Mostrar mensagens com a etiqueta O diário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O diário. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diário da Viagem de Vasco da Gama à Índia




O diário de bordo


Excertos do Diário da Viagem de Vasco da Gama


1 - Esta cidade de Calecute é de cristãos, os quais são homens baços; e andam, dêles, com barbas grandes e os cabelos da cabeça compridos, e outros trazem as cabeças rapadas, e outros tosquiadas.

E trazem em a moleira uns topetes; por sinal que são cristãos, e nas barbas bigodes; e trazem as orelhas furadas, e nos buracos delas trazem muito oiro.

E andam nus da cinta para cima; e para baixo trazem uns panos de algodão muito delgados. E êstes que assim andam vestidos são os mais honrados; que os outros trazem-se como podem.

As mulheres desta terra em geral são feias e de pequenos corpos, e trazem ao pescoço muitas jóias de ouro, e pelos braços muitas manilhas; e nos dedos dos pés trazem anéis, com pedras ricas.

Tôda esta gente é de boa condição, e são maviosos, quanto ao que parecem; e são homens que, segundo a primeira face, sabem pouco e são muito cobiçosos.


2 - Ao tempo que nós chegámos a esta cidade de Calecute, el-rei estava dela quinze léguas; e o capitão-mor mandou lá dois homens, pelos quais lhe mandou dizer que um embaixador de el-rei de Portugal estava ali, e que lhe trazia cartas dêle; e que, se ele lhas levaria lá onde êle estava.

O qual rei, como viu o dito recado do capitão, fêz mercê, aos dois homens que lho deram, de panos muito bons. E mandou-lhe dizer que êle fosse mui benvindo, e que logo se vinha a Calecute; como de feito logo partiu, com muita gente depós si.


baços – morenos

topetes – poupas

trazem-se – trajam-se

manilhas – pulseiras

maviosos – afectuosos


Diário da Viagem de Vasco da Gama, Civilização Editora


No primeiro excerto do Diário da Viagem de Vasco da Gama, o sujeito vai anotando as impressões que a gente de Calecute lhe desperta, expressando poucas vezes a sua opinião:


- “As mulheres desta terra em geral são feias”


- “Toda esta gente é de boa condição!


- “são maviosos”


- “sabem pouco”


- “ são muito cobiçosos”


Como se pode verificar, no primeiro excerto, ao contrário dos textos de Sebastião da Gama, o sujeito poucas vezes expressa as suas opiniões, desejos e sentimentos. Esta página da Viagem do Diário de Vasco da Gama caracteriza-se por ser predominantemente descritiva.


No segundo excerto do Diário da Viagem de Vasco da Gama, todas as formas verbais que se encontram nos pretéritos imperfeito e perfeito do indicativo (até mesmo as formas perifrásticas):


Ao tempo que nós chegámos a esta cidade de Calecute, el-rei estava dela quinze léguas; e o capitão-mor mandou lá dois homens, pelos quais lhe mandou dizer que um embaixador de el-rei de Portugal estava ali, e que lhe trazia cartas dêle; e que, se ele lhas levaria lá onde êle estava.

O qual rei, como viu o dito recado do capitão, fêz mercê, aos dois homens que lho deram, de panos muito bons. E mandou-lhe dizer que êle fosse mui benvindo, e que logo se vinha a Calecute; como de feito logo partiu, com muita gente depós si.


O predomínio das formas verbais nos pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo fazem deste excerto um texto predominantemente narrativo. O sujeito não expressa uma única vez a sua opinião, limitando-se à narração dos factos relacionados com o envio de emissários ao Samorim.


Os excertos seguintes apresentam as formas verbais na 3.ª pessoa do singular e do plural, as frases são todas declarativas e afirmativas:


- “E trazem em a moleira uns topetes; por sinal que são cristãos, e nas barbas bigodes; e trazem as orelhas furadas, e nos buracos delas trazem muito oiro.”


- “Tôda esta gente é de boa condição, e são maviosos, quanto ao que parecem; e são homens que, segundo a primeira face, sabem pouco e são muito cobiçosos.”


- “O qual rei, como viu o dito recado do capitão, fêz mercê, aos dois homens que lho deram, de panos muito bons.”


Estas marcas linguísticas (verbos na 3.ª pessoa e frases afirmativas) tornam estes textos menos intimistas do que os restantes diários antes analisados, onde predominavam os verbos na 1.ª pessoa do singular, frases exclamativas e interrogativas, marcas de hesitação no discurso (frases inacabadas, reticências) e interjeições. Conclui-se, então, a partir destes dois excertos do Diário da Viagem de Vasco da Gama, que nem sempre os diários se restringem à expressão de confidências.




A Mena na cozinha


Arroz de tomate

1 chávena de arroz
2 chávenas de água
1 cebola
2 dentes de alho
4 tomates maduros
1/2 caldo para arroz
sal
pimenta
2 colheres de sopa de vinho branco
azeite

Refogue em azeite a cebola e os alhos picados. Triture os tomates com a pele e as sementes e adicione ao preparado anterior. Deixe refogar. Junte o arroz depois de lavado.

Deixe cozinhar um pouco o arroz na tomatada. Quando começar a ficar seco, refresque com o vinho branco, deixando-o evaporar. Junte a água a ferver, o caldo para arroz e tempere com sal e pimenta (se gostar). Deixe cozinhar de cinco a oito minutos, depois apague o lume, mas mantenha o tacho tapado durante uns minutos.

Sirva com jaquinzinhos fritos e salada.
Bom apetite!


Trabalhitos:

marcadores



Miminho

A Soninha ofereceu-me mais um selinho. Obrigada, amiga!
Aqui fica para quem o quiser levar!


Regras:

1. Postar o selinho

2. Dizer o site de origem – Sónia

3. Indicar uma pessoa - Mona Lisa

4. Deixar um comentário sempre que possível no blogue que segue.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Diário de Sebastião da Gama




O Diário de Sebastião da Gama


O Diário de Sebastião da Gama é o registo quotidiano, ao longo de dois anos (1948-1950), das suas experiências estimulantes enquanto professor estagiário na Escola Veiga Beirão, em Lisboa.



Fevereiro, 9


Ainda não disse que tenho um Poeta na turma. É o Romão. Faz o possível por «parecer» Poeta, pela maneira como se senta, pelo tom de voz, e até pelo reclamo falado que de si faz: assina o «Poeta»; acha naturalíssimo que eu lhe chame «ó Poeta» e diz aos outros que se não devem admirar de que haja Poetas que escrevem prosa: «Eu também sou Poeta e faço muitas redacções.» Tendo-lhe dito que é preciso ser Poeta principalmente por dentro; ele deve sabê-lo e é muito capaz de sê-lo: o que escreve traz o selo tão nítido que o rapazinho talvez não se tenha enganado a seu respeito. Imaginação, boa escolha de palavras e uma gramática pavorosamente à Gomes Leal; pontuação não é com ele: a sua prosa (assinada assim: «o Poeta prosador») é parente do verso de Aragon.

Pois o Romão quis ler «Uma Corrida em Salvaterra», e eu invejei a leitura de que foi capaz. Ouvi-o com gosto, se não com entusiasmo. E mais ainda quando, não aproveitando do trecho senão o facto de apresentar um português valente, dos que dantes havia, improvisa um discurso tão correctamente conduzido, tão bonito e tão rico de frases felizes, que parecia preparado. Mas não era: o Poeta estava a falar. E o Poeta tinha o coração nas mãos (já sei porque é que ele põe as mãos num gesto que eu a princípio não percebia).

Dizia ele que «a alma portuguesa foi sempre grande». Invencível sempre, foi antigamente, no entanto, «mais firme, mais impetuosa». Hoje deixaríamos morrer afogado, junto de nós, quem quer que não fosse de nossa família (pai, mãe, irmão...) porque a morte nos aterroriza; porque (como a ordem das palavras é já de Poeta nesta frase!) «hoje o medo de morrer é grande».


Sebastião da Gama, Diário, Ática [1948-1949]



Maio, 2


Gostava que os mocinhos não ligassem importância de valoração quantitativa às notas; que as tornassem como símbolos, não como prémios: que para eles a nota não fosse um lugar sentado no eléctrico. Que dissessem: «Que me importa ter tido dez valores, se eu valho dezoito?» Ou então «de que me serve ter tido dezoito, se eu valho dez?» (...)

Mas é evidente que isto há-de custar, se é que não é quase impossível. Pois se nós os grandes, os que temos

estas teorias...

Cala-te, boca!

Isto vem a ser da mesma natureza dos castigos - quero dizer, por mais justas palavras, do bom ou mau comportamento na escola. Ontem (ontem, saibam todos, foi o dia 11 de Maio) duas meninas vieram chamar o contínuo para que repreendesse um colega que lhes dissera palavras menos decentes; eu acompanhei-as, não fosse o empregado ser pouco suave e estragar completamente o que só estaria meio estragado. Fui eu quem falou ao rapazinho; e fiz-lhe ver que, embora o seu caso pudesse ser comunicado ao Senhor Director (pobres Senhores Directores, de quem os contínuos fazem um papão!) eu não queria que ele tornasse a fazer semelhante coisa por medo ao castigo: mas por honestidade, por aprumo moral, pela compreensão perfeita do erro que cometera. Disse-lhe mais coisas e apertei-lhe a mão no fim. Ou sou muito ingénuo ou o rapazinho está curado.

Vem esta lengalenga a propósito de que eu tive que explicar aos meus homens o motivo da descida de algumas classificações. «Tu, Aragão, baixaste para 17, mas para mim continuas a ter 18, e é isto que interessa.»

A lição foi quase toda deles: leram os seus trabalhos (a coisa que mais apetece nesta idade) e fizeram as suas observações às faltas de correcção que ocorriam. Tenho por costume fazer assim, quando eles espontaneamente não reconhecem o erro. Leio por inteiro a frase onde «há gato» e revelo: «Aqui há gato, aqui há qualquer coisa que eu não acho bem. Qual é a coisa qual é ela?» - e os rapazes descobrem, há quase sempre um, pelo menos um, que descobre. Que o professor seja humilde também aqui.


Sebastião da Gama, Diário, Ática [1948-1949]



No excerto do Diário de Sebastião da Gama (Fevereiro, 9), a opinião do sujeito acaba por se misturar com o relato da experiência vivida, aliás esta é uma das características do diário:


- "Hoje deixaríamos morrer afogado, junto de nós, quem quer que não fosse de nossa família (pai, mãe, irmão...) porque a morte nos aterroriza; porque (...) «hoje o medo de morrer é grande»”.


- "(...) e eu invejei a leitura de que foi capaz."


- "Ouvi-o com gosto, se não com entusiasmo."


- "(...) improvisa um discurso tão correctamente conduzido, tão bonito e tão rico de frases felizes, que parecia preparado."


- "E o Poeta tinha o coração nas mãos (já sei porque é que ele põe as mãos num gesto que eu a princípio não percebia)."



Já no excerto do Diário de Sebastião da Gama (Maio, 2), o sujeito, mais do que deixar passar a sua opinião, expressa alguns desejos:


- O professor queria que os seus alunos dessem mais importância às notas qualitativas.


- O professor desejava que o rapaz, que dissera palavras menos próprias a duas meninas, percebesse que não devemos agir mal por medo do castigo, mas sim porque sabemos que estamos a agir mal.



Nos excertos de ambos os textos há também outras características do diário:


- “(já sei porque é que ele põe as mãos num gesto que eu a princípio não percebia).” - Marca de oralidade


- “(...) eu não queria que ele tornasse a fazer semelhante coisa por medo ao castigo (...) ” - Marca de 1.ª pessoa


- “Maio, 2 ” – Datação


- “Hoje deixaríamos morrer afogado, junto de nós, quem quer que não fosse de nossa família.” - Marca do tom coloquial


- “(...) e eu invejei a leitura de que foi capaz.“ - Marca de 1.ª pessoa




A Mena na cozinha


Entrecosto assado no forno com batatinhas

entrecosto
batatas
pimenta
sal
4 ou 5 tomates maduros ou concentrado de tomate
1 cebola
2 dentes de alho
1 malagueta grande
cebolinho
pimento verde, vermelho, amarelo, laranja
salsa
1 dl de vinho branco
azeite

Descasque as batatas e corte-as aos quadrados pequenos. Num tabuleiro de barro, faça uma cama a cebola às rodelas, alho picado, salsa, metade da malagueta e cebolinho cortado aos pedacinhos.

Disponha as batatinhas em cima da "cama", polvilhe-as com sal e pimenta e por cima destas coloque o entrecosto. Tempere com sal e pimenta.

Por cima, coloque os outros ingredientes: os pimentos às tiras (basta 1/4 de cada espécie), o tomate aos quadrados, uns tronquinhos de salsa, o vinho branco, o cebolinho picado e o resto da malagueta. Regue com um pouco de azeite.

Leve ao forno a 180º.
Quando estiver quase pronto, retire de cima do entrecosto todos os legumes e passe o forno para o programa de grelhar. Deixe ganhar cor de um lado e do outro.
Retire do forno.

Sirva o entrecosto com as batatinhas e salada de tomate.


Trabalhinho:

Mais umas molinhas para fechar os meus pacotes.



Miminho

Este miminho foi-me oferecido pela Lisa! Obrigada, amiga!
Aqui fica para quem o quiser levar!