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Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
sábado, 22 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Um segurança tipo Serra - Ricardo Araújo Pereira
O primeiro-ministro estava a discursar numa universidade quando um grupo de estudantes se levantou e, em silêncio, exibiu uma faixa que dizia: "Demite-te". Os seguranças de Passos Coelho, temendo que aquelas oito letras pudessem pôr em perigo a integridade física do primeiro-ministro, aproximaram-se dos estudantes e tentaram tirar-lhes a faixa. Era um verbo na forma reflexa, que são os mais perigosos, e no imperativo, que é um modo ao qual Passos Coelho é especialmente sensível. Os seguranças, que privam com ele diariamente, conhecem o zelo com que o primeiro-ministro cumpre directivas, e talvez tenham receado que ele pudesse satisfazer a ordem dos estudantes com a mesma velocidade com que satisfaz as de Angela Merkel.
Acabou por não ficar completamente esclarecida a intenção dos seguranças. Quereriam remover a faixa por completo? Fazer-lhe alterações que a tornassem mais decente, por exemplo substituindo a familiaridade malcriadona do "Demite-te" por um mais formal "Demita-se?" Ir um pouco mais longe e alterar a mensagem para um muito mais cordial "Demita-se, se faz favor"? Recomendar-lhes que optassem pela humildade compreensiva de um "Pondere demitir-se, mal encontre tempo para isso na sua preenchida agenda"? Ou iriam exigir aos estudantes que, como universitários que são, justificassem a sua proposta, e voltassem mais tarde com uma faixa que apresentasse três ou quatro razões bem fundamentadas para a demissão do primeiro-ministro, sugerindo que debatessem, na dissertação, as ideias de John Rawls acerca de consenso sobreposto?
Não chegámos a perceber o objectivo da intervenção dos seguranças, porque Passos Coelho interveio ainda a repressão ia no adro. Disse ele: "Pedia ao Serra que deixasse os senhores ostentarem o cartaz sem nenhum problema, porque vivemos, felizmente, numa situação de boa saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem." O Serra, coitado, não deve ter mãos a medir. Há tantos protestos contra o governo que isto precisava era de um Serra em cada esquina, a moderar palavras de ordem e a suavizar cartazes. Mas o primeiro-ministro resolveu autorizar a manifestação ordeira e democrática. O Serra não ia deixar, mas Passos Coelho pediu-lhe que deixasse. Curiosamente, a atitude do primeiro-ministro desmente as suas palavras. Nos países que vivem uma situação de boa saúde da democracia, o primeiro-ministro não tem de pedir aos seus seguranças que deixem os cidadãos manifestar-se como entendem. Lá, os cidadãos não têm autorização para se manifestar, têm o direito de o fazer. É uma diferença subtil, para a qual o Serra talvez devesse ser sensibilizado.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/um-seguranca-tipo-serra=f703218#ixzz2FiGMyXLC
É rasteiro ganhar na secretaria
Não cito o título do livro, que me perdoe o seu autor, Alberto Pimenta, para não ferir a sensibilidade dos leitores mais puritanos. Mas transcrevo uma passagem (edição de “Regra do Jogo”, 1981, págs. 37 e 38):
“… a secretaria, toda a secretaria da mais baixa à mais alta, não é, como se supõe, o lugar onde se faz, mas o lugar onde se não faz, onde se sonega, onde se põe por baixo do monte o papel que devia estar em cima, onde se perdem os papéis, onde se dificulta, se atrasa, se mente, se mexerica, se intriga, se afirma desconhecer o que se conhece e conhecer o que se desconhece; na secretaria se começa a deixar de fazer aquilo para que a secretaria foi feita … e se passa a fazer o que convém à secretaria que se faça …”.
Modere-se a ideia citada, despindo-a de uma generalização que considero abusiva, tomemos “secretaria” por aparelho administrativo e burocrático que serve o poder político e não nos faltarão factos emblemáticos para ver como tal ideia é actual.
1. Em acto falhado, ou talvez não, Pedro Passos Coelho foi claro: não vale a pena perder tempo com a Constituição, disse. Sabendo que não a pode mudar formalmente, passou ano e meio a revê-la na secretaria, rasteiramente. A troika foi o escudo, a mentira despudorada a arma. A “secretaria” povoou-se de assessores e especialistas, com suplementos remuneratórios escandalosos. Só ele, no seu gabinete, tem 67 actores, que custam um milhão e 800 mil euros por ano. Nenhum, certamente, o aconselhará a pedir desculpa aos portugueses, depois do terrorismo verbal que usou no encerramento do congresso da JSD. Não se contentou com o atropelo grosseiro da Constituição no que toca à perseguição aos reformados, com carreiras contributivas de toda a vida. Quer agora ganhar na secretaria, por antecipação, a batalha constitucional que se vai seguir, manipulando, pondo jovens contra seniores, activos contra pensionistas. Simplesmente deplorável. Valer-lhe-á um presidente surreal, que seja, do mesmo passo, a favor e contra? Contará com mais um acórdão virtual do Tribunal Constitucional, que lhe permita corrigir um atropelo com novo atropelo, sem real produção de efeitos e num resvalar perigoso da prevalência do direito para a preponderância da “secretaria”?
2. Quando o “número um” e o “número dois” descem tão baixo, é natural que o exemplo se cole à pele dos “números” que se seguem na hierarquia da “secretaria”. A prática tornou-se endémica no Ministério da Educação e Ciência, onde o que se perde face à lei e aos tribunais se ganha na secretaria, sem pudor, sem lei nem roque.
3. Aproxima-se da centena o número de condenações do ministério, obtidas por professores nos tribunais, quando estes aí reclamam o pagamento de uma compensação por caducidade de contrato. A lei é clara, como os tribunais reconhecem. Sobre a matéria, igualmente se pronunciaram a Procuradoria-Geral da República e a Provedoria da Justiça. Mas o ministro não faz. Desfaz. Sonega. Dificulta. Desconhece o que se conhece. Prefere a calotice inominável. Ganha na secretaria.
4. A quatro de Julho passado, abordei aqui o caso do Agrupamento de Escolas de Dr. João Araújo Correia, de Peso da Régua, cujo director chegou ao cargo prestando declarações falsas, designadamente dizendo ter uma licenciatura que não tinha. Um escândalo que, durante um ano, patenteou a inutilidade da Inspecção-Geral da Educação e Ciência, do Director-Regional de Educação do Norte e do secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar. De recurso em recurso, percorrida a via-sacra do costume, o caso transitou em julgado, depois do acórdão definitivo do Supremo Tribunal Administrativo. Mas … o director continua no posto e a decisão de um tribunal superior está bloqueada na “secretaria”, apesar do art.º 158º do Código de Processo nos Tribunais Administrativos esclarecer que incorre em responsabilidade civil, criminal e disciplinar quem desrespeite uma decisão judicial.
5. Sete longas e prolixas páginas do D.R. de 6/12/12 regulamentam o processo de avaliação dos alunos do ensino básico. Estão assinadas por Crato, mas poderiam ter saído da verve “eduquesa” de Valter Lemos. Definitivamente, o discurso da exigência e a magia redentora dos exames espartanos sumiram-se na secretaria. O número 14 do art.º 10º dispensa dos exames todos os alunos problemáticos: os que frequentam percursos curriculares alternativos; os que “voluntariamente” foram arregimentados no ensino vocacional; os dos cursos de educação e formação (CEF); os dos programas integrados de educação e formação (PIEF); os dos cursos de educação e formação de adultos (EFA); os que integrem o universo dos detentores de necessidades educativas especiais. Com este jogo de cintura, fica garantido, na secretaria, o sucesso às arrobas. Crato morto, Arrobas posto!
Santana Castilho
Portugueses Sayings Store
You asked for it and now you got it! Introducing the Portuguese Sayings fashion store! Now you can wear some of the most popular sayings of this page! I hope you like it!
Visit our store now: www.portuguesesayings.com/A página do Portuguese Sayings tornou-se num verdadeiro fenómeno de popularidade na Internet! Dá um pulinho até lá e diverte-te, ri a bom rir!
Os fãs pediram t-shirts... Pronto, cá estão elas a surgir devagarinho! Se desejares um saying em especial, é só deixares uma mensagem na página do Facebook que o Luís tratará de colocar o produto na loja...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Significado de Ca - - - - o
Significado de Caralho:
S.m.(o) . Cesta fixada no topo das antigas naus para vista dos marinheiros.
Exemplo do uso da palavra Caralho:
caralho
Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas (gávea), de onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra.
O caralho, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto do mastro) era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco.
Também era considerado um lugar de castigo para aqueles marinheiros que cometiam alguma infracção a bordo.
O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia ficava tão enjoado que se mantinha tranquilo por um bom par de dias. Daí surgiu a expressão:
-Vai pró caralho!
Hoje em dia,caralho é a palavra que define toda a gama de sentimentos humanos e todos os estados de ânimo.
Ao apreciarmos algo de nosso agrado, costumamos dizer:
-Isto é bom comó caralho
Se alguém fala conosco e não entendemos, perguntamos:
Mas que caralho estás a dizer?
Se nos aborrecemos com alguém ou algo, mandamo-lo pro caralho.
Se algo não nos interessa dizemos:
Isso não vale um caralho!.
Se, pelo contrário, algo chama nossa atenção, então dizemos:
Isso interessa-me comó caralho.
Também são comuns as expressões:
Essa mulher é boa comó caralho! (para definir beleza);
Essa mulher é feia comó caralho (para definir falta de beleza);
Esse filme é velho comó caralho (para definir idade);
Essa mulher mora longe comó caralho (para definir distancia)
Enfim, não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um caralho.
Se a forma de proceder de uma pessoa nos causa admiração dizemos: Este gajo é do caralho
Se um comerciante está deprimido com a situação do seu negócio, diz: Estamos a ir pró caralho.
Se encontramos um amigo que há muito não víamos, dizemos: Onde caralho tens andado?
É por isso que vos deixo este cumprimento do caralho e espero que o conteúdo agrade comó caralho, desejando que as vossas metas e objectivos se cumpram neste novo ano que se avizinha, e que a sua vida, agora e sempre, seja boa comó caralho.
A partir deste momento poderemos dizer caralho, ou mandar alguém pro caralho com um pouco mais de cultura e autoridade académica ...
E tenha um dia feliz!
Ou seja
UM DIA DO caralho!
Provérbios portugueses são fenómeno na Internet
Chama-se Luís Santos e tem 26 anos. Em Setembro, o licenciado em marketing e mestre em publicidade lembrou-se de criar uma página no Facebook onde mostra o que de melhor tem a língua portuguesa… em inglês. Uma “brincadeira” com alguém com muito tempo livre, que se tornou um fenómeno da Internet - em menos de três meses, a Portuguese Sayings tem mais de 70 mil seguidores...
Quem está por detrás do Portuguese Sayings?
Chamo-me Luís Santos, tenho a Licenciatura em Marketing e o Mestrado em Publicidade, sou publicitário e tenho 26 anos de idade. Sou das Caldas da Rainha.
Como surgiu a ideia de fazer a Portuguese Sayings?
Esta brincadeira surgiu na noite de 23 de Setembro. Nessa altura estava desempregado e um pouco aborrecido. Quando estava a passear no Facebook, lembrei-me de uma brincadeira que fazia há uns anos: traduzir provérbios, frases idiomáticas e outras frases tipicamente portuguesas para inglês. Como o resultado era bastante cómico, tive a ideia de criar o Portuguese Sayings e colocar essas traduções à letra no Facebook.
Porquê a ideia de fazer as traduções literais de português para inglês e não o contrário?
Acho que se deve ao facto de não conhecer bem os provérbios que os ingleses empregam no seu dia-a-dia. Penso que tinha de conhecer profundamente a língua e os costumes dos ingleses para fazer a tradução de provérbios e dizeres ingleses para Português. A outra razão pela qual optei por fazer a tradução dos dizeres portugueses para inglês, é para que os ingleses saibam o que querem dizer estes provérbios e dizeres Portugueses que, para eles, soam tão estranhos.
A página do Facebook está continuamente a ser actualizada. Há ajuda da parte da comunidade, as pessoas interessam-se e acham piada a estas traduções?

Sim, a página do Facebook está em constante movimento. Quase todos os dias é colocada uma imagem com um Saying. A comunidade, ao longo do dia, costuma colocar-me várias sugestões no mural do Portuguese Sayings, ou envia-me através de mensagem privada. Eu penso que esta página despertou um interesse bastante elevado por parte do público, a comunidade é bastante participativa e muito prestável, toda a gente quer ver o seu dizer favorito traduzido à letra para inglês. Quanto ao sucesso da página, não podia estar mais contente, juntar 75.000 fãs em menos de 3 meses é um feito magnífico. Não estava nada à espera que a página tivesse esta popularidade!
Alguma vez houve o problema de alguém não perceber o objectivo dos Portuguese Sayings?
Sim, aliás, muitas vezes. Existem pessoas que simplesmente acham a ideia de traduzir dizeres e provérbios portugueses para inglês uma parvoíce. Outras não percebem o porquê de traduzir à letra os dizeres, quando existem outras expressões inglesas que, apesar de serem diferentes, são equivalentes. É normal que nem toda a gente ache piada.
Há algum feedback de nativos do inglês? Que dizem?
Já tive imenso feedback de pessoas que falam inglês e que andam a estudar Português. Afiançam até que com o Portuguese Sayings ficaram a perceber melhor a nossa língua. Também recebo muitas mensagens de emigrantes portugueses que estão na Inglaterra que agora por brincadeira usam estes dizeres para confundir os seus colegas ingleses. O Portuguese Sayings não é só falada no Facebook, mas em toda a blogosfera, havendo muitos blogues, sites e pessoas noutras redes sociais a dar destaque ao Portuguese Sayings.
Já foi convidado para algum tipo de trabalho por causa do Portuguese Sayings?
Não recebi ainda nenhuma proposta do género.
Há ideia de qual é o ditado mais partilhado nas páginas do Facebook?
O dizer mais partilhado até agora foi o Unshit Yourself! – “Desenmerda-te!”. Teve 4137 partilhas, 7509 gostos e 153 comentários. É o Saying mais popular da minha página até agora.
E o favorito do autor?
Ui! Essa é uma pergunta difícil. Tenho muitos que adoro, mas vou ter sempre um especial carinho (porque também é muito divertido!) pelo “Podes tirar o cavalinho da chuva” que foi o primeiro Saying a ser publicado no Portuguese Sayings.
Daqui!
Daqui!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Não, não é cansaço... - Álvaro de Campos
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Álvaro de Campos
O sujeito poético afirma no primeiro
verso que não é cansaço aquilo que sente “Não,
não é cansaço”, reiterando essa afirmação ao longo do poema (2.ª estrofe –
1.º verso, 3.ª estrofe – 1.º verso). No entanto, e talvez um pouco
paradoxalmente, refere que a desilusão se lhe “entranha na espécie de pensar”, sublinha a monotonia da vida (“...é a mesma coisa variada em cópias
iguais”), exprime a angústia perante o mistério e a indefinição que
perpassam nesse “falso cansaço”;
finalmente aceita que, “porque ouve e vê”,
o estado em que se encontra é de cansaço: “Confesso:
é cansaço!…” Assim, podemos afirmar que, progressivamente, o sujeito
poético se deixa envolver / dominar por uma letargia, um estado de cansaço e
desistência progressiva, que o afasta do mundo.
Entre o sujeito poético, os outros e o
mundo há um distanciamento, decorrente da incapacidade de relação; o único
ponto comum é o facto de todos existirem: “É
eu estar existindo/ E também o mundo”. Os outros, os “cegos que cantam na rua”, são apenas aqueles que o sujeito poético
observa, mantendo-se, no entanto, afastado, não se relacionando com eles:
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz
dela!)
O parêntesis constitui um momento em
que o sujeito poético abandona o tom reflexivo, se volta para o exterior e o vê
como um “formidável realejo”. O
parêntesis é como que um oásis num texto de características claramente
negativas, uma vez que é o próprio sujeito poético que lhe confere uma
conotação positiva. Todo o poema está carregado de negativismo, o sujeito
lírico, embora declare que não é cansaço aquilo que sente, utiliza vocábulos e
expressões de carácter negativo: “desilusão”,
“domingo às avessas”, “feriado passado no abismo”, “um grito”, uma angústia / por sofrer “, “falso cansaço”, “cansaço”.
Simbolicamente, podemos afirmar que a
felicidade só é possível para quem é “cego”,
ou seja, para quem não vê a verdadeira realidade do mundo.
A primeira estrofe inicia-se com a
repetição do advérbio de negação “não”
empregue numa frase reticente, o que revela uma certa indefinição. O discurso
assume um tom claramente metafórico – (“domingo
às avessas / Do sentimento, / Um feriado passado no abismo...”), terminando
a estrofe também com uma frase reticente. O conjunto destes recursos
expressivos, aliado à repetição anafórica presente nos versos 2 e 4, traduz a
tentativa de definir o estado de espírito que domina o sujeito poético.
Na segunda estrofe, temos também a
repetição do advérbio de negação “não” e a construção paralelística, continuando
o sujeito lírico a explicar o seu estado.
Na terceira estrofe, apresenta-se-nos a
pergunta retórica “Cansaço porquê?”, seguindo-se ainda a tentativa de definição
do seu estado de espírito. De salientar nesta estrofe as comparações “Qualquer
coisa como um grito”, “Qualquer coisa como uma angustia”, os paralelismos, as
anáforas, as frases cortadas pelas reticências que revelam a reflexão levada a
cabo pelo sujeito lírico na tentativa de explicar o seu estado de espírito e a ausência de respostas para concretizar essa
definição. Havendo, assim, nestas explicações uma certa indefinição (repare-se,
por exemplo, na antítese “sensação abstracta / vida concreta”, na repetição do
vocábulo “sofrer”, seguido da partícula comparativa “como” e de reticências).
A quarta estrofe apresenta-se entre
parêntesis e é, como foi dito anteriormente, uma espécie de oásis: “Ai” sem
valor negativo, como se o sujeito lírico tivesse pena de não ser ele também
“cego” para poder cantar e ser feliz e ainda os vocábulos “cantam” e
“formidável” . O exterior, a “rua” é um “formidável realejo” (metáfora), onde
os outros cantam, tocam, numa palavra, são felizes (ao contrário do sujeito poético),
porque não se apercebem da realidade que os circunda.
Este poema integra-se na fase abúlica
de Álvaro de Campos, pelo que revela de incapacidade de viver a vida, pelo que
transmite de tédio, de uma certa desistência perante o mundo que o rodeia e os
outros. Nada motiva o sujeito poético, nada lhe interessa, tudo se resume a um
“supremíssimo cansaço”.
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(análise) Não não é cansaço...,
Álvaro de Campos
O país do faz de conta
Faz de conta que somos um país. O Ministro da Educação não dispensou (despediu?) cerca de 30 mil professores (colaboradores?), num só mês. Que se tratava de gente qualificada, experiente, e de dádiva diária. Faz de conta que tudo isto não se passou no grupo socioprofissional europeu em que há mais casais no exercício da mesma profissão. Faz de conta que qualquer notícia de um despedimento de tal monta, em qualquer empresa mundial, mesmo a ser aplicada apenas para próximos dois ou três anos, não seria notícia de abertura de todos os telejornais do mundo, dito, ocidental…
Por aqui, faz de conta que foi considerada uma mera medida de ajuste do sistema educativo. Faz de conta que essa medida foi sustentada em qualquer relatório de uma qualquer comissão de avaliação externa, independente e credível… Faz de conta que a OCDE não disse, nesse mesmo dia, que o número de alunos no básico e secundário tinham aumentado em Portugal em 70 mil. Faz de conta que, no mesmo dia, o Ministro da Educação não disse que os estudantes tinham diminuído em 200 mil. Faz de conta que a EU não nos obriga a aumentar para 40% o número de diplomados no ensino superior, entre os 30 e os 34 anos, até 2020. Por isso mesmo, faz de conta que não vivemos num país em que inúmeros pais dos nossos alunos ainda têm menos habilitações académicas do que os seus filhos. Faz de conta, ainda, que já não há alunos com avós analfabetos. Faz de conta que não se reduziram as actividades, os currículos e horas curriculares nas escolas, para provocar fictícios excedentes de professores e de educadores. Faz de conta que, actualmente, os professores não fazem um pouco de tudo, menos o que deveriam (e sabem) fazer: isto é, ensinar, educar, orientar e promover o desenvolvimento dos seus alunos. Faz de conta que não há escolas onde se morre de frio. Assim como não há escolas com novíssimo aquecimento central e ar condicionado topo de gama, mas que ambos estão desligados… por falta de verbas orçamentais para pagar as contas à EDP/GALP. Faz de conta que não há estudantes com fome nas aulas, e que o ensino já é tão gratuito que ainda querem que ainda seja mais bem pago. Faz de conta que os professores podem (devem?) ficar em casa, desocupados, num país onde ainda falta muita escola, cultura, aprendizagem da cidadania e, sobretudo, apoio a alunos com necessidades educativas especiais e a grupos socioculturais altamente carenciados e diferenciados. Faz de conta que o ministro não tem os corredores do seu ministério apinhados de assessores de duvidosa proveniência e que não é imune aos grupos de pressão, sobretudo os que tentam repartir o bolo entre o público e o privado. Faz de conta que os rankings das escolas traduzem a real e verdadeira situação dessas organizações educativas, na sua globalidade. Faz de conta que não temos uma das redes europeias mais pequenas de ensino superior público e que os ditos mega agrupamentos não se baseiam em medidas de carácter exclusivamente orçamental. Faz de conta que os professores não têm que fazer centenas de horas extraordinárias não remuneradas, e adicionalmente, tenham que pagar os transportes públicos para se deslocarem, diariamente, para o seu local de trabalho, ao contrário de outros grupos socioprofissionais do Estado. Faz de conta que os docentes nunca souberam o que significava a expressão mobilidade geográfica e profissional e que Portugal não está a custear a formação dos seus jovens para que outros países os acolham, já formados, e sem qualquer custo adicional. Faz de conta que os melhores e mais capazes, regressam logo que podem, em reconhecimento do esforço que a pátria por eles fez. Faz de conta que não temos ministros e secretários de estado que não fazem a mínima ideia do que é estudar e obter um diploma a sério (com trabalho, sacrifício, suor e, quantas vezes, até lágrimas…).
Faz de conta que o país não exige demais, sobretudo às franjas sociais mais fragilizadas. Aliás, sabe-se, que a primeira coisa que um governante faz quando tem um familiar doente é correr para as urgências do hospital público mais próximo, ou integrar a fila das 8 da manhã do centro de saúde do seu local de residência. Faz de conta que os governantes se fazem deslocar em veículos que estariam ao alcance do seu orçamento familiar, se fossem comuns cidadãos. Faz de conta que os professores e a educação não são considerados em todos os relatórios internacionais como o melhor bem de cada país e apontados como O recurso indispensável ao progresso dos povos. Faz de conta que não somos um país nas mãos dos “Jotas”, formados no espírito corporativo da fidelidade cega ao chefe e da ascensão fácil, quantas vezes por desmérito.
Por tudo isto, o nosso ministro vai dando uma no crato, quando diz que os professores (ainda) são necessários ao desenvolvimento, e outra na ferradura, quando quer ostentar publicamente o preço por aluno, sem base em critério universalmente aceite e estabelecido por entidade idónea.
Somos o país do vai andando, o país do outro lado do espelho. Mas também somos o povo do faz de conta onde, um dia, se acorda e se percebe que, afinal, já toda a gente percebia o que todos nós também já tínhamos percebido, e que eles teimavam em querer que a gente fingisse que ainda não percebera. Perceberam?!
João Ruivo
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Qual "PRESIDENTA" qual carapuça!
A jornalista
Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no assunto, que dantes
não havia mulheres presidentes e, por isso, não existia a palavra
presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José
Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da
República.
Ainda esta
semana, escutei Helena Roseta dizer : «Presidenta!», retorquindo
o comentário de um jornalista da SICNotícias, muito segura da sua afirmação...
Vamos lá
acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida: se temos presidente ou
presidenta.
A presidenta
foi estudanta?
Existe a
palavra PRESIDENTA?
Que tal
colocarmos um "BASTA" no assunto?
No português
existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o
particípio activo do verbo atacar é atacante; de pedir é pedinte; o de cantar é
cantante; o de existir é existente...
Qual é o
particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele
que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim,
quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que
expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou
inte.
Portanto, a
pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente
do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela "ardenta";
diz-se estudante, e não "estudanta"; diz-se adolescente, e não "adolescenta";
diz-se paciente, e não "pacienta".
Um bom
exemplo do erro grosseiro seria:
"A
candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina
ser eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos
vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política
não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".



















