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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Para atravessar contigo o deserto do mundo


Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 

Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 

Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto' 






Este poema assenta toda a sua estrutura na repetição, no eco, através da acumulação de fórmulas semelhantes, quer por anástrofe, quer por repetição:
Para      atravessar contigo o deserto do mundo
             enfrentarmos juntos o terror da morte
             ver a verdade
             perder o medo
meu      reino
            segredo
            silêncio
            espelho
minha   rápida morte
            pérola redonda e seu oriente
            vida
            imagem
sem     véu do dia duro
            os espelhos
O sujeito lírico, entrega-se totalmente nas mãos de um “Tu”, aparentemente superior, reconhecendo a sua nudez humana (“Sem os espelhos vi que estava nua / E ao descampado se chamava tempo”).
Declara na 1.ª estrofe o grande e único objectivo da sua vida: superar a condição dura (“atravessar (…) o deserto do mundo”), temporal, terrífica (“terror da morte”) da vida e do mundo; vencer os obstáculos do medo (“perder o medo”) e encontrar a verdade (“ver a verdade”), contando com a ajuda de um “Tu” para a realização deste objectivo (“Ao lado dos teus passos caminhei”). 
Para isto, tal como mostra a 2.ª estrofe, o sujeito poético deixa/larga tudo o que possuía – tesouros (“meu reino”, “minha pérola”), o seu “segredo”, as suas ilusões (“meu espelho”, “minha imagem”, ou seja, a vida – aquilo que constitui o seu paraíso (“abandonei os jardins do paraíso”). 
Por mais diversas que sejam as palavras à volta de “meu” ou “minha”, elas mostram um único sentido da vida, o efémero, o temporal, o contingente, o artificial.
Parece estranho o "eu" abandonar tudo o que é seu, o que o torna individual: este despir-se de si mesmo. A finalidade deste acto, no entanto, já nos foi dita na 1.ª estrofe – a procura da intemporalidade, da essência, do eterno, e da verdade.
Em síntese, as duas primeiras estrofes dizem:
Ao lado de teus passos caminhei
Por ti deixei
E abandonei os jardins do paraíso
Três acções passadas, situadas num tempo intermitente e passageiro e que se encadeiam umas nas outras.
Um tempo de lamentação, como é sugerido pela repetição do ditongo “ei”, resultante do encontro com a nostalgia provocada por uma não solidão aparente (“ao lado dos teus passos”) que se vem a verificar realmente solidão, resultante do abandono da sua individualidade. 
A situação abstracta (o despir-se de si mesma) sobrepõe-se à concreta (a companhia física do “Tu”). 
A solidão impõe-se e o Eu enfrenta-se, o advérbio “cá”, que inicia a 3.ª estrofe, cria dois espaços do poema. “Cá” é o início dum tempo, um outro em que o Eu – despido do que é finito – se enfrenta a si mesmo, à sua essência, deixando de ser cego mas sim estando “à luz” e “sem véu do dia duro / sem os espelhos” vê-se liberto – “vi que estava nua” – este é o encontro por excelência, o encontro consigo. 
A última estrofe conclui o processo iniciado valorizando, através da antítese metafórica da nudez e do acto de se vestir (“estava nua” versus “me vestiste”), a aprendizagem espiritual da autêntica liberdade e da resistência à adversidade: “E aprendi a viver em pleno vento”. 
O sujeito poético subtrai-se da exigência das leis rígidas do espaço e do tempo em que se encontrava enclausurado, como que numa redoma (“nos jardins do paraíso”), passando a estar no “descampado [que] se chamava tempo”, nesta mudança está implícita a total liberdade.
A mudança do tempo verbal capta a nossa atenção e, de uma situação temporal determinada pelo pretérito perfeito, passa-se a uma situação de atemporalidade (mostrada pelo pretérito imperfeito).
O dístico final do poema presentifica a consubstanciação do “Eu” com o “Tu” (“com teus gestos me vestiste”) realizada depois do algo atingido (“por isso”); da total libertação, em comunhão perfeita com o “Tu, o eu aprende “a viver em pleno vento”.
É aqui que se finda a passagem de uma vida virtual, criada pelos espelhos, para uma vida real. Esta essência tem a sua leveza sugerida pela aliteração do /v/ presentes depois da partícula “Cá”, isto é, após a libertação, após a transformação. 

Concluindo, o poema transmite a ideia de que nunca devemos viver na ilusão apesar de aparentemente isso nos parecer mais cómodo, uma vez que nessa “realidade” estamos presos num mundo virtual. Devemos sempre ver o Mundo de uma forma clara, ou seja, sermos verdadeiramente livres. As pessoas que nos amam realmente são aquelas que nos ajudam a sair do mundo de “mentira”, e não aquelas que nos ajudam a construir as ilusões.

Tiago Branco, 10.º ano

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Cavaleiro da Dinamarca

RESUMO

O Cavaleiro da Dinamarca é um livro de Sophia de Mello Breyner Andresen, editado em Portugal em 1964.


A obra conta a história de um homem que vivia com a sua família numa floresta da Dinamarca,no Norte da Europa. Numa noite de Natal, durante a ceia, quando todos estavam reunidos à volta da lareira, a comer e a contar histórias, comunicou-lhes que iria partir em peregrinação à Terra Santa, para orar onde Cristo tinha nascido e que, portanto, a partir daquela noite não estaria ali. Prometeu também que, dali a dois anos, estariam juntos de novo. Na Primavera seguinte partiu e, levado por bons ventos, chegou muito antes do Natal às costas da Palestina, onde visitou todos os locais sagrados relacionados com a vida de Jesus. Já de regresso à Dinamarca, uma tempestade violentíssima quase destruiu o barco em que viajava e ele teve que ficar em Itália. Aí conheceu várias cidades (RavennaVeneza,FlorençaGénova) onde fez diversos amigos, como o Mercador de Veneza, que lhe contou a belíssima história de amor de Vanina e Guidobaldo. De Giotto e Dante,... Após inúmeras peripécias , consegue chegar à floresta em que vivia, mas uma tempestade quase lhe provoca a morte. No entanto, anjos acendem pequenas estrelas no abeto que ficava em frente à sua casa, guiando-o até ao calor do seu lar e de sua família...
Quando ele ia pela floresta pensou seguir o rio até sua casa mas não o encontrou ... Este foi andando sempre em frente sem destino e mais ao longe viu uma luz que se destacava pela sua grandeza... Esta, era a luz de sua casa.O cavaleiro não sabia disto, mas ainda assim resolveu ir atrás da luz, encontrando a sua casa. É por essa razão que se enfeitam os pinheiros no Natal e essa é a grande história do cavaleiro da Dinamarca.










domingo, 14 de abril de 2013

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Conto de Natal

Clica aqui e delicia-te com este maravilhoso conto de Sophia de Mello Breyner.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fui eu que fiz!



Reciclagem - caixa de perfumes (cofret), forrada com papel de alumínio, guardanapo, fitas e strass.
Vela decorada com papel de alumínio, guardanapo e tintas de relevo.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

...Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Resnasce-se na Primavera

Carta a Ruben A.

Que tenhas morrido é ainda uma notícia
Desencontrada e longínqua e não a entendo bem
Quando – pela primeira vez – bateste à porta da casa e te sentaste à mesa


Trazias contigo como sempre alvoroço e início
Tudo se passou em plenos e projectos
E ninguém poderia pensar em despedida


Mas sempre trouxeste contigo o desconexo
De um viver que nos funda e nos renega
- Poderei procurar o reencontro verso a verso
E buscar – como oferta – a infância antiga


A casa enorme vermelha e desmedida
Com seus átrios de pasmo e ressonância
O mundo dos adultos nos cercava
E dos jardins subia a transbordância
De rododendros dálias e camélias
De frutos roseirais musgos e tílias


As tílias eram como catedrais
Percorridas por brisas vagabundas
As rosas eram vermelhas e profundas
E o mar quebrava ao longe entre os pinhais


Morangos e muguet e cerejeiras
Enormes ramos batendo nas janelas
Havia o vaguear tardes inteiras
E a mão roçando pelas folhas de heras


Havia o ar brilhante e perfumado
Saturado de apelos e de esperas
Desgarrada era a voz das primaveras


Buscarei como oferta a infância antiga
Que mesmo tão distante e tão perdida
Guarda em si a semente que renasce

Sophia de Mello Breyner

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mar nosso!


O Fundo do Mar


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A praia




Justé e Greta ficaram, como disse anteriormente, encantadas com o nosso país, com as paisagens ondulantes, com as praias e com o nosso mar. Chegadas a Salir, não resistiram ao apelo mudo do grande monte de areia e subiram-no alegremente.
Lá de cima, não se cansavam de nos acenar e as suas gargalhadas chegavam até nós, vindas de muito longe.
Estiveram por lá a acenar, a gritar, a rir, a espreitar todos os recantos, a apanhar algumas plantas, desconhecidas para elas.

Enquanto por lá andavam, aproveitei e tirei umas fotos à paisagem circundante.



Bebemos a água da pequena bica...

A Joana tirou fotos à água que corria, à água que subia para as nossas bocas, ao repuxo que a água fazia... E ficaram bonitas as fotos! Ela vai gravar um DVD com as muitas fotos tiradas naquela tarde, depois mostrá-las-ei...

Depois, foi a vez das meninas descerem o monte a correr, a rebolar, a rir às gargalhadas...

O passeio continuou divertido...



A palavra poética

Palavras de memória

Praia

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é longa e lisa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás de mim fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.


Sophia de Mello Breyner Andresen


Este poema é constituído por quatro estrofes de dois versos cada: dísticos. No primeiro dístico há rima consoante, grave e emparelhada (AA); o segundo não tem rima (versos soltos ou brancos), mas a musicalidade consegue-se através da aliteração em b, br e s: "...os seus braços / E
brancas tombam de bruços".
No terceiro também não há rima, conseguindo-se a musicalidade, pelo recurso à aliteração em l, s e z: "...é longe e lisa(...) / Saturada de espaços e maresia".
No quarto, há rima consoante imperfeita ou toante "...murmúrio / búzio". O ritmo é, em geral ternário: "As ondas / desenrolam / os seus braços // E brancas / tombam / de bruços".
A métrica é irregular, predominando o verso decassilábico. No último dístico existe encavalgamento ou transporte com carácter conclusivo.
Predomina o vocabulário relacionado com o ambiente marítimo (campo lexical): a praia, o mar, os barcos, as ondas, o vento, a maresia, os búzios. A simbologia é, neste poema, um elemento importante na descodificação da mensagem:
- "praia longa e lisa": extensão, distância, princípio e fim;
- "o vento!: o ar em movimento que sugere vida e força;
"búzios": símbolos de sonoridade longa e distantemente repercutida (eco).
As sensações são também uma constante neste poema:
- sensação táctil: "Caminho ao longo dos oceanos frios"; "A praia é longa e lisa";
- sensação visual: "E brancas tombam...";
- sensação olfactiva: "Saturadas de ... maresia";
- sensação auditiva: "...o murmúrio / Das ondas enroladas como búzios".
Temos ainda, neste poema:
- a intersecção de um plano horizontal (praia, navio, oceano, ondas, vento) e de um plano vertical (luz, tombam e mastros dos navios);
- o sujeito poético, subentendido no início do segundo verso do primeiro dístico e explícito na última estrofe ("para trás de mim").
Todos os verbos estão no presente do indicativo, significando permanência e continuidade. A adjectivação é bastante expressiva: "múltiplos navios", "oceanos frios", "E brancas tombam...", "A praia é longa e lisa" (dupla adjectivação), "Saturada de espaços...", "ondas enroladas...".
Existem também ao longo do poema verbos expressivos, significando dinamismo: oscilam, caminho, desenrolam, tombam...; e nomes também bastante expressivos e sugestivos: praia, luz, navios, oceanos, ondas, vento, espaços, maresia, murmúrio, búzios...
As figuras de estilo são:
- a metáfora: "Caminho ao longo dos oceanos frios";
- a personificação: "As ondas desenrolam os seus braços / E brancas tombam de bruços";
- a comparação: "... o murmúrio / Das ondas enroladas como búzios".
Em todo o texto, encontramos apenas um ponto final, deixando-se que a pontuação seja descoberta no ritmo da leitura (índice de modernidade), característica da poesia desta poetisa.






Trabalhinhos:


A Mena na cozinha

Pêssegos escondidos

2 saquetas de gelatina de pêssego
1 lata de pêssego em calda
4+4 dl de água

Corte duas metades de pêssegos em caldas em fatias. Reserve mais uma metade para a decoração. Prepare uma saqueta de gelatina com 4 dl de água a ferver. Verta um pouco deste preparado na forma e disponha as fatias de pêssego a seu gosto. Leve ao congelador para arrefecer. Deite o resto da gelatina sobre os pêssegos e leve ao frigorífico.
Escorra os pêssegos restantes e reduza-os a puré. Faça a outra gelatina com 4 dl de água fervente e misture-lhe o puré dos pêssegos, mexendo bem. Deite este preparado sobre a gelatina reservada e leve de novo ao frigorífico.

Desenforme e enfeite a gosto.
Delicie-se!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Compras molhadas




No Sábado de manhã chovia que Deus a dava, fomos às compras com a Justé e com a Greta. Fomos comprar alguns presentes para elas levarem para os pais e irmãos. Comprei uns brincos para a Justé, um cachecol da nossa selecção para o irmão e uma pregadeira em filigrana para a mãe. Depois, fomos comprar alguns produtos típicos/tradicionais portugueses: um chouriço, um paio, mel com nozes, um queijo da serra, chocolates portugueses, beijinhos e uma garrafa de vinho do Porto para o pai.
Os olhos da Justé brilhavam de contentamento, tudo era motivo para festa. A chuva não parava, mas nós andávamos divertidíssimas às compras! Para as meninas lituanas tudo era novidade: as montras vivas, as lojas apinhadas de gente, a rua das montras cheia de transeuntes, as peças em prata nas montras das ourivesarias, a indecisão na escolha do presente para a mãe, a praça da fruta cheia de cores e de perfumes bons, saudáveis, cheirava a fruta...

A Greta também é lituana e ficou em casa de uma amiga minha. Como a Rosa tinha formação, fiquei com as filhas e com a Greta para passarmos o dia. Foi uma óptima ideia, pois as miúdas divertiram-se imenso. Todos nos divertimos muito! Depois das compras bem molhadas por sinal, fomos almoçar a um restaurante típico. A Justé e a Greta ficaram entusiasmadíssimas com a ideia de irmos almoçar ao restaurante. Ficaram encantadas com o espaço e com a decoração, tiraram fotografias a tudo e a mais alguma coisa.


Como se pode ver pelas fotos, todos estavam bem animados!










A poesia do século XX

A complexidade do poema



Liberdade

O poema é
a liberdade

Um poema não se programa
porém a disciplina
- Sílaba por sílaba-
o acompanha

Sílaba por sílaba
o poema emerge
- como se os deuses o dessem
o fazemos

Sophia de Mello Breyner Andresen

"O poema é/ a liberdade" - a metáfora aliada ao uso do verbo copulativo "ser", promove a identificação entre dois conceitos, poema e liberdade.
A ideia de liberdade é, aliás, veiculada pela própria estrutura formal do poema, já que este revela uma quase total inexistência de rima e de pontuação, alternando versos mais curtos com versos mais longos.

Há no poema um elemento que marca uma oposição na ordem de ideias: a conjunção coordenativa "porém" estabelece um contraste entre as ideias de liberdade e de disciplina.

Há no poema expressões que se relacionam com a inspiração e outras com o trabalho:
Inspiração - "liberdade"; "Um poema não se programa"; "o poema emerge"; "- como se os deuses o dessem".
Trabalho - "disciplina"; "- Sílaba por sílaba -"; "o fazemos".





A Mena na cozinha

Lombinhos de pescada e puré com abóbora

lombinhos de pescada
1 sopa de cebola instantânea
1 lata de cogumelos
caril
2 dl de natas



No fundo de um pirex, verta uma pouco de natas. Por cima disponha metade dos cogumelos e salpique com uma colher de sopa de caril. Passe os lombinhos pelo pó da sopa de cebola e coloque no pirex. Por cima do peixe espalhe o resto dos cogumelos, deite as natas restantes e polvilhe com mais um pouco de caril. Leve ao forno.

Coza um pouco de abóbora. Prepare o puré. Escorra muito bem a abóbora e desfaça-a.

Junte-a ao puré e envolva ligeiramente.

Sirva os lombinhos com o puré com abóbora.
Bom apetite!



Trabalhinho:

terça-feira, 18 de maio de 2010

Encontro com a poesia


Lagoa de Óbidos

A poesia do século XX


“Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura. Pensava que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, que eram como que um elemento natural, que estavam suspensos, imanentes. E que bastaria estar quieta, calada e atenta para os ouvir. (…)

Deixar que o poema se diga por si, sem intervenção minha (ou sem intervenção que eu veja), como quem segue um ditado (que ora é mais nítido, ora mais confuso), é a minha maneira de escrever. (…)”


Sophia de Mello Breyner Andresen


“Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura.









O estatuto do poeta

Ficha

Poeta, sim, poeta...
É o meu nome.
Um nome de baptismo
Sem padrinhos...
O nome do meu próprio nascimento...
O nome que ouvi sempre nos caminhos
Por onde me levava o sofrimento...

Poeta, sem mais nada.
Sem nenhum apelido.
Um nome temerário,
Que enfrenta, solitário,
A solidão.
Uma estranha mistura
De praga e de gemido à mesma altura.
O eco de uma surda vibração.

Poeta, como santo, ou assassino, ou rei.
Condição,
Profissão,
Identidade,
Numa palavra só, velha e sagrada,
Pela mão do destino, sem piedade,
Na minha própria carne tatuada.

Miguel Torga


Poética

(...)
Que é o poeta?
um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
um homem
que tem fome
Como qualquer outro
homem.

Cassiano Ricardo

Assim, o que um poeta

faz com as palavras, ao

tocá-las com os dedos,

não é só

o que o músico faz com os sons

ou o pintor com as cores.

As palavras,

cuja composição espessa cimenta

o cérebro e lhe dá peso,

não se reduzem às matérias visual

e acústica respectivamente

da cor e do som.

A queda desamparada

do sentido para dento de um

pequeno espaço de escrita,

assim como a súbita relação

estabelecida entre esse facto

e a minha consciência dele, desde logo

ampliam o horizonte expressivo

do poema.

E se o raciocínio e o gesto, em parte,

não entram nele,

não quer isto dizer que uma (outra)

razão, talvez mais profunda,

o inspire e penetre.

É que ela não se manifesta

expressamente pois, pelo contrário,

só no seu aspecto oculto

e “longínquo” se revela

- imediatamente -

o Poético.

Nuno Júdice






Trabalhinho:


A Mena na cozinha

Solha no forno com pimentos

6 postas de solha
1 pimento vermelho
sal
pimenta
1 cebola
1 dente de alho
azeite
1 malagueta grande
1 limão

Prepare o peixe e tempere-o com sal, pimenta e sumo de limão.
Corte a cebola, a malagueta e o alho às rodelas e espalhe no fundo de um pirex. Corte o pimento às tiras e colque sobre a cebolada. Regue com um pouco de azeite. Disponha o peixe escorrido e, por cima, coloque umas tiras de pimento. Deite mais um pouco de azeite sobre o preparado. Leve ao forno.

Sirva com batatas salteadas no forno e salada de tomate ou outra e uma rodelinha de limão.
Bom apetite!