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segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Gigante Adamastor


Tens aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e também aqui tudo sobre o episódio do Adamastor d' Os Lusíadas.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal, Dia de Camões


Ao Desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

Paráfrase do episódio do Adamastor

(Canto V)

37

Tinham passado cinco dias de navegação com ventos favoráveis quando, de repente, numa noite viram formar-se sobre as suas cabeças uma nuvem que escurecia os céus.

38

A nuvem era tão escura e carregada que inspirava um grande medo. Ouvia-se ao longe o estrondo das vagas contra os rochedos.

"Meu Deus - exclamei eu - que ameaça ou que segredo este mar nos mostra, que parece ser coisa pior que um temporal?"

39

Ainda eu não tinha acabado de dizer isto e já uma figura enorme, gigantesca e horrenda se erguia diante de nós. Tinha o rosto sombrio, a barba esquálida, os olhos encovados, a cor terrena e pálida, a postura era medonha e má, os cabelos cheios de terra e crespos, a boca era negra e os dentes amarelos.

40

Era tão grande que, posso assegurar-te, era um segundo colosso de Rodes, que foi uma das sete maravilhas do mundo.

Falava com um tom de voz horrendo e grosso, que parecia vir do fundo do mar. Arrepiavam-se as carnes e os cabelos só de o ouvir e ver.

41

E disse em tom irado: "Ó gente ousada, mais do que qualquer outra que tenha praticado grandes feitos! Tu, que nunca repousas dos trabalhos e das guerras, atreves-te a ultrapassar os limites proibidos e a navegar nos meus mares que nunca ninguém sulcou:

42

pois vens desvendar os segredos da natureza e do mar que nunca nenhum mortal conheceu, ouve os castigos que eu reservo para punir o teu atrevimento quer no mar, quer na terra que, com dura guerra, virás a dominar.

43

Fica a saber que todas as naus que fizerem esta viagem me terão como inimigo e eu farei com que haja naufrágios, ventos e tempestades terríveis.

A primeira armada que por aqui passar receberá um castigo inesperado, mas destruidor.

44

Aqui espero vingar-me do primeiro que me descobriu.

E não será esse o único castigo da vossa temeridade; todos os anos vereis naufrágios, perdições várias e o menos doloroso dos males será ainda a morte.

45

Do primeiro fidalgo que teve o título de Vice-rei, serei eterna sepultura.

Aqui deixará os troféus das suas vitórias sobre os turcos; aqui se vingarão dele as cidades de Quíloa e Mombaça.

46

Também um outro homem ilustre, na companhia da formosa dama que o Amor lhe deu, escapará vivo de um naufrágio, para encontrar em terra a morte com grande sofrimento.

47

Depois de terem caminhado muito tempo pela areia ardente, verão morrer os filhos de fome, verão os Cafres roubar à esposa os vestidos que a cobriam, até a deixarem exposta ao calor, ao frio, ao vento, inteiramente nua.

48

E, os que escaparem, verão os míseros amantes morrer abraçados na mesma sepultura, depois de lágrimas e lamentos que comoveriam as próprias pedras."

49

O monstro horrendo continuava a vociferar os nossos destinos quando lhe perguntei: "Quem és tu?"

Retorceu os olhos, deu um espantoso brado, como se a pergunta lhe tivesse doído, e respondeu:

50

"Eu sou aquele oculto e grande cabo que se estende em direcção ao Pólo Sul, desconhecido dos grandes geógrafos da antiguidade e a quem a vossa ousadia muito me ofende!

Aqui termino toda a costa africana.

51

Fui um filho da Terra, do mesmo modo que o foram os Gigantes revoltados.

Chamo-me Adamastor, e estive na guerra contra Júpiter; não fui dos que colocaram monte sobre monte para chegar ao céu, mas andei no mar, em guerra contra Neptuno.

52

Foram os amores da esposa de Peleu que me fizeram tomar tão grande empresa.

Desprezei outras deusas do céu para amar só a princesa das águas. Vi-a uma vez, na companhia da Nereides, sair nua das águas, e logo senti um desejo que ainda agora dura.

53

Como não era possível conquistá-la, dado que sou muito feio, resolvi tomá-la pela força das armas, e expus o assunto a Dóris. Esta fala-lhe, mas ela respondeu-lhe com um sorriso: "Qual será o amor da deusa que aguente o dum gigante?

54

...mas, para evitar a guerra, procurarei uma forma de, respeitando a honra, evitar prejuízos", respondeu-me Dóris. Fiquei convencido e, ingenuamente, desisti da guerra. Como são cegos os amores! Fiquei cheio de desejo e de esperanças.

55

E numa noite prometida por Dóris, aparece-me ao longe o vulto de Tétis, única, despida.

Corro para ela como louco, abraço-a e beijo-lhe os olhos, as faces, os cabelos.

56

Ó! Tenho até vergonha de o contar: julgando ter nos braços quem amava, encontrei-me abraçado a um duro monte, e em vez de apertar seu rosto angélico, tinha um penedo nas mãos e eu próprio transformado em penedo.

57

Ó formosa ninfa! Já que a minha presença não te agradava, que te custaria manter-me nesta ilusão, fosse ela monte, nuvem, sonho ou nada?

E fujo, quase louco, do desgosto e do vexame ali sofridos, a procurar outro mundo onde ninguém da minha dor se risse.

58

Já então meus irmãos tinham sido vencidos e transformados em montes e também eu, como contra o céu não há defesa, comecei a sentir o castigo dos meus atrevimentos,

59

A carne é agora terra dura; os ossos fizeram-se penedos. Estes membros que aqui vês e esta figura estendem-se pelo mar. Enfim, transformei-me neste cabo. E, para ainda mais me magoar, cerca-me Tétis nestas águas.

60

E, dizendo isto, com um medonho choro, o Adamastor desapareceu diante dos nossos olhos. Desfez-se a nuvem negra e o mar soou lá longe. Eu pedi a Deus que removesse as trágicas profecias do Adamastor.



Trabalhinho:

Brinco

Este é o trabalho que tenho entre mãos e venho propor-vos um desafio: O que é que vai sair daqui? Este bordado é para quê? Quem adivinhar receberá um presente mym. Que tal? Aceitam ou não?
Podem passar o desafio, assim haverá mais gente a tentar acertar! O presente vale mesmo a pena!

Meninas, algumas de vós estão bem perto de fazer bingo. Vá lá, não desistam!

Aqui fica mais um bocadinho:



A Mena na cozinha

Lombo assado no forno

1 lombo de porco
sal
pimenta
alho em pó
massa de pimentão
azeite

Barre a carne com sal, pimenta, alho em pó e massa de pimentão. Coloque num pirex um pouco de azeite no fundo para a carne não se colar. Disponha a carne sobre o azeite e regue-a generosamente com azeite.

Leve a carne ao forno e deixe cozinhar a 180º.

Sirva com esparguete ou fitas e com uma boa salada.
Bom apetite!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Adamastor e o Mostrengo

Óleo de Carlos Alberto Santos


O Adamastor e o Mostrengo


"Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,

A boca negra, os dentes amarelos.



"Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.



O Mostrengo


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»


«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»


Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»


O Mostrengo é o símbolo das histórias fantásticas que se contavam e que amedrontavam mesmo os mais corajosos.
O «Homem do leme» representa todo um povo que quer dominar os mares...
Esta poesia assenta, curiosamente, no simbolismo do número três: o Mostrengo voou três vezes, chiou três vezes e rodou três vezes em redor da nau.
O homem do leme ergueu as mãos três vezes, repreendeu-as três vezes, temeu três vezes e disse três vezes a expressão «El-Rei D. João II».
É de notar ainda que este poema é constituído por três estrofes, tendo cada uma nove versos (3 x 3 versos).
O número três representa uma ordem espiritual e intelectual, em Deus, no Universo e no Homem.


O poema simboliza o medo do desconhecido, do mar intransponível e perigoso que os navegadores portugueses tiveram de vencer para da lei da morte se libertarem. A coragem dos portugueses é, segundo Fernando Pessoa, ordem do rei D.João II. Segundo consta: quando Gil Eanes voltou de uma tentativa falhada de dobrar o Cabo Bojador, o Infante mandou-o voltar para tentar novamente e o navegador venceu o temor para não desagradar ao seu bondoso patrono. Mas com D.João II o trato era diferente, porque ele não admitia que aqueles em quem confiava falhassem. Assim, os comandantes preferiam enfrentar todos os dragões e monstros do mar à fúria do seu rei e senhor e, por isso, o poema encerra também uma ironia - a natureza da "vontade" que ata o homem do leme à rota é que o medo de desagradarem ao rei é maior do que o terror do mar ignoto!


Voltarei mais tarde a este poema de Fernando Pessoa, agora interessa mais pensar na intertextualidade entre este texto e o de Camões.


O Mostrengo, tal como o poeta da Mensagem o elaborou, não existiria, se não tivesse existido o Adamastor de Camões. Estes textos assemelham-se mais ao nível do conteúdo épico: n’Os Lusíadas, no episódio do Adamastor, surge a força invencível do mar e, em O Mostrengo, a vontade férrea de um marinheiro que representa a força de um povo que quer o mar. Ambos pretendem elevar os portugueses ao nível da heroicidade. Camões criou o Adamastor, como uma figura humana de proporções descomunais e de aspecto medonho, personificação dos perigos e dos medos do mar e Fernando Pessoa optou por imaginar o Mostrengo, fazendo-o símbolo do terror que o mar destila. A figura criada por Camões aterroriza sobretudo pelas proporções gigantescas e pela forma estranha; o símbolo criado por Pessoa atemoriza mais pelo aspecto repugnante do que pelo tamanho. Camões criou uma figura simbólica para personificar o terror do mar. Reparem, porém, na originalidade da réplica de Pessoa: enquanto Camões criou uma expressiva personificação que inspira sobretudo medo, Pessoa criou um símbolo que indica ao mesmo tempo medo e repugnância. Fernando Pessoa foi mais simbolista que Camões, o que não admira, já que os dois poetas se situam em épocas bem diferentes. Pela mesma razão, o texto de Pessoa é mais curto que o de Camões e, por isso mesmo, mais denso, mais simbolista, sendo nele mais importante o que se sugere do que o que se afirma mais claramente.

Há no texto de Pessoa mais verosimilhança ao colocar “o homem do leme” ao serviço de D. João II, pois sabemos que foi neste reinado que se ultrapassou o Cabo das Tormentas, símbolo do mar intransponível. Ao contrário no episódio do Adamastor, o interlocutor do Gigante é Vasco da Gama, ao serviço do rei D. Manuel I.

O poema de Fernando Pessoa é mais profundamente épico-dramático, porque centra a emoção sobretudo na pessoa do homem do leme que evoluciona do medo para a coragem e ousadia. A força épica do Adamastor dilui-se um pouco no lirismo da segunda parte do seu discurso, em que o Gigante, ao longo de uma impressionante história de amor, se considera um herói frustrado. A maior força épica do texto de Pessoa está também nisto: o terror e repugnância do monstro parecem esbater-se à medida que cresce a força e coragem do marinheiro, cuja determinação heróica, na sua última fala, faz esquecer as atitudes medonhas do mostrengo. Aqui é o monstro que é vencido pela coragem do marinheiro; no episódio do Adamastor, é ele que se declara um herói vencido pelos males de amor. No episódio de Camões a tensão dramática e a força épica diluem-se bastante na medida em que o poeta transpõe a tensão emocional do marinheiro para o gigante.

A nível lexical, o maior sinal de intertextualidade encontra-se nas expressões que caracterizam o gigante (horrendo e grosso) e do mostrengo (imundo e grosso). Os dois poetas usaram o adjectivo “grosso” para nos dar a ideia de “monstro feio”, mas Pessoa preferiu imundo a horrendo, ambos são, no entanto, dois latinismos bem expressivos.

Para concluir, a sombra de Camões projecta-se claramente neste poema, não quer dizer que haja falta de originalidade no poema de Pessoa, considerado superior ao nosso poeta épico em densidade épico-dramática. As diferenças explicam-se pelas diferentes épocas em que os dois poetas escreveram.


A Mena na cozinha

Massa com atum e alcaparras

1 cebola

1 dente de alho

3 latas de atum

1 frasco de alcaparras

Molho bechamel

Sal

Pimenta

Tomilho

Azeite


Num tacho aloure em azeite a cebola e o dente de alho picados.

Junte o atum escorrido,

as alcaparras e um pouco de molho béchamel e envolva bem. Tempere com sal, tomilho e pimenta.

Misture neste molho a massa cozida (esparguete, fitas ou outra) e sirva bem quente.

Bom apetite!



Trabalhinho e desafio:


Este é o trabalho que tenho entre mãos e venho propor-vos um desafio: O que é que vai sair daqui? Este bordado é para quê? Quem adivinhar receberá um presente mym. Que tal? Aceitam ou não?
Podem passar o desafio, assim haverá mais gente a tentar acertar! O presente vale mesmo a pena!