Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
sábado, 20 de junho de 2015
A Rita na cozinha - Salada Primavera
sábado, 29 de maio de 2010
"We are so different... but still we are the same."
A palavra poética
São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Este poema é constituído por quatro estrofes, duas sextilhas e duas quadras. Existe apenas uma rima cruzada, pobre e consoante. Todos os outros versos são soltos ou brancos. O poema divide-se em duas partes: a primeira constituída pelas primeiras três estrofes e a segunda pela última. Na primeira parte, o sujeito poético descreve as palavras e na última põe uma série de interrogações – perguntas retóricas - chamando a atenção do leitor para o seu papel de descodificador.
As palavras são comparadas com um cristal, pois estas, como os cristais, podem adquirir vários significados (polissemia), podem ser claras, transparentes, belas, brilhantes... são “multifacetadas”. As palavras são ainda identificadas com um punhal, significando toda a agressividade, dor e sofrimento que podem carregar; um incêndio, pois podem queimar, destruir; e finalmente como orvalho “apenas”, palavras suaves capazes de despertar a calma, a brandura, o amor.
As palavras, diz na segunda estrofe, são essenciais na comunicação entre os seres humanos e intemporais, pois têm carregado através dos tempos as histórias e os segredos dos homens. Mas as palavras também causam insegurança e agitam as pessoas, fazendo-as estremecer como os barcos, que agitam as águas e os beijos que também fazem estremecer.
Na terceira estrofe, o sujeito lírico atribui algumas características às palavras: desamparadas, inocentes e leves. São características que conferem alguma fragilidade às palavras, mas não nos devemos esquecer que as palavras podem ser usadas de várias formas, com vários tons, uma palavra “leve” e “inocente” pode ofender, caluniar... “Tecidas são de luz / e são a noite” - esta metáfora antitética alerta-nos para a conotação das palavras: há palavras que surgem cobertas de luz, são claras, transparentes, mas estas mesmas palavras podem também ser a noite, podem ser negras, escuras, sombrias. “E mesmo pálidas / verdes paraísos lembram ainda”- nestes versos, o eu lírico afirma que as palavras podem não ser intensas nem coloridas, mas ainda assim podem ser aprazíveis e alegres, lembrando o paraíso.
O poema termina com duas interrogações retóricas. O sujeito poético chama assim a atenção do leitor, dizendo-lhe que deve interpretar as palavras de acordo com a sua experiência de vida, com o seu modo de sentir, é o leitor que vai receber as palavras nas suas conchas puras, atribuindo-lhe um sentido.
Figuras de estilo presentes no poema:
- comparação: “São como um cristal, as palavras.” ;
- metáfora – “Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam (…).”, “Tecidas são de luz”, “ (…) são noite.”;
- antítese – “Tecidas são de luz e são noite.”;
- enumeração – “(…) cruéis, desfeitas (…).”, “Desamparadas, inocente, leves (…)”;
-interrogações retóricas – Quem as escuta? Quem as recolhe (…) nas suas conchas puras?”.
- hipérbato – “São como um cristal, as palavras.”
Trabalhinho: brincos feitos pela minha filhota.
Salada Primavera
1 lata de jardineira
1 vermelho
pepinos de conserva
1 lata de cogumelos laminados
3 ovos cozidos
3 latas de atum
sal
pimenta
Bom apetite!
segunda-feira, 23 de junho de 2008
"São João dá cá um balão para eu brincar!"
São João do Porto é uma festa que nasce espontaneamente, nada se encontra combinado, a festa vai-se preparando discretamente durante o dia. O jantar é constituído por sardinhas assadas, batatas cozidas e pimentos ou entrecosto e fêveras de porco grelhados, qualquer dos pratos bem acompanhado de óptimas saladas e regado com vinho verde ou cerveja. Findo o jantar, os grupos de amigos começam a encontrar-se, organizando as rusgas de São João. Antigamente, as pessoas muniam-se de alhos-porros e molhos de cidreira, actualmente as armas são martelos de plástico, duros e ruidosos que já fazem parte da tradição. O São João do Porto é uma festa em que ricos e pobres convivem durante toda a noite. A festa estende-se pelos vários bairros, onde as várias comissões organizadoras mantêm bailes animados até altas horas da madrugada. No tempo áureo do alho-porro quem chegasse ao Porto, vindo de fora, estranharia o odor espalhado pela cidade: por todo o lado cheirava a alho.
Nos dias de hoje, o São João espalhou-se por toda a cidade, vai às discotecas, aos pubs e aos restaurantes.
Mas há tradições que ainda se mantêm: a venda de manjericos em barracas ou espalhados pelo chão, as tendas das fogaças, as farturas, o algodão doce, as pipocas, as barracas da sardinha assada e dos comes e bebes. Os matraquilhos, os carrosséis, as pistas dos carros, as tendas de venda das louças de barro, das cutelarias, o tiro ao alvo e as tômbolas. Durante toda a noite, centenas de balões são lançados ao céu e muito fogo-de-artifício é queimado, mas o mais bonito é à meia-noite. No fim, já pela manhã é ver os foliões a entrar nas padarias à procura do pão acabado de cozer, ainda quentinho para confortar as barrigas antes de um merecido descanso.
Tradições do São João
Beja:
Numa tábua, fazem-se 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses.
Passa-se depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixa-se ficar toda a noite ao relento.
Antes de o sol nascer, examina-se a tábua: os montinhos de sal que estão mais húmidos correspondem aos meses em que choverá mais.
Trás-os-Montes
As raparigas cortavam as pontas do cabelo e, antes de nascer do Sol, colocavam-nas sobre uma silva mansa. Acreditava-se que esta prática fazia com que as pontas não voltassem a espigar.
Na noite de São João, a rapariga que quiser conhecer o seu futuro noivo, deverá pôr a mesa com pratos, talheres e comida para dois. À meia-noite, quando começar a comer, no lugar vazio, vislumbrará a figura do futuro noivo.
Algarve
Segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes e as crianças saltavam a fogueira. Os rapazes para se tornarem homens adultos e as crianças para ficarem protegidas das doenças.
As mães passavam por cima das chamas as crianças doentes ou fracas e todos deveriam dizer, quando saltavam a fogueira:
"Fogo no sargaço,
saúde no meu braço.
Fogo no rosmaninho,
saúde no meu peitinho."
A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Diz-se que as "mouras encantadas" deixam a forma de cobras, com que vivem todo o ano, e vêm à tona da água com figura humana.
Na madrugada de São João, vão as mouras estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passar e apanhar os figos, mas não os comer, estes transformar-se-ão em tesouros verdadeiros.
Se a pessoa os apanhar e os comer, estes reduzir-se-ão logo a carvão.
Pimento vermelho assado
Cenoura
Milho
Ovos
Atum
Ananás
Queijo
Tomatinhos
Azeitonas
Maionese
Este miminho foi-me oferecido por esta menina.
Aqui fica para quem quiser levar!Toalha toda em renda, feita em parceria com a minha mãe.
