domingo, 26 de junho de 2011

Lição de economia



1. Se em Janeiro de 2007 tinha 1.000 € investidos em acções do Royal Bank of Scotland, um dos maiores bancos do Reino Unido, hoje teria 29 €!



2. Se em Janeiro de 2007 tinha 1.000 € investidos em acções do Fortis, outro gigante bancário, hoje teria 39 €!


3. Agora, se em Janeiro de 2007 gastou 1000 € em bom vinho tinto (de vinho, e não acções),
tivesse bebido todo o vinho e vendido as garrafas vazias, hoje teria 46 €!



Conclusão: No cenário Económico actual, é melhor esperar sentado bebendo um bom vinho.


E lembre-se que quem bebe vinho, VIVE MENOS:


• Menos triste.
• Menos deprimido.
• Menos tenso.
• Menos cansado com a vida.
• Menos doente do coração.


Pense sobre isto!

ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO!


Carta aberta ao Primeiro-Ministro, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Ministro da Educação


PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO ACORDO ORTOGRÁFICO

Senhor Primeiro-Ministro

Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros

Senhor Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência


1. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi aprovado em 1990 pelo Parlamento e ratificado pelo Presidente da República em 91, sendo mera adaptação do Acordo de 86, abandonado por força da reacção da opinião pública portuguesa. Ao contrário do AO de 86, que teve divulgação nos meios de comunicação portugueses, a redacção e tramitação do AO de 90 ocorreram discretamente, longe do olhar e escrutínio público dos portugueses.

2. Enquanto reforma ortográfica, o AO é um desastre: não assenta em nenhum consenso alargado, não foi objecto de discussão pública, não resulta do trabalho de especialistas competentes (a julgar pelas imprecisões, erros e inconsistências que contém e pelos problemas que cria) e vem minar, pela introdução generalizada e irrestrita de facultatividades ortográficas, a própria noção de ortografia. Tudo isto foi devidamente apontado por intelectuais e linguistas portugueses ao longo dos últimos 20 anos em pareceres, artigos e livros ignorados pelas entidades responsáveis. O único parecer favorável (assinado em 2005 por um dos co-autores do AO!) é o da Academia das Ciências, instituição que patrocinou a criação do acordo.


3. Os vícios do AO enquanto instrumento jurídico configuram mentiras gritantes vertidas em lei. No preâmbulo diz-se que «o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários»; deste debate não há vestígio nem se conhece menção. A Nota Explicativa do AO refere estudos prévios dos quais não há registo, apresenta argumentos sem sustentação científica sobre o impacto do AO no vocabulário português (baseados numa lista desconhecida de 110 000 palavras e ignorando a importância de termos complexos, formas flexionadas de nomes e verbos e índice de frequência das palavras) e “explica” de forma confusa os aspectos mais controversos da reforma, p. ex. a consagração, como expediente de “unificação ortográfica”, de divergências luso-brasileiras inultrapassáveis com o estatuto de grafias facultativas. Algumas dessas divergências existiam antes do AO (‘fato’ ~ ‘facto’, ‘ação’ ~ ‘acção’, ‘cômodo’ ~ ‘cómodo’, ‘prêmio’ ~ ‘prémio’, ‘averígua’ ~ ‘averigua’, etc.); outras são criadas pelo próprio AO (‘decepção’ ~ ‘deceção’, ‘espectador’ ~ ‘espetador’, ‘falamos ~ ‘falámos’, ‘Filosofia’ ~ ‘filosofia’, ‘cor-de-rosa’ ~ ‘cor de laranja’, etc.). Pelo AO a palavra ‘decepcionámos’ (e outras similares) passaria a escrever-se correctamente em todos os países lusófonos de quatro maneiras diferentes (‘decepcionámos’, ‘dececionámos’, ‘decepcionamos’, ‘dececionamos’). O termo ‘Electrotecnia e Electrónica’ (designação de curso, disciplina e área do saber) poderia ser escrito de 32 maneiras diferentes, sem que o AO ofereça qualquer critério normativo. Sendo um tratado entre oito estados soberanos que reivindicam uma matriz cultural partilhada, o AO deveria ter concitado aceitação plena de (e em) todos os países signatários. Tal não aconteceu, o que, 21 anos após a sua assinatura, é prova dos problemas por ele criados.


4. Da VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP de 2010 resultou a Resolução sobre o Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, com a seguinte recomendação (III.5): «Nos pontos em que o Acordo admite grafias facultativas, é recomendável que a opção por uma delas, a ser feita pelos órgãos nacionais competentes, siga a tradição ortográfica vigente em cada Estado Membro, a qual deve ser reconhecida e considerada válida em todos os sistemas educativos.» Esta recomendação destitui, por si só, o AO de qualquer fundamento: como se pode defender simultaneamente um acordo que pretende unificar as tradições ortográficas vigentes nos Estados signatários através de facultatividades gráficas, e, ao mesmo tempo, propor-se que o problema das grafias facultativas se resolva pelo reconhecimento oficial de tradições ortográficas divergentes, logo, não unificadas?

5. Ninguém conhece as consequências reais do AO na sociedade portuguesa, pois nenhum estudo de avaliação de impacto foi feito e ninguém sabe estimar os custos da sua aplicação —que não serão só de ordem financeira— pois não há estudos de avaliação custo/benefício. Se os grandes projectos de Estado exigem a realização de estudos preparatórios —recorde-se que o aeroporto da Ota foi, após 30 anos de indecisão, abandonado por causa de um estudo técnico—, como se pode exigir menos relativamente à língua portuguesa escrita? A Lei de Bases de Protecção do Património Cultural inclui no conceito e âmbito do património cultural a língua portuguesa, nestes termos: «enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.» (art.º 2.º, n.º 2). É menos importante a estabilidade de um ‘fundamento da soberania nacional’ do que um aeroporto?

6. Que o Estado português se proponha adoptar o AO sem um vocabulário normativo que não seja o vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa estipulado pelo art.º 2.º do AO (violando assim um tratado que assinou e ratificou) revela apenas a ligeireza com que esta matéria tem sido tratada e a incontrolada flexibilidade da aplicação prática do AO. Afinal, nenhum tratado internacional pode ficar sujeito a interpretações locais ou aplicações de carácter regional ou nacional.

7. O domínio da ortografia, sabe-se hoje, faz parte intrínseca da competência linguística dos falantes; não é simples “roupagem gráfica” da língua. E, como é reconhecido não só por académicos mas por instituições internacionais como, p. ex., a OCDE no relatório PISA 2003, a literacia —pedra angular da aquisição de todos os saberes formais e de todo e qualquer processo de aprendizagem escolar— pressupõe (em termos linguísticos estritos) o domínio de uma ortografia codificada estável, para além de um vasto conhecimento vocabular, gramatical e fonético.

8. O AO não serve o fim a que se destina —a unificação ortográfica da língua portuguesa— e assenta no pressuposto falacioso de que a unificação ortográfica supriria as diferenças já antigas entre português europeu e português do Brasil, de ordem fonológica, lexical e sintáctica. Mesmo que a unificação a 100% fosse possível (e o AO reconhece que não é), escrever de igual forma dos dois lados do Atlântico não assegura a compreensão mútua daquilo que é (cada vez mais) diferente e divergente.

9. Por atentar contra a estabilidade ortográfica em Portugal e integridade da língua portuguesa, o AO atenta contra o progresso e desenvolvimento do povo português em época particularmente difícil da sua História.


10. O AO é um erro monstruoso que VV. EE. têm o poder de corrigir, suspendendo a sua aplicação.



João Roque Dias, Tradutor Certificado pela Associação Americana de Tradutores *

António Emiliano, Professor de Linguística da UNL, autor de Fonética do Português Europeu e de Apologia do Desacordo Ortográfico *

Francisco Miguel Valada, Intérprete de Conferência junto das Instituições da UE, autor de Demanda, Deriva, Desastre – Os Três Dês do Acordo Ortográfico *

Maria do Carmo Vieira, Professora de Português e Francês do Ensino Secundário, autora de Ensino do Português

* Administradores do grupo ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO! no Facebook

sábado, 25 de junho de 2011

A Mena na cozinha


Ovos rotos na Actifry

ovos
batatas aos palitos
castanhas congeladas
bacon às tiras
salsa picada
sal
pimenta
água

Coloque as batatas, as castanhas e o bacon na actifry, regue com uma colherzinha de azeite e ligue a máquina cerca de 18 minutos.

Enquanto isso, bata os ovos com a salsa picada, temperados com sal e pimenta.

Mexa os ovos num pouco de água. Junte-os ao preparado da actifry e deixe cozinhar mais 2 ou 3 minutos.

Rectifique os temperos e sirva com uma boa salada mista.

Bom apetite!

Coisas giras e perfumadas!

Um marcador para uma excelente leitora, com um murano em forma de coração.

O cheirinho do maridão...

A minha última compra...

Um dos meus perfumes!

Lindo!
O perfume que estou a usar agora!

Quando a comida se transforma em arte!
O cheirinho do meu filhote!

Espectacular!

O cheirinho da minha filhota...

O poder do pepino


Depois de leres isto, nunca mais olharás para o pepino da mesma forma!


1. O PEPINO contém a maior parte das vitaminas que são precisas diariamente. Só um pepino contém Vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, C, Ácido Fólico, Cálcio, Ferro, Magnésio, Fósforo, Potássio e Zinco.


2. Sentes-te cansado à tarde, dispensa a cafeína e come um pepino. O Pepino é uma óptima fonte de Vitaminas B e Carbonatos que fornecem aquela ''genica'' que dura horas.


3. Farto de ver o espelho da casa de banho embaciado, depois do banho?

Tenta esfregar uma rodela de pepino no espelho, isto eliminará a neblina e produzirá uma tenra fragrância como no SPA.


4. As lesmas e os caramujos arruínam as tuas plantas?

Coloca algumas rodelas de pepino num pequeno prato (não de ferro nem de alumínio), na tua horta ou jardim, e eles desaparecerão.


5. Procuras uma rápida e fácil forma de remover celulite antes de ir à piscina ou à praia?

Tenta esfregar uma rodela ou duas de pepino nas áreas afectadas por alguns minutos, os fito-químicos do pepino forçam o colageno da tua pele a encolher, firmando a camada de fora e reduzindo a visibilidade da celulite. Funciona optimamente para as rugas também!


6. Desejas evitar uma ressaca ou dor de cabeça?

Come algumas fatias de pepino antes de dormir e acordarás sem dor e sem ressaca. Os Pepinos contêm bastante açúcar, Vitaminas B e electrolises para repor os nutrientes essenciais que o corpo perde, mantendo tudo em equilíbrio, evitando ambos a ressaca e a dor de cabeça!


7. Queres evitar aquela fome à tarde ou à noitinha?

Os pepinos têm sido usados desde sempre por caçadores europeus, exploradores e comerciantes como uma rápida refeição, evitando a fome.


8. Vais a uma entrevista de emprego e não tiveste tempo para engraxar os sapatos?

Esfrega uma fatia fresca de pepino nos sapatos, estes ficarão com um brilho durável e impermeável.


9. Não tens em casa o WD-40 para consertar aquele barulhinho horroroso da porta a ranger?

Pega numa rodela de pepino e esfrega no sítio problemático... e o rangido foi-se!



10. Cansado, stressado e sem tempo para uma massagem facial ou visita ao SPA?

Corta um pepino às rodelas e coloca-as numa panela de água a ferver. Os químicos e nutrientes do pepino reagem com a água a 100º e soltam-se no vapor, criando um relaxante cheirinho que reduz o stress (testado em jovens mães e em estudantes em tempo de exames finais.).


11. Acabaste de almoçar e não tens "chewing gum" ou rebuçados de hortelã?

Pega numa fatia de pepino e espreme-o para a boca, mantendo o sumo cerca de 30 segundos na boca para eliminar o sabor da comida, os fito-químicos matarão as bactérias responsáveis pelo mau hálito.


12. Procuras algo ''verde'' para limpar as torneiras, pias ou aço inoxidável?

Esfrega uma fatia de pepino na superfície que desejas limpar, isto traz de volta o brilho, não deixa marcas, não mancha nem prejudica as tuas unhas e mãos enquanto limpas.


13. Usas caneta de tinta permanente e cometes um erro?

Pega num a casca de pepino (o lado de fora) e devagar usa-a para apagar o erro. Também funciona muito bem nos riscos de lápis que as crianças deixam nas paredes!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os Maias - Símbolos


10. Símbolos


· O jardim do Ramalhete


As alterações que o jardim do Ramalhete sofre permitem-nos ver o percurso da família Maia. Esta evolução é visível principalmente em três elementos: as árvores do jardim, a estátua de Vénus Citereia e a cascata.

Primeiramente o jardim do Ramalhete é descrito com um aspecto abandonado. Esta aparência reflecte o sofrimento de Afonso devido à morte de Pedro. A estátua de Vénus, símbolo de amor e sedução, representa as mulheres fatais desta obra. Nesta primeira fase, ela está bastante degradada, sugerindo a fuga de Maria Monforte. A cascata representa uma espécie de clepsidra, isto é, um relógio de água, que marca a passagem implacável do tempo. Esta encontra-se seca, pois o tempo de acção d’ O Maias ainda não começou. O cedro e o cipreste, árvores que vivem muitos anos, testemunharão as várias gerações desta família.

No momento que coincide com a juventude de Carlos, a descrição do jardim sugere renovação e vitalidade. A estátua de Vénus surge deslumbrante, anunciando a felicidade que Carlos viverá com o aparecimento de Maria Eduarda. Por outro lado, a recuperação deste símbolo de feminilidade perversa deixa pressagiar uma desgraça. A cascata encontra-se cheia de água, remetendo para um choro que prenuncia a tristeza que assolará os Maias.

No final da obra, o jardim do Ramalhete surge com um aspecto sombrio, solitário e degradado, representando o fim da família Maia. A estátua de Vénus aparece coberta de ferrugem, simbolizando o desaparecimento de Maria Eduarda. A cascata, num prantozinho esfiado gota a gota, simboliza a dor pela morte de Afonso e indicia a aproximação do final da história d’ Os Maias. O cipreste e o cedro, envelhecendo juntos, como dois amigos inseparáveis, representam a amizade de Carlos e João da Ega. Para além disso, porque são árvores de cemitério, conotadas com a morte, remetem para o carácter romântico destas personagens que se dizem realistas.



· Símbolos cromáticos


Os Maias estão também povoados de símbolos cromáticos, cumprindo os postulados do Impressionismo:

“Maria, abrigada sob uma sombrinha escarlate, trazia um vestido cor de rosa cuja roda, toda em folhos, quasi cobria os joelhos de Pedro sentado ao seu lado (…)(cap. I)

“Ela tomara de sobre a mesa, abria lentamente um grande leque negro pintado de flores vermelhas.” (cap. XI)

Maria Monforte e Maria Eduarda são muitas vezes descritas com elementos de um vermelho fogo, cor que remete para o carácter sensual destas personagens.

“Sob as rosinhas que ornavam o seu chapéu preto os cabelos loiros, dum oiro fulvo, ondeavam de leve sobre a testa curta e clássica: os olhos maravilhosos iluminavam-na toda;” (cap. I)

O preto, cor associada à morte remete para o carácter destruidor das paixões desencadeadas por Maria Monforte e Maria Eduarda.

O amarelo remete para o carácter ardente da paixão. A cor de ouro sugere a aparência endeusada de Maria Monforte e Maria Eduarda.

O Impressionismo designa o nome de uma escola de pintura que surgiu em França em 1874, cujos principais representantes foram Monet, Degas e Renoir. Os pintores impressionistas procuraram captar impressões puras, isto é, percepções imediatas e não intelectualizadas do real, tirando o maior partido da captação da luz e da cor. Os impressionistas, se por um lado, reagiram contra o Realismo, interessando-se não pelo objecto em si, mas pelo efeito que este provocava no pintor, por outro lado, mantiveram uma preocupação pela fidelidade à sensação e pela reprodução da realidade de maneira impessoal, objectiva e minuciosa, características da estética realista. Esta estética rapidamente ganhou uma dimensão internacional, expandindo-se simultaneamente a outras manifestações artísticas, como a fotografia, a música, a literatura, entre outras.

“Parou, varado: e o seu ímpeto logo foi esmagar a cacete aqueles dois animais, enroscados na relva, sujando brutamente o poético retiro dos seus amores. Uma alvura de saia moveu-se no escuro: uma voz soluçava, desfalecida - oh yes, oh yes... Era a inglesa!” (cap. XIV)

“Carlos já decidira transformar aquele espaço em fresco jardinete inglês; e a porta do casarão encantava-o, ogival e nobre, resto de fachada de ermida, fazendo um acesso venerável para o seu sanctuário de ciência. Mas dentro os trabalhos arrastavam-se sem fim; sempre um vago martelar preguiçoso numa poeira alvadia; sempre as mesmas coifas de ferramentas jazendo nas mesmas camadas de aparas!” (cap. IV)

N’ Os Maias, o impressionismo literário é muitas vezes conseguido através da anteposição da cor ao objecto e de hipálages. Por exemplo, na expressão “uma alvura de saia moveu-se no escuro” em vez da expressão “uma saia branca moveu-se no escuro”, dá-se destaque à cor ao antepor esta ao objecto. Já a hipálage “sempre um vago martelar preguiçoso” contribui também para um efeito impressionista, ao permitir a fixação da aparência superficial e momentâneo da realidade conseguida a partir de transposição do atributo do agente para a acção.

Hipálage - Figura de estilo que consiste em atribuir a uma palavra uma qualidade ou acção que pertence a outra que a antecede.

O epílogo d’ Os Maias, constituído pelo passeio final de Carlos e Ega no capítulo XVIII, está revestido de um carácter satírico, uma vez que se faz uma descrição bastante crítica da cidade de Lisboa e dos seus habitantes. Por outro lado, o epílogo reveste-se também de um carácter simbólico, na medida em que é durante o passeio destas personagens que encontramos um símbolo com um significado importante neste romance, a estátua de Camões. Esta, envolvida por uma atmosfera de estagnação do presente, simboliza a amarga nostalgia de um passado nacional glorioso que desapareceu.

“Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava em torno à estátua triste de Camões. Os mesmos reposteiros vermelhos, com brazões eclesiásticos, pendiam nas portas das duas igrejas. O Hotel Aliance conservava o mesmo ar mudo e deserto. Um lindo sol dourava o lagedo; batedores de chapéu à faia fustigavam as pilecas; três varinas, de canastra à cabeça, meneavam os quadris, fortes e ágeis na plena luz. A uma esquina, vadios em farrapos fumavam; e na esquina defronte, na Havaneza, fumavam também outros vadios, de sobrecasaca, politicando.

- Isto é horrível quando se vem de fora! exclamou Carlos. Não é a cidade, é a gente. Uma gente feiíssima, encardida, molenga, reles, amarelada, acabrunhada!...” (Capítulo XVIII)

De reparar nos vocábulos que sugerem a estagnação, a tristeza e a decadência que rodeiam a estátua de Camões.


O epílogo

Carlos, apesar da sua educação britânica, fracassou ao deixar-se arrastar pela paixão romântica que o seduziu.

Tendo em conta os excertos relativos ao Passeio Final de Ega e Carlos, podemos inferir algumas das críticas apontadas à sociedade portuguesa dos finais do século XIX.

“Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. Nada mudara.” - Imobilismo da sociedade portuguesa.

“- Falhámos a vida, menino!

- Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação.“ - Aceitação do fracasso e do desencanto por parte dos dois amigos.

“- Ora aí tens tu essa Avenida! Hein?... Já não é mau!”

(…)

E ao fundo a colina verde, salpicado de árvores, os terrenos de Vale de Pereiro, punham um brusco remate campestre àquele curto rompante de luxo barato” - Falta de convicção nacional para acabar grandes empreendimentos.

“E o que sobretudo o espantava eram as botas desses cavalheiros, botas despropositadamente compridas, rompendo para fora da calça colante com pontas aguçadas e reviradas como proas de barcos varinos... (…)

Porque essa simples forma de botas explicava todo o Portugal contemporâneo. Via-se por ali como a coisa era. Tendo abandonado o seu feitio antigo, à D. João VI, que tão bem lhe ficava, este desgraçado Portugal decidira arranjar-se à moderna: mas sem originalidade, sem força, sem carácter para criar um feitio seu, um feitio próprio, manda vir modelos do estrangeiro - modelos de ideias, de calças, de costumes, de leis, de arte, de cozinha... Somente, como lhe falta o sentimento da proporção, e ao mesmo tempo o domina a impaciência de parecer muito moderno e muito civilizado - exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até à caricatura.” - Obsessão portuguesa em imitar o que há no estrangeiro.


Os vencidos da vida

Designação com que Oliveira Martins baptizou, em 1888, o "grupo jantante" que se encontrava ora no Café Tavares ora no Hotel Bragança e que congregava, para fins de mero convívio e diversão, os membros mais destacados da chamada Geração de 70 (Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, António Cândido, o Marquês de Soveral, o conde de Ficalho e, a partir de 1889, Eça de Queirós).

Respondendo aos comentários dos muitos que desconfiavam da existência de intenções políticas ocultas por detrás destes encontros, Eça escreveu: "Mas que o querido órgão [Correio da Manhã], nosso colega, reflicta que, para um homem, o ser vencido e derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou, mas do ideal íntimo a que aspirava".

O autor d' Os Maias dava, assim, voz ao sentimento de desencanto ou frustração de uma geração que almejara a reforma sociocultural profunda do país e que, como Eça dizia desde 1878, parecia ter "falhado". Com a morte e o afastamento progressivo dos seus membros, o grupo dos "Vencidos da Vida" dissolveu-se por volta de 1894.

in Infopédia