terça-feira, 5 de julho de 2011

Um misto de satisfação e de desilusão...




Uau, acabei de ver os exames! Estou satisfeita, porque, finalmente, estão todos arrumadinhos no envelope, prontinhos para entregar.

Estou triste! Os resultados foram muito mauzinhos! Sinto um misto de satisfação e de desilusão. O bom disto tudo, é que não tive 9.º ano este ano lectivo, logo as muitas asneiras e barbaridades (como diz o mfc!) que surgiram nos exames não são de alunos meus!


Esta era uma das perguntas do exame que estive a corrigir:

Parte C

Lê a estrofe 84 do Canto IV de Os Lusíadas, a seguir transcrita, e responde, de forma completa e bem estruturada, ao item 9. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

E já no Porto da ínclita Ulisseia (1),
Cum alvoroço nobre e cum desejo

(Onde o licor mistura a branca areia
co salgado Neptuno e doce Tejo)
As naus prestes estão; e não refreia
Temor nenhum o juvenil despejo (2),
Porque a gente marítima e a de Marte
Estão pera seguir-me a toda a parte.

Luís de Camões, Os Lusíadas


(1) ínclita Ulisseia – ilustre cidade de Lisboa.

(2) Despejo – atrevimento; desenvoltura.


9. Escreve um texto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual explicites o conteúdo da estrofe 84.


O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão.


Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos apresentados a seguir:


· Indicação do episódio a que pertence a estrofe.


· Identificação do narrador e dos grupos de personagens referidos como “a gente marítima e a de Marte” (verso 7).


· Referência ao momento da acção e apresentação de um elemento relativo ao espaço.


· Descrição do estado de espírito das personagens.


· Referência a uma semelhança entre este episódio e o episódio “O Adamastor”.


Reparem na resposta dada por um aluno:


A estrofe que vou explicitar é a estrofe 84, do canto IV de Os Lusíadas.

As personagens presentes nesta estrofe são Neptuno e a gente marítima, os peixes, a gente de Marte, mais precisamente os marcianos, é que a viagem era tão importante que até os marcianos estavam interessados, e o narrador que é o temível Baco.

Estas acções ocorrem num porto, mais detalhadamente no porto da ínclita Ulisseia. Como é especificado no texto: “E já no porto da ínclita Ulisseia”.

As personagens apresentam-se revoltadas com Baco por fazer a vida negra à gente marítima, tentando impedi-los de chegarem à Índia.

Uma das semelhanças entre este episódio e o do Adamastor era que os dois eram personagens do mal e não do bem.



Eis o que deveria conter a resposta a esta questão:


Cenário de resposta


Indica o episódio:

(a) “Despedidas em Belém”...


Identifica o narrador

(b) Vasco da Gama.


Identifica os dois grupos de personagens:

(c) os marinheiros (“gente marítima”) e os soldados (“gente de Marte”).


Refere o momento da acção. Por exemplo:

(d) o momento da partida das naus.


Apresenta um elemento relativo ao espaço:

(e) “no porto da ínclita Ulisseia” / “(Onde o licor mistura a branca areia/Co salgado Neptuno o doce Tejo)”.


Descreve o estado de espírito das personagens. Por exemplo:

(f) os marinheiros e os soldados estão animados e dispostos a seguir Vasco da Gama para onde quer que seja, não olhando a perigos.


Refere uma semelhança. Por exemplo:

(g) tanto “Despedidas em Belém” como “O Adamastor” são episódios da viagem para a Índia.



No grupo II, Conhecimento Explicito da Língua:


3. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e no modo indicados.

Escreve a letra que identifica cada espaço, seguida da forma verbal correcta.


Pretérito perfeito simples do indicativo

Os actores dessa peça a) (obter) grande reconhecimento do público pelo seu trabalho.


Futuro simples do indicativo

A representação dessa peça ............ b).......... (trazer) muito sucesso à companhia de teatro.


Pretérito imperfeito do conjuntivo

Os actores esperaram que os espectadores .......... c) ............ (parar) de aplaudir.


Futuro simples do conjuntivo

Se essa companhia de teatro ........ d) ........ (vir) a Portugal, quero assistir ao seu espectáculo.


Resposta de um aluno:

a) obteram

b) trazerá

c) paracem

d) vierá


Não há adjectivos para qualificar esta e outras respostas que vi nestes malfadados exames. Será que não leram as frases com as formas verbais que escolheram? Não se aperceberam que estas nem sequer existem?


Enfim!

Os resultados foram maus, em 34 provas que corrigi, houve 17 negativas. E todos os 48% e 49% foram puxados para 50%!


Para o ano, há mais! Como será? A ver vamos...

Há uma semana que...

...ando de volta dos exames do 9.º ano. Nunca vi tanto disparate junto! Já nem me dá vontade de rir!
Pronto, já desabafei, vou voltar ao trabalho.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

As contas do Palácio de Belém

45 mil euros por dia para a Presidência da República.


O DN descobriu que a Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano

(163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1,5 euros a cada português.

Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.

A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos serve para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes.

Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros), sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros) e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que 'custa' 46,6 milhões de euros anuais.

E tem o senhor Aníbal Cavaco Silva, a desfaçatez de nos vir dizer que - "os sacrifícios são para ser 'distribuídos' por todos os portugueses"...


(...? E não se pode 'privatizar' a Presidência da República ?...)



Cesário Verde

Cesário Verde nasceu a 25 de Fevereiro de 1855 em Lisboa, cresceu no seio de uma família burguesa dedicada ao comércio de ferragens, repartindo a sua existência entre a cidade e o campo.
Matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Lisboa, mas desistiu, indo trabalhar para a loja de ferragens de seu pai, na Baixa. Procurou debruçar-se sobre a realidade que o rodeava e, por isso, voltou-se para a poesia, chegando mesmo a publicar alguns poemas, em jornais e revistas.
A crítica literária não lhe poupou fortes críticas e a sua poesia despojada de artifícios e traços sentimentais não foi bem recebida. Debilitado pela tuberculose foi viver para a quinta de seus pais em Linda-a-Pastora. Faleceu aos 31 anos sem ter visto a sua obra publicada.
Os jornais da época pouca ou nenhuma referência fizeram à sua morte. Em A Ilustração disse Mariano Pina sobre a sua obra: "A minha geração perde em Cesário Verde um dos seus espíritos mais originais e mais nobres. Não foi um grande artista que morreu. Morreu o embrião de um grande artista, cujo talento estava destinado a marcar uma época, a triunfar ruidosamente de tudo e de todos!"


Se eu não morresse,
nunca! E eternamente
buscasse e conseguisse
a perfeição das cousas!

Cesário Verde






Certo dia, um cliente da loja de ferragens do pai de Cesário Verde enviou-lhes uma carta em forma de insulto. Cesário não se fez rogado e respondeu-lhe também em carta:
“...advirto-o que sou um homem de letras antes de ser negociante e que o meu gosto literário é muito exigente. Nem todos os autores me agradam. Rogo-lhe por isso que me poupe à leitura das suas insuportáveis lucubrações mercantis.”.