Esta actividade foi promovida pela Biblioteca que contou, mais uma vez, com a colaboração preciosa do professor Bruno e dos seus alunos, sempre prontos a cooperar connosco. Um bem-haja a todos!
Aqui ficam algumas fotos desse evento...
A corrente tradicional da lírica camoniana
A temática do sofrimento de amor
De que modo é que Camões aproveita as temáticas trovadorescas, repara nas duas composições poéticas que se seguem:
Ondas do mar de Vigo
se vistes meu amigo
E ai Deus, se verrá cedo!
.
Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amigo,
o por que eu suspiro!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amado,
por que hei gran coidado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Martin Codax
Mote
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando,
Às amigas perguntando:
- Vistes lá o meu amor?
Voltas
Posto o pensamento nele,
Porque a tudo o Amor obriga,
Cantava, mas a cantiga
Eram suspiros por ele.
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando,
Às amigas perguntando:
- Vistes lá o meu amor?
O rosto sobre ua mão,
Os olhos no chão pregados,
Que, do chorar já cansados,
Algum descanso lhe dão.
Desta sorte Lianor
Suspende de quando em quando
Sua dor, e em si tornando,
Mais pesada sente a dor.
Não deita dos olhos água,
Que não quer que a dor se abrande
Amor, porque, em mágoa grande,
Seca as lágrimas a mágoa.
Despois que de seu amor
Soube novas perguntando,
De improviso a vi chorando.
Olhai que extremos de dor!
Luís de Camões
Elementos trovadorescos que existem em comum entre o poema de Luís de Camões e a cantiga de Martin Codax:
- o tema da coita (sofrimento) de amor;
- a personagem feminina que deseja ter notícias do seu amado;
- a ausência do amado e a expressão do sofrimento amoroso que ela provoca.
Cantiga de amigo
A par da cantiga de amor e da de escárnio e maldizer, a cantiga de amigo é um dos três grandes géneros em que se divide a lírica galaico-portuguesa.
A cantiga de amigo, coloca em cena uma donzela, em situações da vida popular rural ou num ambiente doméstico, a confidenciar à natureza (ex: “Ondas do mar de Vigo”), à mãe ou às amigas (ex: cantiga “Na fonte está Lianor”), o amor ou saudade de um amigo muitas vezes ausente.
Formalmente, a cantiga de amigo privilegia o uso do refrão, do paralelismo e de estrofes breves.
A estrutura externa do texto lírico
A cantiga de amigo remete para um contexto em que o poema, enquanto forma literária, não conhece autonomia relativamente à música, ao canto e até à coreografia, embora tenha chegado até nós apenas a notação musical de seis cantigas de Martin Codax (Pergaminho Vindel) e de sete cantigas de D. Dinis (fragmento Sharrer).
No entanto, a poesia, mesmo sem acompanhamento musical, possui musicalidade graças à sua estrutura formal.
Recorda algumas noções de versificação
Trabalhinho: