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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Todo o tempo é de poesia


Versificação

O Esquema Rimático

A forma mais conhecida de analisar a rima de um poema é a do agrupamento dos versos (utilizando um esquema). Para isso, escreve-se uma letra à frente da terminação de cada verso, por exemplo, A; se a terminação se repetir, repetir-se-á a letra A, caso contrário, passamos à letra seguinte - B, seguindo o alfabeto. Damos o nome de esquema rimático a este processo. Analisemos agora algumas estrofes para compreender não só como se utiliza o esquema rimático, mas também a designação que cada esquema recebe:

Naquele piquenique de burguesas, - A
Houve uma coisa simplesmente bela, - B
E que, sem ter história nem grandezas, - A
Em todo o caso dava uma aguarela. - B

Nesta estrofe de Cesário Verde, os versos rimam alternadamente, seguindo o esquema ABAB. Esta é a chamada rima cruzada, que é o tipo de rima mais comum.

Aos que me dão lugar no bonde - A
e que conheço não sei de onde, - A
aos que me dizem terno adeus - B
sem que lhes saiba os nomes seus - B

Estes versos pertencem a um poema de Carlos Drummond de Andrade. O excerto apresenta um esquema AABB. Esta é a rima emparelhada, porque os versos estão agrupados aos pares.

Saudade! Olhar de minha mãe rezando - A
E o pranto lento deslizando em fio... - B
Saudade! Amor da minha terra... O rio - B
Cantigas de águas claras soluçando - A

Neste poema de Da Costa e Silva temos a rima interpolada. Neste exemplo, temos dois versos que rimam separados por outros dois versos que rimam, num esquema ABBA. No entanto, o termo também se aplica quando dois versos que rimam estão separados por dois ou mais versos que não rimam entre si, num esquema ABCDA.

Dorme que eu velo, sedutora imagem,
grata miragem que no ermo vi;
Dorme - impossível - que encontrei na vida,
dorme, querida, que eu descanso aqui.

Nesta composição de Tomás Ribeiro é-nos apresentada a rima encadeada. Esta surge, quando se fala de um tipo de rima interior: a palavra final de um verso rima com uma palavra que está no meio do verso seguinte.

Café coado na hora
adoçado a rapadura bem escura,

Este excerto de um poema de Carlos Drummond de Andrade ilustra a rima leonina, um tipo de rima interior onde uma palavra no meio de um verso rima com a última palavra desse mesmo verso.

Donzela bela, que me inspira a lira,
Um canto santo de fremente amor
Ao bardo o cardo da tremenda senda
Estanca, arranca-lhe a terrível dor.

Nesta quadra de Castro Alves, estamos perante mais uma rima interior, desta feita a rima com eco.

A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.”

Só falta mencionar um outro tipo de rima (ou ausência de) que se vulgarizou com os poetas românticos do século XIX: o verso branco ou verso solto, referindo as produções poéticas que não apresentam qualquer tipo de rima. É o que acontece nesta quadra de Vinícios de Moraes.



A ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA


Este texto é dos melhores registos de língua portuguesa que eu tenho lido sobre a nossa digníssima “língua de Camões”, a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.


Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:


- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:

- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.


De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':

- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic). E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic)pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!



A Mena na Cozinha

Bacalhau com beringela



400 g de bacalhau
1 cebola grande
1 dente de alho
2 tomates chucha maduros
1 beringela
1 alho francês
1 dl de azeite
molho bechamel
sal
pimenta


Desfie o bacalhau, tirando-lhe as espinhas e as peles. Corte a cebola e o alho francês às rodelas e refogue-os em metade do azeite.

Numa frigideira, deite a outra parte do azeite e o alho cortado às rodelas.

Adicione o bacalhau e deixe cozinhar em lume brando. Tempere com sal e pimenta.

Entretanto, junte o tomate à cebolada e ao alho francês, quando estes estiverem transparentes. Deixe refogar um pouco, sem deixar que o tomate se desfaça. Tempere a gosto com sal e pimenta.

Num tabuleiro, ponha no fundo um pouco da mistura da cebolada com tomate. Seguidamente disponha a beringela às rodelas e por cima deite o bacalhau e de novo o resto da cebolada.

Termine com uma camada de beringela.

Deite o molho bechamel por cima de tudo e leve ao forno a 200º por 30 minutos.

Retire e sirva.




Trabalhinhos:





Conjunto de caixa e sabonete

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Às voltas com os versos


Versificação

As Sílabas e a Métrica

As palavras são compostas por sílabas que, por sua vez, são constituídas por outros elementos menores: a letra, se falarmos na palavra escrita, ou o fonema (som), se nos referirmos à palavra falada. Existem, no entanto, dois tipos de sílabas: as sílabas gramaticais, mais fáceis de identificar na palavra escrita, e as sílabas métricas, mais fáceis de identificar na palavra falada (são os sons apreendidos pelo ouvido).

Atentemos pois na seguinte palavra:

televisão

Qualquer pessoa consegue identificar as quatro sílabas que compõem esta palavra: te-le-vi-são. Estas são as sílabas gramaticais. Mas como é pronunciada a palavra? Em português, variante do Brasil, será alguma coisa como "té-lé-vi-são", o que de facto coincide com as quatro sílabas gramaticais. Mas no português falado em Portugal, o mais comum é ouvirmos dizer "tle-vi-são". Assim, por muito que a palavra "televisão" tenha quatro sílabas, a palavra pronunciada "tlevisão" tem apenas três. E aqui se vê a importância de fazermos a distinção entre sílabas gramaticais e sílabas métricas, ou seja, as sílabas que de facto pronunciamos/ouvimos ao falar. A poesia é escrita não para enfeitar o papel, mas para atingir um ritmo agradável, que é apreciado quando se recita o texto poético. Por esta razão, a lírica não avalia o número de sílabas gramaticais do poema, mas sim o número de sílabas métricas, aquelas que são pronunciadas e que, por isso, criam o ritmo dos versos.


Olhemos, agora, para as duas frases que se seguem:

A Ana chegou cedo à escola.

A Laura chegou cedo à cantina.


Analisemos o número de sílabas gramaticais presentes:

A / A/na / che/gou / ce/do / à / es/co/la/. = 11 sílabas gramaticais

A / Lau/ra / che/gou / ce/do / à / can/ti/na/. = 11 sílabas gramaticais


Vamos ler as frases e contar as sílabas métricas que encontrarmos, ou seja, os sons de que nos apercebemos:

A_A/na / che/gou / ce/do_à_es/co//(la). = 7 sílabas métricas

A / Lau/ra / che/gou / ce/do_à / can/ti//(na). = 9 sílabas métricas

Reparem como as vogais de duas palavras diferentes se unem quando estão lado a lado, tornando-se numa única sílaba métrica. E, se disserem as frases em voz alta, hão-de reparar que, na última palavra de cada frase, as sílabas átonas finais quase que desaparecem. Por isso, elas não contam quando fazemos a contagem das sílabas métricas, porque contamos até à última sílaba tónica (acentuada).

Assim, se a palavra for aguda, acentuada na última sílaba, conta-se: can/ção// (duas sílabas métricas). Se o vocábulo for grave, acentuado na penúltima sílaba: es/co//(la) – duas sílabas métricas, porque a última não se conta. Se a palavra for esdrúxula, com acento na antepenúltima sílaba: ma/rí//(timo) – duas sílabas métricas, porque só se contam as sílabas até à última sílaba tónica.


À contagem do número de sílabas métricas de um verso chamamos escansão. As regras são:

  • A contagem das sílabas métricas realiza-se até à última sílaba acentuada (tónica) do verso, ocorra ela na última, penúltima ou antepenúltima sílaba gramatical da palavra:


A/que/la/ tris/te e /le/da/ ma/dru/ga// (da) – 10 sílabas métricas


Se as/ pe/nas/ que A/mor/ me/ deu// - 7 sílabas métricas



  • Contracção da última vogal de uma palavra com a primeira vogal da palavra seguinte.
    • Sinalefa - quando a vogal do fim da palavra se transforma numa semi-vogal, formando um ditongo com a vogal que inicia a palavra seguinte (Atrasado, ele... = a/tra/sa/due/le) .
    • Elisão - quando a vogal do fim da palavra é completamente assimilada pela vogal que inicia a palavra seguinte, desaparecendo (Ela ouviu... = e/lou/viu).
    • Crase - quando a vogal do fim da palavra é igual à vogal que inicia a palavra seguinte, pelo que elas se fundem numa só (…triste e leda… = tris/ti /le/da).
    • Ectlipe - quando a vogal do fim da palavra é nasal, perdendo a sua nasalidade para formar um ditongo com a vogal que inicia a palavra seguinte (com as colegas... = cuas / co/le/gas).

  • Hiato - quando duas vogais tónicas estão lado a lado, não pode haver contracção das duas, pelo que ocorre um hiato, ou seja, mantêm-se em sílabas independentes mesmo que uma das sílabas tónicas enfraqueça. O hiato diminui a fluidez do verso, logo os autores evitam-no (Tu ontem... = tu / on/tem).
  • Diérese - Separação de duas vogais seguidas dentro de uma mesma palavra, de modo a que constituam duas sílabas diferentes (Ex.: sa/u/da/de).
  • Sinérese - União de duas vogais, no interior de uma mesma palavra, que originalmente não formavam ditongo, de modo que constituam uma única sílaba (Ex.: pie/da/de).


Os versos recebem um nome específico de acordo com o número de sílabas métricas que os constituem:

  • monossílabo – verso com apenas uma sílaba
  • dissílabo - duas sílabas
  • trissílabo - três sílabas
  • tetrassílabo - quatro sílabas
  • pentassílabo ou redondilha menor - cinco sílabas
  • hexassílabo - seis sílabas
  • heptassílabo ou redondilha maior - sete sílabas
  • octossílabo - oito sílabas
  • eneassílabo - nove sílabas
  • decassílabo - dez sílabas
  • hendecassílabo - onze sílabas
  • dodecassílabo ou verso alexandrino - doze sílabas

Podemos ainda mencionar o verso livre, que surgiu na poesia moderna do início do século XX. Este tipo de verso não está sujeito a regras métricas, o que significa que cada verso pode apresentar uma métrica independente da dos outros versos da estrofe e do poema. No entanto, o verso livre continua a possuir um ritmo interior.

Independentemente do número de sílabas, os versos de uma composição poética podem ser classificados de acordo com a sua homogeneidade métrica:

  • versos isométricos - quando os versos de uma estrofe ou de um poema apresentam o mesmo número de sílabas métricas. Todos os versos dos sonetos têm dez sílabas, portanto o soneto é uma composição poética isométrica.




Desafio

Este prémio foi-me dado pela Mafalda. Passem pelo blogue dela e vejam os magníficos trabalhos que ela lá tem.


Regulamento para quem recebe este prémio:

1) Inserir o prémio no blogue, inserindo o link da pessoa que o premiou.

2) Escolher 10 blogues merecedores de tal prémio e mostrar o seu link.

3) Avisar a pessoa premiada que recebeu o prémio.

Eu vou quebrar as regras e passo-o a todas as meninas que me visitam!!! Força! Toca a levá-lo para casa, pois acho que todas somos talentosas e merecedoras deste prémio (tal como a Mafalda).



A Mena na cozinha

Lasanha de legumes

1 cebola
2 dentes de alho
1/4 de pimento verde
1/4 de pimento amarelo
1/4 de pimento laranja
1/4 de pimento vermelho
2 tomates maduros
1 beringela
1 pouco de gengibre
2 dl de caldo de carne
1 dl de vinho branco
salsa
sal
pimenta
noz moscada
400 g de carne picada
2 chávenas de granulado de soja fino
azeite
molho bechamel
massa para lasanha
queijo ralado

Corte as cebolas e os alhos às rodelas e leve a refogar em azeite.

Quando a cebola começar a ficar transparente, junte os pimentos às tiras, o tomate às rodelas, um pouco de gengibre fresco e a salsa.

Envolva e junte a beringela às rodelas. Deixe apurar um pouco.

Adicione a carne picada e a soja bem esprimida, como vos ensinei aqui. Tempere com sal, noz moscada e pimenta. Acrescente o vinho branco e o caldo de carne e deixe cozinhar.

Coloque um pouco de molho bechamel no fundo de um pirex. Por cima disponha as folhas de massa para lasanha e deite, seguidamente, o preparado da carne e dos legumes. Vá alternando o preparado com a massa e termine com uma camada de massa.

Deite o molho bechamel por cima da última camada da massa e polvilhe com o queijo ralado. Leve ao forno a 200º.

Sirva com salada ou simples, pois já contém legumes suficientes.




Resultado do desafio: A Alexandrina foi a grande vencedora, como tal, vai receber um presente. Deve comunicar-me o endereço para onde devo enviar o seu prémio.

Agradeço a todas as meninas e meninos que participaram neste desafio e vou pensar noutro, entretanto.




Trabalhinho mym





T-shirt feita em parceria com o meu filho: o desenho foi montado por ele. Ele estudou também as letras e introduziu-as no desenho. Os motivos têm a ver com os jogos de vídeo que a rapaziada joga agora.