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Em prisões baixas fui um tempo atado,
Vergonhoso castigo de meus erros;
Inda agora arrojando levo os ferros
Que a Morte, a meu pesar, tem já quebrado.
Sacrifiquei a vida a meu cuidado,
Que Amor não quer cordeiros nem bezerros;
Vi mágoas, vi misérias, vi desterros:
Parece-me que estava assi ordenado.
Contentei-me com pouco, conhecendo
Que era o contentamento vergonhoso,
Só por ver que cousa era viver ledo.
Mas minha estrela, que eu já agora entendo,
A Morte cega e o Caso duvidoso,
Me fizeram de gostos haver medo.
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Este é um poema de cariz autobiográfico. Nele podemos encontrar várias referências que evocam aspectos pertinentes da vida de Camões:
A resignação perante as contrariedades da vida = "Contentei-me com pouco"
A negatividade da experiência vivida pelo "eu" poético = "vi mágoas, vi misérias, vi desterros"
A fatalidade do Destino e da Fortuna que submete o sujeito poético às agruras da vida e o faz recear as consequências dos momentos de felicidade = "Mas minha estrela, que eu já agora entendo / (...) me fizeram de gostos haver medo."
As penitências experimentadas pelo sujeito lírico: as prisões e as paixões amorosas magoadas = "Em prisões baixas fui um tempo atado,"
Neste poema, o sujeito poético reflecte acerca da vida passada, aludindo ao tema do amor. O poema traduz a experiência de vida do sujeito poético perseguido por um destino cruel e fatal, que o deixa infeliz.
Repara no verbo destacado em cada uma das frases seguintes e no sentido que parece transmitir:
“vi mágoas, vi misérias, vi desterros” = Exprime uma sensação.
“parece que estava assim ordenado”; “que eu já agora entendo” = Denota actividade reflexiva.
“Contentei-me com pouco” = Transmite sentimentos.
Os verbos sensitivos, isto é, aqueles que apelam às sensações, reiteram a vivência pessoal do sujeito poético. No caso deste soneto, o verbo “ver” remete para as sensações visuais, espelhando aquilo que o “eu” lírico “viu”, presenciou de facto. A repetição anafórica de “vi”, acompanhada da gradação crescente (mágoas, misérias, desterros), enfatiza ainda mais a mundividência pessimista do sujeito poético.
Por outro lado, os verbos de cariz psicológico podem transmitir sentimentos ou estados, como a resignação patente em “Contentei-me”, ou indicar a actividade reflexiva presente nas conjecturas do “eu” lírico.
Atenta na primeira quadra do poema nos vocábulos que se relacionam com o conceito de penitência: “prisões baixas”, “atado”, “vergonhoso castigo”, “erros”, “arrojando”, “ferros”, “pesar”.
A penitência e também o fatalismo, que persegue irremediavelmente o sujeito poético, constituem marcas negativas que reflectem o pessimismo que perpassa a experiência humana do “eu” lírico. A penitência, traduzida na primeira quadra, pode ser interpretada com sentido denotativo (real), aludindo às prisões experimentadas por Camões, ou com sentido conotativo (figurado) significando as paixões por ele vividas.
A Mena na cozinha
100 g de tapioca
5 dl de leite
pau de canela
casca de laranja ou de limão
sal
6 colheres de açúcar
5 dl de água
2 gemas
canela em pó
Ponha a tapioca de molho num tacho com a água e aguarde até a tapioca inchar (cerca de 15 m).
Coloque o leite com a casca de limão e o pau de canela ao lume até ferver.
Bata as gemas e acrescente-lhe um pouco de leite, mexendo bem para não cozer as gemas.
Enfeite com canela em pó.
Delicie-se!
Trabalhinho: