sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Diz-me palavras doces ao ouvido





Diz-me palavras doces ao ouvido
Abre os braços, toma o meu corpo nu
Fecha os olhos, deixa as pálpebras tombarem
E vem aninhar-te entre os meus seios.

Nossas línguas buscam-se desvairadas
Nossos corpos inflamam ao tocar-se
Cercam teu corpo minhas pernas ágeis
E neste enleio vibras e estremeces

Duas bocas, duas flores desabrochadas
Entre beijos e gemidos, unidas...
Mistura-se o néctar, o sangue cálido...

Após... - amado meu, abre teus olhos
E não, não digas nada, olha-me apenas
Enterra o teu olhar fundo no meu!

                                                                                           Mena




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A Mordedura - O AO é que mordeu a língua


No mesmo dia 9 de Fevereiro, Jorge Miranda, no Público, e Carlos Reis, no Expresso, voltam a falar do Acordo Ortográfico. Com ambos tenho mantido amigáveis polémicas.
Jorge Miranda, que aborda com pertinência a questão do direito à língua e da sua protecção constitucional, refere o AO quase incidentalmente, para dizer que o preferiria "na medida em que possa contribuir para a afirmação internacional da língua portuguesa", mas é de registar que nada diz quanto ao facto de o AO não ter entrado ainda em vigor e ser portanto inaplicável.
Quanto a Carlos Reis, não me surpreende que o seu artigo ("Acordo ortográfico: um homem mordeu um cão") seja de clara defesa das pretensas vantagens do AO. Mas já me surpreende a sua interpretação sem sobressaltos da atitude de Dilma Rousseff ao prorrogar o prazo para o mesmo ser aplicado.
Somos informados de que o autor viveu um ano no Brasil e assistiu à aplicação sem problemas do AO um pouco por toda a parte, uma vez que testemunha que lá "o AO está bem e recomenda-se".
Tenho de concluir que Carlos Reis entretanto não teve tempo para ler os jornais brasileiros dos últimos meses, nomeadamente quando se fizeram eco reiterado de protestos de políticos e de professores que exigiam a suspensão do AO para que se procedesse a uma revisão, e que menos tempo ainda teve para compreender que existe um evidente nexo de causalidade lógica e política entre essas exigências e a atitude da Presidente brasileira. Nessa carência de informação, é natural que ele se dispense de conjecturar que o AO nunca mais ficará na mesma e de tirar as consequências relevantes dessa conjectura. Mas é pena.
É de esperar que, encontrando-se agora em Portugal (felizmente para aquelas áreas académicas em que é um ilustre especialista), ele possa testemunhar que a maneira como se processa a pretensa aplicação do AO entre nós contribui para afastar a grafia do português de Portugal da do português do Brasil e da do português de outras paragens. Esse facto torna inadmissível a afirmação que faz de que "para atalhar a imperfeição [que afecta as línguas como produtos humanos] regulamos a língua até onde isso é possível sem que tal signifique mutilar singularidades". As barbaridades a que tem conduzido a pretensa aplicação do AO por força da adopção de vocabulários e correctores ortográficos que não têm nada a ver com um vocabulário ortográfico comum mostram precisamente até onde vai a mutilação destemperada das singularidades, perpetrada em nome de uma unidade ortográfica ipso facto tornada inviável. Será isso que estabiliza o idioma?
Parece-me extraordinário que o autor não se preocupe com as muitas objecções científicas que o AO suscitou; que não pondere nem de perto nem de longe a impossibilidade jurídica de o AO ser considerado em vigor; que considere estar já em vias de ser suprida a falta do vocabulário ortográfico comum exigido pelo AO; e, ainda mais extraordinário, que queira extrair um argumento, de base meramente quantitativa, da situação actual para justificar a sua aplicação generalizada, ao dizer que tantos jornais e revistas, tantas estações de televisão, tantas instâncias oficiais, tantos sites, usavam o AO em meados de 2012.
A este respeito, seria interessante quantificar quantos autores de artigos e comentários na imprensa escrita exigem que eles sejam apresentados excluindo a aplicação do AO. E quantas pessoas, em especial professores, pais e responsáveis pela educação, protestam, subscrevem abaixo-assinados, pedem com urgência o fim do presente estado de coisas.
Enfim, tanto quanto sei, em Moçambique não ocorreu ainda a tramitação necessária para a ratificação. E quanto a Angola, não parece que sejam argumentos idóneos a favor dessa aplicação, nem a previsão de que Angola "acabará por aderir", nem a piada quanto a "esse país que alguns agora olham como um modelo de sensata democracia cultural".
Na verdade, é Portugal que tem telhados de vidro: a tentativa de imposição de um AO que não está em vigor, contra todas as regras do Estado de Direito e da Constituição, é que é pouco exemplar em matéria de democracia e de sensatez.
Meu caro Carlos Reis, no caso vertente não foi um homem que mordeu um cão. O AO é que mordeu a língua...

Vasco Graça Moura

A consciência dos sociopatas


1. Annette Schavan, directora espiritual de Crato para o ensino profissional e até há pouco ministra da Educação da Alemanha, demitiu-se após ter sido acusada de plágio pela universidade onde se havia doutorado há 33 anos. Na origem do escândalo esteve a denúncia de um blogue. Schavan reclama inocência e vai pleitear a causa em tribunal. Mas a sua consciência disse-lhe que, neste momento, esse era o caminho. Curiosamente, a tese que escreveu (ou plagiou) estudava o carácter e a consciência. Antes de Schavan, Karl Guttenberg, ministro da Defesa, procedeu do mesmo modo, por motivo idêntico. E, antes dele, fora a vice-presidente do Parlamento Europeu, Silvana Koch-Mehrin: mesmo erro, idêntico padrão de comportamento e de consciência. 

2. A Lusa questionou Nuno Crato sobre o relatório do FMI, que alude ao eventual despedimento de 50 a 60 mil funcionários do sistema de ensino, docentes e não docentes. 
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Importa reter e comentar algumas afirmações do ministro, extraídas da resposta: 
- “Nós não somos irresponsáveis. Isso não está em causa, de forma alguma.” 
- “O Governo irá apresentar um conjunto de medidas … para a redução da despesa, algo que todos os contribuintes querem”. 
- “Nós, até este momento, não fizemos nenhum despedimento na Educação …” 
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Da consciência de Crato foram varridos os factos que atormentam a consciência dos que sofrem a inconsciência dele. O que Crato considerou irresponsável foi qualificado, por pares do Governo, como muito responsável. A acção política de Crato é uma sucessão de incumprimentos, hoje, do que defendeu ontem. Por que motivo algum cidadão iria acreditar que, amanhã, seria diferente? Tivera Crato consciência social e saberia que as despesas que os contribuintes querem reduzir são aquelas que lhe permitem, em 2013, ano da fome, do desemprego e da espoliação abjecta dos que trabalham, gastar por mês, em estudos e pareceres para implodir a escola pública, um milhão, 71 mil 995 euros e 42 cêntimos. Mas não as da Educação de todos. Tivera Crato consciência social e não jogaria com as palavras dizendo que não despediu professores, quando os números oficiais mostram que o desemprego na classe quadruplicou nos últimos anos. 

3. Como o próprio reconheceu, o maior erro da vida profissional de Franquelim Alves foi ter-se ligado à instituição que originou o mais nojento assalto aos bolsos de todos os portugueses, tendo permitido um intervalo de três meses entre o conhecimento da ligação, indevida, entre o BPN e o Banco Insular de Cabo Verde e a denúncia, devida, ao Banco de Portugal. Porque o fez certamente sem dolo, o facto pode ser irrelevante para qualquer empresa. Mas sofre de incultura cívica a consciência de Passos Coelho quando não divisa diferenças entre gerir o Estado e gerir uma empresa e escolhe Franquelim. Tivera Passos consciência social e teria percebido como é insustentável a menor dúvida ética, que não legal, sobre governantes. 

4. A Internet, as redes sociais e toda a tecnologia que as permitem tornaram muito mais escrutináveis os comportamentos dos que ocupam cargos públicos e muito menos suportável todo o tipo de tráfico de favores e jogos de palavras. Mas esse salutar incremento de escrutínio não foi acompanhado pelo desenvolvimento da consciência social daqueles que a ele estão sujeitos. Sócrates nunca teve sobressaltos de consciência provocados pela forma como a sua licenciatura foi obtida na Universidade Independente. A velocidade lusófona a que se licenciou o doutor Relvas tão-pouco lhe beliscou a consciência. E foi com as ditas tranquilas que Passos escolheu Franquelim e Franquelim se apresentou ao povo, de curriculum prudentemente expurgado. Temos, assim, consciências que não se perturbam com o atropelo de regras e valores comuns. Que permanecem serenas depois de desonradas pelo incumprimento das promessas que fizeram à sociedade. Que protagonizam lances que insultam o entendimento geral sobre o que é o bem e sobre o que é o mal. Consciências que se apaziguam com o simples conforto de leis vis, que elas próprias produzem. A crise, antes de ser financeira, é económica. A crise, antes de ser económica, é política. E a natureza da crise política é moral, porque é a moral que molda as consciências dos que mandam. 

5. Um sociopata tem uma personalidade patológica, a que falta sentido de responsabilidade moral, isto é, consciência. A consciência, resultado de valores morais interiorizados ao longo de um processo educacional, opera em relação ao passado e em relação ao futuro. Quanto ao passado, provoca no ser humano sentimentos de alegria ou de culpa arrastada, a que chamamos remorso. Relativamente ao futuro, actua como regulador de comportamentos, como juiz de actuações. É aterrador sabê-lo, quando alguns governantes se revelam sociopatas. 

Santana Castilho

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os filmes do fim-de-semana



Os Miseráveis é uma adaptação para cinema, da aclamada peça vista por mais de 60 milhões de espectadores em 42 países e traduzida para 21 línguas.
Com a França do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis conta uma apaixonante história de sonhos desfeitos, de um amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano. Jackman interpreta um ex-prisioneiro, Jean Valjean, perseguido durante décadas pelo cruel polícia Javert (Russell Crowe)... Quando Valjean aceita cuidar de Cosette, a filha da operária Fantine (Anne Hathaway), as suas vidas mudam para sempre.
Baseado no conto épico de Victor Hugo, Tom Hooper traz para o grande ecrã, a sua espectacular interpretação do musical que está há mais tempo em cena no mundo. Os Miseráveis apresenta estrelas internacionais e grandes temas, nomeadamente, “I Dreamed a Dream”, “Bring Him Home”, “One Day More” e “On My Own”...





Mais do que uma biografia do mestre do thriller psicológico, este filme revela o papel que teve na vida de Hitchcock (Anthony Hopkins) a sua mulher, a assistente de realização e guionista Alma Reville (Helen Mirren), nomeadamente durante a rodagem de Psico, em 1959. 





segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um passeio por Guimarães

























Continua...

domingo, 10 de fevereiro de 2013