quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Quem passa por Alcobaça

Colar de duas voltas, com as peças colocadas em dois fios: bolas e outras peças em fimo com missangas e canudinhos, pérolas, bolas em vidro, cristais, cascalho, pedras semi-preciosas, bolas em acrílico brancas e pretas, correntinha fininha, peças em metal prateado...
Pulseiras de penduricalhos, uma com peças em vidro castanhas de vários tipos e feitios e argolas em fimo preto sobre corrente dourada envelhecida, com duas voltas. A segunda pulseira com corrente grossa e pingentes diversos, alguns decorados com tinta de esmalte lilás, outros enfeitados com strass da mesma cor.


Alcobaça cresceu nos vales do Alcoa e do Baça, rios que deram o nome à cidade.

Alcobaça foi habitada pelos Romanos, mas a denominação ficou-lhe dos Árabes, cuja ocupação denota uma época de progresso a julgar pelas numerosas terras adjacentes que os recordam, tais como, Alfeizerão, Aljubarrota, Alpedriz e outras.

Quando Alcobaça foi reconquistada, a localidade tinha acesso ao mar que perto formava um grande lago que atingia Cós. Através dele, as embarcações transportavam para o resto do País os deliciosos frutos produzidos na região graças à técnica introduzida pelos monges de Cister, a quem D. Afonso Henriques doou as Terras de Alcobaça, com a obrigação de as arrotearem. As doações feitas ao longo dos diversos reinados vieram a constituir um vastíssimo território, os Coutos de Alcobaça (desde São Pedro de Muel a São Martinho do Porto e de Aljubarrota a Alvorninha).

Os monges de Alcobaça, além da sua actividade religiosa e cultural, davam aulas e ensinavam, além de Humanidades, Lógica e Teologia, técnicas agrícolas - desenvolveram uma acção colonizadora notável e perdurável, pondo em prática as inovações agrícolas experimentadas além- Pirinéus e graças às quais arrotearam as terras, secaram pauis, introduziram culturas adequadas a cada terreno e organizaram explorações ou quintas, criando praticamente a partir do nada uma região agrícola que se manteve até aos nossos dias como uma das mais produtivas de Portugal.

A área dos concelhos de Alcobaça e Nazaré, bem como parte da dos concelhos das Caldas da Rainha e da Marinha Grande, foi arroteada e administrada pelos monges.


Quem não se lembra de ouvir...

QUEM PASSA POR ALCOBAÇA...


Quem passa por Alcobaça
Não passa sem lá voltar.
Por mais que tente e que faça,
É lembrança que não passa.
Porque não pode passar.

Não se esquece facilmente
Dos seus mercados a graça.
E o seu mosteiro imponente
Recorda constantemente,
É lembrança que não passa.

Por mais que tente e que faça,
Ninguém se pode esquecer
Das margens do rio Baça,
Nem do Alcoa que passa
Por ser mais lindo de ver.

Sua lembrança não passa
Porque não pode passar.
Por mais que tente e que faça,
Quem passa por Alcobaça
Tem de por força voltar.









A morte de Inês de Castro

D. Inês de Castro era uma fidalga galega, que fazia parte da comitiva da infanta D. Constança de Castela, quando esta se deslocou a Portugal para casar com o príncipe D. Pedro.

A beleza singular de D. Inês despertou desde logo a atenção do príncipe, que veio a apaixonar-se profundamente por ela e a tornar-se seu amante. Esta ligação amorosa provocou um escândalo na Corte portuguesa e o rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro, interveio expulsando D. Inês.

D. Constança morreu de parto em 1345 e D. Pedro mandou que D. Inês regressasse a Portugal e instalou-a na sua própria casa, onde passaram a viver uma vida de marido e mulher. Deste relacionamento nasceram quatro filhos.

D. Afonso IV e os seus conselheiros aperceberam-se que a ligação do futuro monarca com D. Inês poderia trazer graves consequências para a coroa portuguesa pela forte influência castelhana. Por isso, ouvido o Conselho, D. Afonso condenou D. Inês à morte: era necessário eliminá-la para salvar o Estado. Quando D. Inês teve conhecimento da decisão do rei, implorou-lhe misericórdia, apresentando como argumento os seus quatro filhos, netos do monarca. O rei apiedou-se de D. Inês, mas o interesse do Estado foi mais forte e D. Inês foi assassinada em 1355. Só depois do assassinato é que D. Pedro soube do sucedido, jurando vingança aos homens que mataram D. Inês.

Este episódio é considerado um episódio lírico pela importância dada ao tema do amor, pela forma como esse sentimento é vivido, e tornou-se num dos casos mais conhecidos no mundo e numa das histórias mais celebradas. Trata-se de uma das mais belas histórias de amor.


A VERDADE HISTÓRICA


. 0 casamento do Infante D. Pedro com D. Constança de Castela, em 1340.

· Inês de Castro, o “colo de garça", pertencia a uma das famílias mais nobres e poderosas de Castela e era uma das damas que integravam o séquito de D. Constança.

· D. Pedro apaixona-se por Inês.

· Inês torna-se madrinha do príncipe D. Fernando, estabelecendo-se, assim laços de parentesco moral (compadrio) entre ela e D. Pedro, se bem que fossem já primos em 2º grau.

· D. Inês é expulsa de Portugal mas regressa depois da morte de D. Constança, em 1345.

· Inês e Pedro passam a viver juntos nos Paços de Santa Clara, em Coimbra.

· 0 Príncipe é aconselhado por sua mãe e alguns fidalgos a desposar Inês, mas recusa.

· Nascem bastardos e D. Pedro imiscui-se na política castelhana e os fidalgos portugueses temem a ambição e influência da família Castro que podia levar ao trono português um dos filhos da ligação ilegítima de Pedro, em detrimento do herdeiro legítimo, D. Fernando, o filho de D. Pedro e D. Constança.

· 0 Rei D Afonso IV e seus conselheiros analisam a situação e concluem da necessidade de matar Inês.

· Num dia em que D. Pedro anda à caça, D. Afonso IV chega a Coimbra com alguns fidalgos.

· Sabedora das intenções do Rei, Inês vai ao seu encontro, rodeada dos filhos, e, banhada em lágrimas, implora misericórdia e perdão.

· D. Afonso IV comove-se e hesita. Pressionado pelos conselheiros Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, autoriza a execução de Inês.

· Inês é decapitada em 7 de Janeiro de 1355.


Como Camões "viu" a morte de Inês de Castro
ALTERAÇÕES RESULTANTES DA POETIZAÇÃO


· A morte de Inês é apresentada como o “assassinato” de uma inocente, um crime hediondo.

· Não há referências à expulsão do país e à tensão das relações com D. Afonso IV.

· Inês é apresentada, sobretudo, como vítima do amor e não das razões de Estado.

· Os cavaleiros arrancam das suas espadas e trespassam-lhe o peito.

· Dir-se-ia que o coração, como grande culpado, é o primeiro a sentir o castigo. Pretende Camões, também vítima do amor, dar a Inês uma “morte nobre”, isto é, à espada e de frente para os algozes.

· Camões segue de perto a tradição oral e popular, que já havia inspirado as “Trovas à Morte de Inês de Castro”, de Garcia de Resende e cuja grandeza poética, tipicamente portuguesa, saberá aproveitar.

Que tal um passeio por Alcobaça! É uma cidade que visito frequentemente e... não me canso de contemplar o imponente Mosteiro, um dos mais belos de Portugal.

12 comentários:

APO (Bem-Trapilho) disse...

muito bonita mesmo, lembro-me do quão impressionante foi para mim o mosteiro da ordem de Cister mesmo sendo criança ainda! há imensos anos que não passo em Alcobaça. Quem sabe um dia lá volto?!
passa tu tb lá no meu bom feeling ou se preferires só manualidades visita http://bem-trapilho.blogspot.com/.
bjinhos :)))

Néa disse...

Olá, Mena! Que bom que você gostou do meu trabalho. Obrigada pela visita. Está nos meus planos conhecer Portugal, e Alcobaça já faz parte do meu roteiro. Até breve. Néa

FazendoArte disse...

Muito linda a cidade!
e parece aconchegante

bjs

Anónimo disse...

"Quem passa por Alcobaça tem de por força voltar" diz a canção e é bem verdade. Muito bonita, mesmo!
A história de Inês é também emocionante, lembro-me de, na escola, ficar suspensa, completamente fascinada, quando a professora nos contava a história de tão grande amor.
Obrigada por me fazer recordar momentos tão mágicos.
Bj
Ana Margarida (uma ex-aluna)

ana disse...

obrigado pelo comentario, tb tem trabalhos lindos.
parabens

dina disse...

ola
vim visitar-te
acreditas que estive hoje a ver um livro para o meu filho que conta a história de pedro e inês para crianças?
só não comprei porque achei que ele chorar imenso (o rapaz é um romântico)
tens coisas muito giras parabéns

Atelier da Casaleira disse...

Olá bons dias:) obrigada pela visita ao meu espaço,sejam sempre bem vindas:) gostei mt do tema:alcobaça e da forma como retratam o vosso meio.um beijinho grande e bom fim de semana Raquel Marques

els@ disse...

olá mena! desde já agradeço a sua visitinha e também adorei o seu cantinho! tem peças muito bonitas e originais! beijinhos e até à próxima!

disse...

Olá Mena!
Obrigada pela visita e pela oportunidade de conhecer um pouquinho do seu mundo que muito me fascina. Já me inscrevi para receber atualizações e novas visitas muito me honrarão.
Bons dias!
Dô.

pandolet disse...

olá =)

obrigada pela visita, vim aqui espreitar e bem, quanta informaçao...=)

gostei muito da pulseira dos penduricos prateada ;)

boa continuaçao de trabalhos =)

mangachupada-requeri disse...

tomara que você leia este coment. vim aqui por conta de alcobaça e estou levando o link daquela matéria pro meu blogg. obrigada.

Guida disse...

Eu percebi pela receita dos coscurões que eram desta região, a minha mãe também faz essa receita e modela os coscurões assim de maneira diferente de todas que normalmente são grades.
Gostei do seu blog, é super interessante, voltarfei.
bhjs
avó Guida