domingo, 3 de julho de 2011

Marshmallows


A minha filha fez este trabalho em feltro e feltragem: um Marshmallow - El Chapelero da Alice no País das Maravilhas. O trabalho consistia, depois de ter desenhado e pintado essa personagem com várias formas e a partir de diversos objectos, inventar, a partir de algo comestível, uma outra forma de representar El Chapelero, desta vez sem usar a pintura. Foi assim que nasceu este marshmallow.

Os marshmallows são gomas e existem desde o século XIX. Têm este nome, porque a receita antiga levava gordura da raiz de marshmallow (uma planta perene cor-de-rosa e florida da Europa (Althaea officinalis), da família das malvas que contém uma raiz pegajosa usada em confeitarias e na medicina. Mais tarde, esta raiz foi substituída pela gelatina.

Aqui fica uma receita para quem quiser fazer marshmallows:

3/4 de uma chávena de maisena

1/3 de uma chávena de açúcar de confeiteiro

1 saqueta de gelatina sem sabor

1/3 de uma chávena de água

2/3 de uma chávena de açúcar

1/2 chávena de xarope de milho

uma pitada de sal

1 colher de chá de essência de baunilha


Peneire a maisena e o açúcar de confeiteiro para dentro de uma tigela e misture bem. Com este preparado forre levemente uma forma de 20cm x 20cm até que o fundo e os lados estejam cobertos. Reserve o resto.

Misture a gelatina com a água numa panela e deixe durante 5 minutos. Adicione o açúcar granulado e leve a lume brando até que a gelatina e o açúcar se dissolvam.

Na batedeira, coloque a mistura de gelatina, xarope de milho, sal e essência de baunilha e bata durante 15 minutos na velocidade máxima, até a massa crescer.

Deite a massa fofa na forma polvilhada e alise. Sobre a massa espalhe o resto do açúcar com a maisena que reservou. Leve ao frigorífico até endurecer.

Com uma faca molhada, corte a massa do marshmallow e enrole cada um na maisena com açúcar.

Coloque os marshmallows sobre um prato de papel e deixe secar lentamente. Pode guardar em frascos bem rolhados, durarão um mês.


Marshmallows tostados ou assados

Os marshmallows podem ser assados numa fogueira: coloque o marshmallow na ponta de um pauzinho e passe-o pela chama. Isto cria uma casca caramelizada, se o calor aplicado for maior pode pegar fogo e o marshmallow tornar-se numa fonte de luz.

Aqui, encontrarão outra receita!







sábado, 2 de julho de 2011

Trombonade

Foi com uma "promenade" ao Trombone que festejámos isto! A nossa maestrina é que, como sempre, marcou o cafezinho! O ambiente estava óptimo, a noite convidativa e foi na esplanada que brindámos com cafepirinha, cafelibeirão, cafemoscatel...

As conversas decorriam, animadas, sobre o passado glorioso, sofridas, sobre o passado (recente) doloroso, cheias de esperança, sobre o presente e o futuro...

-Bem, vou portar-me bem para a foto.
- Acho bem, parece que tens bichos carpinteiros!

- Ah, eu agora já posso beber umas cafepirinhas!

- Eu estou a beber aguinha, nada de confusões!
- Pois, pois!

- Claro, que é água!

- Água, a beber água? Disfarça, vá disfarça!
- Estás mesmo a festejar com água!

- Isso é vodka ou seja cafedka!

- Estou tão aliviada... Já não estava a aguentar mais, estava a dar-me cabo do fígado!
- Estás tu, estamos nós, estais vós...

- Estamos todos bem mais leves!

E sorridentes...

... expectantes...

... confiantes...

... esperançosos...

... felizes...

... radiantes...

Com frio...

E vai mais um brinde! Para aquecermos...

- Estamos prontíssimas para isso! Vamos lá!

Tchim... tchim...

- Esta cafepirinha está óptima!

- Pois, mas o Zé pestana está a chegar...

A comemoração seguirá dentro de dias no Jantar da Confraria.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os Maias - O romance como documento


12. O Romance como documento


a) Da época e da corrente literária

Eça dizia na Conferência do Casino: "O Realismo é a análise com o fito na verdade... é a anatomia do carácter... o romance realista tem de nos transmitir a natureza em quadros exactíssimos, flagrantes e reais".
Em que medida Eça atingiu esse objectivo n' Os Maias? Na realidade Eça atinge os aspectos mais criticáveis da época:

  • A Literatura
É nítida a antítese estabelecida repetidamente, mas sobretudo na discussão do jantar no Hotel Central, entre o ultra-romantismo saudoso das velhas tradições nacionais, simbolizado no poeta Alencar e o naturalismo aberto às novas ideias europeias, defendido por João da Ega. É evidente que o autor (narrador) assume inteiramente o ponto de vista de Ega, pelo menos no que toca à oposição Romantismo/Realismo.

  • A Política
A classe política é atingida sobretudo na pessoa do Conde de Gouvarinho, palavroso mas proferindo apenas banalidades e na pessoa de Sousa Neto, oficial superior do Ministério da Instrução Pública, que, embora dotado de uma certa retórica formal, revela uma tal ignorância e falta de cultura, que faziam o gosto da ironia de Carlos e Ega (capítulo XII, o jantar na casa dos Gouvarinhos). É ainda notável a crítica feita à política económica dos governos da Regeneração no jantar do Hotel Central (capítulo VI), onde se fala da bancarrota, do "rendimento mais certinho do Estado: o empréstimo".

  • O Jornalismo
O jornalismo corrupto e criticado na pessoa de Palma Cavalão, que recebe dinheiro para publicar na Corneta do Diabo um artigo ofensivo contra Carlos, encomendado por Dâmaso, e volta a receber dinheiro para suspender a sua divulgação (capítulo XVI); e também no episódio do jornal A Tarde em que a boa deontologia profissional é posta de lado em obediência às clientelas partidárias (capítulo XV).

  • A Educação
(Capítulo II a educação de Pedro e no capítulo III a educação de Carlos e de Eusebiozinho).
A educação, vista quase totalmente sob focalização interna de Afonso da Maia, e reflectindo sempre a sua perspectiva (reprovatória ou aprovativa), põe-se de forma antitética entre Pedro/Eusebiozinho e Carlos. A educação dos dois primeiros é tradicional, processada sob a influência de uma religiosidade piegas e de uma melancolia ultra-romântica, e a de Carlos é moderna, segundo moldes ingleses, baseada, aliás, no princípio clássico de "uma mente sã num corpo são". A reprovável educação de Pedro e Eusebiozinho provocou logicamente o fracasso das duas personagens. Aqui verificou-se o princípio determinista dos naturalistas (determinadas causas produzem infalivelmente determinados efeitos). Já esse determinismo não é tão claro quanto à educação de Carlos, ele recebe uma educação moderna, perfeita na óptica de Afonso (e do narrador), e, no entanto, acabou por fracassar na vida. Talvez Eça nos pudesse responder: fracassou, sim, mas reagiu saudavelmente ao fracasso e não pôs termo à vida como Pedro. Além disso, esta verificação incompleta do determinismo naturalista pode, na perspectiva do autor, ter objectivos críticos: Carlos, apesar de bem formado, falhou, porque todos falham numa sociedade de hábitos românticos como aquela. Não é essa conclusão que se tira também da última conversa de Carlos e Ega no termo do romance? ("E que somos nós? - exclamou Ega - que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de Latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão..."


b) Da evolução literária do autor

Eça de Queirós começou numa fase romântica com a publicação de Prosas Bárbaras. Passou depois para uma fase naturalista, publicando O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio. É na construção do seu maior romance Os Maias que se dá a transição de Eça de um Naturalismo (Realismo rígido) para um Realismo impressionista. Com efeito, é próprio da técnica naturalista uma intriga introdutória que explique os antecedentes hereditários das personagens da intriga central. A insistência no problema da educação, condicionante do sucesso ou fracasso das personagens, é também processo habitual nos romances naturalistas.
Mas o que já está fora da técnica naturalista é a dimensão trágica da intriga. A tragédia prende-se a forças sobrenaturais relacionadas com a fatalidade, o destino, que estão para lá dos limites positivistas do naturalismo.
A introdução da dimensão trágica n' Os Maias, embora misturada com a comédia da vida (crítica de costumes), assim como o impressionismo da linguagem, já com tonalidades de prosa simbolista, colocam este romance e o seu autor numa fase de Realismo impressionista.
Eça de Queirós acabaria a sua vida literária, com a publicação de A ilustre casa de Ramires e de A Cidade e as Serras, numa fase a que poderemos chamar fase nacionalista, em que o pessimismo revelado n' Os Maias dá lugar a um certo optimismo baseado na admiração da paisagem rural e das tradições portuguesas.