quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Semelhanças entre a URSS e a União Europeia


EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO !

Assunto: " Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky, sobre o Tratado de Lisboa

"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE).
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabê-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».. Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (...)
Eu já vivi o vosso «futuro»..."

Happy Birthday To Me!



Hoje sou pequenititita!

Mais um ano se passou: alguns sonhos concretizados, outros nem por isso. Algumas desilusões, principalmente, em relação à profissão que abracei há já uns bons aninhos... Mas o caminho é para a frente!
Ao nível do trabalho, devo salientar que faço o que realmente gosto: ensinar. Tenho "jeito", consigo, na maioria das vezes, chegar aos meus alunos. No ano passado, iniciei um trabalho bastante árduo com uma turma, a minha Direcção de Turma, alunos de estratos sociais difíceis, com carências a todos os níveis. Não foi fácil, zanguei-me muitas vezes, falei-lhes muito "ao coração", fiz das tripas coração para resolver muitos conflitos... O primeiro período foi o pior, tinha sempre um batalhão de professores com mil queixas deste aluno e daquele e do outro... Muitas horas "perdidas" em conversas, em sermões... No fim, os alunos agradeceram-me tudo o que fizera por eles, pediram-me que não os deixasse, que continuasse a ser a sua "melhor directora de turma do mundo", chorei, chorámos de emoção...
Este ano, não sou directora de turma destes alunos nem de outros. "Não podes ser directora de turma, tens de dar apoios e não é vingança nem perseguição..." Os meus colegas dizem-me que é um absurdo darem as direcções de turma a quem não tem jeito nenhum para isso, que foi uma injustiça terem-me tirado a DT, pois tinha feito um excelente trabalho com a turma mais problemática da escola... Eu acho o mesmo! Fiquei desiludida. Nunca aconteceu isto, sempre levei as minhas DT e as minhas turmas do início do ciclo até ao fim. Enfim!
Sou uma professora responsável, competente, e os alunos sentem-no e sabem-no. Os meus alunos do ano transacto têm pena de não terem aulas comigo este ano e eu também. As minhas turmas deste ano, depois de uma conversinha em que pus todas as pintas nos is... dizem estar com uma grande vontade de aprender... É mais fácil dar continuidade ao trabalho iniciado, mas também não é o fim do mundo! No entanto, fiquei triste! Temo mais pelos alunos que deixei, pois alguns precisam de estímulo, de um pouco mais de atenção, de mais uma ou outra palavrinha de incentivo...

Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo


...
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta


Sou pólen sem insecto


Sou areia sustentando

o sexo das árvores


Existo onde me desconheço

aguardando pelo meu passado

ansiando a esperança do futuro


No mundo que combato morro

no mundo por que luto nasço


Mia Couto



Tenho tanto sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
...Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.


Fernando Pessoa

Deixo-vos dois poemas de que gosto particularmente! Voltem sempre! Eu voltarei mais tarde...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A China ganha poder dentro da Europa


Economias periféricas da Europa já representam 30% do investimento estrangeiro da China

(Andrew Wong/Reuters)
“A China está a aproveitar-se da sua força económica e da fraqueza europeia para comprar a Europa” e, com a sua crescente presença, está a “dividir as nações europeias”, alerta um estudo do European Council on Foreign Relations (ECFR).
A crise da dívida soberana que assola o Velho Continente “está a permitir às companhias chinesas não apenas conseguirem negócios a preços reduzidos, mas também colocarem os Estados-membros uns contra os outros e contra os seus próprios interesses colectivos”, lê-se no estudo A competição pela Europa, hoje divulgado.


“Outrora um grande mas distante parceiro comercial, a China é também agora um actor poderoso dentro da Europa”, afirmam François Godement e Jonas Parello-Plesner, os autores do estudo.


Segundo os investigadores, os números comprovam a expansão da presença chinesa em solo europeu. Há cinco anos, o investimento directo total da China na Europa atingiu 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 951 milhões de euros).


Só nos últimos dois anos, três aquisições de empresas chinesas em Espanha, Hungria e Noruega excederam, cada uma, aquele montante, sublinha o estudo do ECFR, organismo criado em 2007 e que se assume como o “o primeiro think-tank pan-europeu”.


Entre Outubro de 2010 e Março de 2011, as empresas e os bancos chineses investiram 64 mil milhões (aproximadamente 46,9 mil milhões de euros) em operações financeiras como fusões e aquisições de empresas. Este valor equivale a mais de metade do total do investimento directo da China na Europa desde 2008.


Para além dos investimentos directos em companhias, as recentes intervenções no mercado obrigacionista europeu da dívida pública, onde se impõe como um importante comprador, inclusive para Portugal, são a outra via para o aumento da influência na Europa da segunda maior economia do mundo.


A armadilha da crise da dívida

A dependência financeira da Europa em relação à China começa nos países endividados e periféricos do Mediterrâneo. “Portugal, Itália, Grécia e Espanha representam 30% do investimento da China na Europa”, enquanto a Europa Central e Oriental totalizam 10%.


Uma diferença “desproporcionalmente grande” se tivermos em conta “a dimensão global das economias” das duas regiões do Velho Continente. “De uma perspectiva europeia, pode parecer que a China está a explorar a zona vulnerável [soft underbelly] da Europa”, dizem os autores.


Esta expansão da presença Chinesa em terreno europeu ocorre no momento em que “a União Europeia começava a desenvolver uma estratégia [comercial] mais coordenada e agressiva em direcção à China”.


Porém, a necessidade de financiamento dos países europeus tem vindo sobrepor-se ao interesse comunitário. “Enquanto competem entre si para atrair o investimento chinês, os [países] europeus reduzem as suas possibilidades de negociar o acesso recíproco ao mercado chinês”, afirma o estudo.


“Os europeus não devem culpar a China por aproveitar a oportunidade de expandir a sua influência económica dentro da Europa”, nem devem “recorrer ao proteccionismo”, dizem os autores. “Devem, antes, unir-se em torno dos seus interesses colectivos”, de modo a que “as empresas europeias possam competir na China da mesma maneira que as companhias chinesas competem na Europa”, argumentam.


Assim, apesar de a influência europeia estar a criar “falhas geológicas” (fault lines) no seio do Velho Continente, a Europa “precisa e acolhe a presença chinesa”, devido à “necessidade de dinheiro a curto prazo”, concluem Godement e Parello-Plesner.

Daqui!

Crise e reciclagem

O Natal está aí não tarda nada e há sempre muitos presentinhos para comprar. Ora bem, com a crise, com os cortes em tudo e em mais alguma coisa, fica difícil dar presentes a todos...

A minha proposta é aproveitarem caixas de sapatos e outras embalagens..., o papel dos sacos do pão, uns pedacinhos de tecido, contas ou pérolas, fitas, cordões dos sacos de papel...

É só olharem à vossa volta, de certeza que vão encontrar algo com que decorar as vossas caixinhas...

Então, mãos à obra!
Esta caixa era uma caixa de sapatos, foi forrada seguindo este processo. Escolha duas cores contrastantes: eu usei castanho e marfim (tintas acrílicas). Pinte a caixa por dentro (cor de marfim) e por fora (castanho). Na tampa, pintei como mostra a imagem acima.
Para rematar, por dentro, colei, com cola quente, um cordão de seda rosa.

Depois, foi pegar em restos de tecido de cores mais ou menos similares, mas com texturas diferentes, e fazer flores. Colei as flores com cola quente, usei também cápsulas de bolotas, restos de franjas...

Pronto, digam lá que não fica um bonito presente?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A manipulação, segundo Noam Chomsky


Noam Chomsky desenvolveu a lista das "10 estratégias de manipulação” dos princípios sociais e económicos de forma a atrair o apoio inconsciente dos meios de comunicação:


  • A estratégia da distracção: O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas.

A técnica é a do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações sem importância.

A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, atraída por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar.” (Citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

  • Criar problemas e depois oferecer soluções. Este método também é chamado:

“problema -> reacção -> solução”.

Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este seja o suplicante das medidas que se deseja fazer aceitar.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, para que o público seja o requerente de leis de segurança e políticas, em prejuízo da liberdade.

Ou também:

Criar uma crise económica para que o povo aceite como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

  • A estratégia gradativa: Para fazer com que se aceite uma medida inadmissível, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, num prazo alargado. Dessa forma, as novas condições impostas, as mudanças radicais, são aceites sem provocar revoltas.

  • A estratégia do adiamento : Outra maneira de provocar a aceitação de uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro que um sacrifício imediato.

- Primeiro, porque o esforço não é imediato.

- Segundo, porque a massa, ingenuamente, crê que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado.

Isto dá mais tempo ao cidadão para se acostumar à ideia da mudança e de a aceitar com resignação quando chegar o momento.


  • Dirigir-se ao público como a criaturas de pouca idade: A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoações particularmente infantis, muitas vezes a roçar a debilidade, como se o espectador fosse uma criança ou um deficiente mental.

Quanto mais se quer enganar o espectador, mais se tende a adoptar um tom infantil. Porquê?

“Porque dirigir-se a uma pessoa como se esta tivesse 12 anos ou menos, tenderá, por sugestão, a provocar respostas ou reacções mais infantis e desprovidas de sentido crítico”.


  • Utilizar muito mais o aspecto emocional do que a reflexão: Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para "curto-circuitar" a análise racional, e neutralizar o sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injectar ideias, desejos, medos e temores ou induzir determinados comportamentos.

  • Manter o povo na ignorância e na mediocridade: Fazer com que o público seja incapaz de compreender a tecnologia e os métodos utilizados, para o manter sob controlo e na escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância entre estas e as classes altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidades para todos.”

  • Estimular o público a ser complacente com a mediocridade: Fazer crer ao povo que está na moda a vulgaridade, a incultura, o ser mal falado ou admirar personagens sem talento ou mérito algum, o desprezo pelo intelectual, o exagero do culto ao corpo e a desvalorização do espírito de sacrifício e do esforço pessoal.

  • Reforçar o sentimento de culpa pessoal: Fazer crer ao indivíduo que ele é o único culpado da sua própria desgraça, por insuficiência de inteligência, de capacidade, de preparação ou de esforço. Assim, em lugar de se revoltar contra o sistema económico e social, o indivíduo desvaloriza-se, culpa-se, gerando em si um estado depressivo, que inibe a sua capacidade de reagir. E sem reacção, não haverá revolução.


  • Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem: Nos últimos 50 anos, os avanços da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles utilizados pelas elites dominantes.

Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o Sistema tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicológica. O Sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele se conhece. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um maior controlo e poder sobre os indivíduos, superior ao que pensam que realmente tem.

Noam Chomsky (Visões Alternativas )

Adaptado da versão de José Mauro Rodrigues

A Mena na cozinha






Empadão de frango à Mena




frango desfiado
esparguete cozido
1 lata de cogumelos laminados
1 pacote de natas (2oo ml)
1 sopa de cebola de pacote
pimenta (facultativo)
queijo ralado
margarina

É um prato delicioso e muito fácil de confeccionar! Os meus filhotes adoram! Pode servir para aproveitar sobras de frango e de esparguete cozido.

Numa tigela, misture o frango desfiado, a sopa de cebola, as natas e uma pitada de pimenta.

Unte um pirex com margarina e coloque no fundo uma camada de esparguete, seguindo-se uma camada de frango e assim sucessivamente até terminar os ingredientes. Termine com uma camada de massa.

Polvilhe com queijo ralado e leve ao forno a alourar.

Sirva com uma boa salada de alface.

Bom apetite!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Arrojos - Cesário Verde


Arrojos


Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.


Se ela deixasse, extáctico e suspenso
Tomar-lhe as mãos "mignonnes" e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.


Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clarão dos relâmpagos nocturnos.


Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sabão das criancinhas.


Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.


Se aquela por quem já não tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.


Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,
Eu ergueria os vales mais profundos
E abateria as sólidas montanhas.


E se aquela visão da fantasia
Me estreitasse ao peito alvo como arminho,
Eu nunca, nunca mais me sentaria
Às mesas espelhentas do Martinho.

Cesário Verde

Mignonnes - delicadas, graciosas, pequenas
Laura - a mulher celebrada por Petrarca, apresentada como amada inacessível.
Martinho - café lisboeta, frequentada por muitos intelectuais.


"Arrojos" foi publicado em conjunto com dois outros poemas sob o antetítulo comum "Fantasias do Impossível".
Os dois primeiros versos de cada uma das quadras do poema constituem a apresentação de uma fantasia de uma paixão feliz, paixão que nunca se tornará realidade (o carácter hipotético dessa paixão é realçado pelo emprego das orações condicionais). O antetítulo "Fantasias do impossível" remete precisamente para a impossibilidade de concretização dessa paixão.

A figura feminina apresenta os seguintes traços caracterizadores:
- olhar cortante (glacial): "olhos que ferem como espadas" (v. 2);
- mãos pequenas e graciosas: "mãos mignonnes" (v.6);
- amada inacessível : "a Laura" (v. 17);
- influência perversa sobre o sujeito poético: "a Laura dos meus loucos desvarios" (v. 17);
- arrogância e vaidade: "soberba" (v. 18);
- insensibilidade e indiferença: "fria" (v. 18);
- distância e irrealidade: "aquela visão da fantasia" (v. 29);
- pele muito branca (e macia): "peito alvo como arminho" (v. 30).

A hipérbole presente nos versos: "Eu com um sopro enorme, um sopro imenso / Apagaria o lume das estrelas." (vv. 7-8) sublinha a intensidade da paixão (tão grande que "Apagaria o lume das estrelas"), bem como representa a força da paixão feliz capaz de conferir poderes sobre-humanos, que permitiriam ao sujeito poético dominar as forças da natureza.

Os dois últimos versos revelam a amarga ironia do sujeito poético, uma vez que, tendo consciência de que esta paixão é impossível de realizar, o sujeito lírico afirma que estaria disposto a abandonar o seu hábito quotidiano de ir ao café, se o seu amor fosse correspondido. A ironia também nasce de algo paradoxal: comparar uma grande paixão com uma circunstância do quotidiano, o ir ao café.

Há uma relação de claro desequilíbrio entre o sujeito poético e a amada. Enquanto o sujeito lírico a ama e idolatra, está disposto a por ela conquistar o mar, as estrelas, os relâmpagos, o azul do céu, o sol, os rios, a domar a terra e as montanhas e a erguer os vales, a amada assume uma atitude fria, distante e inacessível. A paixão correspondida existe apenas na imaginação do sujeito poético.

Haja criatividade...



Cem anos de moda e estilo em 100 segundos. Fantástico!




Há anúncios de automóveis bem engraçados! Este é bem original!




Este vídeo dá-nos conta de todo o processo usado na construção do outdoor para a promoção do filme “Contágio”. Impressionante, não deixando de ser, no entanto, nojento o efeito final!




Para promover um festival de magia, nada melhor do que um número de magia: pombos a sair de uma cartola. Que bela ideia!



Daqui!



E eu pensava que já tinha visto muita coisa na vida! Na verdade, isto nem nunca me passou pela cabeça que existisse... Enfim, devemos estar perto do fim do mundo!... É preciso ter mais do que lata!...


domingo, 18 de setembro de 2011

A Mena na cozinha


Perna de peru com alecrim

1 perna de peru
1 cebola
4 dentes de alho
1 ramo de alecrim
salsa
sal
pimenta
2 colheres de sopa de massa de pimentão
vinho branco
azeite
couve
arroz

Esfregue a perna de peru com sal e pimenta. Descasque a cebola e os alhos e pique-os na picadora juntamente com a salsa. Misture a pasta obtida com a massa de pimentão e barre a perna de peru. Coloque-a na panela da MasterChef e verta por cima a restante massa (se sobrar). Refresque com vinho branco e regue com um pouco de azeite. Disponha os raminhos de alecrim sobre a carne. Seleccione a função Chef, programe para 30 minutos e carregue na tecla Início.

Passado esse tempo, retire a carne e deite a couve, cortada em juliana grossa, no caldo da cozedura da perna de peru, por cima volte a colocar a carninha. Feche a panela, seleccione a função Chef, programe para 25 minutos e carregue na tecla Início.

Prepare o arroz no microondas: 1 chávena de arroz, 2,5 chávenas de água, sal, um fio de azeite e um pouco do molho da cozedura do peru (só para dar uma corzinha). Leve ao microondas 5 minutos. Retire, mexa e volte a cozinhar mais 5 minutos.

Sirva o peru com as couves e o arrozinho.

Bom apetite!