quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Listen to my music and lets sing


Manhã Cinzenta
Faz me chorar
A chuva lembra
O teu olhar
As folhas mortas
Caem no chão
A dor aperta
O coração
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pra meu peito
Daqui não saias mais

Perdi me AMOR
Pra te encontrar
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pro meu peito
Daqui não saias mais

Um jornal não pode ter duas escritas




(Des)Acordo Ortográfico separa os “maquisards” dos “vende-pátrias”?


Mosquitos por cordas. De entre as mais patuscas expressões da coloquialidade portuguesa, esta é a que melhor descreve, a meu ver, a nova querela dos universais em que está envolvida a nata dos bem-pensantes do burgo: o Acordo (ou desacordo) Ortográfico.

Uma cena com “tantos ferros, tantos golpes, tanto sangue a espadanar”, como não havia desde a Tomada de Lisboa no livro da (minha) terceira classe e de cujo autor se guardou tão recatado quão misterioso silêncio em matéria de identidade – havia de sobrar para mim.

Ainda nem tinha tomado bem posse do cargo e já me era enviada, pelos serviços comerciais, a carta de um leitor a solicitar o cancelamento imediato, a partir de 1 de Janeiro, da sua assinatura electrónica e a devolução do montante referente aos números que não serão usufruídos. Mais grave do que isso, o leitor despedia-se do DN, deixando de o ler – até que o Acordo Ortográfico de 1990 seja extinto. Interrogava-se o (ex-)leitor: “Como pode o DN adoptar um Acordo Ortográfico pejado de incongruências, facultatividades e péssimas soluções técnicas, denunciado por nove pareceres negativos que várias instituições emitiram ao longo dos anos, nomeadamente, o Departamento de Linguística da Faculdade de Letras de Lisboa, a Comissão Nacional da Língua Portuguesa, a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, a Associação Portuguesa de Linguística e a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros?” (Texto já vertido nos termos do Acordo Ortográfico.)

Outro leitor, desejando-me felicidades nesta tarefa, pediu os meus “bons ofícios para fazer com que o DN volte a ser escrito em português e abandone o brasilês que o AO nos trouxe”.

Do lado oposto, uma leitora interpelou-me, recordando que o DN aderiu ao acordo que rege agora a escrita do português. No entanto, observou que “a maioria dos vossos cronistas não ‘aderiu’”, o que a leva a interrogar: “Podem as instituições ou indivíduos não aderir a uma legislação nacional se esta não lhes agrada? Eu posso não aderir ao IRS português, vivendo e trabalhando aqui?”

Acrescenta a leitora um segundo argumento em forma de pergunta: “Se um jornal cumpre a norma oficial linguística, podem alguns dos seus escribas ser livres de a cumprirem? E se sim, não deveria o DN transcrever as suas crónicas na norma padrão, por respeito aos seus leitores?”

A leitora, que afirma ter especialização em linguística portuguesa, lembra que “um Acordo Ortográfico não rege uma Língua, nem sequer a escrita, apenas normaliza a ortografia, a parte mais convencional do código”. Além disso, diz a leitora, “a ortografia nada tem a ver com patriotismo (…): a minha mãe sempre escreveu mãe com ‘i’; os meus avós escreveram farmácia com ‘ph’, porque assim lhes ensinaram – e não eram mais patriotas que eu, nem eu mais do que eles…”.

Remata a leitora com uma indisfarçável “bicada”: “Também já observei que a preguiça e o comodismo sempre se disfarçaram com argumentos nobres…”

Por coincidência, esta última carta chegou-me poucas horas depois de também eu ter reparado na profusão de colunistas do DN que “por decisão pessoal não escrevem segundo o novo Acordo Ortográfico”.

(Peço desculpa de lhes chamar “colunistas” e não “cronistas”, porque sou defensor da tese de que a crónica é um género jornalístico que se suporta num relato – crónica desportiva, tauromáquica, parlamentar, de viagem – e, se muita gente utiliza o termo para designar artigo de opinião, provavelmente o faz por impensado e atávico francesismo. Também tenho direito ao meu quinhão de “patriotismo” e sempre aproveito para homenagear o primeiro dos nossos cronistas, Fernão Lopes…)

Com dúvidas semelhantes às expressas pela leitora, interpelei o director do DN, João Marcelino, querendo saber, nomeadamente, quantos colaboradores – uma vez que essa possibilidade apenas foi conferida a quem não pertence aos quadros da Redacção – teriam feito essa exigência. João Marcelino respondeu que não se tratou de “exigência”, mas de iniciativa da Direcção do jornal que “entendeu, em virtude, até, das posições públicas conhecidas de alguns dos colaboradores (externos) da área de Opinião/Análise, que devia colocar essa possibilidade à consideração de cada um deles. Das respostas obtidas, verificou-se que 13 optaram pela antiga grafia e sete aderiram às regras do Acordo Ortográfico. Este é o ponto da situação neste momento, que não inclui os jornalistas da casa que também escrevem colunas de opinião. Se somarmos esses artigos de gente da casa, pode dizer-se que a percentagem está nos 50%. No caso dos ‘convidados’ (secção Fórum) respeita-se a grafia utilizada no envio dos textos”.

Perguntei também se todos os textos que são publicados no DN passam pelo crivo do sector da Revisão e João Marcelino assegurou “esse é o processo normal” e “são essas as indicações que presidem à feitura do jornal”. No entanto, relativamente aos colaboradores que não escrevem segundo o Acordo Ortográfico, a Revisão “possui uma lista de nomes, por dias, com a indicação da respectiva opção”.

Por bem-fazer mal haver, diria eu. Por gentileza, a Direcção do DN ofereceu aos seus colaboradores externos a possibilidade de verem publicados os seus textos em duas grafias alternativas, mas não estou certo de que previsse a dimensão do número de “insubmissos”. O resultado disso é o DN aparecer aos seus leitores como um jornal que respeita o Acordo Ortográfico na sua produção própria, desde 1 de Janeiro, tal como se havia comprometido há ano e meio – segundo me informou o director – e viu transformado o seu espaço de opinião externa numa trincheira contra o mesmo Acordo Ortográfico.

Tenho assistido – sem grande vibração, diga-se – à troca de opiniões, mais ou menos acaloradas, mais ou menos profundas sobre a questão do Acordo Ortográfico. Descaracterização da língua, submissão ao brasilês, com tudo se argumenta, até com o “matriotismo” obstinado do “foi assim que me ensinou a minha santa professora da escola primária”.

Contra este último argumento entro eu: se eu dissesse que, na véspera de passar a escrever segundo o Acordo Ortográfico, ainda o fazia como mo ensinou a minha santa professora Dona Aspulqueta, ela ressuscitaria só para me levantar em peso pelas orelhas com a força que nunca teve, ou tornaria de novo à vida o meu sagrado professor Coelho da Escola 154, ao Arco do Cego, para me fazer as mãos em bolo com a menina dos cinco olhos com que nunca me tocou. “Onde estão os acentos graves para assinalar vogais abertas em sílabas não tónicas, menino?” (Zás-que-zás, puxa-que-puxa!) “Onde estão os acentos circunflexos a evitar confusões entre pelo e pêlo, maroto? (Queres mais?)”

Pois é, não me venham com fidelidades às nossas professoras porque há muito que as traímos – eu sempre a contragosto – quando aceitámos uma outra reforma ortográfica, que veio de pantufas não sei quando e nos mandou deixar para trás o critério fonético da ortografia, partindo do princípio que “toda gente” sabe pronunciar as palavras, pelo que não é preciso estar com muitos rigores. Essa sim, foi a reforma que desfigurou a nossa ortografia – mas onde estavam os que deviam protestar e me deixaram (ainda hoje) vox clamantis in deserto?

O actual Acordo segue a mesma lógica do outro – o de pantufas – só que é mais fonético, por assim dizer, escrevendo-se as palavras como são pronunciadas. A escrita fica por vezes parecida com a dos Patos Donalds da nossa infância? Que mal tem? Até dá saudades, bem vistas as coisas.

Não creio que se possa falar em descaracterização da língua: as palavras são as mesmas, a construção não foi alterada, o instrumento de raciocínio e de comunicação está intacto. É apenas uma convenção sobre a forma.

“As armas, & os barões aßinalados, / Que da Occidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados, / Passaram, ainda alem da Taprobana, / Em perigos, & guerras esforçados, / Mais do que prometia a força humana. E entre gente remota edificarão / Nouo Reino, que tanto sublimarão.” Assim escreveu Camões, a começar Os Lusíadas. Escreveu? Nem sei. Sei apenas que foi assim que saiu, em 1572, da oficina “em casa de Antonio Gõçaluez”. Estará o nosso Épico a dar voltas na campa por lhe andarmos a “desfigurar” o que escreveu?

Mas já fui mais longe do que queria nesta matéria. Só o fiz um pouco para tentar desdramatizar esta querela. Há porém, aqui, uma questão de fundo que me preocupa mais, nas funções que exerço: o serviço ao leitor – e o respeito pelos jornalistas que são os primeiros servidores do leitor.

Um jornal não pode ter duas escritas, é por isso que tem um serviço de Revisão que, se ainda for como era no tempo em que aqui eu era redactor, tinha de saudável aquilo que Vergílio Ferreira disse um dia de Jean-Paul Sartre: “Um rigor que é quase um rigorismo.” É sua função homogeneizar a ortografia do jornal, segundo as regras da língua e as normas definidas no Livro de Estilo, nomeadamente para a unificação de nomenclatura e toponímia estrangeiras. E quando a Revisão altera um original neste sentido, não está a “desfigurar” a escrita seja de quem for: está a normalizá-la. É esse o serviço ao leitor.

Além disso, esta questão está entrelaçada com concepções quase “patriotísticas”, permita-se-me esta “desfiguração”: parece existir um núcleo rebelde resistente, uma espécie de “maquisards” da ortografia, oposto aos desavergonhados “vende-pátrias” que aceitam submissamente o império do Acordo Ortográfico. É intolerável num jornal. E torna-se insultuoso para os seus jornalistas.

Já houve um tempo para que as pessoas manifestassem as suas ideias sobre esta matéria. Entendeu a Direcção prolongar por mais algum tempo esta dupla ortografia. Perguntei a João Marcelino se estava estabelecido um limite temporal. Respondeu o director do DN: “Parece-me que faz todo o sentido que seja estabelecido esse limite temporal. A Direcção do DN ainda não debateu o assunto mas vai fazê-lo brevemente e ouvir também a opinião do Conselho de Redacção e dos nossos colaboradores que agora optaram por continuar a escrever segundo a anterior grafia.“

Ou segundo o Acordo ou segundo o desacordo. O DN que escolha. Com a brevidade que o serviço ao leitor exige.


Óscar Mascarenhas

Heróis do nosso tempo

José Sócrates - O que admira neste homem é ele ter chegado a chefe de um grande partido e a primeiro-ministro. Tudo o resto se explica: a ignorância, a irresponsabilidade, o autoritarismo e a noção de que a política era uma forma de teatro. Mesmo assim, ganhou a confiança de gente que devia saber mais e os portugueses só correram com ele no último momento. Irá com certeza ficar como o emblema da decadência do regime.

Cavaco - Depois de um primeiro mandato que se distinguiu pela patriótica ambição de ganhar um segundo, no fim Cavaco lá ganhou.
Entretanto, para não perder um voto, evitou prevenir o país do estado em que de facto estava e da catástrofe que lhe preparavam. Continua a ser o que sempre foi: um discípulo menor de Marcelo Caetano, com uma vaguíssima inclinação para a social- democracia. Num aperto, não se pode contar com ele.

Pedro Passos Coelho - Simpático, bem-intencionado, relativamente instruído e muito bom aluno, tenta cumprir o programa da troika, que de resto recebeu de fora e a situação não lhe permite alterar. Mas, no meio disto, até agora não mostrou que tinha a sombra de uma ideia própria e do destino que pretendia dar a Portugal. Alguma retórica "liberalizadora", ainda por cima obscura e ambígua, como a do discurso de Ano Novo (ou de Natal), não chega para convencer ninguém. Os portugueses continuam brandamente a acreditar nele. Sem grande confiança.

António José Seguro - Veio do nada, não fez nada, vai voltar para o nada. Perfeito produto de uma escola partidária (no caso, a do PS), não merece mais. Hoje mesmo é difícil ouvir com atenção as vacuidades, que ele provavelmente toma por pensamento político.

Troika - Apareceram por aqui uns funcionários, que não conhecem Portugal e não falam português. Mas que por inspiração doutrinária já traziam a receita para nos reformar. Que o país não seja exactamente o que eles pensam, nem reaja exactamente como eles querem, nunca certamente lhes passou pela cabeça. Livros são livros e o que vem nos livros vale muito mais do que a realidade. Se as coisas se estragarem, paciência. Eles não se importam. Há no mundo outras freguesias para irem pregar. Esta é a "Europa" onde nos meteram.


Vasco Pulido Valente

O carácter internacionalista do povo Português!





Se tem um problema intrincado

Vê-se grego

Se não compreende alguma coisa

"Aquilo" é chinês

Se trabalha de manhã à noite

Trabalha que nem um mouro

Se vê uma invenção moderna

É uma americanice

Se alguém fala muito depressa

Fala que nem espanhol

Se alguém vive com luxo

Vive à grande e à francesa

Se alguém quer causar boa impressão

É só para inglês ver

Se alguém tenta regatear um preço

É pior que cigano!

Se alguém é agarrado ao dinheiro

É pior que judeu

Se vê alguém a divertir-se

Está a gozar que nem um preto

Se vê alguém com um fato claro vestido

Parece um brasileiro

Se vê uma loura alta e boa

Parece uma autêntica sueca

Se quer um café curtinho

Pede uma italiana

Se vê horários serem cumpridos

É pontualidade britânica

Se vê um militar bem fardado

Parece um soldado alemão

Se uma máquina funciona bem

É como um relógio suíço

Mas quando alguma coisa corre mal

É "à PORTUGUESA"

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Screvo Meu Livro à Beira-Mágoa - Fernando Pessoa - Mensagem

'Screvo meu livro à beira mágoa.
Meu coração não tem que ter.
Tenho meus olhos quentes de água.
Só tu, Senhor, me dás viver.

Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar?
Quando é o Rei? Quando é a Hora?

Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,
E a despertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?

Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?

Ah, quando quererás voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?

Este poema é constituído por cinco estrofes (quadras) com versos de oito sílabas e rima cruzada (ABAB), sendo a maioria acentuados na 4.ª e 8.ª sílabas. Há ainda encavalgamento nos dois primeiros versos da segunda estrofe, nos primeiro e segundo e nos terceiro e quarto versos da terceira estrofe, em toda a quarta estrofe e nos primeiro e segundo versos da quinta estrofe.

Trata-se de um poema sebastianista, em que o poeta, nos limites da mágoa, apenas consegue preencher os seus dias no refúgio do mito dum Salvador Encoberto que há-de vir redimi-lo e realizar um sonho português de muitas eras. Estando embora ciente da sua existência, a ponto de o sentir e pensar, assalta-o a dúvida de saber quando a sua vinda (o regresso) se irá processar.

O poema divide-se em duas partes:
  • a primeira parte é constituída pelos seis primeiros versos: o poeta fala-nos da sua tristeza (três primeiros versos) e do único lenitivo para a sua dor - a crença num "senhor" que é a única entidade capaz de lhe devolver a confiança no futuro e preencher seus "dias vácuos" (4.º, 5.º e 6.º versos).
  • A segunda parte inicia-se com a conjunção "Mas" (7.º verso) e é constituída por uma série de perguntas introduzidas por "Quando" e dirigidas a essa entidade mítica que toma vários nomes (Rei, Hora, Cristo, Encoberto, Sonho, Senhor), apelando para a sua vinda rápida, única forma de materializar sonhos centenários e de o poeta se libertar do contingente, do incerto, e de alcançar uma "Nova Terra" e "Novos Céus".
Na primeira parte predomina o presente do indicativo, para traduzir a permanência (a situação actual do poeta vem-se arrastando desde o passado e tem todas as probabilidades de se continuar no futuro). As frases são do tipo declarativo. De realçar ainda a maiúscula utilizada na palavra "Senhor", a relação eu / tu e a existência de dois adjectivos bastante expressivos e de certo modo relacionados: "dias vácuos" e "olhos quentes de água".
A segunda parte é um conjunto de interrogativas introduzidas por "quando", em que o poeta interroga ansiosamente o seu presumível interlocutor sobre a Hora da sua vinda, apostrofando-o, agora, como o "Encoberto", e usando várias vezes a perífrase para o designar ou descrever:

"... o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,"
"Sonho das eras português," (verso em que as necessidades de rima e ritmo - acentuação na 4,ª - impõem a anástrofe);
"meu Sonho e meu Senhor"

O que o poeta pode fazer resume-se a estes pedidos: o seu coração "não tem que ter", resta-lhe o mito, o sentir e o pensar. Não é de estranhar, portanto, que, nesta segunda parte, predominem os verbos no futuro, porque é só nele que o velho sonho do poeta poderá vir a tornar-se realidade.

A nível semântico, podemos salientar:
- A utilização da maiúsculas como forma de abstractização e sugestão sebastianista.

- A repetição da partícula interrogativa "quando" (oito vezes) que nos dá conta da inquietação, mesmo da angústia do poeta, que vê num futuro e numa personagem místicos a possibilidade de ultrapassar as contingências do passado e as frustrações e o tédio ("mágoa") do presente.

- A anástrofe (deslocação de elementos próximos na frase): "sonho das eras português".

- O hipérbato, na 3.º estrofe, terceiro e quarto versos.

- A interrogação que empresta ao poema uma grande expressividade e dramatismo.

- A personificação do mito, que aparece sob várias designações ou perífrases e a quem se trata por tu:
"... quando quererás voltar?"
"Quando, meu sonho e meu Senhor?" etc.

- A supressão da forma verbal "virás" nos dois últimos versos:
"Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu sonho e meu Senhor?"
que, pela sua omissão, vem tornar o final do poema mais conciso, vivo e vigoroso.

- A expressividade e a força do final do poema deriva ainda do aproveitamento da troca de posição da partícula interrogativa "quando" do penúltimo verso (hipérbato) que, com este artifício, fica apenas separada por uma pausa do fim do verso da mesma palavra que inicia o último verso.

- A metáfora, tomada como uma ultrapassagem do sentido real das palavras para lhes emprestar um sentido imaginário, abunda no texto:
"Meus dias vácuos enche e doura"
"... o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?"

Falando das mulheres!

Na Sexta à noite vai ser assim...



Iguarias do Tempo apresenta Concerto Inovador

Tem lugar no próximo dia 27 de Janeiro, sexta-feira, na sala de eventos da Quinta das Silveiras um Concerto de Taças Tibetanas e Gongos. O concerto tem início pelas 21h00, contando com a actuação de Nuno Cunha, um reconhecido e experiente especialista na matéria. O custo de participação é de 15€ por pessoa. A reserva de lugar deve ser efectuada para o endereço de e-mail comercial@iguariasdotempo.pt ou pelo telefone 244802761. Cada participante deve fazer-se acompanhar de colchão / saco cama e manta.


Sabe-se que as Taças Tibetanas são usadas há milénios em rituais secretos nas comunidades xamanistas, mas os registos da sua utilidade espiritual são praticamente nulos e/ou especulativos. Os médicos tibetanos usam-nas para diagnósticos, os monges utilizam-nas em cerimónias de oferendas e meditação e os xamãs em rituais em todo o Tibete. Embora no Oriente a sua utilização tenha sido, ao longo dos tempos, praticamente secreta, a verdade é que o Ocidente tem vindo a reconhecer nestes objectos ancestrais, e na sua sonoridade, excelentes instrumentos de meditação, de relaxamento e de reequilíbrio energético a nível físico, mental e emocional, não sendo um mero instrumento musical.

As Taças de Som Tibetanas são produzidas manualmente com uma liga de diversos metais (chegam a ser 14, nos quais se inclui a platina, o ouro, a prata, o cobre, o ferro, bismute …) e conseguem fazer vibrar cinco tons em simultâneo, mantendo a sonoridade durante vários minutos, o que as torna num instrumento musical único.

O concerto inclui também meditação com Gongos, nomeadamente Gongo Tam Tam; Gongo Feng; Gongo Tibetano.

A meditação com Gongos é uma experiência poderosa de Som e Energia. Os sons produzidos pelos gongos levam os participantes neste tipo de eventos a um estado de transe que ajuda a clarificar os padrões energéticos do subconsciente profundo, conduzindo-os a altos níveis de consciência.

São objetivos do concerto:

Proporcionar um estado de profundo relaxamento, ao libertarem-se todas as tensões do corpo;

promover uma massagem terapêutica vibracional a todas as células do organismo;

acalmar o turbilhão da mente;

obter um equilíbrio energético a nível físico, mental e emocional e alcançar Paz e Harmonia interior.



Depois vos contarei a minha experiência!


Queria de ti um país

terça-feira, 24 de janeiro de 2012