domingo, 8 de agosto de 2010

Menina tonta




Poema da menina tonta


A menina tonta passa metade do dia
a namorar quem passa na rua,
que a outra metade fica
pra namorar-se no espelho.
A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de tecido vermelho.
A menina tonta tem vestidos de seda
e sapatos de seda:
as olheiras postiças de crepe amarrotado,
as mãos viúvas entre flores emurchecidas,
caídas da janela,
desfolham tétalas de papel…
No passeio em frente estão os namorados
com os olhos cansados de esperar
com os braços cansados de acenar
com a boca cansada de pedir…
A menina tonta tem coração sem corda,
a boca sem desejos
os olhos sem luz…
E os namorados cansados de namorar…
Eles não sabem que a menina tonta tem a cabeça cheia de farelos.

Manuel da Fonseca


O sujeito poético traça o retrato físico e psicológico da menina, caracterização directa.
Retrato físico - "olhos de retrós preto", "cabelos de linha de bordar", "boca pedaço de qualquer tecido vermelho", "vestidos e sapatos de seda", "olheiras postiças de crepe amarrotado", "mãos viúvas caíadas na janela".
Retrato psicológico - tonta, namoradeira, leviana, sem desejos, fria, vazia, fútil e narcísea.
A menina atrai muitos namorados porque é bela, vistosa, sedutora e inacessível. Eles, no passeio em frente, esperam, acenam, pedem e namoram, estão"cansados de esperar", "cansados de acenar", "com a boca cansada de pedir", "cansados de namorar". O sujeito lírico repete a palavra cansados para realçar, por um lado, o fascínio que ela exerce sobre eles, por outro lado, para vincar a inutilidade da tentativa destes, de esperar alguma coisa dela.
O comportamento da menina tonta revela-nos que se trata de uma rapariga sem desejos, ambições ou objectivos. É superficial. Os primeiros quatro versos do poema mostram bem a superficialidade da menina que gosta de agradar aos outros e a si mesma. É uma rapariga leviana, egocêntrica e narcísea.
"Coração sem corda" (coração de pedra), esta expressão indica a insensibilidade da menina; "Cabeça cheia de farelos" (cabeça cheia de areia, cheia de vento) significa que ela é fútil e superficial. Os recursos estilísticos predominantes neste poema são: anáfora e repetição ("A menina tonta", "com... cansados", "sem", "seda", "fria") mostra o constante comportamento fútil da rapariga e a espera constante dos namorados; metáfora ("olhos de retrós preto", "cabelos de linha de bordar", "a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho", "as olheiras postiças de crepe amarrotado"...). Nestas metáforas, o sujeito poético utiliza num dos termos comparativos tecidos e linhas de várias qualidades para significar a vaidade e a futilidade da menina tonta; comparação ("fria como a seda") aponta para a insensibilidade da rapariga.
Este poema apresenta marcas do código oral ("pra", o uso da repetição, pa ontuação variada - principalmente o uso das reticências - e o uso de expressões populares - "coração sem corda" e "cabeça cheia de farelos".
A nível formal, trata-se de uma poesia livre, não tem rima nem obedece às regras tradicionais de versificação. É um poema narrativo, mais próximo do tom coloquial.






A Mena na cozinha

Lombo assado com alhinho

1 cabeça de alhos
sal
azeite
piripiri
1 lombo de porco
vinho branco

Descasque os alhos e leve-os à picadora com sal.

Junte à pasta de alho com sal azeite e piripiri, misture bem os ingredientes.

Barre o lombo de porco com a pasta e leve ao forno a assar a 180º.

De vez em quando, regue a carne com um pouco de vinho branco e vire-a para cozinhar bem dos dois lados.

Sirva com puré de batata e salada.
Bom apetite!


Trabalhinho:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mãe é luz que não apaga!



Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drumond de Andrade


Dedico este poema à minha mãe que faz aninhos hoje: Parabéns, MÃE!


Eis o presentinho que preparei para a melhor mãe do mundo: pérolas para a pérola mais preciosa que nós temos (quem tem uma mãe, uma avó, uma sogra, uma amiga, uma companheira como a minha mãe, tem tudo, mas tudo mesmo!)



Como está bastante calor... que tal um batidinho para refrescar?


A Mena na cozinha

Batido de nectarina

4 nectarinas maduras

2 colheres de açúcar

2 copos de leite

gelo

Coloque todos os ingredientes na máquina dos batidos e ligue-a uns minutinhos.

Depois é só abrir a torneirinha, colocar uma palhinha e saborear. Hum!


A nectarina é um fruto resultante do cruzamento do pêssego com a ameixa vermelha. Ricas em betacaroteno e potássio, as nectarinas fornecem quantidades moderadas de vitamina C (ácido ascórbico), que dá resistência aos tecidos e age contra as infecções. São, ainda, ricas em pectina (uma fibra extremamente solúvel); em retinol (vitamina A), indispensável para a protecção da vista, conserva também a saúde da pele e auxilia no crescimento; niacina (vitamina B3), bastante importante, pois actua juntamente com outras substâncias na digestão, além de estimular o apetite.

A sua polpa é rica em bioflavonóides e carotenóides, pigmentos vegetais antioxidantes que ajudam a proteger contra o cancro e outras doenças. A casca contém fibra insolúvel, que ajuda a prevenir a prisão de ventre.




E agora, para terminar, uma


Lição de honestidade


Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar contra a Fome.

Quando tomei posse como presidente da Câmara de Santarém fui confrontado com a quantidade de prendas que chegavam ao meu gabinete. Era a véspera de Natal. Para um velho polícia, desconfiado e vivido, a hecatombe de presuntos, leitões, garrafas de vinho muito caro, cabazes luxuosos e dezenas de bolo-rei cheirou-me a esturro. Também chegaram coisas menores. E coisas nobres: recebi vários ramos de flores, a única prenda que não consigo recusar.


Decidi que todas as prendas seriam distribuídas por instituições de solidariedade social, com excepção das flores. No segundo Natal a coisa repetiu-se. E então percebi que as prendas se distribuíam por três grupos. O primeiro claramente sedutor e manhoso que oferecia um chouriço para nos pedir um porco. O segundo, menos provocador, resultava de listas que grandes empresas ligadas a fornecimento de produtos, mesmo sem relação directa com o município, que enviam como se quisessem recordar que existem. O terceiro grupo é aquele que decorre dos afectos, sem valor material mas com significado simbólico: flores, pequenos objectos sem valor comercial, lembranças de Natal.
Além de tudo isto, o correio é encharcado com milhares de postais de boas-festas que instituições públicas e privadas enviam numa escala inimaginável. Acabei com essa tradição. Não existe tempo para apreciar um cartão de boas--festas quando se recebe milhares e se expede milhares.


Quanto às restantes prendas, por não conseguir acabar com o hábito, alterei-o. Foi enviada nova carta em que informámos que agradecíamos todas as prendas que enviassem. Porém, pedíamos que fosse em géneros de longa duração para serem ofertados ao Banco Alimentar contra a Fome. Teve um duplo efeito: aumentou a quantidade de dádivas que agora têm um destino merecido. E assim, nos últimos dois Natais recebemos cerca de 8 toneladas de alimentos.


Conto isto a propósito da proposta drástica que o PS quer levar ao Parlamento que considera suborno qualquer oferta feita a funcionário público. Se ao menos lhe pusessem um valor máximo de 20 ou 30 euros, ainda se compreendia e seria razoável. Em vários países do mundo é assim. Aqui não. Quer passar-se do 8 para o 80. O que significa que nada vai mudar. Por isso, fica já claro que não cumprirei essa lei enquanto funcionário público. Enquanto autarca aceitarei prendas que possam ser encaminhadas para o Banco Alimentar. E jamais devolverei uma flor que me seja oferecida.


Francisco Moita Flores, Professor Universitário e Presidente da Camara Municipal de Santarém