Quinta das Lágrimas
(Um passeio a Coimbra - retalhos)
Coimbra é a terra dos amores de Pedro e Inês. Os "saudosos campos do Mondego" e os arvoredos da Fonte dos Amores terão sido o palco dos seus encontros secretos.
Após a morte de D. Constança, Pedro e Inês passaram a viver no Paço régio, situado junto do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Nele terão nascido os três filhos: os Infantes D. Pedro e D. Dinis e a Infanta D. Beatriz.

A Quinta das Lágrimas foi construída no século XVIII, mas, devido a um incêndio, apresenta arquitectura do século XIX. Foi o cenário dos amores proibidos do príncipe D. Pedro e D. Inês de Castro, dama de companhia de sua mulher D. Constança. Diz a lenda que foi na Quinta das Lágrimas que D. Inês chorou pela última vez, enquanto era trespassada pelos punhais dos fidalgos a quem o rei Afonso IV ordenara a sua morte. As lágrimas então derramadas inspiraram Luís de Camões a criar o nome de Fonte das Lágrimas ou Fonte dos Amores e muitos outros escritores a consagrar o amor eterno de Pedro e Inês.
“Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes!”
“As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores!”
Inês é assassinada e todos os elementos da Natureza reflectem esta morte (típico das produções líricas renascentistas): o sol esconde-se; os vales reproduziram em eco o último sopro de vida de Inês que continha o nome do seu amado; e as ninfas do Mondego choraram durante muito tempo e estas lágrimas perpetuaram-se na Fonte da Lágrimas (na Quinta das Lágrimas, em Coimbra).
O Jardim da Quinta das Lágrimas foi idealizado no século XIX, seguindo uma tendência da época, a da constituição de uma espécie de Museu Vegetal, onde estariam representadas espécies de todo o mundo. A sua flora forma um conjunto de tal maneira rico e diversificado que se equipara em raridade e exotismo aos mais completos jardins botânicos.
Hoje, no Palácio da Quinta das Lágrimas, está instalado um hotel de luxo.


Lágrimas Ocultas
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
1 lata de leite condensado
2 limas
3 iogurtes naturais
1 raminho de hortelã

