A Crónica
Etimologicamente, crónica deriva do grego Krónos, que significa tempo. O conceito de crónica sofreu bastantes alterações até aos nossos dias, desde relato histórico até registo e comentário de um facto, incidente ou ideia, geralmente do quotidiano.
Actualmente, a crónica pode ter uma função ideológica, crítica, satírica, ou até um carácter ficcional. Comentando factos, episódios e flagrantes quotidianos, o cronista, normalmente uma figura publicamente reconhecida, dá conta da sua forma subjectiva de ver o mundo.
Na crónica há um predomínio de opiniões, uma vez que este género jornalístico privilegia a expressão da subjectividade do autor e não apenas a transmissão de factos.
Os adjectivos, cujo uso na notícia e na reportagem é bem limitado, assumem uma posição central na crónica, espelhando a posição do autor face ao tema desenvolvido. O emprego expressivo da adjectivação contribui para a subjectividade deste género jornalístico.
A crónica utiliza muitas vezes uma linguagem valorativa e subjectiva, empregando alguns recursos expressivos, como as figuras de estilo.
A repetição de palavras pretende intensificar, reforçar e enfatizar uma determinada ideia.
A metáfora tem uma forte intenção sugestiva, já que as palavras passam a ter um sentido mais abrangente daquele que é habitual.
A enumeração consiste na apresentação sucessiva de vários elementos com a intenção de intensificar o ritmo do discurso.
A ironia consiste em exprimir o contrário daquilo que se pensa. Pode ser utilizada para zombar ou criticar. O contexto e o tom de voz assumem extrema importância para a sua interpretação.
Algumas das características definidoras da linguagem e estilo da crónica são, na verdade, a coloquialidade, que deriva da cumplicidade existente entre o autor e o ouvinte/leitor, e as intervenções explícitas do autor, patentes na utilização da 1.ª pessoa gramatical (do singular ou do plural).
O discurso da 1.ª pessoa gramatical, que constitui mais um traço característico da crónica, contribui para a subjectividade deste tipo de texto. A presença do “interlocutor” é visível através do uso de pronomes e de formas verbais na 1.ª pessoa.
A crónica impressa e a crónica radiofónica
Características gerais
- Há um acontecimento/facto/ideia real que está na génese do texto.
- O tema da actualidade pode ser diversificado: actualidade desportiva, política, científica, etc.
- Pode centrar-se sobre aspectos comuns da vida quotidiana ou servir de palco para a criação literária.
- Não obedece a nenhuma estrutura fixa, apresentando, por isso, uma forma livre e pessoal, pelo que o seu autor lhe dá um cunho pessoal, a sua subjectividade.
- Está imbuída de uma dimensão pragmática.
Linguagem e estilo
- Marcas de subjectividade (como a adjectivação valorativa, o uso de verbos opinativos ou tomadas de posição eufórica).
- Marcas de temporalidade (apontadas até pela etimologia, crónica vem do grego “chronos” - tempo).
- Tom coloquial, que denota a “presença” do interlocutor e a cumplicidade existente entre escritor e leitor (resultante do carácter periódico de muitas crónicas).
- Recursos expressivos (como a linguagem metafórica, o emprego expressivo da adjectivação ou o recurso a várias figuras de estilo) e outros processos literários.
Intencionalidade comunicativa
- Crítica.
- Censura.
- Elogio.
- Aviso.
- Finalidade sociológica.
- Objectivo satírico/humorístico.
A crónica impressa e a crónica radiofónica
(características específicas)
Crónica impressa
- Utiliza o código escrito.
- É um texto breve, escrito em prosa, de forma pessoal e livre.
- Surge numa página fixa ou secção bem demarcada de um jornal ou revista.
- A crónica não tem uma arquitectura predefinida, pelo que o seu autor lhe dá um cunho pessoal, a sua subjectividade.
- É um texto assinado e está a cargo de um ou mais colaboradores do jornal.
- Apresenta marcas linguísticas do código oral, patentes no recurso ao discurso directo.
- A pontuação, a organização dos parágrafos e a coesão textual assumem extrema importância.
- Pode ser classificada em crónica jornalística ou crónica literária.
Crónica radiofónica
- Utiliza o código oral.
- Surge num programa específico da estação da rádio.
- Está a cargo de um ou mais locutores/colaboradores da estação da rádio.
- Os elementos prosódicos (entoação, pausas, ou ênfase) assumem uma importância fulcral.
Análise comparativa entre a crónica impressa e a crónica radiofónica
A crónica radiofónica e a crónica impressa têm em comum:
- O ponto de partida é um acontecimento/facto/ideia real.
- Forma livre e pessoal.
- Marcas de subjectividade.
- Tom coloquial, que denota a cumplicidade existente entre escritor/locutor e leitor/ouvinte.
- Recursos expressivos e outros processos literários.
- Discurso com marcas de 1.ª pessoa gramatical.
Rolinhos de frango
tiras de entremeada fininhas
sal
pimenta
alecrim
4 ou 5 tomates maduros ou concentrado de tomate
1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
salsa
1 dl de vinho branco
noz moscada
azeite
Bom apetite!
Trabalhinhos:
Este ursinho amoroso foi-me oferecido pela Soninha. Obrigada, amiga!
Vai ficar aqui para quem o quiser levar! Basta deixarem uma palavrinha!