A poesia de Rui Barbosa (poeta brasileiro), apresentada a seguir,
poderia ter sido escrita hoje, sem mudar uma palavra.
SINTO VERGONHA DE MIM
Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!
'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.
Rui Barbosa
Rui Barbosa é uma das personagens mais conhecidos da história do Brasil. Nascido na Bahia, em 5 de Novembro de 1849, fixou-se no Rio de Janeiro em 1879, ao ser eleito para a Assembleia Legislativa da Corte Imperial.
Ganhou prestígio como orador, jurista e jornalista defensor das liberdades civis e foi por duas vezes, candidato à Presidência da República.
Estudioso da língua portuguesa, presidiu a Academia Brasileira de Letras após a morte de Machado de Assis. Em 1907, representou o Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz em Haia e, já no final de sua vida, foi eleito Juiz daquela Corte Internacional.
A casa em que viveu de 1895 a 1923, ano de sua morte, foi adquirida em 1924, com todo o seu acervo pelo governo brasileiro. Desde 1930, é o Museu Casa de Rui Barbosa, que conserva os móveis e objectos da família, a biblioteca de Rui e sua extensa produção intelectual, reunida em arquivos.A Mena na cozinha
Bifes de atum com pêras
4 dentes de alho
sumo de dois limões
brócolos
4 pêras rocha
2 colheres de sopa de azeite
sal
pimenta
azeite
açúcar
Coza os brócolos com água temperada com sal.
Corte as pêras em gomos e leve-as ao lume com as duas colheres de azeite. Deixe-as alourar. Quando estiverem douradas, polvilhe com uma colher de açúcar e deixe caramelizar.
Frite os bifes de atum em azeite. Regue-os com o restante sumo de limão e deixe apurar um pouco (em vez do sumo de limão pode juntar a marinada). Retire do lume.
Bom apetite!
Trabalhinhos:
Este foi-me oferecido pela Sónia. Obrigada, amiga!