8 de Abril - de tarde
Visita à Basílica do Sacré coeur, Place du Tertre e passeio a pé por Montmartre
A aventura dos onofrinhos continua: informaram-nos que teríamos de andar muito e até de galgar uma escadaria que nunca mais acabava para visitarmos, no topo da única colina de Paris, a Basílica do Sagrado Coração. Alguns alunos começaram logo a recusar tal subida, estavam cansados, ficavam por ali: "Por favor, professora, não nos obrigue."
"Por favor! Eu é que digo por favor! Então os cotas, a brigada do reumático vai subir e os jovens não sobem? Nem pensem nisso, tudo à minha frente."
"Mas, são só estes degrauzitos, que grandes exagerados! Eu a pensar que era como aquela igreja em Braga, Bom Jesus de Braga, que tem degraus que nunca mais acabam. Isto sobe-se com uma perna às costas!"
Montmartre significa “Monte dos Martírios” e segundo a lenda foi ali que Saint-Denis, primeiro arcebispo de Paris, foi martirizado com os seus companheiros.
Trata-se de um bairro boémio parisiense. Fica no cimo de uma colina e já no tempo dos gauleses era um lugar de culto. Consagrada a São Dionísio, tornou-se, na Idade Média, um lugar de peregrinação e, em 1133, passou para a jurisdição dos Beneditinos que ali cultivavam as suas vinhas.
Graças à sua posição estratégica, Montmartre foi muitas vezes centro de comandos militares. Em 1860, o bairro uniu-se à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida nocturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Renoir, Van Gogh, Picasso, Salvador Dali… frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima bem intelectual e artístico.
Hoje, as suas ruas ainda se animam com artistas e turistas que passeiam pelas ladeiras à procura de lugares famosos e bares bem abastecidos.
No ponto mais alto da colina situa-se a Basílica do Sacré Cœur.
Basílica do Sacré coeur
A basílica está localizada no topo da montanha de Montmartre, o ponto mais alto da cidade, a 129 metros acima do nível do mar.
A ideia de construir um templo dedicado ao Sagrado Coração surgiu depois da guerra Franco-Prussiana (1870), como pagamento de uma promessa feita por Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury de erguer uma igreja caso a França sobrevivesse às investidas do exército alemão. O arquitecto Paul Abadie projectou a basílica depois de vencer um concurso com mais de 77 arquitectos, mas morreu em 1884 logo após o início da obra. O estilo é marcado por influências romanas e bizantinas. Muitos elementos da basílica são baseados em temas nacionais: o pórtico, com três arcos, é adornado pelas estátuas de Santa Joana D’Arc e do Rei São Luís IX; e o sino de dezanove toneladas (um dos mais pesados do mundo) que se refere à anexação de Savoy em 1860.
A sua construção começou em 1875 e foi concluída em 1914, embora a consagração da basílica tenha ocorrido apenas após o final da Primeira Guerra Mundial.
A basílica possui um jardim para meditação, com uma fonte. O topo é aberto aos turistas e é como uma janela que se abre sobre Paris, os nossos olhos alongam-se na mais espectacular paisagem sobre a cidade luz.
Place du Tertre é uma praça que mais parece uma exposição de pintura e caricatura ao ar livre! Há mil pintores e caricaturistas com os seus cavaletes e restante material de pintura que nos abordam de lápis e prancheta em punho e que, antes de qualquer resposta afirmativa ou negativa, começam logo a riscar e a rabiscar o nosso nariz.
Alguns alunos, submissos ao traço dos artistas, viram-se a fazer de paisagem durante algum tempo, outros renderam-se aos grandes olhos, às orelhas descomunais, aos narizes de Pinóquio e às cristas emproadas e vieram felizes com as suas caricaturas, por vezes, com traços tão exagerados que mal conseguíamos descortinar qualquer semelhança com o modelo.
A praça está rodeada de restaurantes e cafés e o cheirinho a crepes e a outras iguarias perfumadas convida os visitantes ao lanche e nós não tivemos como fugir àquele apelo mudo. Sentámo-nos numa esplanada, mas os artistas teimavam em fixar-se ao nosso lado a tirar-nos as medidas de lápis em riste. Achámos melhor, então, procurar protecção dentro do pequeno estabelecimento e pedimos três crepes: eu preferi o meu com doce de maçã e canela, a M pediu um simples só com canela e açúcar e a C escolheu o dela com gelado. Não achámos nada de extraordinário, cheiravam melhor do que sabiam. No Central, são bem melhores, concluímos!


2 saquetas de gelatina de tangerina
2 dl de natas
0,5 l de água + 3 dl
Delicie-se!
Trabalhito:
Mais um selinho oferecido pela Rebeca e pelo Jota Cê e que eu ofereço aos meus fiéis visitantes. Obrigada, amigos!
