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quinta-feira, 21 de março de 2013

Perdi-me dentro de ti




Perdi-me dentro de ti
Num labirinto de luz
E de lá não mais saí
Ai que saudades de mim!

Entraste na minha vida
Como uma estrela a brilhar
E a claridade atrevida
Acabou por me cegar!

Na ânsia de me entregar
Nas ondas do teu amor
Acabei por naufragar
Num imenso mar de dor

Ai que saudades de mim
Da vida que imaginei
Ai como tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!

E sinto pena de mim
Pobre menina a sonhar
Algo faltou afinal:
Um astro p’ra me guiar...


Mena

domingo, 3 de março de 2013

Ouvi no asfalto os meus passos



Voltei. E ouvi no asfalto os meus passos.
Corri. E vi na areia ainda húmidas
E frescas as minhas pegadas.
Olhei-te. E vi nos teus olhos baços
Lágrimas contidas, à espreita.
Sorri. E vi do teu rosto florirem
Delicadas flores de Primavera.

Despedi-me. E o vento começou a soprar
E as folhas dançavam sem tino à tua volta
E num rodopio juntaram-se a teus pés...
Corri. E não olhei para trás...
De repente, o silêncio... a escuridade...
Só a chuva veio: limpou a pegadas
E regou as flores do teu lindo rosto...

Mas, a maré há-de voltar a subir
E com ela as areias limpas e lisas
Onde um novo rasto começará...

Mena



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Segredos de céu



Trouxe este poema daqui! Dêem uma espreitadela ao blogue do Nilson que vale a pena!


Ondulante e insinuante

[mesmo recortada de sombras],

posso ver-te como um violino

a encantar a minha noite.

Ou como folhas vivas e perenes

de uma planta que cresce em nós

a cada passagem do sol.



Em qualquer caso,

beijo os teus seios

[de mulher nada e criada com uma tez

que não estranho]

com o poder escorregadio da boca,

pronta a esquecê-los

em troca de outros segredos de céu.



Mas é com o instinto desperto na luz

que me doas,

transposto pelo meu brado marujo

às ondas do teu corpo,

que te deito numa cama

onde te vejo

semeada de folhas e sons de violino.


Poema: Nilson Barcelli © Fevereiro 2013
Fotografia: Alexander Kharlamov 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Diz-me palavras doces ao ouvido





Diz-me palavras doces ao ouvido
Abre os braços, toma o meu corpo nu
Fecha os olhos, deixa as pálpebras tombarem
E vem aninhar-te entre os meus seios.

Nossas línguas buscam-se desvairadas
Nossos corpos inflamam ao tocar-se
Cercam teu corpo minhas pernas ágeis
E neste enleio vibras e estremeces

Duas bocas, duas flores desabrochadas
Entre beijos e gemidos, unidas...
Mistura-se o néctar, o sangue cálido...

Após... - amado meu, abre teus olhos
E não, não digas nada, olha-me apenas
Enterra o teu olhar fundo no meu!

                                                                                           Mena




terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Partes com gaivotas



Partes com gaivotas
Velas ao vento
Navio sem leme nem marinheiro.

Cerro os olhos e sonho:
Pinto no teu rosto
Uma boca ávida
De beijos dóceis e quentes.

Desenho o teu corpo
Que volita colado ao meu
Lençol de seda
Sobre a minha pele, a tua.

Das árvores retiro a cor
Com que tinjo os teus olhos
Espelho de águas serenas.

As aves voam alto, aceno-lhes
Peço-lhes que te devolvam
Pois ficaram por colher
As cores que a Primavera trouxe.


Aqui: só eu e a solidão
Vagueio
Sem ti, tudo é escuridão!

Enxugo uma lágrima tua
Que me cai sobre o rosto.
Abro os olhos e vejo-me
No verdor que em mim vertes.
E leio a ternura
Que irrompe da nascente
Que são os olhos teus.

Mena