O Diário
O diário inscreve-se, geralmente, no género narrativo e constitui-se como o registo de vivências, pensamentos, eventos e emoções quotidianos de um narrador que se exprime na 1ª pessoa (daí o predomínio da função emotiva) e que assume o seu diário como seu confidente, uma espécie de “amigo secreto”.
A datação surge como forma de organizar a narração intercalada e fragmentária dos factos imposta pelo ritmo quotidiano, apesar de ser possível uma leitura descontínua e desordenada do diário, sem prejudicar a sua compreensão.
De facto, o diário é íntimo, privado e secreto, no entanto, com a sua publicação, afigura-se igualmente como partilha a partir do momento em que se comunica com os outros, perdendo, assim, o seu estatuto de privado. Aliás, para os mais radicais a sua publicação é mesmo uma contradição.
As características essenciais que especificam cada diário têm a ver directamente com as motivações que o originam:
- uma situação anormal e impressionante (O Diário de Anne Frank)
- uma experiência profissional estimulante (Diário de Sebastião da Gama)
- como exercício intelectual: comentários de leituras, reflexões políticas, estéticas, morais, etc.; (Conta-Corrente I de Vergílio Ferreira)
- como anotação de incidentes ou impressões de uma viagem (Diário da Viagem de Vasco da Gama)
O Diário de Anne Frank
Com a chegada ao poder do partido nazi e o consequente agravamento das manifestações de anti-semitismo, na Alemanha, Anne Frank, em 1941, emigrou, com a sua família, de Frankfurt para Amesterdão, onde passou a viver confinada a um esconderijo.
Durante dois anos, esta jovem judia alemã escreveu um diário em que relatou a experiência da perseguição movida pelos nazis e os terrores que se abatiam sobre os que com ela partilhavam aquele pequeno espaço.
Esta família acabou por ser descoberta e transportada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde Anne e sua mãe viriam a morrer.
O Diário de Anne Frank encontra-se já traduzido em mais de trinta línguas e fez da sua jovem autora um símbolo do sofrimento dos inocentes perante a injustiça.
Sábado, 20 de Junho de 1942
Durante uns dias não escrevi nada porque, primeiro, quis pensar seriamente na finalidade e no sentido de um diário. Experimento uma sensação singular ao escrever o meu diário. Não é só por nunca ter “escrito”, suponho que, mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse nos desabafos de uma rapariga de treze anos. Mas na realidade tudo isso não importa. Apetece-me escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos.
“O papel é mais paciente do que os homens”. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos e sem saber o que havia de fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, a maior parte das vezes, ficava-me a cismar sem sair do sítio. Sim, o papel é paciente! E não tenciono mostrar este caderno com o nome pomposo de “Diário” seja a quem for, a não ser que venha a encontrar na minha vida o tal “grande amigo” ou a tal “grande amiga”. (...)
E pronto!, cheguei ao ponto principal de todas estas considerações: não tenho uma verdadeira amiga! (...) Com todos os meus numerosos conhecidos, só consigo fazer tolices ou falar sobre coisas banais. Não me é possível abrir-me, sinto-me como que “abotoada”. Pode ser que esta falta de confiança seja defeito meu. Mas não há nada a fazer e tenho pena de não poder modificar as coisas.
Por tudo isto é que escrevo um diário. E para evocar na minha fantasia a ideia da amiga há tanto tempo desejada, não quero, como qualquer pessoa, assentar só factos. Este diário é que há-de ser a minha amiga, e vou-lhe pôr um nome. Essa amiga chama-se Kitty.
O Diário de Anne Frank
Principais características do diário
- narrador que se assume na 1.ª pessoa (pronomes, formas verbais…)
- fórmulas de saudação e despedida
- datação
- marcas do tom coloquial (que denota a “presença” de um interlocutor e a cumplicidade existente entre escritor e leitor)
- marcas de oralidade (recurso ao discurso directo)
- utilização da função da linguagem emotiva
- o registo do quotidiano
- o diário como uma forma de desabafo/alívio
- relato de vivências, pensamentos, emoções e sentimentos
- privacidade, intimismo, secretismo
- confessionalismo
- criação de um destinatário ficcional
Rolinhos de frango no forno
tiras de entremeada fininhas
pimenta
sal
alecrim
4 ou 5 tomates maduros ou concentrado de tomate
1 cebola
2 dentes de alho
1 malagueta grande
cebolinho
pimento verde, vermelho, amarelo, laranja
salsa
1 dl de vinho branco
azeite
Num pirex, faça uma cama com um pouco de cebola às rodelas, alho picado, salsa, malagueta e cebolinho cortado aos pedacinhos.
Bom apetite!
Trabalhinho:
Este miminho veio daqui. Aqui fica para o quem quiser levar!
