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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Retrato


O retrato



"Descalça vai pera a fonte" - o retrato


O retrato consiste na descrição física e/ou psicológica que alguém faz de uma pessoa, objecto ou animal.



Tal como o auto-retrato, o retrato pode:


- ser reproduzido por meio de uma fotografia, uma pintura, um desenho ou de uma descrição verbal.

- ser reproduzido numa perspectiva estática/ dinâmica; objectiva/subjectiva; geral/pormenorizada.

- assentar na selecção de características físicas, psicológicas e sociais.



Características psicológicas


As características psicológicas de uma personagem são aquelas que nos permitem conhecer o seu aspecto interior, evidenciando a sua personalidade. Ex: comportamento intelectual e emocional; atitudes e pensamentos.



Características sociais


As características sociais de uma personagem são aquelas que permitem caracterizar os aspectos que a rodeiam e que podem condicionar a sua personalidade. Ex:meio ambiente, profissão e hábitos.



Descalça vai pera a fonte


Mote


Descalça vai pera a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Voltas


Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina
escarlata,
Sainho de chamalote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa, e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado,
Fita de cor encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa, e não segura.

Luís de Camões



Este é um poema descritivo, cujo objecto de descrição é Lianor, e que pode ser salientado pela sua dimensão pictórica. De facto, Lianor é caracterizada com pormenor e podemos até visualizá-la mentalmente. No poema está sublinhada a caracterização física de Lianor.


No mote encontramos uma descrição generalizada de Lianor. Já nas voltas, a substituição de complementos circunstanciais de lugar para onde (“pêra a fonte”) e por onde (“pela verdura”) por complementos circunstanciais de lugar onde (“na cabeça”; “nas mãos”) contribuem para uma perspectiva mais estática e para uma descrição cada vez mais pormenorizada, constituindo uma espécie de ponto focagem que se vai aproximando cada vez mais.



No poema, há elementos componentes do retrato que dão uma visão popular de Lianor: “descalça”, “Leva na cabeça o pote”, “Sainho de chamalote”, “Traz a vasquinha de cote”.



Visão petrarquista


Segundo Petrarca (1304-1374), a mulher ideal era dotada de todas as perfeições terrenas: cabelos de oiro, olhar brando e sereno, gestos graciosos, riso subtil, olhos verdes ou azuis, tez branca.


Elementos componentes do retrato que dão uma visão petrarquista de Lianor: “mãos de prata”, “Chove nela graça tanta”, “Cabelos d’ouro o trançado”, “fermosa”, “Tão linda que o mundo espanta!”, “Que dá graça à fermosura”.


O retrato da mulher que aqui encontramos é predominantemente físico e apenas há a indicação de uma característica psicológica - “não segura”.


Porque é que Lianor se nos afigura "não segura"?


- Lianor afigura-se-nos não segura, porque a sua beleza é esplendorosa, qualidade que pode atrair as atenções dos homens e, deste modo, expor a donzela aos caprichos e perigos do Amor.



Podemos ainda adivinhar algumas características do foro psicológico que estão associadas à simbologia das cores da sua indumentária e dos objectos que traz consigo:


- o verde = a natureza e a alegria propícias ao estado de enamoramento

- o vermelho = a paixão ou o amor

- o dourado = o esplendor e o brilho da beleza de Lianor

- o prateado e branco = a pureza, a virgindade e a inocência.


Desta análise, podemos concluir que o poema retrata uma jovem cujas principais características são a pureza e a inocência.



Processos linguísticos típicos da descrição de um retrato


O tema deste poema camoniano é a exaltação da beleza de Lianor através da sua descrição de forma hiperbólica:


- “mais branca que a neve pura”;

- “tão linda que o mundo espanta!”;

- “Chove nela graça tanta”;

- “que dá graça à fermosura”



A descrição assenta sobretudo no poder representativo do léxico, daí o predomínio de nomes e seus respectivos adjectivos ou complementos do nome e de recursos expressivos como a metáfora e a comparação, que têm neste poema a função de associar aspectos de objectos diferentes. Eis mais alguns processos linguísticos típicos da descrição de um retrato:


Comparação – “mais branca que a neve pura”

Metáfora – “ cabelos d’ouro”; “Chove nela graça tanta”; “mãos de prata”

Complementos do nome – “d’ouro”; “de prata”; “de fina escarlata”; “de cor d’encarnado”

Nomes – “fermosura”; “cabeça”, “neve”, “cabelos”; “graça”; “mãos”

Adjectivos – “descalça”; “(não) segura”; “linda”; “fermosa”; “pura”; “branca”



Como construir um retrato?


Retrato – texto em que se representa verbalmente uma personagem.


Introdução


-Indicar a personagem a descrever.

-Situar a personagem relativamente ao espaço.

-Assumir um tipo de registo: objectivo/subjectivo.



Desenvolvimento


-Caracterizar a personagem tendo em conta:

- uma perspectiva fixa/móvel;

- uma perspectiva geral/de pormenor.


-Apresentar globalmente a personagem através de traços dominantes

ou

-Seleccionar traços particulares distintivos, relativos ao aspecto físico, aos sentimentos e ao comportamento.


-Caracterizar cada um dos aspectos seleccionados (a cor dos olhos, a expressão do olhar, o feitio dos lábios, o tom da voz...)

-explorando características pelas diferentes cores;

-usando:


- um vocabulário sugestivo,

- outros recursos expressivos de modo a permitir que o leitor visualize o que escreves (associando as partes da personagem ou suas características a construções comparativas, metafóricas, etc.).



Conclusão


- Apresentar globalmente as qualidades/características apresentadas.

- Adiantar uma visão de conjunto.



Não Esquecer!


- Construir parágrafos de acordo com a ordem das observações.


- Evitar a repetição dos verbos ser e ter.


- Utilizar predominantemente os tempos verbais típicos da descrição: o presente e o imperfeito do modo indicativo.


- Ao passar o texto a limpo ter em conta:

- a pontuação

- a ortografia

- a apresentação gráfica.



A caricatura


A caricatura consiste no retrato de alguém ou de algum acontecimento que assenta no exagero cómico de alguns traços distintivos ou na sátira. Por exemplo, no caso das caricaturas de personalidades conhecidas, o caricaturista satiriza-as exagerando os seus traços físicos mais particulares para que estes também remetam para traços de cariz psicológico, ideológico, afectivo e de temperamento.

A linguagem, tal como as artes plásticas, também consegue caricaturar, por exemplo, através da ironia.





A Mena na cozinha

Arroz com curgete

1 curgete
1 chávena de arroz
2 chávenas de água a ferver
1/2 caldo (Knorr) para arroz
azeite
sal
pimenta

Deite um fio de azeite num tacho, deixe aquecer e junte o arroz. Frite-o durante uns minutos mexendo sempre. Adicione a água a ferver e o caldo para arroz. Tempere a gosto. O arroz coze em 8 minutos.

Entretanto, rale a curgete e leve a saltear numa frigideira com um pouco de azeite. Tempere com sal e pimenta. Junte ao arroz pouco antes de estar totalmente cozinhado e envolva

Sirva com douradinhos, panadinhos, bifes, peixe frito...
Bom apetite!


Trabalhinho:

Colar

Miminho

A Rebeca e o Jota Cê ofereceram-me este selinho!... Aqui fica para quem o quiser levar.