Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Tradições e recordações
O almoço foi bem animado! A ti Maria assou as sardinhas, a ti Alice cortou a broa de milho em fatias, a minha filhota temperou a salada, eu dispus as uvas na cestinha, o meu marido encheu o jarro de vinho… Sentados à mesa, cada um tirou a pele às suas batatas. E durante a refeição não faltaram as costumadas histórias do ti Joaquim e as anedotas do ti Manuel a apimentar a saborosa sardinhada.
O Ti João perguntou à minha filha se estava a gostar das férias, se tinha tirado muitas fotografias…
- Hoje, tirei muitas fotos! Até tirei aos animais: aos porcos, às galinhas, aos patos… Ah, é verdade, porque é que está uma porca sozinha, separada dos outros porcos?
- Essa porca está a fazer dieta, porque é para matar para a casa – informou a ti Maria, rindo com vontade.
- Sabes, no tempo mais frio, Novembro ou Dezembro, junta-se toda a família e amigos para a matança do porco, que neste caso é uma porca. Ficam desde já convidados para a festança – disse o ti Joaquim, prosseguindo:
- O porco mata-se, chamusca-se, raspa-se e lava-se muito bem. Depois pendura-se e tiram-se as entranhas, deixando-se a escorrer de um dia para o outro. No outro dia, desmancha-se o porco, cortam-se as carnes, guardam-se. Come-se… Bebe-se… Canta-se… e não faltam histórias, anedotas, provérbios que provocam gargalhadas intermináveis… À noite, os mais idosos sentam-se à lareira, enquanto as outras pessoas preparam as carnes para os chouriços, fazem-se também as morcelas, as farinheiras…
- Deve ser uma grande festa! – exclamou a minha filha.
- Mas não termina assim! No dia seguinte, prepara-se uma “assadura” para mandar aos amigos e familiares que não puderam estar presentes na matança; e, alguns dias mais tarde, enchem-se os chouriços e põem-se à lareira a “curar” – disse a ti Almerinda.
O ti Joaquim, de repente, lembrou-se que ainda havia alguns chouriços pendurados na lareira e pediu à ti Alice que fosse buscar um para provarmos.
- Ó ti Joaquim, porque é que a vossa lareira está na cozinha e não na sala? – perguntou a minha filha.
- A lareira era onde se preparavam os alimentos antigamente. Era construída num canto da cozinha. Havia dois tijolos, dispostos paralelamente e por cima colocava-se uma trempe – explicou o ti Joaquim.
- A palavra lareira vem de lar, o lugar onde se fazia o fogo – expliquei.
- E era entre os tijolos que se fazia o lume e na trempe assentava a panela ou o tacho – continuou o ti Joaquim.
- Os meus avós também curavam os enchidos na lareira. Em casa da minha avó, havia uma lareira grande onde se punha a lenha a arder. Por cima, passavam uns arames dispostos horizontalmente onde se penduravam os enchidos, ainda frescos, para serem curados pelo fumo que ia saindo pela chaminé. Na lareira, de cada lado, havia um banco para duas pessoas se sentarem, ali, a aquecer. E aos serões, num ambiente familiar, ensinavam-se os mais pequenos, contavam-se histórias de encantar com fadas, princesas, príncipes… – expliquei saudosa.
- Ó mãe, mas também se diz fogos para indicar o número de famílias numa povoação, não é? – questionou a minha filha.
- Ah, eu posso explicar – informou o ti Joaquim, acrescentando:
- Em cada família romana, mantinha-se acesa, em honra dos deuses Lares, uma “chama”, um fogo.
- Pois, focum em latim. Fogo e lar encerram uma ideia comum: a Família que habita numa casa – rematei.
Trabalhinho:
Frango com natas e cogumelos
1 pacote de natas (200 ml)
1 sopa de cebola instantânea
1 lata de cogumelos laminados
pimenta
Disponha a carne do frango por cima das natas.
Bom apetite!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
O Mar e a Poesia
Esgotei o meu mal, agora
Queria tudo esquecer, tudo abandonar
Caminhar pela noite fora
Num barco em pleno mar.
Mergulhar as mãos nas ondas escuras
Até que elas fossem essas mãos
Solitárias e puras
Que eu sonhei ter.

Fundo do mar |
No fundo do mar há brancos pavores, |
Evadir-me, esquecer-me Evadir-me, esquecer-me, regressar
À frescura das coisas vegetais,
Ao verde flutuante dos pinhais
Percorridos de seivas virginais
E ao grande vento límpido do mar.
Mar sonoroMar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Mandei para o largoMandei para o largo o barco atrás do vento
Sem saber se era eu o que partia.
Humilhei-me e exaltei-me contra o vento
Mas não houve terror nem sofrimento
Que à praia não trouxesse,
Morto o vento.
Chamei por mim
Chamei por mim quando cantava o mar
Chamei por mim quando corriam fontes
Chamei por mim quando os heróis morriam
E cada ser me deu sinal de mim.
EsperaDei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.
As ondas quebravam uma a umaEu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
O Homem e a Mulher
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefinível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo
1 pacote de natas
1 sopa de cebola Knorr (ou de outra marca)
Queijo ralado
Queijo ralado sempre fresco e ao nosso gosto: Compra-se um queijo, aquele que gostarmos mais, unta-se com azeite e coloca-se a secar. Depois de bem sequinho, guarda-se. Quando for necessário, rala-se ou pica-se numa picadora a quantidade a utilizar. Podem crer que o sabor é completamente diferente dos de compra, muito mais apaladado.
Trabalhito: cesta
A cesta foi-me oferecida pelo meu marido, eu enfeitei-a e ficou assim! Que acham?








