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terça-feira, 22 de março de 2011

Este líquido é água




Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.


António Gedeão


Antigamente, até ao início do século XIX não havia agências de publicidade. Eram os escritores, principalmente os poetas, que faziam os anúncios.

Um amigo de Olavo Bilac pretendia vender a sua propriedade e pediu ao poeta um reclame para pôr à venda o seu sítio.
O poeta visitou o lugar e, depois, escreveu:

“Vende-se uma encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso e frondoso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na bela varanda”.

Dias depois, soube o poeta que o amigo desistira da venda da propriedade. O sujeito, ao ler o reclame, “descobriu” a beleza, a maravilha que era o sítio, para ele, até então, apenas um terreno, uma casa velha e umas árvores, coisas que só lhe davam prejuízo.

Ah, o que os olhos de um poeta vêem e fazem ver!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Deixo aqui estes "apontamentos" natalícios, desejando a todos os meus visitantes um Natal muito, muito feliz!

Cheio de amor...

paz...

saúde...

alegria...

amizade...

ternura...


mym deseja-vos:

Feliz Natal!

Quisera
Senhor, neste Natal,
armar uma árvore e nela
pendurar, em vez de bolas, os
nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe, de perto. Os antigos e
os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os
que raramente encontro. Os sempre lembrados e
os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os
intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que, sem querer, eu magoei, ou sem querer me magoaram.
Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço
apenas a aparência. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo.
Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já
passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. Uma árvore
de sombras muito
agradáveis para
que nossa amizade,
seja um momento de
repouso nas lutas da vida.
Que o Natal esteja vivo em cada dia do Ano que
se inicia para que possamos juntos viver o amor!!







Que Jesus vos deixe no sapatinho tudo o que desejam e merecem!





Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.


António Gedeão


sábado, 5 de junho de 2010

O sonho comanda a vida


Este painel totalmente embandeirado foi concebido para assinalar o Dia da Europa.

O historiador grego Heródoto afirmou, na antiguidade, que o mundo tinha sido dividido por pessoas desconhecidas em três continentes: a Europa, a Ásia e a Líbia (África), com o Nilo e o rio Phasis (rio Rionio, o maior rio da parte ocidental da Geórgia) a delimitar as suas fronteiras, embora também houvesse quem considerasse que era o rio Don (um dos maiores rios da Rússia) que fazia fronteira entre Europa e Ásia e não o rio Phasis. Flavius Josephus e o Livro dos Jubileus (texto que relata a história da criação do mundo) descrevem os continentes como as terras dadas por Noé aos seus três filhos, sendo a Europa definida entre as Colunas de Hércules (promontórios que existem à entrada do estreito de Gibraltar, um em África (o monte Hacho ) e outro na Europa (o rochedo de Gibraltar), no Estreito de Gibraltar, separando-a da África, e o rio Don, separando-a da Ásia.

A Visão Junior veio à escola e os alunos fizeram uma série de perguntas bem pertinentes à jornalista. Foi uma conversa animada. Foi feita a apresentação da revista, foi dito mais do que uma vez que "Ler é bom". Alguns concordaram plenamente, outros mostraram-se pouco convencidos, mas iriam tentar ler mais e houve também quem achasse "...essa coisa de ler uma valente chatice." Nós, por cá, continuamos a incentivar a leitura e já só falta fazermos o pino, porque malabarismos para os levar ao encontro dos livros já nós fazemos.


Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foça através de tudo
num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara graga, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, paço de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

Este poema é composto por quatro estrofes: a primeira com doze versos, a segunda com seis (sextilha), a terceira possui 24 versos e a quarta apresenta seis versos (sextilha). A maior parte dos versos possuem sete sílabas métricas (heptassílabo ou redondilha maior).

As rimas são cruzadas, emparelhadas e interpoladas.

O tema do poema é o sonho, e pode ser dividido em duas partes lógicas:

- A primeira parte é constituída pelas primeiras três estrofes, em que o sonho é comparado a elementos que temos na natureza (pedra, ribeiro, pinheiros, aves, alimentos, animais…); a elementos artísticos e arquitectónicos; a elementos relacionados com a ciência; à expansão marítima e às suas descobertas e às invenções.

-A segunda parte corresponde à última estrofe, em que o sujeito poético conclui que o sonho comanda a vida, como diz o texto, e que faz avançar e evoluir o Mundo.

O sonho, neste poema, é entendido como a mola do progresso e da evolução do ser humano, o sonho é o elemento que leva o Homem a fazer avançar o Mundo e a superar-se continuamente. O sonho “é uma constante da vida”, sem ele, segundo Fernando Pessoa, o Homem é somente um “cadáver adiado que procria” (D. Sebastião, in Mensagem).
O título do poema – Pedra Filosofal – remete para a alquimia (uma substância que, segundo a lenda, se adicionava aos metais pobres para se transformarem em ouro). Assim, este título, associa o sonho humano à magia dos alquimistas, sugerindo que o sonho, qual pedra filosofal, transforma em ouro as fraquezas e as pequenas ambições humanas.
O sonho faz parte da vida dos seres humanos, é tão frequente, concreto e definido como uma pedra, um ribeiro, os pinheiros, as aves... fazem parte da Natureza. Estas comparações que surgem no início do texto sugerem que o sonho é uma coisa simples, mas, ao mesmo tempo, complexa, porque é muito difícil de definir; apontam ainda o quanto os sonhos são abstractos e subjectivos, podendo, no entanto ser transformados em algo tão concreto e definido como outra coisa qualquer.
Os sonhos podem ser “mansos” ou “sobressaltados”; estão relacionados com algo grandioso e envolvidos pela ideia da esperança constante presente na expressão “pinheiros altos”: a cor verde dos pinheiros, símbolo de esperança, poderá remeter para a eterna “juventude” ou para a renovação constante do sonho (atingido um sonho, o Homem não deve parar de sonhar, há que procurar outro sonho para concretizar), a perenidade das folhas dos pinheiros representam a importância de se ter sempre um sonho (“o sonho / é uma constante da vida”); a altura sugere a liberdade desse ideal, não há limites para o sonho, assim como o céu por onde voam as aves não apresenta limites). Os sonhos são igualmente comparados a um “bichinho (…) sedento” (metáfora) cujo focinho pontiagudo permite penetrar nos “locais” mais recônditos para satisfazer as suas necessidades, o bichinho procura água, pois tem sede, o Homem deve perseguir os seus sonhos, deve procurá-los estejam eles onde estiverem como se deles dependesse a sua sobrevivência.
O sonho faz evoluir, leva o Homem a progredir nas diversas áreas: a Arte (a pintura, a arquitectura, a música, o teatro, a dança); a Técnica e a Tecnologia (a cisão do átomo, o radar, o foguetão…); a Geografia e a História, a Indústria… Em relação aos portugueses, o sujeito poético refere os Descobrimentos, que permitiram que um pequeno povo, avançasse “por mares nunca dantes navegados”, em pequenas naus, em perseguição do seu sonho. Este povo corajoso e aventureiro revelou novas terras, novos povos, novas civilizações ao Mundo, demonstrando coragem e espírito de aventura. “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce, o Homem sonhou que existiam outros mundos para além do que era conhecido e sonhou que os poderia descobrir e, através da força imparável do sonho, a obra nasceu, abriram-se novos horizontes e surgiram ante os olhos de todos novos mundos, os continentes antes separados pelos Oceanos uniram-se e a terra surgiu toda, una.
Sempre que o Homem sonha, supera-se e consegue sempre atingir algo melhor do que aquilo que conhece, o sujeito poético crítica todos aqueles que não sonham, pois não sabem que o sonho comanda a vida. Sem sonho a vida não tem sentido, porque “o sonho comanda a vida”.



Numa tentativa de definir o sonho, este poema promove a sua aproximação ou mesmo identificação com diversos referentes. Para isso, serve-se preferencialmente de duas figuras de estilo:
- "[o sonho] é Cabo da Boa Esperança": Metáfora
- "como este ribeiro manso" - comparação
- "o sonho/é vinho, é espuma, é fermento": metáfora
- "como estes pinheiros altos": comparação

O efeito de analogia do poema é conseguido através da metáfora, que promove uma identificação entre termos diferentes, a partir do uso do verbo ser ("O sonho é..."), e da comparação, que promove uma associação de dois termos.

Todo o poema de uma forma geral, e em concreto a terceira estrofe, assenta na enumeração de uma gama de vocábulos das mais variadas áreas de saber que, segundo o sujeito poético, são coincidentes com o sonho. Esta referência a uma multiplicidade de nomes confere ao poema muita musicalidade e ritmo.
A anáfora existente nas três primeiras estrofes do poema ("Eles não sabem que o sonho") indica a referência a um destinatário do discurso poético (eles) e introduz uma oração integrante.
A estrutura estrófica livre de normas mostra que estamos perante um poema do século XX.





Trabalhinho: embalagem reciclada


A Mena na cozinha

Estufado simples

1,5 kg de carne de vaca ou de porco
sal
pimenta
1 malagueta grande
100 g de toucinho entremeado
1 cebola
3 dl de caldo de carne
cravinho

Tempere a carne com sal e pimenta e reserve.
Derreta o toucinho numa frigideira e nessa gordura aloure a carne dos dois lados.

Quando estiver douradinha, coloque-a na panela de pressão.

Junte-lhe uma cebola com três cravinhos espetados e o caldo de carne. Feche a panela e deixe cozinhar.

Sirva com batatas fritas e salada.
Bom apetite!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Perfeito coração




Exposição sobre a grande fadista Amália Rodrigues, intitulada "Perfeito Coração".





Grandes artistas



A lírica camoniana

A mudança

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Podes encontrar outra análise deste soneto aqui!

Este soneto tem como tema um motivo tipicamente renascentista, de raiz greco-latina, a mudança. Repara nos vocábulos que remetem para a ideia de mudança: formas verbais (se muda, mudam-se, muda-se, mudar-se, converte); nomes (novidades, mudança); adjectivos (diferentes, novas).

A ideia de mudança contínua e irreversível é sugerida através de mecanismos, como:
- a repetição do verbo "mudar" e de palavras suas cognatas (aquelas que apresentam o mesmo radical);
- a estrutura paralelística ("Mudam-se..., mudam-se..., /muda-se..., muda-se...,);
- o vocabulário relacionado com a mudança.


A UNIVERSALIDADE
A mudança é apresentada como uma característica universal e, para provar esta universalidade, o sujeito poético refere os vários domínios por ela afectados:

no Mundo
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

no Homem
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

na Natureza
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,

no sujeito poético
e, em mim, converte em choro o doce canto.

Nas duas quadras e no primeiro terceto há uma referência à mudança no Mundo, no Homem, na Natureza e no próprio sujeito poético.


O PESSIMISMO
Podemos considerar que o sujeito poético perspectiva quase toda a mudança no sentido: bem -> mal.

Para o sujeito lírico as mudanças no Mundo, no Homem e no "eu" lírico encaminham-se para um estado mais negativo, pois nelas o mal permanece e intensifica-se, prolongando-se no espaço e no tempo, ao passo que o bem desaparece.
Ao contrário destas, a mudança que se opera na Natureza é a única que se encaminha para um estado positivo.

A mudança
A mudança processa-se de modo diferente na Natureza e no Homem e mais concretamente no sujeito poético, estando intimamente relacionada com o conceito de tempo. Assim, podemos distinguir o Tempo natural do Tempo humano. O tempo natural, cujos mecanismos de mudança operam ciclicamente, ao mal sucede o bem, ao Inverno sucede sempre a Primavera, contribui para uma certa estabilidade e permanência. Em contrapartida, o tempo humano, linear e irreversível, caracteriza-se pela instabilidade, pelo absurdo e pelo caos e caminha apenas num sentido, para pior.

No último terceto, apresenta-se uma outra mudança que vai constituir a chave de ouro do soneto: a inesperada mudança da própria mudança.
A conjunção copulativa "e" e a preposição "afora" (além de) acrescentam mais uma mudança, que consiste na mudança da própria mudança. Esta última vem acentuar o tom pessimista de todo o soneto, intensificando o desânimo e angústia do sujeito poético que se sente manipulado pelo Destino e pela Fatalidade.


Tudo é foi

Fecho os olhos por instantes.
Abro os olhos novamente.
Neste abrir e fechar de olhos
já todo o mundo é diferente.

Já outro ar me rodeia;
outros lábios o respiram;
outros aléns se tingiram
de outro Sol que os incendeia.

Outras árvores se floriram;
outro vento as despenteia;
outras ondas invadiram
outros recantos de areia.

Momento, tempo esgotado,
fluidez sem transparência.
Presença, espectro da ausência,
cadáver desenterrado.

Combustão perene e fria.
Corpo que a arder arrefece.
Incandescência sombria.
Tudo é foi. Nada acontece.

António Gedeão

Após a leitura do poema de António Gedeão, verificamos semelhanças entre este poema e o soneto camoniano anteriormente analisado.

O último verso do poema de António Gedeão, "Tudo é foi. Nada acontece.", sugere o pessimismo que o sujeito poético sente em relação à mudança.
Também para o sujeito poético de "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" existe uma atitude pessimista em relação à mudança, pois também esta "não se muda já como soía".


A Mena na cozinha

Solha no forno

8 postas de solha
1 cebola
4 tomates
1 pimento verde
1 pimento
laranja
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta
azeite

Tempere a solha com sal, alho picado, pimenta e sumo de limão. Deixe a marinar durante 1 hora. Faça uma cama com a cebola cortada às rodelas, três tomates aos pedaços e os pimentos às tiras.

Disponha as postas de solha sobre a caminha.

Regue tudo com o molho da marinada e com um pouco de azeite. Corte o tomate reservado às meias-luas e coloque sobre o peixe e leve ao forno.

Sirva com batatinhas bravas!
Bom apetite!



Trabalhinho:


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Lágrimas

Quinta das Lágrimas
(Um passeio a Coimbra - retalhos)

Coimbra é a terra dos amores de Pedro e Inês. Os "saudosos campos do Mondego" e os arvoredos da Fonte dos Amores terão sido o palco dos seus encontros secretos.

Após a morte de D. Constança, Pedro e Inês passaram a viver no Paço régio, situado junto do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Nele terão nascido os três filhos: os Infantes D. Pedro e D. Dinis e a Infanta D. Beatriz.

A Quinta das Lágrimas foi construída no século XVIII, mas, devido a um incêndio, apresenta arquitectura do século XIX. Foi o cenário dos amores proibidos do príncipe D. Pedro e D. Inês de Castro, dama de companhia de sua mulher D. Constança. Diz a lenda que foi na Quinta das Lágrimas que D. Inês chorou pela última vez, enquanto era trespassada pelos punhais dos fidalgos a quem o rei Afonso IV ordenara a sua morte. As lágrimas então derramadas inspiraram Luís de Camões a criar o nome de Fonte das Lágrimas ou Fonte dos Amores e muitos outros escritores a consagrar o amor eterno de Pedro e Inês.

(…)

“Vós, ó côncavos vales, que pudestes

A voz extrema ouvir da boca fria,

O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,

Por muito grande espaço repetistes!”

(…)


“As filhas do Mondego a morte escura

Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lágrimas choradas transformaram.

O nome lhe puseram, que inda dura,

Dos amores de Inês, que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Que lágrimas são a água e o nome Amores!”


Inês é assassinada e todos os elementos da Natureza reflectem esta morte (típico das produções líricas renascentistas): o sol esconde-se; os vales reproduziram em eco o último sopro de vida de Inês que continha o nome do seu amado; e as ninfas do Mondego choraram durante muito tempo e estas lágrimas perpetuaram-se na Fonte da Lágrimas (na Quinta das Lágrimas, em Coimbra).

As ninfas do Mondego haviam testemunhado esta linda história de amor, pois foi nos saudosos campos do Mondego que Inês e Pedro se terão visto pela primeira vez; e nos arvoredos da Fonte dos Amores que terão tido os seus encontros secretos. Reza também a lenda que o sangue que a amada de Dom Pedro derramou está, ainda hoje, gravado numa rocha. Todavia, de acordo com os especialistas, a cor avermelhada que podemos constatar na rocha deve-se à presença de uma alga, a Hildenbranthiarosea. No entanto, muitos preferem ignorar a explicação científica para que o mito não perca o seu fantástico e maravilhoso.

Se quiserem saber mais, vejam aqui!

O Jardim da Quinta das Lágrimas foi idealizado no século XIX, seguindo uma tendência da época, a da constituição de uma espécie de Museu Vegetal, onde estariam representadas espécies de todo o mundo. A sua flora forma um conjunto de tal maneira rico e diversificado que se equipara em raridade e exotismo aos mais completos jardins botânicos.

Hoje, no Palácio da Quinta das Lágrimas, está instalado um hotel de luxo.




Fonte dos Amores

Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...


E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


Lágrima de preta


Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

António Gedeão


Mousse de Lima

1 lata de leite condensado
2 limas
3 iogurtes naturais
1 raminho de hortelã



Mistura-se o leite condensado com a raspa das limas.

Junta-se, seguidamente, o sumo das mesmas.

Mexe-se muito bem, até formar um creme espesso.

Por fim, adicionam-se os iogurtes. Mistura-se tudo muito bem. Leva-se ao frigorífico.

Na hora de servir, enfeita-se com um raminho de hortelã e/ou rodelas de lima.


Trabalhinhos: um presente para a minha amiga Maria João.