscas, escapam-se por entre
as mãos, arreganham os dentes
se tento retê-las. Ou será que
já só procuro as mais encabritadas?

Eugénio de Andrade


DIA MUNDIAL DA ÁRVORE


«A árvore é figura do homem e próprio significado seu: porque nela, diz Santo Ambrósio, que há viver e morrer, crescer e decrescer, como no homem. Nela, diz Plínio, que há mocidade e velhice: doenças gerais e particulares, como no homem. Dela, diz Colunela, que padece fome e sede, como o homem e que tanto lhe faz mal a sobejidão do alimento, como a falta dele. Dela, diz Santo Agostinho, que vive enquanto reverdece e morre quando seca e murcha. Plutarco por encarecimento diz que as árvores têm fraqueza e mostram que sentem dores quando lhes quebram ou cortam os ramos. O sol as seca, frios as queimam, névoas lhes fazem mal, quenturas as abrasam, águas as apodrecem, ventos as combatem, tempestades as destroem e enfim muitas coisas lhes são adversas e outras favoráveis, como sucede aos homens. Também se diz das árvores que após admiráveis concebimentos de cada ano, têm fecundos partos com os quais aparecem quando descobrem flores, e então tem cuidado de criar os filhos que dão os frutos maduros e sazonados. As árvores são amigas entre si e folgam com a companhia das outras. Teófrasto diz que assim como o exterior do homem mostra os poucos ou muitos anos que têm, assim as árvores nas aparências mostram sua idade.
Por estas e outras razões têm as árvores muita simpatia e semelhança com os homens e metaforicamente são eles significados nelas. Assim diz São Gregório que o homem em sua criação é árvore que cresce, e na tentação folha que se move, e na fraqueza flor que cai. É o homem árvore e por isso em grego se chama Antropos que quer dizer árvore que tem as raízes para cima e os ramos para baixo. (...)»

in "Consideração primeira", Tratado das Significações das Plantas, Flores, e Frutos que se referem na Sagrada Escritura, Frei Isidoro de Barreira (Lisboa, 1622)

Cada árvore é um ser para ser em nós


Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses



António Ramos Rosa



“Árvores do Alentejo”


Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Florbela Espanca

Poema das árvores


As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco

se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

e os frutos dão sementes,

e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

Sós.

De dia e de noite.

Sempre sós.

Os animais são outra coisa.

Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

fazem amor e ódio, e vão à vida

como se nada fosse.

As árvores, não.

Solitárias, as árvores,

exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;

com o vento soltam ais como se suspirassem;

e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,

A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós

E entretanto dar flores.

António Gedeão




Ainda falando de árvores: estas estão floridas e anunciam a Primavera.


Toalha bordada a ponto pé de flor, ponto Margarida e nós.



Retalhinhos de Primavera

Caixinhas para colocar guloseimas: amêndoas, chocolates, bombons...