domingo, 25 de novembro de 2012

O Acordo, outra vez




As questões de fundo relativas à aplicação do Acordo Ortográfico continuam por resolver. Não entrou em vigor, mas há sectores, tanto oficiais como privados, em que vigora sem rodeios especiais o princípio do faz-de-conta. Faz-se de conta que o Acordo já se aplica de pleno e estropia-se alegremente a nossa língua. Jornais e editoras continuam a fazê-lo da maneira mais bárbara. Há já alguns livros importantes que saem cheios dos correspondentes aleijões. E eles só não vieram ainda afectar uma série de clássicos da língua pela razão singela de que cada vez menos se cura de editá-los e pô-los ao alcance de toda a gente.
Ninguém parece ter sequer acordado para a necessidade de uma revisão. As duas grafias coexistem, porque, felizmente, um quotidiano importante e uma grande parte dos colaboradores da imprensa lusitana se mantêm fiéis à grafia anterior e esta é, por enquanto, a única que, legalmente, pode e deve ser aplicada. Toda a gente sabe que é assim e não vale a pena repeti-lo.
É possível que o lobby das editoras, depois de se ter precipitado na adopção do Acordo em livros escolares, manuais, dicionários e agora noutras publicações, procure impor essa coisa sem nome em todos os sectores da vida nacional, em especial no escolar. Também é possível que o poder não saiba lá muito bem o que fazer, seguindo e alimentando, neste aspecto, a desorientação das escolas.
Os partidos políticos com assento parlamentar têm vindo a pactuar, sem excepção, com esse estado de coisas. Ninguém lucra absolutamente nada com ele. Mas tudo isso redundaria apenas num simples exercício de humor de gosto discutível, se não se traduzisse numa violência quotidiana contra a língua. E o certo é que, se as coisas continuarem assim, dentro de uma geração ninguém conseguirá pronunciar correctamente a língua portuguesa tal como ela é falada deste lado do Atlântico.
Por outro lado, o que interessa, para além da questão jurídica e cultural de fundo, é uma questão política assaz bizarra. E a questão política actualmente resume-se a isto: estão a ser aplicadas não uma, mas três grafias da língua portuguesa. A correcta, em países como Angola e Moçambique, a brasileira (no Brasil) e a pateta (em Portugal e não se sabe em que outras paragens). Os representantes dos Estados-membros na CPLP, esses, devem dar pulinhos de corça alvoroçada e do mais puro regozijo com tão portentoso contributo que a organização deu para unificar a grafia do português.
Enquanto se anda nestes preparos, toda a gente se esqueceu do famigerado vocabulário ortográfico comum. Onde pára o dito? Dele, ninguém sabe dizer nada, como da formosa Mariquinhas... Até agora, o vocabulário peca pela inexistência pura e simples e ninguém se preocupou com a superação de tão momentosa dificuldade. Ora não parece que actualmente, com as restrições que afectam tantas áreas da investigação e da diplomacia, haja qualquer possibilidade de ele ser concretizado.
Entre as consequências relevantes dessa inexistência conta-se a impossibilidade de aplicar o Acordo de cuja entrada em vigor o vocabulário comum é condição prévia, por muito que isso pese ao Prof. Evanildo Bechara, que lê a exigência correspondente como se ela unicamente se reportasse ao vocabulário técnico e científico. É de lamentar que, na pessoa do ilustre académico, a interpretação jurídica não consiga acompanhar o saber do linguista emérito.
Alem disso, é muito de estranhar que, no ano em que o Brasil se apresenta em Portugal e Portugal se apresenta no Brasil com tanta pompa e circunstância, nenhum dos países interessados tenha feito qualquer reparo à maneira como a grafia do português, que se pretende oficial e oficiosamente seja agora adoptada em Portugal, consagra uma série de enormidades que não estão, nem podem estar, a ser aplicadas no Brasil e que aumentam a desconformidade com a maneira como a língua se escreve de um lado e do outro.
Talvez tenhamos de esperar que se realize um ano de Angola em Portugal e de Portugal em Angola para o problema merecer atenção. E então não será de estranhar que tenhamos de agradecer aos angolanos um rigor na grafia da nossa língua de que, por cá, nós portugueses já não somos capazes.


VASCO GRAÇA MOURA

Temos de pagar a NOSSA dívida? NOSSA?


QUAL "NOSSA DÍVIDA"? "NOSSA? O TANAS" - Por Professor Amadeu Homem

"A esmagadora maioria dos cidadãos portugueses nada fez, ao longo da sua vida pessoal e profissional, para produzir a crise em que nos atolamos. Essa esmagadora maioria está em completo estado de inocência, pois não foi ela, no caso dos funcionários públicos não-políticos, a determinar o seu nível remuneratório; não foi ela a furtar-se ao pagamento dos impostos legalmente previstos na lei; no caso da normal iniciativa privada, não foram estes comerciantes ou industriais – na esmagadora maioria dos casos – a sofismar e contornar a legislação que lhes comandou os negócios; uns e outros não assaltaram bancos, não frequentaram off-shores, não desviaram dinheiros para contas na Suíça, não receberam dinheiros públicos por baixo da mesa, não traficaram influências e não se tornaram réus de evasão fiscal. Se assim foi, a sua responsabilidade no descalabro actualmente existente, é nula. Quando alguns políticos decarreira nos ensurdecem com frases do género de “temos de pagar o que devemos”, há seguramente milhões e milhões de portugueses que podem replicar, com toda a legitimidade: - “mas eu não devo nada a ninguém”. Ou seja, há um discurso político que, pela sua insistência, se ocupa e preocupa em enganar os concidadãos e em gerar neles um calculado e calculista sentimento de culpa. Não foram eles que se encheram de mordomias; não são eles que compram e utilizam automóveis topo-de-gama para as suas deslocações; não foram eles que criaram e subsidiaram Fundações ridículas e completamente inúteis; não foram eles que enxamearam a Administração central e local com filhos, sobrinhos, afilhados e apaniguados; não foram eles que criaram um Parlamento com o dobro ou o triplo de Deputados necessários ao correcto funcionamento da Democracia; não foram eles que decidiram que cada ex-Presidente da República deveria ter ao seu serviço uma incontável legião de funcionários e polícias; não foram eles que criaram Conselhos de Administração em organismos públicos onde se ganha, por Administrador, num dia, o que um português normal não ganha em seis meses; não são eles que ocupam os lugares de mando de Empresas públicas e privadas que funcionam completamente à margem da decência e da moral; não foram eles a estabelecerem ordenados de nababo para os Malatos, os Rodrigues dos Santos e a demais bicharia masculina e feminina da RTP; não foram eles a decretar reformas muito antes do tempo normal para a politicagem; não foram eles a privilegiar os estômagos que digerem no Restaurante da Assembleia da República com preços irrisórios para cardápios de “gourmet”. Eles não fizeram nenhuma destas coisas. E é a esta gente que se grita “temos de pagar a NOSSA dívida”? A NOSSA? Qual NOSSA? Paguem-na VOCÊS, que são os verdadeiros beneficiários do sistema."

sábado, 24 de novembro de 2012

Today's look






Vestido - H&M
Sapatos - Marypaz

I want a happy ending!




Quando sentires o vento ameno a tocar a tua boca…
Entreabre-a…
São os meus lábios quentes a roçar os teus…
São os meus beijos doces à procura dos teus…
Sou eu a entrar em ti
E a puxar-te para dentro de mim…

Ainda os colégios do grupo GPS


Partilho o testemunho de uma docente, recebido por e-mail. A sua divulgação foi autorizada pela própria. Para todos lerem e reflectirem:



"Bom dia, colega, 




Trata-se de facto de um grupo com grande poder. Lembro que, na altura da compra do GPS, na reunião de tomada de posse vieram à escola indivíduos do topo da hierarquia. E se não me falha a memória, o próprio António Calvete (cujo pai fora amigo da fundadora do Externato, primeira mulher em Portugal a formar-se em medicina veterinária). A opção pelo grupo GPS partiu da parte da fundadora do Externato de duas vertentes: uma, a da ingenuidade - quem conheceu o carácter do pai, não conhece verdadeiramente o carácter do filho, a amizade obstruiu a visão da situação; por outro lado, e neste caso por parte dos filhos da senhora, que são bastantes e estão internamente divididos nos seus interesses particulares, o conhecimento de que o GPS tem dinheiro para os salvar da "enrascada" em que estão metidos. Precisam de vender a todo o custo. E é isso que fazem.

Na reunião a que me refiro, notei que os tais indivíduos não se abstinham de nomear os conhecimentos políticos que tinham. E, desconfiada pelo nosso futuro, não pude deixar de pensar, já naquela altura, que aquilo me parecia uma ameaça velada. A mesma que, já mais descaradamente, se fez sentir aquando do fórum anual que se realiza na D. João V, no Louriçal e à qual todos os profs GPS devem (carácter obrigatório) comparecer. Neste fórum esteve presente o Calvete e o presidente da Câmara de Pombal. Mais uma vez, o Calvete salientou os seus contactos governamentais. É como se dissesse: "escusam de nos ameaçar, podem falar mal de nós à vontade, com os nossos conhecimentos na esfera do poder, safamo-nos sempre, temos imunidade, vejam quem trabalha connosco e para nós!" Este último trecho nem sequer é o que eu calculo que pensam, foi dito. Eles salientam muito quem dos ex-governos trabalham com e para eles. O Calvete faz gáudio em salientar esse aspecto, ele é um indivíduo sem pudores, descarado, com segurança em público.
Na reunião de antes de ontem, no Externato, sei que houve ameaças veladas, relativamente à eventualidade da participação na entrevista. E, mais uma vez, partiram do topo da hierarquia da D. João V, onde tudo se decide. 
A nossa escola foi, durante os anos em que lá trabalhei uma escola familiar. Tinha espírito de escola, principalmente, enquanto os seus fundadores foram vivos. O fundador foi um indivíduo com visão e espírito de missão, preocupado com o nosso bem estar e o dos alunos. Tudo fez pela escola que fundou, pagando os nossos salários com endividamento à banca, quando já na 2ª metade dos anos 80, e muitas vezes nos anos 90, o Estado não enviava a tempo e horas a 1ª tranche de pagamentos que cobre os meses de Agosto a Dezembro. E nem sequer nos fazia sonhar que esse percalço acontecia. Era um indivíduo de esquerda, que não procurava louros de vitória, não se expunha nem se vangloriava. Era coerente com os seus princípios, rígido e firme nos seus propósitos, mas com um fundo humano que se mostrava pelas acções. Falava pouco, agia muito. O espírito com que criou a sua própria numerosa família foi o espírito com que fez pagar do seu bolso os estudos a alguns filhos da terra, carecidos financeiramente, mas com capacidades intelectuais notórias. Nunca ouvimos da sua boca a mais leve menção a este facto. Este espírito morreu com ele, em Fevereiro de 2002. Manteve-se no entanto a vontade de manter este carisma que nos deixou: o de que estávamos a trabalhar para um bem comum. E se trabalhávamos mais horas do que seria estipulado, fazíamo-lo porque gostávamos de o fazer, não por medo ou coação. Tínhamos brio na escola que defendíamos. Sentíamo-nos em casa, fazíamos o melhor que sabíamos. Era uma casa e causa de todos. Era espírito de missão educativa. 
Numa RG, pouco depois da compra pelo GPS, a gestora administrativa da escola disse uma frase que não me saiu da cabeça "...não quero dizer que, ao comprarmos esta escola, tenhamos dado um tiro no pé": ora, todos sabemos que, em política, quando se nega uma coisa é sinal de que ela é verdade. O que equivale a dizer que o GPS considerou que, se tivesse podido voltar atrás, não teria comprado o Externato. Com os cortes introduzidos pelo Estado às escolas, os lucros previstos à partida não se concretizariam. Havia que proceder a cortes internos (as nossas cabeças), para não haver muita discrepância entre as ambições e a realidade. Ainda assim, nesse mesmo ano, quiseram ter "os dois pés iguais", porque compraram uma escola profissional na Marinha Grande.
Infelizmente para todos nós, as oligarquias no poder continuam a existir e a ser economicamente poderosas e, quaisquer que sejam as forças partidárias que ocupem esse poder, qualquer boa vontade vai ser esmagada pela ditadura económica que não se compadece com a dignidade humana e com as pessoas como seres humanos que constituem de facto esta nação. Somos meros colaboradores, ou seja peões de que o poder partidário dispõe a seu bel-prazer no tabuleiro dos seus interesses próprios. 
Infelizmente, na conjuntura actual, não creio, caro colega, que nos possamos libertar dessa gente pelo voto. Apenas pela denúncia sem tréguas e pela revolta activa. Pela força da palavra apartidária. O que, temo, levará ainda muitos anos até produzir efeitos. Resta-nos não deixar cair a voz da denúncia dessas ilegalidades e ter esperança."

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Monchique