terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Mena na cozinha



Lasanha de bacalhau

bacalhau

1 alho francês
1 curgete
1 cebola
2 dentes de alho
2 cenouras
massa para lasanha
sal
pimenta
nós moscada
5 dl de molho béchamel
1 colher de sobremesa de farinha maizena
azeite
vinho branco
coentros
queijo ralado (facultativo)

Desfie o bacalhau, corte os legumes às rodelas. Leve a cebola e o alho a refogar com um pouco de azeite.

Junte o bacalhau e os legumes. Refresque com um pouquinho de vinho branco. Deixe cozinhar.
Adicione a farinha e tempere.

Coloque um pouco de molho béchamel no fundo de um pirex. Forre com placas de massa, seguidas do preparado do bacalhau e de algumas folhinhas de coentros. Repita as operações até acabar a mistura de legumes com bacalhau. Termine com placas de massa.

Deite por cima o restante molho e o queijo ralado e leve ao forno. Deixe cozer.

Sirva com uma boa salada.
Bom apetite!

Feliz Dia do Animal!



Estes macacos são completamente cinzentos, mas nasceram cor-de-laranja!...
Documentário escrito e narrado por David Attenborough.

Passem um lindo dia com os vossos amigos animais! Vou comprar um grande osso para oferecer à Nina e vou visitar a "campa" do Gil.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Modernismo - Movimento "Orpheu"


Movimento "Orpheu" (primeiro Modernismo)

Fernando Pessoa, educado na África do Sul sob influência da cultura inglesa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, que beberam em Paris as últimas novidades literárias e plásticas do Futurismo e de outras correntes modernas, por alturas da Primeira Grande Guerra (1914 - 1918), lançaram em Portugal o movimento modernista. António Botto e Luís de Montalvor são também nomes de vulto do primeiro Modernismo.

O grande motor de arranque do movimento foi a revista Orpheu, de que saíram dois números apenas (1915). Outras revistas se lhe seguiram, divulgadoras da mesma mensagem artística: Centauro (1 número), Portugal Futurista (1 número), Contemporânea (13 números - 1922-33) e Athena (5 números - 1924-25).

Os homens deste movimento modernista escandalizaram e assustaram os intelectuais e a sociedade "bem pensante" da época, tal a sua inclinação para o desprezo do bom senso, com tendências que evolucionavam do sentir sebastianista mais delirante até às ciências ocultas e à astrologia.

O que estes homens queriam em primeiro lugar, era escandalizar. Os dois números do Orpheu surgiram mesmo "para irritar o burguês, para escandalizar, e alcançaram o fim proposto, tornaram-se alvo das troças dos jornais". Era assim que se procedia à maior reviravolta da literatura portuguesa.

Pessoa e os seus amigos sentiam-se entediados pelos seus contemporâneos. O repúdio do espírito da Renascença Portuguesa, em que pontificava Teixeira de Pascoais, foi o primeiro efeito desse tédio.

"Nós não somos, diz Almada Negreiros, do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas". Eugénio Lisboa, comentando as palavras de Almada, acrescenta: "Não só as palavras: havia que reinventar a visão do mundo, os valores, as metáforas, a sintaxe, a mitologia em vigor, a estrutura dos poemas, toda uma metodologia mais sofisticada do conhecimento".

As tendências do primeiro Orpheu evolucionaram do Decadentismo-Simbolismo até ao Modernismo sensacionista de Álvaro de Campos.

O Futurismo e o Sensacionismo devem-se, em Portugal, aos homens mais influentes do movimento Orpheu: Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro.

O Futurismo, lançado na Europa sobretudo pelo poeta italiano Marinetti, é representado em Portugal pelos seguintes textos e autores: "Ode Triunfal" (1914) e "Ultimatum" (1917) de Álvaro de Campos; "Manucure" e "Apoteose" (1915) de Sá-Carneiro; "A Cena do Ódio" (1915), "Manifesto Anti-Dantas" (1916) e "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Séc. XX" (1917) de Almada Negreiros.

Ao mesmo tempo que se mostravam demolidores dos sistemas ideológicos tradicionais, estes homens impunham também um conceito novo de arte, substituindo o conceito de Belo (imitação harmoniosa da Natureza), herdado da velha "estética aristotélica". Queriam uma estética que espelhasse o mundo progressivo do futuro, uma estética dinâmica e agressiva.

Daí a defesa de uma autêntica liberdade da escrita, com recurso ao verso livre e aos atropelos morfo-sintácticos, às metáforas e imagens arrojadas, um estilo que destrua o EU, isto é, toda a psicologia, na literatura, voltando-se para o mundo da técnica, o estilo da força física, do mecanismo e da própria violência. "Queremos na literatura a vida do motor".



The Giving Tree

Jantar da Confraria XII - 2011/2012

Ou já a fizeram ou estão para a fazer! A anedota deve ser bem engraçada, Isabel!

Olha que três! Parece que não partem um prato...

A conversa do lado é séria, muito séria! Qual será o tema?

Aqui a conversa é bem mais leve!

Que lindas!

É só style, Célinha!

Ai os meus longs cheveux annelés!

Adivinha, adivinha: muito, pouco e nada!

Que bela "piruca"!

Não sei se ria, não sei se...

- Estará a falar nos NPP?

- Big, small or petit, petit, petit... et rien de rien...

Até ao próximo jantarinho!

domingo, 2 de outubro de 2011

Jantar da Confraria XII - 2011/2012


- Onde é que eu vou, onde é que é? Ao Festival da Sapateira em São Martinho do Porto.

As candidatas a "Miss Sapateira 2011 de São Martinho do Porto" ou "Onofrinas em acção".

-Hei, falto eu, falto eu!
O décimo segundo "Jantar da Confraria" teve lugar no restaurante O Farol em são Martinho. E foi neste local, debruçado sobre a baía, que nós degustámos uns camarõezitos e umas deliciosas sapateiras com torradinhas, regadas com Imperiais e cervejas, seguidas de sobremesas e cafézinhos.

- Ponham-se giras para a fotografia!

- Ora bem, como é que isto funciona?

- Toca tudo a meter água!

- Ó pra nós tão giras!

- Célia, põe o teu melhor sorriso!

- She is "cusking"!

- Não quero sapateira nenhuma, vou ver aqui na "carte" o que se pode comer com faca e garfo!

- O prémio miss sorriso vai para a Célinha! O prémio estupefacção vai para a Isabel!

- O prémio miss simpatia vai para a Isabel!

- Desta vez não me apanhas com outras coisas no copo, só aguinha!

Toda a gente a portar-se tão bem!

Miss fotogenia - Cristina.

Prémio - We are all friends!


Amanhã há mais!

Listen to my music

A Mena na cozinha

Gelatina de morango com suspiros

1 pacote de gelatina de morango
4 dl de água
1 pacote de natas
suspiros
morangos

Corte os morangos às rodelas. Parta grosseiramente os suspiros. Prepare a gelatina com a água e no fim envolva as natas, misturando bem. Deite um pouco do preparado da gelatina no fundo da forma e coloque uma camada de suspiros, seguida de uma camada de morangos. Deite mais um pouco de gelatina e repita as operações até terminar os suspiros e os morangos.

Termine com uma camada de gelatina. Leve ao frigorífico a solidificar.

Sirva enfeitado com morangos.
Delicie-se!

sábado, 1 de outubro de 2011

Fernando Pessoa, segundo Ofélia Queirós (namorada do poeta)


"O Fernando, em geral, era muito alegre. Ria como uma criança, e achava muita graça às coisas. Dizia, por exemplo «ouvistaste?» em vez de «ouviste». Quando saía para engraxar os sapatos, dizia-me: «-Eu já venho, vou lavar os pés por fora». Um dia mandou-me um bilhetinho assim: «O meu amor é pequenino, tem calcinhas cor-de-rosa» Eu li aquilo e fiquei indignada. Quando saímos, disse-lhe zangada: « Ó Fernando, como é que você sabe que eu tenho calcinhas cor-de-rosa ou não, você nunca viu...» (tanto nos tratávamos por tu como por você). E ele respondeu-me assim a rir: «Não te zangues, Bebé, é que todas as bebés pequeninas têm calcinhas cor-de-rosa...»
(...)
Vivia muito isolado, como se sabe. Muitas vezes não tinha quem o tratasse, e queixava-se-me. Estava realmente muito apaixonado por mim, posso dizê-lo, e tinha uma necessidade enorme da minha companhia, da minha presença. Dizia-me numa carta: «...não imaginas as saudades que de ti sinto nestas ocasiões de doença, de abatimento e de tristeza...» E mostra-o bem, nesta quadra que me fez:

"Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de Janeiro
No junho do meu carinho."

Em Maio de 1920, a Carris entrou em greve por uns dias, e passámos a fazer o percurso de comboio.
Para que o meu pai não soubesse que eu saía com o Fernando, ele apanhava o comboio do Cais do Sodré e eu em Santos. Assim conversávamos até Belém. Não digo «namorávamos», porque o Fernando não gostava, conforme já contei.
Quando acabou a greve, ia buscar-me, à tarde, como de costume e vínhamos de eléctrico para casa, mas como ele achava que o trajecto não era suficientemente longo, dizia a brincar: «E se fingíssemos que nos enganávamos e nos metêssemos num carro para o Poço do Bispo?»
O Fernando era uma pessoa muito especial. Toda a sua maneira de ser, de sentir, de se vestir até, era especial. Mas eu talvez não desse por isso, nessa altura, talvez porque estava apaixonada. A sua sensibilidade, a sua ternura, a sua timidez, as suas excentricidades, no fundo, encantavam-me.
Por exemplo, o Fernando era um pouco confuso, principalmente quando se apresentava como Álvaro de Campos. Dizia-me então: «Hoje não fui eu que vim, foi o meu amigo Álvaro de Campos»...Portava-se, nestas alturas, de uma maneira totalmente diferente. Destrambelhado, dizendo coisas sem nexo. Um dia, quando chegou ao pé de mim, disse-me: «Trago uma incumbência, minha senhora, é a de deitar a fisionomia abjecta desse Fernando Pessoa, de cabeça para baixo, num balde cheio de água.» E eu respondia-lhe: "Detesto esse Álvaro de Campos. Só gosto de Fernando Pessoa.» «Não sei porquê», respondeu-me, «olha que ele gosta muito de ti.»
Raramente falava no Caeiro, no Reis ou no Soares.
(...)
O Fernando, principalmente quando se encontrava abatido, não acreditava que eu pudesse gostar dele: «Se não podes gostar de mim a valer, finge, mas finge tão bem que eu não perceba.» Ou, então como nesta quadra:

"O meu amor já não me quer
Já me esquece e me desama
Tão pouco tempo a mulher
Leva a prova que não ama."

Um dia, ao passarmos na calçada da Estrela, disse-me :«O teu amor por mim é tão grande, como aquela árvore.» Eu fingi que não percebi. «Mas não está ali árvore nenhuma...»«Por isso mesmo» respondeu-me ele. Outra vez disse-me : «Chega a ser uma caridade cristã tu gostares de mim. És tão nova e engraçadinha, e eu tão velho e tão feio.»
(...)
O Fernando era extremamente reservado. Falava muito pouco da sua vida íntima; não tinha sequer o que se chama um amigo íntimo (nesta altura já tinha morrido o Sá-Carneiro, e há até uma carta em que me diz:«Não há quem saiba se eu gosto de ti ou não, porque eu não fiz de ninguém confidente sobre o assunto.»
Com quem ele se dava muito na altura, e a casa de quem ia até jantar uma vez por semana, era o Lobo d´Ávila, que vivia na Praça do Rio de Janeiro, hoje Príncipe Real. De resto, eram só amigos do café.
Há uma frase de Fernando, há várias até, que monstram bem como ele era reservado. «Sinto preciso ocultar o meu íntimo aos olhares.»«Não quero que ninguém saiba o que sinto.» E ainda esta outra : «O Fernando Pessoa sente as coisas mas não se mexe, nem mesmo por dentro.»

O «namoro» durou assim até Novembro de 1920. A sua última carta data de 29 desse mês. Aos poucos, ele foi-se afastando, até que deixámos completamente de nos ver. E isto sem qualquer razão concreta.
[...]
Passaram-se nove anos.
Um dia, o meu sobrinho Carlos Queirós trouxe para casa aquele famoso retrato do Fernando a beber vinho no Abel Pereira da Fonseca (tirado pelo Manuel Martins da Hora) [foto publicada em Dezembro dia 21, poema Guardador de rebanhos]. Trazia uma dedicatória: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando. Dia 2/9/29» Achei muita graça, como é natural, e disse ao meu sobrinho que gostava de ter uma para mim. O Carlos disse-lhe, e passado pouco tempo ele enviou-me uma fotografia igual com esta dedicatória: «Fernando Pessoa em flagrante delitro.»
Escrevi-lhe a agradecer e ele respondeu-me. Recomeçámos então o «namoro». Isto em 1929. Eu já não trabalhava nessa altura e continuava a viver em casa de minha irmã no Rossio.
O Fernando estava diferente. Não só fisicamente, pois tinha engordado bastante, mas, e principalmente, na sua maneira de ser. Sempre nervoso, vivia obcecado com a sua obra. Muitas vezes dizia que tinha medo de não me fazer feliz, devido ao tempo que tinha de dedicar a essa obra. Disse-me um dia : «Durmo pouco e com um papel e uma caneta à cabeceira. Acordo durante a noite e escrevo, tenho que escrever, e é uma maçada porque depois o Bebé não pode dormir descansado.» Ao mesmo tempo receava não poder dar-me o mesmo nível de vida a que eu estava habituada. Ele não queria ir trabalhar todos os dias, porque queria dias só para si, para a sua vida, que era a sua obra. Vivia com o essencial. Todo o resto lhe era indiferente. Não era um ambicioso nem vaidoso. Era simples e leal.
Dizia-me: «Nunca digas a ninguém que sou poeta. Quanto muito, faço versos.»

Fernando Pessoa, Cartas de Amor

O ciclo da água

The Water Cycle stop motion from StopMoGo on Vimeo.



Vídeo criado por Emma Dougherty.