As minhas férias terminaram da melhor maneira com um concerto dos Blasted Mechanism na Foz do Arelho. Foi um espectáculo de luz e de cor difícil de esquecer.
Os Blasted Mechanism nasceram em 1995, por ideia de Valdjiu e Karkov, como uma banda diferente no espectro musical português. Auto-definem-se como um projecto artístico de música tocada por seres de outro mundo. Sobressaem-se do panorama musical pela sua imagem forte e bastante extravagante e por uma música caracterizada pela fusão de músicas do mundo, incorporando elementos tradicionais de vários países do mundo, como por exemplo, na música We do álbum Sound in Light, onde é possível ouvir guitarra portuguesa tocada por António Chainho, com música rock electrónica. São conhecidos também por inventarem e construírem alguns dos instrumentos que utilizam como a Kalachakra que vai buscar alguma inspiração à cultura oriental.
Este inferno de amar
Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é vida – e que a vida destrói.
Como é que se veio atear,
Quando – ai se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… foi um sonho.
Em que a paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele olhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei;
Mas nessa hora a viver comecei…
Almeida Garrett
O assunto do poema - como nasceu o grande amor que ao mesmo tempo dava vida e torturava o sujeito poético - desenvolve-se em três partes. Na primeira parte (primeira estrofe), o sujeito poético pergunta e torna a perguntar a si próprio como foi possível surgir em si esse fatal amor, que, a um tempo, o consome e lhe dá vida. Na segunda parte (segunda estrofe), o sujeito lírico recorda-se com saudade da vida serena e sonhadora (referência decerto a um amor mais espiritualizado) que dantes vivera, perguntando quem o veio tirar desse doce sonhar. Finalmente, na terceira parte (terceira estrofe), o sujeito poético, continuando o seu monólogo interior, parece encontrar uma causa da irrupção do fatal amor (" E os meus olhos em seus olhos ardentes os pus") que veio transformar a sua vida.
Concluímos que o sujeito lírico se considera agora possuído de um amor fatal de tonalidades trágicas ("Este inferno de amar", "esta chama que... consome", "que a vida destrói"). É também evidente a saudade com que o sujeito poético recorda a tranquilidade da vida passada, onde o amor teria sido "um doce sonhar". O apreço por esta vida tranquila do passado e o repúdio pelo amor fatalístico do presente torna-se ainda mais patente se pusermos em confronto esta nostalgia do passado com esta pergunta do sujeito lírico: "Esta chama (amor fatal)... quando, ai quando se há-de ela apagar?".
A oposição amor carnal/amor espiritual corresponde à oposição presente/passado. Basta olharmos para os tempos verbais. O sujeito poético emprega o presente, quando se refere ao amor carnal: "Este inferno de amar - como eu amo!". Emprega, ao contrário, o passado, quando recorda o amor espiritual: "Era um sonho talvez... - foi um sonho..."
Pimentos com alhinho
pimentos assados em conserva
dentes de alho
pimenta
sal
vinagre
azeite
Trabalhinho: colar