José Martins Fontes, um poeta brasileiro, nascido em Santos, em 23 de Junho de 1884, foi um grande humanista. Como médico, notabilizou-se como conferencista e foi fisiologista da Santa Casa de Misericórdia de Santos. A partir de 1924 tornou-se correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Morreu em 25 de Junho de 1937, em Santos, onde está sepultado no Cemitério de Paquetá.
Conhecido carinhosamente pela população de Santos como Zezinho Fontes, Martins Fontes começou a escrever muito cedo e, aos oito anos de idade, viu os seus versos publicados em um jornal manuscrito, chamado A Metralhadora.
Possuidor de uma delicada sensibilidade e de uma esmerada educação, sabia fazer de cada pessoa que encontrasse um admirador das suas qualidades de poeta, médico e ser humano.
Martins Fontes estudou nos melhores colégios de Santos e Jacareí, antes de transferir-se para o Rio de Janeiro, onde se doutorou em Medicina, em 1906. Em 1910, foi auxiliar de Oswaldo Cruz na campanha de saneamento do Rio de Janeiro. Em 1914, mudou-se para Paris (França) e lá fundou, com Olavo Bilac, uma Agência Americana para serviços de propaganda dos produtos brasileiros na Europa e em outros países.
Boémio e irrequieto, poeta admirável, foi amigo de Olavo Bilac, Coelho Neto e Emílio de Menezes. Morava na Pensão da Conceição, no Catete. Diplomou-se em 1907, tendo sido orador da turma.
A sua tese, defendida em 1908 - "Da imitação em síntese", foi um sucesso de bilheteira, tal o número de amigos e colegas que afluíram ao local de arguição.
Diplomado, foi para o Acre, onde ficou pouco tempo.
Em 1911, voltou para a sua amada terra natal, trabalhando na Santa Casa. De simpatia irradiante, estava sempre rodeado pelos seus colegas, pois a prosa do poeta era sempre muito disputada. Paulo Fraletti (1966) em "Vocação Hipocrática" conta-nos que, um dia, o surpreenderam no pátio da Santa Casa de Santos, cercado de mulheres magras e doentes, apertando no peito seus filhos esfarrapados e famintos. Mulheres que iam buscar leite, pago com a exibição da miséria em que viviam os seus rebentos. Leite que, pouco, não chegava para todos. E, Martins Fontes nervoso, colérico, apopléctico, de braços abertos para o céu, exclamava:
"Deus! Ó Deus! Se existis, porque ao me fazerdes médico e poeta, duas inutilidades absolutas, não me fizestes uma vaca holandesa e de úberes fartos".
Martins Fontes cantou em versos a riqueza das flores, da fauna, dos mares, dos rios e das mulheres do Brasil. Como poucos, soube cantar a sua terra natal, transformando-a em tema do lirismo e de saudade.
Espero que, um dia
Aqui me sepultem, me deixem ficar
Exposto, desnudo, como eu bem queria,
Num seio de areia, defronte do mar.

INTROIBO AD ALTARE
O livro para mim lembra um cofre encantado,
Relicário oriental do esoterismo antigo.
Supersticiosamente, ao senti-lo a meu lado,
Sob a sua atracção, conjecturo, investigo!
Um livro aberto é como um anjo iluminado,
De asas espalmas e que, em êxtase, bendigo!
Quantas vezes, orando, eu lhe tenho chamado
— Meu Pai e meu Irmão, meu Mestre e meu Amigo!
O livro, belo e bom, desde a essência ao formato,
Deverá sempre dar, aos olhos como ao tacto,
O prazer que produz a impressão de um primor.
Tendo-o louvado assim, ao fechar do soneto,
Peço que ele também, como aconselha Hamleto,
Seja sempre uma jóia e nos fale de amor.
Como é bom ser bom!
Tu, que vês tudo pelo coração,
Que perdoas e esqueces facilmente,
E és, para todos, sempre complacente,
Bendito sejas, venturoso irmão.
Possuis a graça como inspiração
Amas, divides, dás, vives contente,
E a bondade que espalhas, não se sente,
Tão natural é a tua compaixão.
Como o pássaro tem maviosidade,
Tua voz, a cantar, no mesmo tom,
Alivia, consola e persuade.
E assim, tal qual a flor contém o dom.
De concentrar no aroma a suavidade,
Da mesma forma, tu nasceste bom.
Soneto
Se eu fosse Deus seria a vida um sonho,
Nossa existência um júbilo perene!
Nenhum pesar que o espírito envenene
Empanaria a luz do céu risonho!
Não haveria mais: o adeus solene,
A vingança, a maldade, o ódio medonho,
E o maior mal, que a todos anteponho,
A sede, a fome da cobiça infrene!
Eu exterminaria a enfermidade,
Todas as dores da senilidade,
E os pecados mortais seriam dez...
A criação inteira alteraria,
Porém, se eu fosse Deus, te deixaria
Exactamente a mesma que tu és!
Minha Mãe
Beijo-te a mão, que sobre mim se espalma
Para me abençoar e proteger,
Teu puro amor o coração me acalma;
Provo a doçura do teu bem-querer.
Porque a mão te beijei, a minha palma
Olho, analiso, linha a linha, a ver
Se em mim descubro um traço de tua alma,
Se existe em mim a graça do teu ser.
E o M, gravado sobre a mão aberta,
Pela sua clareza, me desperta
Um grato enlevo, que jamais senti:
Quer dizer — Mãe! Este M tão perfeito,
E, com certeza, em minha mão foi feito
Para, quando eu for bom, pensar em ti.
Foi na Martins Fontes – espaço cultural, livraria e editora que tivemos um encontro com a escritora Alice Vieira.

Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958 iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa e a partir de 1969 dedicou-se ao jornalismo profissional. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente livros tendo, actualmente editados na Caminho, cerca de três dezenas de títulos.
Recebeu em 1979, o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa e, em 1983 com Este Rei que Eu Escolhi, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil e em 1994 o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Recentemente foi indicada pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen. Trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra.
Alice Vieira é hoje uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projecção nacional e internacional. Várias das suas obras foram editadas no estrangeiro.
Chocolate à Chuva
Rosa, Minha Irmã Rosa
500g de feijão manteiga demolhado
2 cebolas
4 dentes de alho
2dl de azeite
2 cenouras
1 folha de louro
1dl de vinho branco
1 malagueta grande
sal
1 ramo de salsa
Lave muito bem o polvo e coloque-o na panela de pressão. Cubra-o com água, coloque meia cebola com casca e sal na panela e leve-a ao lume. Assim que levantar fervura, deixe cozer durante 35 minutos.
Coza o feijão, juntamente com a outra metade da cebola e com 1dl de azeite, cerca de 50 minutos.
Coza em lume brando, por mais 15 minutos.
Para que a feijoada fique com um sabor mais apurado, pode juntar ao refogado 100g de bacon picado.

Aqui ficam para quem os quiser carregar consigo.