Discurso do Adamastor
Na primeira parte do seu discurso (de 41 a 48) o Adamastor apresenta-se como senhor do mar desconhecido (meus longos mares), ameaçando os portugueses, que queriam devassar os seus domínios secretos, e profetizando para eles castigos futuros. Surge, portanto, como um super-homem, quer no aspecto físico (focado atrás na caracterização directa feita pelo narrador quer no aspecto psicológico, conhecendo o passado dos portugueses e profetizando os seus desastres futuros.
Na segunda parte do seu discurso (de 49 a 59), o Adamastor, começando embora por referir a sua força física de super-homem, identificando-se o cabo Tormentório, ufanando-se da sua intervenção numa guerra entre deuses, sendo contra o próprio Júpiter e conseguindo o domínio dos mares logo que se abre em confidências acerca da sua vida sentimental, revela-se um herói frustrado nos seus amores, iludido a ponto de julgar que apertava a branca Tétis, quando abraçava um duro monte, castigado pelos deuses de tal maneira que converteram o seu gigantesco corpo no próprio Cabo Tormentório.
À realidade gigantesca do seu corpo de super-homem (1ª parte do discurso) sucede a fragilidade psicológica de um herói enganado e vencido que perde a sua própria individualidade transformando-se em penedos.
Intenção da 1ª parte do discurso do gigante:
A intenção da 1ª parte do discurso do gigante é demover os portugueses da viagem empreendida. O Adamastor começa por reconhecer a valentia dos portugueses, manifestada em muitas guerras, para logo lhes declarar que nunca os segredos do mar (os vedados términos do húmido elemento) foram a nenhum grande humano concedidos / de nobre ou de imortal merecimento. Após mostrar assim que não tinha havido precedentes em tal atrevimento, o gigante começa a agitar os castigos que vibrará sobre os transgressores: inimiga terão esta paragem, / Eu farei de improviso tal castigo / Que seja mor o dano que o perigo! / Que o menor mal de todos seja a morte! Note-se que os castigos apontados se sucedem em progressão ascendente de grandeza (dos apontados o pior é a morte, mas o poeta sugere outros males, não indicados, piores do que a própria morte). Os destinatários destes castigos são primeiramente apontados em abstracto (quantas naus esta viagem fizerem, inimiga terão esta paragem), sucedendo-se os casos concretos de vinganças sobre personalidades ilustres portuguesas: a primeira armada que passagem fizer... (a armada de Pedro Álvares Cabral), o primeiro ilustre (D. Francisco de Almeida), outro também virá (Sepúlveda) e consigo a formosa dama (esposa de Sepúlveda).
Esta progressão ascendente da gravidade dos castigos a vibrar sobre os transgressores e esta transição do plano geral para planos particulares (individuais) são processos estilísticos muito adequados a um discurso em que predomina a função apelativa da linguagem, que tinha por fim afastar, pelo medo, os navegantes daquelas paragens.
Simbologia do Episódio
Já no meio da viagem, os portugueses encontram-se face a face com o maior dos perigos e dos medos: o gigante Adamastor.
“O Adamastor” é um episódio simbólico e representa os perigos e as dificuldades que se apresentam ao Homem que sente o impulso de conhecer e descobrir. Só superando o medo, o Homem poderá vencer (princípio do Humanismo). O Adamastor é, portanto, uma figura mitológica criada por Camões como forma de concentrar todos os perigos e dificuldades a transpor pelos portugueses.
Repara que, depois da passagem do cabo pelos portugueses, este passou a designar-se de Cabo da Boa Esperança.
Perpassa neste episódio a mentalidade renascentista: o homem afirma-se vencendo com o vigor físico e intelectual as forças cósmicas que continuamente o limitam. A destruição completa do gigante simboliza o completo domínio dos mares pelos portugueses. O Adamastor surge, no fim, como anti-herói, para dar lugar a heróis de carne e osso, a heróis reais, do tamanho do homem. A sequência gradativa verificada no verso «Ou fosse monte, nuvem, sonho, ou nada»: monte é o material, a natureza real que limita o homem; nuvem é material, mas menos palpável; sonho é o imaterial; nada é o zero absoluto, o aniquilamento.
O Adamastor, enquanto foi realidade, foi um monte, ele identificou-se com o cabo das Tormentas (eu sou aquele oculto e grande cabo). Este cabo constituía o ponto mais difícil de dobrar. À medida que a força do gigante se vai desvanecendo, até chegar a nada (anti-herói) a vitória dos portugueses (heróis) vai estando mais próxima, até chegarem à Índia. Nota que, quando o gigante desaparece dos olhos dos marinheiros, o poeta acrescenta: e cum sonoro bramido muito longe o mar soou. Isto é, a figura simbólica (o Adamastor) reduziu-se a zero, mas a coisa simbolizada, o mar terrível, estava ainda a bramir. Mas os portugueses, vencedores desse mar, seguiam vitoriosos.
O significado simbólico deste episódio foi ainda realçado pelo facto de o poeta o ter colocado no centro do canto V que é também o centro d'Os Lusíadas. Deste modo, o episódio do Adamastor, em que se associam admiravelmente a realidade (perigos do mar) com o maravilhoso (profecias), em que não falta mesmo uma fantasiada história de lirismo amoroso, em que é simbolizada a vitória do homem sobre os elementos cósmicos adversos, constitui uma espécie de abóbada da grande catedral que é o poema.
A Mena na cozinha
Sopa de alface
1 alho francês
1 cebola
1 fatia de abóbora
4 cenouras
1 dente de alho
1 alface grande
sal
pimenta
azeite
Reduza tudo a puré com a varinha mágica.
Bom apetite!
Trabalhinho:
Este selinho foi-me oferecido pela Siry! Obrigada, amiga, por te lembrares sempre de mim! Deveria escrever catorze coisas que me fazem feliz, mas como o tempo é curto, deixo isso para outra altura. Vou ver testes, composições e coisas assim...
Quem quiser levar este mimo lindo...