Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
sábado, 11 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Marques Mendes errou grosseiramente na SIC
Santana Castilho
Marques Mendes referiu-se à situação dos professores portugueses, no sábado passado, durante o programa de análise política que mantém na SIC. Fê-lo com ligeireza. Evidenciou desconhecimento. Adulterou a verdade. Os erros em que incorreu serviriam para validar a tese oficial de que temos professores a mais e legitimariam os despedimentos futuros, se não fossem corrigidos. Marques Mendes apresentou três gráficos. O primeiro mostrava a evolução do número total de alunos, de 1980 a 2010. O segundo fazia o mesmo exercício, circunscrito aos alunos do 1º ciclo do ensino básico, para concluir que, entre 1980 e 2010, perdemos 51% desses alunos. E o terceiro gráfico dizia-nos que, no mesmo período, isto é, de 1980 a 2010, o número de professores tinha crescido 53%. Para que dúvidas não restassem, Marques Mendes colocou, lado a lado no écran, o 2º e o 3º gráficos e foi claro nas explicações acessórias: o crescimento dos professores fez-se em contraciclo; os governos anteriores falharam, fazendo crescer os professores à taxa de 53%, enquanto os alunos diminuíam à taxa de 51%. Só que, quando comparamos o incomparável, corremos o risco de passar de pavão a espanador. Marques Mendes, ao dizer na SIC, como disse, que os professores cresceram 53%, passando de 95.400 em 1980, para 146.200 em 2010, usou o número de professores respeitantes a todo o sistema escolar não superior (1º. 2º e 3º ciclos do ensino básico, mais o ensino secundário). Como é evidente para qualquer, Marques Mendes só poderia relacionar o decréscimo dos alunos do 1º ciclo com a evolução do número de professores do 1º ciclo. E o que aconteceu a esse universo de professores? Cresceu 53% como disse o descuidado comentador? Coisíssima nenhuma! Em 1980 tínhamos 39.926. Em 2010 eram 31.293. Não cresceram na disparatada percentagem com que Marques Mendes enganou o auditório da SIC. Outrossim, registou-se uma diminuição de 8.633 professores.Dir-se-á, removido o disparate, que a diminuição de professores não foi proporcional ao decréscimo de alunos, no ciclo de estudos em análise. Outra coisa não seria de esperar, considerando as alterações curriculares introduzidas nos 30 anos em apreço. Cito, a mero título de exemplo, a escola a tempo inteiro, que aumentou drasticamente a permanência dos alunos na escola, a introdução do Inglês no ensino básico, as actividades de enriquecimento curricular, as múltiplas modalidades de apoio a alunos carenciados, a diminuição das reprovações e a forte redução do abandono escolar. Se extrapolarmos estas considerações para o ensino secundário, não pode ser ignorado o novo regime da escolaridade obrigatória de 12 anos nem, tão-pouco, a circunstância de o número de professores que Marques Mendes situa em 2010 (146.200) ser hoje, em 2013, bem mais baixo: 111.704 (uma redução, de 2010 para 2013, de 34.496 docentes). Que isto não caiba na folha de Excel de Gaspar, que não acerta uma, já não surpreende. Que seja menosprezado pela insensibilidade e demagogia de Passos Coelho, cuja palavra vale nada, já é normal. Que tenha passado ao lado do rigor que se esperaria de quem ajuda a formar a opinião pública, no momento em que os funcionários públicos, em geral, e os professores, em particular, estão condenados a carregar a albarda pesada da incompetência do Governo, é intolerável. É péssimo serviço público. É serviço sujo.A diminuição da natalidade está muito longe de explicar a brutal redução do número de professores. O erro grosseiro de Marques Mendes ajudou a branquear o impacto de sucessivas medidas, cujo intuito se centrou, exclusivamente, em ganhos financeiros, a saber: encerramento de milhares de escolas, com a deslocação compulsiva de vastas populações de crianças de tenra idade e a correlata criação de criminosos giga-agrupamentos, inéditos no mundo civilizado; redução dos tempos lectivos de algumas disciplinas e abolição de outras; aumento do número de alunos por turma; aumento da carga horária dos professores; drástica redução das iniciativas de segunda oportunidade para os que abandonaram precocemente o sistema formal de ensino; e transferência para o Instituto de Emprego e Formação Profissional de valências que, antes, pertenciam às escolas públicas. Como se não tivéssemos 3.500.000 cidadãos, com mais de 15 anos, sem qualquer diploma ou apenas com a certificação do ensino básico. Como se não tivéssemos 1.500.000 cidadãos, entre os 25 e os 44 anos, que não concluíram o ensino secundário. Como se fosse possível crescer economicamente travando, sem critério nem visão, um esforço de 30 anos. Os 30 anos que Marques Mendes mal centrou na desfocada fotografia que revelou na SIC.Marques Mendes não citou as suas fontes. As minhas foram: D.R., DGEEC/MEC, Pordata, “50 Anos de Estatísticas de Educação”- GEPE e INE.
terça-feira, 7 de maio de 2013
O meu primeiro exame
Manuel Carvalho - Público, 07/05/2013
Os rapazes e raparigas da minha escola que fizeram o exame da quarta classe numa pequena vila do Alto Douro, pouco antes do 25 de Abril, podem não se lembrar das perguntas, das respostas ou até das notas que tiveram. Mas lembram-se de certeza do cerimonial que rodeou aquela manhã de Primavera, talvez uma quarta-feira, lembram-se da lufa-lufa em casa antes de irem para a escola, lembram-se da solenidade de um dia que, de alguma forma, os iniciou numa etapa da vida com outro nível de responsabilidade. Eu, por exemplo, não posso esquecer o fato castanho claro que o meu pai comprou no Pinhão, as dúvidas que a minha mãe colocou à sua estética, a camisola de gola alta que alguém me ofereceu e, principalmente, a altivez com que saí à rua assim tão engalanado e importante. Quando hoje se fala de pressão sobre as crianças convocadas para os exames, não posso deixar de recordar esses dias e suspeitar que o professor Morais fez tudo o que estava ao seu alcance para que nos sentíssemos pressionados. Com as suas mãos enormes e peludas e o seu alto porte, reforçou a dose de contas, dos ditados intermináveis e dos prémios aos que sabiam e das punições aos que "eram burros". O ritual das vestes, fatos para os meninos, vestidos franzidos com laços gigantescos nas costas para as meninas, contribuía para esse ambiente de pressão. Num tempo em que a paisagem da sala de aula se fazia ainda com muitas calças remendadas, com socos de madeira que transformavam uma viagem pelo soalho até ao quadro um suplício, aquela simbologia sustentada numa maior exigência no traje, e também na higiene, era apenas outra forma de exaltar a ansiedade criada pelo senhor professor Morais.
Lembro-me, bem cedo, de seguir pela mão da minha mãe até à escola, de encontrar no fundo da rampa que subia até à minha rua um colega e a mãe dele e de nós e elas dissertarmos sobre os vincos das calças, a cavidade dos bolsos do casaco ou sobre a macieza do forro de cetim. Lembro-me dos elogios dos vizinhos e de como eles deixavam embevecida a minha mãe. Não me esqueço também das suas advertências para que nesse dia não houvesse jogos de futebol no recreio de onde a bola saltava com persistente teimosia para o quintal do padre Barroso e danificava as videiras em floração - um caso que dava origem a frequentes "orelhadas" do professor Morais.
Hoje, quando 107 mil crianças repetirem esse gesto, hão-de seguir em parte o espírito desse ritual. Não haverá fatos nem vestidos com lacinhos, mas para eles e para os pais será sem dúvida um dia especial. Sim, um dia que lhes causa ansiedade, que os pressiona, que os transforma em peças de um sistema educativo obcecado com os resultados. E depois? No final do dia todos hão-de obter uma experiência enriquecedora para as suas vidas e aprenderão, talvez inconscientemente, que há dias nos quais se exige mais de nós, que a vida é feita de obstáculos que temos de ser capazes de passar. Mesmo sem memórias de lindos fatos ou de vestidos com folhos, este será um dia que recordarão. Um dia que, só por isso, vale a pena.
Os rapazes e raparigas da minha escola que fizeram o exame da quarta classe numa pequena vila do Alto Douro, pouco antes do 25 de Abril, podem não se lembrar das perguntas, das respostas ou até das notas que tiveram. Mas lembram-se de certeza do cerimonial que rodeou aquela manhã de Primavera, talvez uma quarta-feira, lembram-se da lufa-lufa em casa antes de irem para a escola, lembram-se da solenidade de um dia que, de alguma forma, os iniciou numa etapa da vida com outro nível de responsabilidade. Eu, por exemplo, não posso esquecer o fato castanho claro que o meu pai comprou no Pinhão, as dúvidas que a minha mãe colocou à sua estética, a camisola de gola alta que alguém me ofereceu e, principalmente, a altivez com que saí à rua assim tão engalanado e importante. Quando hoje se fala de pressão sobre as crianças convocadas para os exames, não posso deixar de recordar esses dias e suspeitar que o professor Morais fez tudo o que estava ao seu alcance para que nos sentíssemos pressionados. Com as suas mãos enormes e peludas e o seu alto porte, reforçou a dose de contas, dos ditados intermináveis e dos prémios aos que sabiam e das punições aos que "eram burros". O ritual das vestes, fatos para os meninos, vestidos franzidos com laços gigantescos nas costas para as meninas, contribuía para esse ambiente de pressão. Num tempo em que a paisagem da sala de aula se fazia ainda com muitas calças remendadas, com socos de madeira que transformavam uma viagem pelo soalho até ao quadro um suplício, aquela simbologia sustentada numa maior exigência no traje, e também na higiene, era apenas outra forma de exaltar a ansiedade criada pelo senhor professor Morais.
Lembro-me, bem cedo, de seguir pela mão da minha mãe até à escola, de encontrar no fundo da rampa que subia até à minha rua um colega e a mãe dele e de nós e elas dissertarmos sobre os vincos das calças, a cavidade dos bolsos do casaco ou sobre a macieza do forro de cetim. Lembro-me dos elogios dos vizinhos e de como eles deixavam embevecida a minha mãe. Não me esqueço também das suas advertências para que nesse dia não houvesse jogos de futebol no recreio de onde a bola saltava com persistente teimosia para o quintal do padre Barroso e danificava as videiras em floração - um caso que dava origem a frequentes "orelhadas" do professor Morais.
Hoje, quando 107 mil crianças repetirem esse gesto, hão-de seguir em parte o espírito desse ritual. Não haverá fatos nem vestidos com lacinhos, mas para eles e para os pais será sem dúvida um dia especial. Sim, um dia que lhes causa ansiedade, que os pressiona, que os transforma em peças de um sistema educativo obcecado com os resultados. E depois? No final do dia todos hão-de obter uma experiência enriquecedora para as suas vidas e aprenderão, talvez inconscientemente, que há dias nos quais se exige mais de nós, que a vida é feita de obstáculos que temos de ser capazes de passar. Mesmo sem memórias de lindos fatos ou de vestidos com folhos, este será um dia que recordarão. Um dia que, só por isso, vale a pena.
domingo, 5 de maio de 2013
MAMÃ
Noite negra e tempestuosa! No céu não luzia uma estrela, o vento soprava com violência, e flocos de neve envolviam, como em alva mortalha, a aldeia adormecida. Só ao longe milhares de luzes ardiam no soberbo castelo. Perfumes, flores, sedas, rendas e cá fora, numa humilde choupana à beira da estrada, fome, miséria e lamentos. Vivia ali uma pobre camponesa com dois filhinhos. Magros, doentes, pediam esmola pelos casais. Agora choravam. Tinham fome e não tinham pão, os míseros pequeninos. No único aposento via-se apenas uma enxerga onde, com a cabeça entre as mãos, a pobre mãe pensava, talvez, no futuro bem negro dos filhinhos.
A contrastar, porém, singularmente com a miséria do casebre, via-se um berço elegante e lindo. Envolviam-no rendas e arminhos. Dentro um pequeno gentil dormia, com a linda cabecita emoldurada nos anéis doirados do seu cabelo loiro. Nos lábios pairava-lhe um sorriso meigo de anjo dormente. Abre-se a porta de repente. Uma mulher divinalmente formosa, envolta em ondas de rendas e sedas, arrastando altiva a longa cauda, entra na choupana. A camponesa ergue-se admirada, enquanto a fidalga adulada, invejada, que tinha a seus pés um mundo de adoradores, não receando amarrotar as renda caras do seu opulento vestido de baile, ajoelhou humilde ante o bercito do filho do crime, que tinha de beijar furtivamente; inclinou a cabeça, e duas lágrimas brilhantes como gotas de orvalho se desprenderam dos olhos, resvalando-lhe pelas faces, que foram cair nas do pequenito que, a sorrir no seu sorriso de anjo, balbuciou mimoso:
- Mamã!
Florbela Espanca
Não se sabe ao certo em que ano Florbela Espanca escreveu este pequeno conto. Mas foi antes de completar 13 anos de idade.
A Mena e a Rita na cozinha
Bolo de Noz (da mãe)
300 g de farinha de trigo integral
50 g de sémola de trigo
2 colheres (sobremesa) de fermento em pó
10 colheres (sopa) de açúcar
1 dl de leite de soja
1 dl de azeite
5 colheres (sopa) de mel
6 ovos inteiros
2 chávenas de miolo de noz
Ligue o forno e pré-aqueça a 180º.
Unte a forma (redonda) com cerca de 22 cm de diâmetro com margarina e polvilhe com farinha.
Coloque a farinha, a sémola, o açúcar e o fermento, numa tigela, e misture bem.
Adicione o leite, o azeite, o mel e os ovos e mexa com uma colher de pau até ficar tudo bem ligado. Pique grosseiramente o miolo de noz e misture-o na massa.
Deite na forma e leve ao forno.
Desenforme e delicie-se!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Agora estás em mim
Agora: estás em mim
E é manso o mar e doce o teu ondular...
Lembro: o dia alegre, o riso
E era brando o vento e fresco o teu
hálito...
Revejo: os ramos das árvores
Braços entrelaçados num abraço nu...
Entrego-me: dou-me, dás-te
Navios baloiçando em mar revolto...
Descanso: o meu corpo na tua pele
Cabelos de sol sobre o teu peito...
Adormeço: os teus braços em meu redor
Castelo murado, meu refúgio, ninho meu.
Mena




