sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dias negros, nevoeiro cerrrado

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece o que a alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa


A morte saiu à rua num dia assim

Naquele lugar sem nome para qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai

E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial

E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu

Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina, à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas de uma nação

José Afonso


Estou triste, desiludida e muito revoltada. Abril caiu ou está em ruínas, completamente desmoronado e dificilmente se erguerá. O respeito pela democracia desapareceu completamente. Neste momento vale tudo, é o desgoverno total! Não se olham a meios para se atingirem os fins. Quanto mais corruptos melhor! A injustiça grassa por todo o lado! E teria muito, muito mais que falar, mas fico por aqui. Mas antes, convido-vos a clicar aqui e a ler os seguintes textos: Monção, Encalhados e Vidrado. E se estiverem interessados em saber mais, é só dar uma volta por aqui.
Agora já sabem a razão da minha revolta.


Conhecer Zeca Afonso

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho de um juiz e de uma professora primária, nasceu, em Aveiro, em 2 de Agosto de 1929, tendo passado os primeiros anos de vida entre a terra natal, Angola e Moçambique.

"Bicho-cantor" , a alcunha que lhe deram no liceu, por cantar serenatas durante as praxes. Nesta altura conhece a vida boémia e os fados tradicionais de Coimbra.
Entre 1946 e 1948, enquanto terminou o liceu, conheceu a costureira Maria Amália de Oliveira, com quem casou às escondidas, devido à oposição dos pais.
Quando, em 1949, ingressou no curso de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras, revisitou Angola e Moçambique, integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.
Em 1953, nasceu o primeiro filho, José Manuel, e, enquanto dava explicações e fazia revisões no "Diário de Coimbra", viu os primeiros discos serem editados.
Em 1963, concluiu o curso, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre.
A senha para o início da Revolução de Abril, "Grândola Vila Morena", nasceu após Zeca Afonso se ter inspirado numa actuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em Maio de 1964.
O único disco editado pela Valentim de Carvalho, "Cantares de José Afonso", é desse ano, altura em que regressou a Moçambique, onde viveu e leccionou durante três anos.
O regresso a Portugal deveu-se à oposição de José Afonso ao sistema colonial . O destino, desta vez, foi Setúbal, onde foi colocado como professor, tendo sofrido uma grave crise de saúde que o forçou ao internamento hospitalar durante vinte dias. Quando recuperou, ficou a saber que tinha sido expulso do ensino oficial, passando a viver de explicações.
O PCP chegou a convidá-lo, por esta altura, a entrar para o partido, mas José Afonso recusou alegando a sua condição de classe.
O álbum "Contos Velhos Rumos Novos" e o single "Menina dos Olhos Tristes", que contem a canção popular "Canta Camarada", são editados em 1969.
Seguem-se "Traz Outro Amigo Também", em 1970, gravado em Londres, "Cantigas do Maio", em 1971, gravado em Paris, e, no ano seguinte, "Eu Vou Ser Como a Toupeira", editado em Madrid.
Em Abril de 1973, foi preso, passando vinte dias em Caxias, e no Natal desse ano gravou, em Paris, "Venham Mais Cinco", com a colaboração musical de José Mário Branco, então exilado na capital francesa.
Muitas outras canções, espectáculos e prémios surgiram nos anos posteriores à revolução e, em 1982, os primeiros sintomas da doença que lhe causou a morte, uma esclerose lateral amiotrófica, começaram a manifestar-se.
No último álbum, "Galinhas do Mato", editado em 1985, Zeca Afonso já não conseguiu cantar todos os temas, sendo substituído por muitos cantores portugueses, como Luís Represas e Janita Salomé.
Dois anos mais tarde, no dia 23 de Fevereiro, às 3:00 h, José Afonso morreu, no Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.



A Mena na cozinha

Bacalhau à moda do Porto

900 g de bacalhau
800 g de batatas
2 cebolas
2 dentes de alho
2 cabeças de cravinho
azeite
1 ramo de salsa
sal
pimenta

Corte as batatas e as cebolas às rodelas. Desfie o bacalhau (cru). Ponha um fio de azeite no fundo do tacho e disponha sobre o azeite em camadas as batatas, a cebola e o bacalhau.

Entre as camadas, tempere com o alho às rodelas, o sal, a pimenta e o cravinho.

Junte a salsa e por fim o azeite.

Tape o tacho e deixe cozer, em lume brando. Agite-o várias vezes, durante a cozedura para não pegar.

Sirva decorado com a salsa e com uma boa salada.
Bom apetite!


Para desnuviar, vamos contar carneirinhos?



Trabalhinhos:

Pulseiras em Fimo acabadinhas de cozer. Só falta envernizar!

Estas já estão envernizadas!


Este selinho foi-me oferecido pela Soninha. Obrigada, amiga!
Já agora sugiro uma visitinha ao blogue da Soninha, ela tem coisinhas lindas! Vão lá espreitar!


Vou estar ausente uma semaninha! Espero voltar e escrever sobre dias alegres!
Dou um miminho a quem adivinhar o meu destino. Beijinho grande para todo o mundo!


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Conhecer Rui Barbosa






A poesia de Rui Barbosa (poeta brasileiro), apresentada a seguir,

poderia ter sido escrita hoje, sem mudar uma palavra.



SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

Rui Barbosa


Rui Barbosa é uma das personagens mais conhecidos da história do Brasil. Nascido na Bahia, em 5 de Novembro de 1849, fixou-se no Rio de Janeiro em 1879, ao ser eleito para a Assembleia Legislativa da Corte Imperial.

Ganhou prestígio como orador, jurista e jornalista defensor das liberdades civis e foi por duas vezes, candidato à Presidência da República.

Estudioso da língua portuguesa, presidiu a Academia Brasileira de Letras após a morte de Machado de Assis. Em 1907, representou o Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz em Haia e, já no final de sua vida, foi eleito Juiz daquela Corte Internacional.

A casa em que viveu de 1895 a 1923, ano de sua morte, foi adquirida em 1924, com todo o seu acervo pelo governo brasileiro. Desde 1930, é o Museu Casa de Rui Barbosa, que conserva os móveis e objectos da família, a biblioteca de Rui e sua extensa produção intelectual, reunida em arquivos.




A Mena na cozinha

Bifes de atum com pêras

4 bifes de atum
4 dentes de alho
sumo de dois limões
brócolos
4 pêras rocha
2 colheres de sopa de azeite
sal
pimenta
azeite
açúcar

Tempere os bifes de atum, de um dia para o outro ou umas boas horas antes de os cozinhar, com os alhos laminados, sal e sumo de um limão.
Coza os brócolos com água temperada com sal.
Corte as pêras em gomos e leve-as ao lume com as duas colheres de azeite. Deixe-as alourar. Quando estiverem douradas, polvilhe com uma colher de açúcar e deixe caramelizar.

Regue as pêras com sumo de meio limão e retire do lume.
Frite os bifes de atum em azeite. Regue-os com o restante sumo de limão e deixe apurar um pouco (em vez do sumo de limão pode juntar a marinada). Retire do lume.

Sirva os bifes com os brócolos cozidos e as pêras caramelizadas.
Bom apetite!



Trabalhinhos:

Sabonete e vela



Sabonetes
Pregadeira



Selinhos


O Super Chef veio daqui! Obrigada, Sabrith.


Este foi-me oferecido pela Sónia. Obrigada, amiga!