domingo, 25 de julho de 2010

O menino da sua mãe






O menino da sua mãe


No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mão. Está inteira
É boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece")
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.

Fernando Pessoa


Este poema constituído por seis estrofes de cinco versos (quintilhas), de versos regulares de seis sílabas (hexassílabos) e rimados (abaab). Trata-se de um poema de base narrativa, com narrador - o sujeito poético; narração de uma história; acção - a morte na guerra; personagens; espaço - plaino abandonado / lá longe, em casa; e tempo - passado. O narrador é subjectivo, emite juízos de valor sobre o que conta e até sobre os motivos desta morte prematura.
Nas duas primeiras estrofes, conta-se a situação vivida pela personagem principal e também se faz o seu retrato no momento actual.
Nas estrofes seguintes, predomina a emoção, o discurso valorativo. O jovem, cuja juventude e perda dela são referidas em frases exclamativas, que já não tem idade (como se refere entre parênteses - discurso parentético) é, afinal, "filho único", cujo nome é, por vontade materna, O menino da sua mãe - é um menino-símbolo de uma mãe-símbolo e ambos personagens colectivas. Na quarta e quinta estrofes volta-se à descrição e à emoção: a cigarreira breve, símbolo do que não morre, do que fica de uma vida, essa sim breve; o lenço bordado dado pela criada velha/que o trouxe ao colo.
A última quintilha lança um olhar sobre o espaço familiar: "Lá longe, em casa, há uma prece:/Que volte cedo e bem!" Mas a prece é, sem que lá em casa se saiba, inútil, porque agora "o menino da sua mãe" "jaz morto e apodrece" (este verbo substitui e intensifica o realismo do arrefece contido na primeira estrofe). Novo discurso parentético que aponta, de forma subtil, o que está por detrás desta morte prematura (Malhas que o Império tece), isto é, hoje e sempre, as vítimas que o desejo de Impérios faz.

A acção do poema decorre "No plaino abandonado". O poema gira à volta de uma só personagem: um jovem soldado. O soldado é jovem, jazendo morto no plaino, trespassado por duas balas, de lado a lado, farda ensanguentada, braços estendidos, alvo, loiro, exangue, com olhar langue e cego. Junto ao soldado encontram-se dois objectos (uma cigarreira e um lenço) que lhe caíram da algibeira, simbolizando a forte ligação afectiva entre ele e o ambiente familiar, nomeadamente com a mãe e a velha criada. Como o soldado, estes objectos também jazem abandonados no campo da batalha, mas "É boa a cigarreira, ele é que já não serve".
Os dois primeiros versos da última estrofe contrastam com o último da primeira estrofe do poema. Há um contraste entre a lembrança e o desejo que o soldado volte para casa e a situação de abandono e esquecimento a que ele é votado.
No terceiro verso da última estrofe, o sujeito poético pretende mostrar , através da ironia, intensificando a sua crítica, o absurdo da guerra, a sua inutilidade e a sua tirania que não respeita a vida nem os laços que unem as pessoas.
O título deste poema condensa o carinho, o zelo e a preocupação que esta mãe dedicou ao seu único filho que pereceu daquela triste maneira.

Na primeira parte do poema (duas primeiras estrofes), o sujeito poético conta que naquele terreno (“No plaino abandonado”) se encontra o corpo do “menino da sua mãe” que vai arrefecendo apesar da “morna brisa”. No primeiro verso há uma hipálage: não é o plaino que está abandonado, mas o menino. Predominam, nesta parte, as frases declarativas para mostrar a profundeza do tema, pois retrata o desabar dos sonhos.
A segunda parte inicia-se com duas frases exclamativas para reforçar a efemeridade da vida do menino. A repetição do adjectivo “jovem” relaciona-se com a expressividade das frases exclamativas que pretendem demonstrar com emoção o quão jovem era o menino quando morreu.
Há uma ligação entre os objectos e o jovem soldado: a “cigarreira” e o “lenço”. “A cigarreira breve”: hipálage, trata-se da brevidade da vida do menino que nem teve tempo para utilizar a cigarreira. “A brancura embainhada/de um lenço”: hipálage que se relaciona com a anterior devido à reduzida duração da vida do menino, o lenço que nem teve tempo de usar.
Na terceira parte do poema: discurso parentético “(Malhas que o império tece)” onde se pretende fazer uma acusação revoltosa ao império em questão. Surge, finalmente, a mãe que simboliza a esperança, a saudade, o carinho e o amor, que se encontra em casa – ambiente oposto ao plaino. No penúltimo verso finaliza-se a gradação iniciada no último verso da primeira estrofe (Jaz morto, e arrefece (...) Jaz morto, e apodrece), que pretende traduzir a passagem do tempo durante o poema, em que nós, leitores, sabemos o que se passa, mas a mãe e a ama não.





A Mena na cozinha


Pudim de maracujá


1 gelatina de maracujá

1 lata de leite condensado

1 lata de polpa de maracujá


Prepare a gelatina segundo as indicações da embalagem. Junte o leite condensado, misturando bem e, por fim, a polpa de maracujá.

Coloque numa forma e leve ao frigorífico.

Delicie-se!




Trabalhinhos:






quinta-feira, 22 de julho de 2010

São Leonardo da Galafura

Foto da Net



São Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!


Miguel Torga

Assunto:
São Leonardo navega vagarosamente ao longo da terra duriense, num antecipado "desengano" do que será "o cais divino" e já vergado às saudades da terra que vai deixar.

O poema divide-se em três partes lógicas que correspondem à divisão formal do poema (às três estrofes).
Na primeira parte, o sujeito poético imagina São Leonardo "à proa de um navio de penedos", a navegar num "doce mar de mosto", em direcção à eternidade, mas já quase arrependido de deixar o "cais humano" (a terra duriense), como que "num antecipado desengano" da vida que está para lá do "cais divino".
Na segunda parte (segunda estrofe), o sujeito poético aponta a razão do desengano referido atrás: lá na eternidade não haverá socalcos, nem vinhedos, em vez da água do Douro haverá charcos de luz, não haverá montes, estendendo-se pelos horizontes até se apagar a cor da vida.
Finalmente, na última parte (terceira estrofe) o sujeito poético regressa à imagem da primeira parte: o santo a navegar cada vez mais vagarosamente em direcção à eternidade, porque "cada hora a mais que gasta no caminho, é um sorvo a mais de cheiro a rosmaninho".
O poema revela-se assim com uma estrutura circular: viagem vagarosa do Santo através do Douro -> razão dessa lentidão -> retorno à morosidade da viagem em direcção à vida eterna.

A nível morfo-sintáctico, é de realçar, em primeiro lugar, o uso do tempo presente na primeira e última estrofes. O presente (é, ruma, avança, passa), no seu aspecto durativo, sugere a permanência, o lento desenrolar da viagem do Santo. Tal sugestão do deslizar lento da acção é ainda dada pelas perifrásticas (a navegar, vai sulcando), pelo particípio "Ancorado "(permanência da acção), pela expressão adverbial "sem pressa" e pelos advérbios "devagar" e "lentamente". Na segunda parte do texto (segunda estrofe) já predomina o tempo futuro (terá, serão, deixarão), porque o sujeito poético se refere à vida eterna (futura), para onde o Santo lentamente se dirige. É reduzido o número de adjectivos, mas os poucos existentes ligam-se a nomes metafóricos importantes na expressão da mensagem poética: "doce mar de mosto", "cais humano", "cais divino", "antecipado desengano", "charcos de luz envelhecida", "rasos os montes".
A ligação frásica, quer entre orações, quer entre períodos, é sempre feita por coordenação (geralmente assindética), o que está de harmonia com a natureza do texto: um desenrolar de factos da viagem de São Leonardo. A oração conclusiva introduzida por "por isso" estabelece uma relação de consequência entre o desengano antecipado do Santo e a sua regalada demora ao longo do Douro. Há apenas uma oração subordinada relativa (que gasta no caminho). Os outros "que" que aparecem no poema, fazem parte da expressão de realce "é que".
Mas é no aspecto semântico que o texto se revela mais profundamente poético. Uma sucessão de metáforas (navio de penedos, doce mar de mosto, capitão, as ondas da eternidade, cais humano, cais divino, charcos de luz, rasos os montes) dá-nos a bela imagem de São Leonardo navegando, já cheio de saudades da terra duriense, em direcção à eternidade, e da qual antecipadamente já está desiludido.. Esta imagem serve admiravelmente para realçar a beleza da terra em socalcos do Alto Douro, perante a qual a própria felicidade eterna é um desencanto. Há evidentemente nesta imagem uma grande dose de sentido hiperbólico.
O apego de São Leonardo à terra duriense é ainda mais realçado, no fim do poema, pela morosidade da viagem (devagar, lentamente, porque cada hora que gastasse a mais no caminho seria um sorvo a mais de cheiro a terra e a rosmaninho.
O sujeito poético imagina o Santo a navegar não num barco celestial, mas num navio de penedos (alusão às serranias transmontanas) e, para mais claramente se identificar com as terras do Douro. Na última estrofe, o Santo já desliza num barco rabelo (embarcação própria do rio Douro, que transportava o vinho para o Porto).
É ainda muito expressiva a hipálage contida na expressão "Lá não terá socalcos nem vinhedos na menina dos olhos deslumbrados" (o deslumbramento não é propriamente dos olhos, mas do Santo). Também se pode considerar uma personificação dos olhos.
Há ainda a sinestesia na expressão "é um sorvo (gosto) a mais de cheiro (olfacto)..."
Quanto ao aspecto formal, o poema é constituído por três estrofes irregulares (onze, nove e sete versos), de métrica igualmente irregular (há versos de duas a onze sílabas); quanto à rima, além de alguns versos soltos em todas as estrofes, há rima emparelhada e interpolada (primeira e segunda estrofes), emparelhada e cruzada (última estrofe).
Neste poema, o ritmo é sempre repousado, sobretudo na última estrofe, de harmonia com o andamento moderado da viagem do Santo.






A Mena na cozinha

Atum com natas
4 latas de atum
1 kg de batatas
1 cebola grande
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de farinha
5 dl de leite
2 dl de natas
1 colher de sopa de mostarda
1 limão
sal
pimenta
queijo ralado

Descasque e corte as batatas aos cubinhos. Frite-as em azeite. Corte a cebola em rodelas fininhas e leve-as a alourar em 2 colheres de azeite. Quando estiver lourinha, junte o atum e as batatas fritas.

À parte, dissolva a farinha no azeite restante e regue com o leite. Quando estiver a ferver, adicione as natas. Retire do lume e tempere com a mostarda, o sumo de limão, o sal e a pimenta.

Junte ao atum e às batatas fritas e envolva bem.
Deite num tabuleiro que possa ir ao forno .

Polvilhe com queijo e leve ao forno até alourar a superfície.

Entretanto, faça uma boa saladinha.

Bom apetite!


Trabalhinhos:



quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pequenina

Pequenina

A Maria Helena Falcão Risques

És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!

Florbela Espanca

O sujeito poético, ao dedicar este poema à Maria Helena, realça as suas características físicas e psicológicas. A menina é pequena e alegre, tem a boca pequena e cor-de-rosa, tem a tez branca; é graciosa, tranquila e gentil.
A imagem da Helena provoca no sujeito poético sentimentos de prazer e alegria - "És pequenina e ris", "és um pequeno idílio cor-de.-rosa"; bem-estar - "Que nesta vida amarga e tormentosa/te fez nascer como um perfume leve/O ver o teu olhar faz bem à gente".
Na apreciação que o eu lírico faz da menina, utiliza metáforas: "É um pequeno idílio cor-de-rosa ...", "Haste de lírio frágil e mimosa!", "Cofre de beijos feito sonho e neve!", "Doce quimera que a nossa alma deve". E acentua a graciosidade da pequenina através da comparação: "Te fez nascer como um perfume leve!"
Na última estrofe do soneto, o sujeito poético exprime um desejo em relação à menina: não quer que Maria Helena venha a ter uma vida de sofrimento como ela.






A Mena na cozinha

Suspiros

4 claras
250 grs de açúcar
1 colher de sopa de maisena
2 colheres de chá de vinagre
1/4 de colher de chá de essência de baunilha

Bata as claras em castelo e adicione o açúcar, uma colher de cada vez, batendo até ficarem bem firmes.

Acrescente a maisena, o vinagre e a baunilha.

Faça montinhos sobre um tabuleiro forrado com papel manteiga e leve ao forno até ficarem dourados.

Deixe arrefecer e remova o papel.



Delícia de morangos com suspiros

200 ml de natas

300 g de morangos laminados

2 colheres de sopa de açúcar

50 g de suspiros esfarelados


Fatie os morangos e reserve.

Bata as natas com o açúcar até ficarem bem firmes.

Numa taça, coloque alternadamente os suspiros esfarelados, os morangos e o chantilly até esgotar os ingredientes.

Enfeite com os morangos restantes.








Trabalhinhos: