Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
A biografia consiste na descrição da vida de uma determinada personalidade, onde devem constar datas, lugares, pessoas e acontecimentos marcantes. É, pois, redigida em 3ª pessoa e pode apresentar-se, quer como um relato meramente informativo, quer como um texto onde se evidenciam e valorizam aspectos relevantes do percurso do biografado.
A biografia pode ser uma simples nota biográfica ou mesmo constituir-se como um livro, segundo a finalidade a que se propõe.
Ao contrário da autobiografia, na biografia deve-se respeitar a ordem cronológica.
Biografia de Vergílio Ferreira
Romancista e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), nasceu em 1916 e morreu em 1996. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e exerceu funções docentes no Ensino Secundário. Notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas portugueses deste século. Literariamente, começou por ser neo-realista (anos 40), com "Vagão Jota" (1946), "Mudança" (1949), etc. Mas, a partir da publicação de "Manhã Submersa" (1954) e, sobretudo, de "Aparição" (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas deste século. O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária. Além disto, Vergílio Ferreira deixou-nos vários volumes do diário intitulado "Conta-Corrente". Das suas últimas obras destacam-se: "Espaço do Invisível", "Do Mundo Original" (ensaios), "Para Sempre" (1983), "Até ao Fim" (1997) e "Na tua Face" (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.
Diferenças entre a autobiografia e a biografia:
Autobiografia
- Texto predominantemente expressivo e subjectivo.
- Texto que acentua o percurso existencial do autor.
- Texto onde a ordem cronológica dos factos narrados pode não ser respeitada.
- Texto predominantemente narrado na 1ª pessoa.
Biografia
- Texto predominantemente informativo e objectivo.
- Texto que acentua o percurso de vida do autor.
- Texto onde a ordem cronológica dos factos narrados é respeitada.
- Texto onde consta a data dos factos narrados.
As marcas linguísticas da autobiografia
- Marcas de 1.ª pessoa nas formas verbais, nos pronomes pessoais e nos determinantes possessivos;
- Outros recursos expressivos que contribuem para a subjectividade dos textos autobiográficos: a adjectivação, as repetições, as figuras de estilo, as interjeições e os sinais de pontuação como, por exemplo, os pontos de exclamação e as reticências.
Assim, um texto autobiográfico, para além de ser relatado na primeira pessoa, tem também um carácter mais expressivo do que o texto biográfico.
A cronologia
A cronologia também pretende ser a escrita da vida de uma determinada personalidade, através da sucessão temporal de eventos ou factos. Distingue-se, no entanto, da biografia, pela sua estrutura e pelo discurso utilizado.
- quanto à estrutura, a data (ano) é a primeira referência e aparece em tabela ou lista.
- quanto ao discurso, é essencialmente informativo e constituído por frases curtas e sintéticas; o tempo verbal utilizado é o presente.
CRONOLOGIA DE VERGÍLIO FERREIRA
1916 - Vergílio Ferreira nasce em Melo, concelho de Gouveia.
1926 - Entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos.
1932 - Deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda.
1936 - Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
1940 - Conclui a sua Licenciatura em Filologia Clássica.
1942 - Começa a leccionar em Faro.
1944 - Passa a leccionar no Liceu de Bragança.
1945 - Ingressa no Liceu de Évora.
1946 - Casa-se com Regina Kasprzykowsky.
1980 – Lauro António realiza a longa metragem “Manhã Submersa”, onde Virgílio Ferreira interpreta o papel de reitor.
1992 - É eleito para a Academia das Ciências de Lisboa.
1996 - Morre em Lisboa, a 1 de Março.
A fotobiografia
A fotobiografia, tal como o próprio nome indica, é uma biografia baseada e apresentada numa série de fotografias. Contudo, a selecção das fotografias exige muita pesquisa, pois estas devem ter qualidade suficiente, ser expressivas e ilustrar momentos diferentes da vida da personalidade escolhida. Além disso, estas, devidamente legendadas, devem estar dispostas segundo a ordem cronológica da história de vida que se está a relatar.
Trabalhinho:
Porta-canetas
A Mena na cozinha
Arroz de feijão preto e Beringela salteada
feijão preto cozido
1 cebola
1 dente de alho
azeite
arroz
1 beringela
1 caldo para arroz (Knorr ou outra marca)
sal
pimenta
vinho branco
Pique a cebola e refogue-a com um pouco de azeite. Junte um copo de arroz e deixe fritar. Deite o caldo para arroz e tempere com sal.
Acrescente um copo do caldo da cozedura do feijão e outro de água, ambos a ferver. Deixe cozinhar durante 10 minutos.
Quando faltarem 5 minutos para o arroz estar cozido, junte o feijão e deixe acabar de cozer.
Numa frigideira anti-aderente, leve ao lume um pouco de azeite e o alho cortado às rodelas. Quando o alho estiver alourado, junte a beringela cortada aos cubos. Mexa de vez em quando. Tempere com sal e pimenta. Quando estiver quase pronta, refresque-a com duas colheres de vinho branco.
Sirva o arroz e a beringela com carne grelhada ou picanha...
Bom apetite!
Assim... pintada de negro, aqui fica a minha resposta ao desafio da Mary!
Miminho
A Rebeca e o Jota Cê ofereceram-me este selinho bem florido!... Aqui fica para quem o quiser levar.
A autobiografia consiste na narração retrospectiva do percurso existencial de um indivíduo redigida pelo próprio. Estamos, pois, perante um texto narrativo onde autor, narrador e personagem principal correspondem ao mesmo indivíduo, que assume uma espécie de pacto autobiográfico, segundo o qual reconhece a sua existência como real ereconhece os acontecimentos narrados como verídicos.
A autobiografia é, pois, narrada na 1ª pessoa e evidencia-se por um carácter mais expressivo do que propriamente informativo, uma vez que é marcada pela subjectividade. Além disso, sendo uma narrativa posterior, assistimos a um desvio temporal entre o eu presente e o eu passado, através da recriação de uma visão retrospectiva e englobante construída através da memória. A autobiografia permite-nos viajar no tempo e no espaço, transportando-nos também para um tempo psicológico, traduzido pelas vivências subjectivas do indivíduo, e para um espaço psicológico, um espaço minado de emoções, sensações e sentimentos.
A autobiografia não segue necessariamente a ordem cronológica; observamos, muitas vezes, desvios temporais: analepses, prolepses, associações entre episódios pertencentes a tempos diferentes, etc.
Autobiografia de Vergílio Ferreira
Vejo o meu pai, no limite da minha infância, dobrar a porta do pátio, com um baú de folha na mão. Vejo-o de lado, e sem se voltar, eu estou dentro do pátio e não há, na minha memória, ninguém mais ao pé de mim. Devo ter o olhar espantado e ofendido por ele partir. Mas alguns meses depois o corredor da casa de minha avó amontoa-se de gente, na despedida de minha mãe e da minha irmã mais velha que partiam também. Do alto dos degraus de uma sala contígua, descubro um mar de cabeças agitadas e aos gritos. Estou só ainda, na memória que me ficou. Depois, não sei como, vejo-me correndo atrás da charrete que as levava. O cavalo corria mais do que eu e a poeira que se ia erguendo tornava ainda a distância maior. Minha mãe dizia-me adeus de dentro da charrete e cada vez de mais longe. Até que deixei de correr. Dessa vez houve choro pela noite adiante - tia Quina contava, conta ainda. Mas não conta de choro algum dos meus dois irmãos que ficavam também. Deve-me ter vibrado pela vida fora esse choro que não me lembro. É dos livros, suponho. Depois a infância recomeçou. Três irmãos, duas tias e avó maternas, depois a vida recomeçou. Mas toda essa infância me parece atravessar apenas um longo Inverno. É um Inverno soturno de chuvas e de vento, de neves na montanha, de histórias de terror, contadas à luz da candeia no negrume da cozinha, assombrada de tempestade. Até que um dia um tio de minha mãe, que era padre na aldeia, se pôs o problema de eu não ser talvez estúpido. E imediatamente se empolgou para me consagrar ao Altíssimo. E para me ir desbravando a alma, juntamente com a doutrina, atacou-me a memória com o latinório todo da missa. Aprendi-o sem falhas, ia eu nos seis anos. E quando aos sete o fui ver esticado na cama, a face toda negra, e me obrigaram a beijar-lhe a mão morta, já tinha o destino talhado para o Senhor. Minhas tias apoderaram-se logo de mim, negligenciando um pouco os meus irmãos, e sufocaram-me de religião. Na instrução primária cumpri. Deus mostrava à evidência que mechamava ao seu serviço. Era forte em contas, mais atrapalhado na História, de qualquer modo, os desígnios de Deus eram evidentes. E assim, para se cumprir a sua vontade, parti. Ficava à distância de um dia de comboio, o Seminário. Saio na estação ao anoitecer, há uma multidão de seminaristas à minha volta, todos vestidos de preto. Estou entre eles, não conheço ninguém. Avançamos pelo escuro estrada fora, no tropear confuso de uma enorme massa negra. O seminário espera-nos numa curva de estrada. É um casarão enorme, olho-o do fundo do meu pavor. Há Outono à minha volta, respiro-o agora em todo esse passado morto, nos castanheiros a desfolharem-se na cerca, no espaço dos salões, nos longos corredores ermos nos ângulos cruzados pelos espectros dos prefeitos. Mas seis anos depois, levantado de heroísmo, saí. Fiz o liceu, entrei na Universidade. Mas não o fiz assim em três palavras como o faço aqui. Meu irmão corpo. Como foi difícil acomodarmo-nos um ao outro. A vida que me coube não a pude utilizar toda. Numa fracção dela acumulei assim aquilo com que se realiza - o sonho, o trabalho, a alegria. E eis que se me levantam os sete anos de Coimbra. Sombrios, longos, penosos. Mas o que acede desse tempo à evocação tem apenas o halo de uma balada. Ruas da Alta, e a Torre, e o plácido rio do alto da Universidade, e os mestres que eu julgava um prodígio da Natureza, quando cheguei à cidade, e fiquei a julgar também, a vários deles, quando saí, mas com outro sinal, e a praxe estúpida, e os namoros estúpidos, e a descoberta, enfim, da literatura, que só então descobri, embora trabalhasse há muito o verso com obstinação, e as tertúlias, as rixas, o próprio futebol, as próprias desgraças físicas - tudo me ressoa agora a uma toada de legenda. Da festa juvenil, como da festa literária eu só conhecia as margens do rumor que transbordava da alegria dos outros. Isso basta, porém, a que a legenda se me levante e o seu eco me ondeie ao espaço da evocação. Assim Coimbra só no ressoar do seu nome tem já um timbre de guitarra. Música de miséria, não é nela que eu a ouço, mas no passado que a transcende e é da memória inatingível, da memória absoluta. Coimbra da saudade difícil, Coimbra de sempre e de nunca. Comigo a levei, longo tempo me acompanhou, presente, obsessiva. Mas havia tanta coisa ainda à minha espera. Faro do ar marinho, da laguna das águas mortas, Bragança das invernias, Évora, Lisboa. Professor, sou-o por fatalidade. Mas alguma coisa se me impõe na avidez dos alunos que me escutam, na necessidade de responder à sua descoberta do Mundo - e assim me invento o professor que não sou, e eles imaginam em verdade o que é em mim só ficção. Mas dos centros de irradiação da minha actividade, apenas Évora transbordou de emoção para a lembrança. E como a Coimbra, é de novo a música, agora o coral dos camponeses, que a levanta ao espaço da minha comoção. Ouço-o ainda agora, a esse coro de amargura, raiado à infinidade da planície. Évora do silêncio com sinos nas manhãs de domingo, estradas abandonadas à vertigem da distância, ó cidade irreal, cidade única, memória perdida de mim. Sou do Alentejo como da serra onde nasci, a mesma voz de uma e outra ressoa em mim a espaço, a angústia e solidão.
E a minha biografia deve ter findado aqui. Lisboa é um sítio onde se está, não um lugar onde se vive. Mesmo que se lá viva há 18 anos como eu. Eu o disse, aliás, a alguém, na iminência de vir: quando for para Lisboa, levo a província comigo e instalo-me nela. E assim se fez. Os livros que aqui escrevi são afinal da província donde sou. Terrorismo do trânsito, das relações pessoais, da luta em febre pela glória por que se luta ou do ódio surdo pela que calhou aos outros, terrorismo das distâncias, das relações humanas ao telefone, das cartas que nos escrevemos para de uma rua a outra ao pé, da cultura tratada a uísque nos salões do mundanismo, da individualidade perdida, da vida maximizada. Vejo-me numa enfermaria do hospital, acordando estranhamente de não sei que tempo de inconsciência, com vários médicos conversando entre si e sobre mim. Pergunto de que se trata, porque estou ali. «Foste atropelado» - diz-me o meu filho, que é um dos médicos. Tenho fractura do crânio, várias contusões pelo corpo. Lisboa, selvagem, cidade bonita na claridade dos prédios, no rio das descobertas, no aéreo das colinas, meu veneno e minha sedução. Fui atropelado. Mas é talvez justo que o fosse. Porque eu não sou daqui.
Maio, 1977.
Vergílio Ferreira
Nesta autobiografia, podemos constatar que:
- Autor, narrador e personagem principal são a mesma pessoa.
- O momento da narração é posterior ao momento dos acontecimentos.
- As suas primeiras recordações parecem ter ficado gravadas em imagens.
- A saída do seminário é encarada com bravura.
- A relação que o autor tem com a cidade de Lisboa é ambígua.
Tomamos conhecimento também das cidades por onde o autor passou e a descrição que faz delas:
Coimbra - “Ruas da Alta, e a Torre, e o plácido rio”
Bragança - cidade “das invernias”
Faro - cidade “do ar marinho”
Évora - “Sou do Alentejo como da serra onde nasci”
Lisboa - “é um sítio onde se está, não um lugar onde se vive”
Reconhecemos algumas figuras de estilo:
“um mar de cabeças agitadas” – metáfora
“e as tertúlias, as rixas, o próprio futebol, as próprias desgraças físicas” – enumeração
“ó cidade irreal” – apóstrofe
“Sou do Alentejo como da serra onde nasci” – comparação
Figuras de estilo
Apóstrofe - Figura de estilo em que o sujeito enunciador interrompe o discurso, dirigindo-se a um interlocutor, real, ficcional ou simbólico, que pode ser o leitor/ouvinte, uma entidade divina ou uma personagem. A apóstrofe é conseguida através do uso do vocativo em discurso directo e destina-se a conferir vivacidade e realismo ao discurso.
Comparação - Figura de estilo baseada na analogia, que consiste na aproximação sintáctica de duas realidades ou entidades diferentes na sua natureza, mas que apresentam algum tipo de relação na sua configuração semântica ou cognitiva. A comparação aproxima--se da metáfora na medida em que são ambas figuras de analogia, mas enquanto na comparação estão explícitos os termos comparáveis e os termos comparados, na metáfora os dois termos de comparação fundem-se em algum ponto.
Enumeração - Consiste na sequência de várias palavras, sintagmas ou orações e que tem como propósito uma intensificação do ritmo do discurso, ou uma acumulação de argumentos, sendo muitas vezes orientada para uma gradação.
Hipálage - A hipálage é uma figura de estilo que consiste na comunicação de uma qualidade ou propriedade pertencente a um nome para outro nome que se encontre muito próximo na frase.
Metáfora - Consiste na substituição de um termo por outro, com o qualapresenta semelhanças. É uma espécie de comparação abreviada, porque não está presente a palavra ou expressão comparativa.
Personificação - Figura de estilo que consiste na atribuição de qualidades humanas a seres não humanos (animais, seres inanimados, ideias, entidades abstractas, etc.).
A Mena na cozinha
Bifes de peru com natas
6 bifes de peru
1 pacote de natas
1 lata de cogumelos laminados
1 sopa de rabo de boi (Knorr ou outra marca)
0,5 dl de leite
Num pirex, deite um pouco de natas no fundo, espalhando bem. Disponha os bifes depois de os passar pela sopa de rabo de boi. Se tiver de sobrepor os bifes, separe-os com um pouco de natas.
Espalhe por cima os cogumelos laminados.
Com o resto do pó da sopa de rabo de boi, prepare o molho, dissolvendo-o nas restantes natas e no leite.
Verta o molho sobre os bifes e leve ao forno a 180º.
Deixe cozinhar e alourar.
Sirva com arroz de curgete e salada.
Bom apetite!
Trabalhinho:
Porta-chaves
Miminho
A Rebeca e o Jota Cê ofereceram-me este selinho linnnnndooooo!... Aqui fica para quem o quiser levar.