segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

D. Dinis - Mensagem - Fernando Pessoa

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo

O plantador de naus a haver,

E ouve um silêncio múrmuro consigo:

É o rumor dos pinhais que, como um trigo

De Império, ondulam sem se poder ver.


Arroio, esse cantar, jovem e puro,

Busca o oceano por achar;

E a fala dos pinhais, marulho obscuro,

É o som presente desse mar futuro,

É a voz da terra ansiando pelo mar.


Fernando Pessoa


O poeta usou todos os verbos no presente para designar acções passadas. O poeta, homem do século XX, que observa, à posteriori, a empresa dos descobrimentos, para melhor visionar as suas causas remotas, assume a perspectiva longínqua de D. Dinis, "o plantador de naus e haver" (seria dos pinhais semeados por este rei que viria a madeira para os navios). Imagina até D. Dinis a compor um cantar de amigo, inspirado pelo rumor desses pinhais que já ondulavam, mas apenas na sua imaginação ("sem se poder ver"). O poeta recua no tempo e escuta, com o rei lavrador, a "fala dos pinhais... o som presente desse mar futuro".

Este presente não é o presente do sujeito da enunciação, mas o presente de D. Dinis e, para o explicar, não basta apenas dizer que é o presente histórico. Há da parte do poeta, a intenção de fazer chegar até nós, de nos fazer escutar, esse cantar jovem do rei e o marulho obscure dos seus pinhais. Tudo isto era, na perspectiva do rei, o pressentimento, embora obscure (“marulho obscure”) de qualquer coisa de grande que estava para vir, era “o som presente desse future”.

É interessante notar que, no poema D. Sebastião, já se emprega não o tempo presente mas o passado. Porquê? Agora dá-se o contrario: é o poeta que, assumindo o ponto de vista de D. Sebastião, o atrai para o seu tempo (o tempo presente do poeta). Se D. Sebastião fala da sua vida passada como se estivesse no tempo do poeta, é normal que use o passado. E também é normal que D. Sebastião surja a falar no tempo do poeta; ele é sobretudo uma figura lendária que já está fora do tempo, porque é ao mesmo tempo do passado, do presente e do futuro: no passado foi fracasso, mas, no presente, é a esperança do future (Sebastianismo).

Apesar do emprego generalizado do presente verbal, a mensagem centra-se mais no futuro que no presente e a razão disto pode encontrar-se no que foi ditto anteriormente: se a perspectiva temporal do poeta é a de D. Dinis e este rei preparava as glórias futuras da sua grei, é evidente que a mensagem do poema se centra sobretudo no future. Isto mesmo é confirmado pelo texto: “o plantador de naus a haver”; “Arroio, esse cantar… busca o oceano por achar”; E a fala dos pinhais… é o som presente desse mar future”.

“É o rumor dos pinhais que, como um trigo de império…” – metáfora. Pinhais à trigo do império. É muito expressiva esta metáfora (aqui em forma de comparação). Porquê os pinhais – trigo do império? O trigo, o pão, não é só a base da alimentação, é também o símbolo dos alimentos (ganhar o pão de cada dia é ganhar todos os alimentos). Por outro lado, não há império sem poder económico, e o trigo, as searas são a promessa da riqueza de um país. Daí a ligação Pinhais à trigo do império: os pinhais contribuiram para a expansão portuguesa e esta criaria a riqueza do nosso império (que houvemos).

O poeta parece atribuir aos pinhais um certo animismo profético: “É o rumor dos pinhais…”; “e a fala dos pinhais… é a voz da terra ansiando pelo mar”. Os pinhais parecem ter linguagem (falam) e inspiram o próprio cantar do rei-poeta, porque anunciam qualquer coisa de grande.

Este poema, como todos os da Mensagem, estão imbuídos de espírito épico. E veja-se como a grandeza dos feitos de uma nação é inseparável da sua grandeza literária. Nota-se isto neste pequeno poema: o cantar nascido do marulhar dos pinheiros prenuncia a grandeza épica de Portugal.

O futuro é agora

sábado, 3 de dezembro de 2011

O Luís e a Vió na cozinha

Peru de fricassé

1 cebola
azeite ou margarina
bifes de peru
1 copo de vinho branco
sal
pimenta
1/2 limão
2 gemas
1 colher de chá de mostarda
2 colheres de sopa de salsa picada

Aloure a cebola picada num tacho com um pouco de azeite (se preferir pode utilizar margarina), enquanto corta os bifes de peru em tirinhas.
Junte-as à cebola e deixe saltear até a carne começar a alourar.
Regue com vinho branco e tempere com sal e pimenta, de preferência moída na ocasião. Tape o tacho e deixe cozinhar sobre lume brando, durante 10 minutos.
Entretanto, desfaça as gemas com o sumo de limão e a mostarda. Junte ao peru e mexa rapidamente.
Deixe cozinhar mais uns 5 minutos e aproveite para picar a salsa.
Deite no tacho e misture bem.
Sirva com arroz branco e salada.

Bom apetite!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Gosto, gosto, gosto...

Andei por aí a cuscar e vejam as coisas lindas que encontrei aqui e ali, na blogosfera.
Algumas fotos roubei-as ao Mr. Fire, um amigo com muito bom gosto.

Rosas, rosas, amor, paixão...

Um jardim "às paletes" numa palete. Viva a reciclagem!

Lindo!

Porque o Natal está a chegar e é preciso dar um toque festivo à nossa casa, aqui ficam algumas ideias!

A armação existe já feita, depois é pôr mãos à obra... Esta foi enfeitada com flores em feltro...

Um espanto! Rolhas de cortiça, contas pretas e vermelhas e um lindo laçarote.

Laços, lacinhos, laçarotes... botões, tecidos vários, contas...

O ano passado, fiz um monte de arranjos com galhos e ramos secos de árvores. Esta decoração está linda!

Que quartinho tão fofinho!

Quem não gostaria de ter um cachecol assim tão bonito!

Gosto do casaco, gosto dos sapatos...
Que tal, pegarmos numa camisa do maridão ou do namorado e... eis que surge um lindo vestidinho. Ainda não experimentei! Quando o fizer mostrar-vos-ei!

Hum, deve ser tão quentinho!

Dava-me um jeitão uma malinha desta cor! Para quê? - perguntam vocês. Depois, digo-vos!...

Ah, e esta hem! Já sabem o que fazer com as colheres, garfos e facas de plástico?

Cota dourada, prata indiana e pérolas.

E isto é o que todos devemos desejar!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO CAFEZINHO

Dois leões fugiram do Jardim Zoológico. Na fuga, cada um tomou um rumo diferente. Um dos leões foi para as matas e o outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões por todo o lado, mas ninguém os encontrou.

Depois de um mês, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas. Voltou magro, faminto, alquebrado. Assim, o leão foi reconduzido a sua jaula.

Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrou do leão que fugira para o centro da cidade, quando um dia, o bicho foi recapturado. E voltou ao Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde.

Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para a floresta perguntou ao colega:

- Como é que conseguiste ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com saúde? Eu, que fugi para a mata, tive que voltar, porque quase não encontrava o que comer!...

O outro leão então explicou:

- Enchi-me de coragem e fui esconder-me numa repartição pública. Cada dia comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.

- E por que voltaste então para cá? Tinham acabado os funcionários?

- Nada disso. Funcionário público é coisa que nunca se acaba. É que eu cometi um erro gravíssimo. Tinha comido o director geral, dois superintendentes, cinco adjuntos, três coordenadores, dez assessores, doze chefes de secção, quinze chefes de divisão, várias secretárias, dezenas de funcionários e ninguém deu por falta deles! Mas, no dia em que eu comi o que servia o cafezinho... Estraguei tudo!

Experimenta também comer professor para ver quanta gente vai gritar! Não por sentir falta do professor, mas por não ter quem fique com as crianças!


Vinhos de Portugal no mundo

Os décimos terceiros meses que paguem a crise

Ufa! Que sorte. Portugal livrou-se de um primeiro-ministro que dava o dito por não dito, faltava às promessas e impunha sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. É bom olhar para trás, recordar esses tempos longínquos e suspirar de alívio



"Há um limite para os sacrifícios que se podem exigir aos portugueses."

Pedro Passos Coelho, 23 de Março de 2011

"E eu vou descobrir qual é."

Pedro Passos Coelho, 17 de Outubro de 2011

Ufa! Que sorte. Portugal livrou-se de um primeiro-ministro que dava o dito por não dito, faltava às promessas e impunha sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. É bom olhar para trás, recordar esses tempos longínquos e suspirar de alívio. Para o substituir, os portugueses escolheram um primeiro-ministro que dá o dito por não dito, falta às promessas e impõe sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. Trata-se de um conceito de governação tão diferente que, por vezes, parece que estamos a viver num país novo.

Quem vive em democracia tem de estar preparado para estas mudanças radicais. Sócrates usava, normalmente, gravatas de tom azul, enquanto Passos Coelho prefere os verdes e os ocres. No entanto, depois de um período de adaptação, os portugueses habituaram-se rapidamente à principal mudança política das duas legislaturas. Em abono da verdade, deve dizer-se que o povo português, embora seja dado a escolhas muito diferentes, de eleição para eleição, tem uma notável capacidade de se adaptar à nova conjuntura política.

Repare-se, a título de exemplo, no que acontece com o estilo de Vítor Gaspar, e no modo como os portugueses o aceitaram sem pestanejar - até porque se torna bem difícil pestanejar quando se ouve o ministro das Finanças. Vítor Gaspar tem, como é óbvio, aptidões em várias áreas do saber, embora nenhuma delas seja, ao que parece, a economia ou as finanças. Trata-se de um homem evidentemente versado em hipnotismo e encantamento de serpentes. Cinco minutos a ouvir Vítor Gaspar e o contribuinte começa a sentir-se com sono, muito sono. É nessa altura que percebe que a carteira começa a sair-lhe do bolso, ao som da voz encantatória do ministro. Seduzida pelo magnetismo animal de Gaspar, a carteira abandona o nosso bolso e dança até ao Ministério das Finanças, onde deposita os subsídios de férias e de Natal. Depois, regressa à nossa algibeira, para reabastecer. Gaspar, o encantador de carteiras, já demonstrou ter capacidade para fazer este truque todos os anos. Mas o povo, sempre pérfido, prepara-lhe uma partida cruel: a tendência maldosa do trabalhador português para o desemprego e o trabalho precário levará a que, em breve, não sobre quase ninguém a beneficiar de 13º mês. Lá terá o governo de nos levar o décimo segundo.

Ricardo Araújo Pereira