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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Shrinklando

Apresentei aos alunos algumas ideias para assinalar o Dia de S. Valentim, marcadores e porta-chaves feitos com papel shrinkles. A oficina das artes é um projecto da nossa Biblioteca e os alunos compareceram em massa, porque queriam fazer um presente para oferecer à sua cara metade. Não achámos ser necessário proceder a inscrições e fizemos mal!

O papel shrinkles é uma folha transparente. Com ela podemos criar os nossos porta-chaves, imans, crachás, bijutaria e muito mais... Qualquer imagem que desenhe na folha shrinkle, encolherá 7 vezes e espessará 7 vezes. Aqui estão algumas das peças produzidas pelos alunos.

Copie ou desenhe com lápis preto a figura que desejar no lado áspero da folha plástica, num espaço de 10cm a 15cm. Deve desenhar na parte áspera. Se quiser também pode copiar o desenho para a parte lisa e brilhante, usando uma caneta de acetato preta.

Pinte com lápis de cor o lado áspero do plástico ou com canetas de feltro. Se pretende pintar do lado brilhante, use canetas de acetato.


Recorte o plástico com o formato da figura (com um contorno simples, evitando fazer bicos), deixando um pouco em toda a volta. Se vai fazer um porta-chaves ou um pendente, faça o furo agora com um furador de papel.


Ligue o forno a uma temperatura de 175º. Coloque o plástico num tabuleiro forrado com uma folha de papel de alumínio ou papel vegetal de cozinha. Coloque o tabuleiro no forno durante alguns minutos.

O papel shrinkle vai encaracolar-se, retorcer-se e encolher. Não se assuste, é mesmo assim!

Esteja atenta, porque num repente o plástico vai ficar direitinho.
Encolheu e, por breves momentos, fica maleável. Retire o plástico do forno com cuidado para não se queimar; coloque-o sobre a bancada da cozinha e ponha-lhe um livro por cima para o manter achatado. Alguns segundos depois o plástico endurece.

Pronto! O seu desenho está 7 vezes menor e 7 vezes mais espesso. Agora, dê asas à sua imaginação e acrescente alguns acessórios, missangas, fitas, contas...

Depois de irem ao forno, ficaram assim! Que tal? A próxima etapa será colocar os acessórios.



Análise de "A Luavezinha"

O estilo de Mia Couto


Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.

A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como a escrita e o mundo mutuamente se desobedecem.

Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.

Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica.

Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.

No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.

(...) Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. (...)

Mia Couto, “Perguntas à Língua Portuguesa”


Neste texto "Perguntas à língua portuguesa", logo no primeiro parágrafo, Mia Couto manifesta a sua posição relativamente à língua portuguesa falada em Moçambique: “(essa) que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique”; “ a língua nossa”; “essa que dá gosto a gente namorar”.

A língua portuguesa falada em Moçambique suscita opiniões distintas:

1. Atitudes a favor

- “nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia.”

2. Atitudes contra

- “nós estamos a desgastar a língua”

- “Nos falta domínio, carecemos de técnica.”


As frases “Uns nos acalentam…” e “Outros nos acusam” demonstram diferentes posições acerca do modo como os moçambicanos utilizam a língua. Mia Couto não concorda com nenhuma delas, pois considera que não há intenção consciente neste modo muito próprio de fazer uso da língua, os moçambicanos estão simplesmente muito ocupados a ser.


As seguintes frases do texto de Mia Couto enumeram algumas das características que ele advoga para a sua língua:


"A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia." = Uma língua que traduz sensibilidade em vez de funcionalidade e gramaticalidade.


"Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida." = Uma língua mais viva, que reflecte a própria vida.

"uma língua apta para o futuro" = Uma língua para lá do seu tempo, que contempla novas realidades e conceitos e por isso serve os tempos vindouros.

"[uma língua] que dança todas as brisas sem deslocar seu chão." = Uma língua que não perde a integridade, apesar de todas as transformações a que está sujeita.

"Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas." = Uma língua construída pelos falantes, que é passível de ser moldada e que desobedece às normas vigentes.

"Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina." = Uma língua que cria palavras novas com um propósito lúdico.

Mia Couto com a expressão "na mais meridional esquina do Sul" pretende designar Moçambique.


A utilização de uma expressão mais longa indirecta e descritiva ("na mais meridional esquina do Sul") em vez da palavra que designa (Moçambique) chama a atenção para as propriedades da mesma. A esta figura de estilo dá-se o nome de perífrase.



A Mena na cozinha

Vitela assada no forno

1 kg de carne de vitela
azeite
sal
1 colher de sopa de massa de pimentão
1 colher de sopa de mostarda com sementes
6 dentes de alho triturados
1 cebola
salsa
batatinhas
castanhas congeladas
2,5 dl de vinho branco
raminhos de alecrim
banha

Esfregue a carne com sal e reserve. Coloque numa tigela os alhos triturados, a massa de pimentão e a mostarda e misture bem.

Corte a cebola às rodelas e ponha-a num pirex com um pouco de azeite. Barre a carne com a pasta preparada anteriormente e coloque em cima da cebola.

À volta da carne, disponha as batatinhas descascadas e lavadas e as castanhas congeladas. Disponha raminhos de alecrim e de salsa sobre a carne. Regue com o vinho branco e aqui e ali nozinhas de banha.

Leve ao forno a cozinhar. Se necessário prepare um pouco de caldo de carne para regar (não costuma ser preciso).

Sirva com uma boa salada.
Bom apetite!



Trabalhinho:

Agendas

Para rir!


Espreita aqui!

domingo, 24 de janeiro de 2010

3, 2, 1... Acção!

Depois de trabalharem o cenário, passou-se à caracterização dos actores principais: um príncipe árabe, um rapper, uma jovem e bem sucedida mulher de negócios e uma criança.

"Toys for de boys"
Vou resumir o guião criado pelo meu filhote para a gravação do seu primeiro anúncio publicitário.

No interior de um clube, encontram-se sentadas a uma mesa quatro pessoas: um rapper famoso de boné de pala virada para o lado, vários fios de ouro, roupa desportiva... Sentado, de braços cruzados e com as pernas abertas, bate com o pé no chão, acompanhando a batida da música. Sorri ligeiramente, olhando para o vazio.

Ao seu lado, um príncipe árabe riquíssimo, um senhor do petróleo, veste um turbante branco e vermelho aos quadrados, túnica branca até aos pés. Muito direito, olha para o seu copo e sorri. Mantém as mãos em cima da mesa, rodando de vez em quando o copo.

A terceira personagem é uma mulher de negócios e jogadora de poker de sucesso, veste de vermelho, usa o cabelo solto e alguma maquilhagem. Na mão tem um leque que coloca estrategicamente à frente da boca, tapando o seu largo sorriso, no entanto, os olhos denunciam-no.

A última personagem é um rapaz de 12 anos, filho de um dos empregados de mesa. Este conhece bem as outras personagens, pois costuma servi-las. O rapaz joga PSP entretido com o seu novo jogo: Gran Turismo.

As personagens jogam e, a páginas tantas, na euforia do jogo, o rapper aposta o seu carro e coloca sobre a mesa a chave de um Mercedes SLR McLaren.

O árabe vê o gesto do seu companheiro de jogo e funga. Com ar de desprezo, tira do seu bolso a chave do seu Bugatti Veyron e, esboçando um sorriso superior, aposta também o seu automóvel.

A jovem jogadora, com o leque, tapa o seu sorriso rasgado e faz sair da sua bolsa a chave do seu Enzo Ferrari, rindo, agora, à gargalhada.

A sua gargalhada chama a atenção do garoto. Ao ver as chaves, o rapaz apercebe-se logo da situação, posa a PSP e espalha sobre a mesa um número considerável de chaves. As outras personagens levantam-se espantadas e colocam-se atrás do rapaz que joga na PSP o Gran Turismo.

O garoto ganha, pois o Gran Turismo possibilita a condução de mais de 800 carros, como podem verificar no anúncio...





Análise de "A Luavezinha"

O português no mundo


“A minha pátria é a língua portuguesa”


Fernando Pessoa


A língua portuguesa é falada em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Macau, Regiões de Goa, Damão e Diu, sendo a 6.ª língua mais falada no mundo.

Portugal – A língua materna é o português. O mirandês é a segunda língua nacional desde 1998 e é falada por 15 000 pessoas na região sudeste de Bragança.

Brasil – O português é a língua oficial, denunciando fortes influências indígenas (o tupi) e africanas (o iorubá falado pelos negros vindos da Nigéria e o kimbundu angolano).

Angola – O português, língua oficial, convive com muitas línguas africanas, como o kimbundu.

Moçambique – O português é a língua oficial, mas muitos moçambicanos falam makonde e outras línguas indígenas.

Guiné-Bissau – O português, língua oficial convive com o crioulo e outras línguas africanas.

Cabo Verde – O português é a língua oficial e de escolarização, mas fala-se também o crioulo.

São Tomé e Príncipe – A língua portuguesa é a língua oficial, devido à colonização, mas a grande maioria da população das ilhas fala o crioulo.

Timor Leste – As línguas oficiais são o português e o tétum que convivem com muitas línguas étnicas (cerca de trinta), entre as quais o Bahasa Indonésio.

Macau – A língua oficial é o mandarim, mas existem muitos falantes de português.

Regiões de Goa, Damão e Diu – Apesar de as línguas oficiais da Índia serem o hindi e o inglês, ainda existem muitos falantes do português ou de crioulos que mantêm aspectos do léxico português.

O termo crioulo designa uma língua falada por uma comunidade multilingue que perdeu parte dos laços culturais e linguísticos dos seus antepassados devido à colonização europeia e ao tráfico de escravos. O crioulo é um estádio linguístico posterior à formação de uma língua pidgin em que, devido ao seu uso prolongado, se começam a estabilizar certas soluções linguísticas, recolhidas quer na língua de superstrato (a língua europeia do colonizador) quer na(s) língua(s) de substrato (as línguas naturais das comunidades colonizadas).



O português de Moçambique


O português utilizado por Mia Couto apresenta especificidades muito próprias que o distinguem do português europeu padrão:

A utilização do determinante possessivo sem artigo - “Minha filha tem um adormecer custoso.”; “O pássaro lançou seu grito”

A colocação do pronome pessoal oblíquo antes do verbo - “Desse encargo me saio sempre mal.”; "Lhe inventei a estória que agora vos conto."

A utilização do gerúndio na conjugação perifrástica - “A ave contemplou aquela extensão de luz e ficou esperando a noite para adormecer”; “Já vou pontuando fim na história quando ela me pede mais.”

Português de Moçambique:

1. "Desse encargo me saio sempre mal."


2. "Seus colegas de galho se riram."


3. "Era a própria carne da lua falando"


Português de Portugal:

Desse encargo saio-me sempre mal.


Os seus colegas de galho riram-se.


Era a própria carne da lua a falar.


Como podemos verificar, o português de Portugal faz anteceder o determinante possessivo de determinante artigo (os seus colegas, o seu desejo), prefere o infinitivo ao gerúndio (a falar, a comer), utilizando a conjugação perifrástica com verbo auxiliar, seguido de preposição “a” e de infinitivo (ficou a falar em vez de ficou falando) e coloca os pronomes pessoais oblíquos preferencialmente depois do verbo e ligados a este por hífen (saio-me, riram-se).



PRONOMES PESSOAIS


Os pronomes pessoais substituem os nomes e indicam as pessoas do discurso. Os pronomes pessoais podem ser rectos e oblíquos, de acordo com a função que exercem na oração. Os pronomes rectos funcionam como sujeito da oração; os pronomes oblíquos funcionam como complemento e dividem-se em átonos e tónicos. Os pronomes tónicos são precedidos de preposição, enquanto os átonos não.


PRONOMES PESSOAIS RECTOS E OBLÍQUOS

PESSOAS DO DISCURSO

RECTOS (sujeito)

OBLÍQUOS (complemento)

Átonos

Tónicos

1.ª pessoa singular

Eu

Me

Mim, comigo

2.ª pessoa do singular

Tu

Te

Ti, contigo

3.ª pessoa do singular

Ele/ela

O, a, lhe

Ele, ela

1.ª pessoa do plural

Nós

Nos

Nós, connosco

2.ª pessoa do plural

Vós

Vos

Vós, convosco

3.ª pessoa do plural

Eles/elas

Os, as, lhes

Eles, elas


O pronome pessoal tem formas tónicas e formas átonas. São formas átonas as formas do pronome pessoal que ocorrem sistematicamente adjacentes ao verbo (à esquerda do verbo ou à direita, neste caso, separadas por hífen, ou ainda no interior das formas de futuro; as outras são formas tónicas.


Exemplos:

Eles acordaram cedo para viajar. (Pronome pessoal recto)


Os professores orientaram-nos no trabalho. (Oblíquo átono)

Ele vem comigo ao cinema. (Oblíquo tónico)


FORMAS PRONOMINAIS

Os pronomes o, a, os, as quando associados a verbos terminados em r, s ou z, assumem as seguintes formas: LO, LAS, LOS, LAS.

Anotar + o = anotá-lo

Anotamos + as = anotamo-las

Fez + as = fê-las


Quando associados a verbos terminados em som nasal, adquirem as seguintes formas: NO, NA, NOS, NAS.


Exemplos:

Enviaram + o = enviaram-no

Levaram + a = levaram-na

Dão + os = dão-nos



A Mena na cozinha

Bacalhau à Conde

400 g de bacalhau
600 g de batatas
1 cebola
3 dentes de alho
1dl de azeite
2dl de natas
pimenta
sal
queijo ralado

Retire a pele e espinhas ao bacalhau e faça-o em lascas.
Coza as batatas em água temperada com sal, escorra e reduza a puré. Corte às rodelas finas as cebolas e os dentes de alho e leve ao lume num tachinho com o azeite. Deixe cozer sem ganhar cor. Junte o bacalhau e deixe cozer um pouco.

Junte o puré de batata e envolva tudo com uma colher de pau.

Adicione as natas e tempere com sal e pimenta.

Deite o preparado num tabuleiro untado com azeite e polvilhe com o queijo ralado.

Leve a gratinar em forno bem quente (225º C) até alourar a superfície.

Sirva com uma boa salada mista.
Bom apetite!


Trabalhinho:

Bolas, bolas e mais bolas...