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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Compras a preto e branco…

No Domingo, fui às compras com os meus filhos. Depois de enchermos o carrinho com os bens essenciais, demos uma voltinha pelo supermercado para vermos as novidades. Começámos pelo cantinho dos livros, revistas, jornais… A M. escolheu um livro, “História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar e L. decidiu que deveria acabar de ler o livro que tem entre mãos, “O pecado de Darwin”, antes de se embrenhar em novas aventuras.
De repente, a M. olhou para o lado e disse:
- Que louça espectacular!
O irmão concordou logo e disse que já estava a imaginar a mesa posta a preto e branco: pratos rasos pretos, pratos de sopa brancos, copos pretos, pratos de sobremesa brancos, taças pretas, saladeira branca… toalha preta com motivos brancos, bordados ou pintados, bases para as travessas e a terrina também decorados a preto e branco
- Estás a ver, mãe, diz lá que não ficava o máximo? – dizia, toda entusiasmada, a M. que ensaiava já em cima de uma prateleira o conjunto.
- Olha, compramos a pouco e pouco, tu bordas a toalha, ou pintas, decoras as bases…
Eu não estava muito convencida: pratos pretos? Toalha preta? Começava já a imaginar os comentários do Z., da minha mãe e do meu pai, um pouco avessos a certas modernices.
- Meninos, não sei se será uma boa ideia…
Nem me deixaram acabar, quatro pratos de cada para começar, taças, copos… Tudo a preto e branco!
Chegados a casa, foram logo pôr a mesa, claro que a toalha ainda não foi bordada, mas vai ser, logo que tenha tempo… A M. até já pensou num desenho…
Afinal, o Z. adorou a mesa a preto e branco e os meus pais acharam que estava bonita. Diferente, mas bonita!

Agora, é pôr mãos à obra e bordar a toalha a branco. O desenho idealizado pela M. vai ficar lindo! Depois, mostro-vos.

Entretanto, já decorei as bases, cá estão elas…

História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voaré uma fábula em que as personagens são gatos e gaivotas. É a história do Zorbas, gato grande, preto e gordo, que mora numa casa perto do porto de Hamburgo. Numas férias, Zorbas fica em casa, sozinho, e estava a apanhar sol na varanda, quando lhe cai ali, mesmo à sua frente, uma gaivota moribunda. Esta, depois de ser apanhada pela maré negra, perde-se do seu bando e o seu último destino é a varanda do Zorbas. Porém, antes de morrer, põe um ovo e faz dois pedidos ao grande gato: este deverá tomar conta da gaivotinha, quando esta nascer e deverá ensiná-la a voar. Zorbas concorda, sem se aperceber da grande responsabilidade que era educar uma pequena ave.
E, assim, começa a sua grande aventura, querendo ser fiel à sua palavra, vai empenhar-se para cumprir a sua promessa.
Zorbas, até àquele momento, tinha tido uma vida descontraída e feliz, mas, agora, vê-se com a árdua tarefa de chocar um ovo. Quando a pequena gaivota nasce, chama mamã ao Zorbas, porque foi ele quem chocou o seu ovo e foi ele que ela viu primeiro.
O gato procura os seus amigos para que o ajudem a cuidar e a educar a pequena Ditosa. Os seus amigos são, Collonelo, um gato já com alguma idade, sempre pronto a dar um bom conselho; Secretário, o seu ajudante; Sabetudo, um gato muito inteligente; Barlavento, um gato marinheiro.
Com as enciclopédias do inteligente Sabetudo, a boa vontade de todos e o sentido do dever de cumprir a palavra dada, a todo o custo, este pequeno grupo de gatos, começa a difícil e delicada tarefa de educar a pequena gaivota. Todos se empenham para dar lições de sobrevivência a Ditosa, ensinam-na a voar e dão-lhe o amor e o carinho que a sua mãe não lhe pôde dar.
Ditosa é tão bem aceite no grupo e sente-se tão bem com os seus novos amigos que começa a achar que, também ela, é um gato. Assim, é com eles que ela quer ficar, é com eles que quer partilhar as suas aventuras e começa a lutar contra o esforço que os seus amigos fazem para a educar, para que se torne uma verdadeira gaivota.
Ditosa é, no entanto, uma gaivota e a sua verdadeira natureza começa a vir ao de cima e apesar da imensa vontade que tem de ficar com a sua “família”, seus amigos e companheiros, o desejo de abrir as asas e de voar também a invade e é muito mais forte. Então, numa noite chuvosa, Ditosa finalmente abre as suas asas, segue o seu destino e voa, deixando Zorbas com lágrimas nos olhos, mas feliz, porque a sua amiga segue o seu caminho.
É uma linda lição: o destino encarrega-se de juntar dois seres completamente distintos que, por causa de uma promessa, constroem uma bela amizade. Por outro lado, temos um grupo de amigos leais que, apesar de todas as dificuldades, ajudam Zorbas a cumprir uma promessa quase impossível de realizar.
Trata-se da história de uma linda amizade e de valores que já não vemos muito no nosso dia-a-dia, infelizmente. Podemos tirar a seguinte conclusão: “Querer é poder”.