sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Amanhã não existe



Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Connosco, cedo, cedo.

O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.

Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?

Ricardo Reis


O tema deste poema é a efemeridade da vida e a consequente necessidade de viver o momento presente.
Esta ideia de transitoriedade das coisas surge logo na primeira estrofe ("Pois que nada dure") e é confirmada pela certeza de que mesmo "durando" perde a utilidade "neste confuso mundo". Estas certezas fazem com que o sujeito lírico faça a apologia do "prazer do momento", apesar de este constituir "o mal presente". E é a consciência aguda da sua fragilidade que o leva a afirmar que ele é "o derradeiro / Ser de quem" finge ser.

A filosofia de vida aqui expressa por Ricardo Reis é a do "carpe diem" horaciano e a de Epicuro, uma vez que aqui se revela a importância de gozar o momento presente, tirando apenas o prazer desse instante, apelando à racionalização das emoções e à necessidade de comprazimento com aquilo que a vida no presente lhe oferece. O estoicismo é também visível uma vez que as paixões não são aqui expressas, mas sim a auto-disciplina e auto-controlo defendidos pelos estóicos.

O sujeito poético considera que "o mal presente" é preferível "À absurda cura do futuro". Atendendo a que a vida é fugaz, é preferível viver aquilo que no momento temos, a esperar mudanças futuras, que poderão até nem serem vividas por nós. Além disso, "o mal presente" é a única certeza que possui, mesmo porque o futuro é desconhecido e nada garante que o que aí vamos encontrar não seja tanto ou mais absurdo do que aquilo que vemos no presente. Parece, pois, aceitável afirmar que o sujeito lírico tem medo de um futuro desconhecido e, por isso, prefere contar com o que tem e não ficar à espera que o futuro traga alguma "cura", alguma solução.

O último verso do poema parece remeter para a impossibilidade de o homem controlar os seus actos, o seu destino. Quando se interroga sobre o poder de um ser que apenas pode ser fingimento, uma vez que o que está para além dos limites do tempo pode ser um mistério, verifica-se que é esse mistério que comanda o próprio homem, é uma espécie de destino trágico que apenas permite viver parcelarmente. Contrariamente ao que seria de esperar, dado que Ricardo Reis é o poeta da razão, o sujeito poético não assume uma atitude antropocêntrica, muito pelo contrário, há uma certa desresponsabilização ao afirmar a sua impotência face ao fluir inexorável da vida humana.

Os recursos estilísticos que sobressaem no texto são característicos da poética de Ricardo Reis. Por isso, temos a metáfora ("Com que seu bem compramos"), assim como uma antítese, uma vez que se pretende comprar o bem que o mal encerra, transmitindo a ideia de desagregação e de desconcerto do sujeito lírico; o hipérbato, verificável ao longo de todo o poema, mas que revela o gosto pela estrutura frásica latina ("O prazer do momento anteponhamos") e o emprego dos verbos no presente do indicativo ("perdemos", "é", "compramos", "existe", "finjo"), no gerúndio ("durando") e no presente do conjuntivo com valor exortativo, ou seja, apelativo ("obramos", anteponhamos").






A Mena na cozinha

Carne de porco com amêijoas

1 lombo de porco
2 colheres de polpa de pimentão
2 colheres de polpa de tomate
piripiri ou malagueta em conserva
pimenta
2 kg de amêijoa
1 cabeça de alhos grande
sal
azeite
vinho branco

Corte a carne em cubos. Na picadora, junte os alhos e o sal e reduza a puré.

Junte a pasta dos alhos à carne, a polpa de tomate e de pimentão, o piripiri, a pimenta e o vinho. Misture bem. Deixe a marinar, pelo menos uma hora.

Leve um tacho ao lume com 1 dl de azeite. Escorra a carne e frite-a no azeite quente.

Retire a carne, quando estiver cozida. Deite as amêijoas no molho da fritura da carne e deixe-as abrir em lume brando.

Quando as amêijoas estiverem abertas, junte a marinada e a carne, misturando bem e deixando apurar um pouco.
Sirva com batatas fritas e salada.
Bom apetite!


Trabalhinho:

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tradições e recordações



O almoço foi bem animado! A ti Maria assou as sardinhas, a ti Alice cortou a broa de milho em fatias, a minha filhota temperou a salada, eu dispus as uvas na cestinha, o meu marido encheu o jarro de vinho… Sentados à mesa, cada um tirou a pele às suas batatas. E durante a refeição não faltaram as costumadas histórias do ti Joaquim e as anedotas do ti Manuel a apimentar a saborosa sardinhada.

O Ti João perguntou à minha filha se estava a gostar das férias, se tinha tirado muitas fotografias…

- Hoje, tirei muitas fotos! Até tirei aos animais: aos porcos, às galinhas, aos patos… Ah, é verdade, porque é que está uma porca sozinha, separada dos outros porcos?

- Essa porca está a fazer dieta, porque é para matar para a casa – informou a ti Maria, rindo com vontade.

- Sabes, no tempo mais frio, Novembro ou Dezembro, junta-se toda a família e amigos para a matança do porco, que neste caso é uma porca. Ficam desde já convidados para a festança – disse o ti Joaquim, prosseguindo:

- O porco mata-se, chamusca-se, raspa-se e lava-se muito bem. Depois pendura-se e tiram-se as entranhas, deixando-se a escorrer de um dia para o outro. No outro dia, desmancha-se o porco, cortam-se as carnes, guardam-se. Come-se… Bebe-se… Canta-se… e não faltam histórias, anedotas, provérbios que provocam gargalhadas intermináveis… À noite, os mais idosos sentam-se à lareira, enquanto as outras pessoas preparam as carnes para os chouriços, fazem-se também as morcelas, as farinheiras…

- Deve ser uma grande festa! – exclamou a minha filha.

- Mas não termina assim! No dia seguinte, prepara-se uma “assadura” para mandar aos amigos e familiares que não puderam estar presentes na matança; e, alguns dias mais tarde, enchem-se os chouriços e põem-se à lareira a “curar” – disse a ti Almerinda.

O ti Joaquim, de repente, lembrou-se que ainda havia alguns chouriços pendurados na lareira e pediu à ti Alice que fosse buscar um para provarmos.

- Ó ti Joaquim, porque é que a vossa lareira está na cozinha e não na sala? – perguntou a minha filha.

- A lareira era onde se preparavam os alimentos antigamente. Era construída num canto da cozinha. Havia dois tijolos, dispostos paralelamente e por cima colocava-se uma trempe – explicou o ti Joaquim.

- A palavra lareira vem de lar, o lugar onde se fazia o fogo – expliquei.

- E era entre os tijolos que se fazia o lume e na trempe assentava a panela ou o tacho – continuou o ti Joaquim.

- Os meus avós também curavam os enchidos na lareira. Em casa da minha avó, havia uma lareira grande onde se punha a lenha a arder. Por cima, passavam uns arames dispostos horizontalmente onde se penduravam os enchidos, ainda frescos, para serem curados pelo fumo que ia saindo pela chaminé. Na lareira, de cada lado, havia um banco para duas pessoas se sentarem, ali, a aquecer. E aos serões, num ambiente familiar, ensinavam-se os mais pequenos, contavam-se histórias de encantar com fadas, princesas, príncipes… – expliquei saudosa.

- Ó mãe, mas também se diz fogos para indicar o número de famílias numa povoação, não é? – questionou a minha filha.

- Ah, eu posso explicar – informou o ti Joaquim, acrescentando:

- Em cada família romana, mantinha-se acesa, em honra dos deuses Lares, uma “chama”, um fogo.

- Pois, focum em latim. Fogo e lar encerram uma ideia comum: a Família que habita numa casa – rematei.




Trabalhinho:



A Mena na cozinha

Frango com natas e cogumelos

1 frango do campo
1 pacote de natas (200 ml)
1 sopa de cebola instantânea
1 lata de cogumelos laminados
pimenta

Corte o frango, depois de lhe tirar a pele, em pedaços pequenos. Misture os cogumelos e a sopa instantânea e envolva tudo. Tempere com uma pitada de pimenta.

Deite um pouco de natas no fundo do pirex, barrando-o.
Disponha a carne do frango por cima das natas.

Verta o resto das natas por cima da carne e leve ao forno a 180º graus.

Quando estiver lourinho por cima, espete a carne para verificar se está cozinhada.

Sirva com batatas fritas ou puré de batata e salada.
Bom apetite!



MENINAS, para assinalar as 300 000 visitas vou oferecer um miminho a quem provar que foi a 300 000.ª visita. Obrigada pela vossa preferência e carinho. Bj grande a todos/todas que me visitam!



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O mistério das coisas


O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.

Alberto Caeiro


O poema pode ser dividido em três partes, correspondentes a cada uma das estrofes.
Na primeira parte, encontra-se uma série de interrogações, através das quais se depreende a filosofia do sujeito poético em relação àquilo que as coisas representam. Para ele, as coisas existem por si e não há nelas qualquer mistério, uma vez que elas se apresentam tal como são e é deste modo que ele se identifica com elas. É visível uma certa ironia quando afirma que ri daquilo que os homens pensam das coisas, mas até o seu riso é "como um regato", ou seja, é simples, puro e espontâneo.
Na segunda parte, o sujeito lírico justifica a atitude anterior e explica a razão de não ver o mistério das coisas. Para ele, as coisas não têm sentidos ocultos, nelas não há nada que compreender e, talvez isso seja estranho, ou cause estranheza.
Na terceira parte, verifica-se uma confirmação das afirmações anteriores, agora de carácter mais pessoal, reafirmando que os seus sentidos lhe permitiram aprender que as coisas existem, mas não têm significado, "têm existência" e não precisam de ter "significação".

Neste texto transparece a maneira como o sujeito lírico encara o mundo: com objectividade, notando-se a preferência por um mundo natural, do qual o sujeito poético faz parte integrante, comparando-se mesmo ao regato, "que soa fresco numa pedra". O mundo surge aqui reduzidio aos fenómenos das coisas e à natureza delas, numa tentativa de simplificar e clarificar os elementos que integram o mundo, o que, de algum modo, atenua a "dor de pensar" que é característica do ser consciente e, por isso, prefere modelos naturais como a pedra, a árvore, o rio. No mundo aqui apresentado, temos de aprender e desaprender, facto confirmado no verso 6, onde se destaca o que comummente os homens vêem nas coisas, mas que ele não vê, porque tudo é como é, o que é preciso é saber ver, apurando os sentidos para que estes aprendam sozinhos que "as coisas não têm significação: têm existência".

Para negar "o mistério das coisas", o sujeito poético pergunta; " Que sabe o rio e que sabe a árvore", onde está o seu mistério e por que razão "não aparece / Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?". Afirma ainda que "o único sentido oculto das coisas / É elas não terem sentido oculto nenhum", ou que "As coisas não têm significação: têm existência. / As coisas são o único sentido oculto das coisas". No fundo, basta acreditar, apenas, na existência e negar a sua essência para impossibilitar a ocorrência do mistério.

Alberto Caeiro aceita um mundo objectivo, concreto e natural. Daí que, normalmente, se identifique com o pastor que vive em contacto permanente com a natureza que, por sua vez, é constituída por elementos naturais como o rio, as árvores, as flores, o vento, mas onde os elementos resultantes do trabalho do homem não surgem.
Na realidade, Caeiro aceita um mundo bastante restrito e limitado, reduzindo-o aos fenómenos mais simples e primitivos, recusando a intervenção do homem, de modo a evitar transformações e depredações. Assim, dir-se-ia que Caeiro cria um mundo só dele, um mundo inocente e saudável, só possível de encontrar em locais paradisíacos e distantes da acção humana.
Alberto Caeiro é o poeta que recusa o pensamento. Contudo, entra, por vezes, em contradição, já que neste texto, por exemplo afirma que pensa ("e penso no que os homens pensam delas"), embora reserve, depois, esta atitude reflexiva para os poetas e para os filósofos ("E do que os sonhos de todos os poetas / E os pensamentos de todos os filósofos"). Privilegia as sensações, os órgãos dos sentidos, fundamentalmente a visão, e afirma que não precisa de pensar para saber que "As coisas não têm significação: têm existência" e que isto é captado pelos sentidos ("Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos")
Pode pois constatar-se o desprezo do pensamento e a apologia das sensações, muito embora também pareça evidente a impossibilidade de uma rejeição total do acto de pensar.


Trabalhinho:




A Mena na cozinha

Tiramisú

7,5 dl de café
3 colheres de sopa de vinho do Porto
2 ovos
3 colheres de sopa de açúcar
250 g de creme de queijo
2,5 dl de natas
16 palitos de champanhe
2 colheres de cacau em pó

Numa tigela, junte o café e o vinho do Porto. Bata as gemas com o açúcar, durante 3 minutos, com a batedeira, até que fique um creme espesso e claro. Junte o creme de queijo e misture bem. Bata as natas e adicione-as ao preparado anterior.
Bata as claras em castelo e junte à mistura das natas.
Mergulhe os palitos , um de cada vez, na mistura do café, escorra-os bem e coloque uma camada no fundo de um pirex. Espalhe parte do preparado com natas por cima.
Mergulhe os restantes palitos e repita as camadas. Termine com creme, alisando bem a superfície. Polvilhe com cacau. Leve ao frigorífico cerca de 2 horas.
Delicie-se!

sábado, 21 de agosto de 2010

Vinho da mesma cepa



Logo pela manhã, tivemos de ir buscar a ti Celeste aos Casais do Morgado para irmos ao pinhal. Era preciso limpar os pinheiros, cortar-lhes alguns ramos que estavam a impedir o crescimento dos outros pinheirinhos mais novos, bem mais pequenos e finos. Este corte também é essencial para que os troncos dos pinheiros engrossem.

Para ir para o pinhal, o meio de transporte utilizado é o tractor. E lá fomos por caminhos estreitos ladeados de árvores frondosas carregadinhas de frutos, silvados cheios de amoras pretas e vermelhas…

Pelo caminho, o ti Joaquim decidiu explicar-nos o que significava Morgado:

- Morgado quer dizer mais velho, ou seja, maior pelo nascimento.

- Pois, a palavra morgado vem da expressão latina “maior natu” – disse eu.

- Antigamente, o morgado de uma casa era o filho mais velho, era aquele que sucedia a seu pai, na posse dos bens da casa, quando estes não podiam ser divididos ou vendidos – informou-nos ainda o ti Joaquim.

Chegámos ao pinhal e os homens munidos de serrotes começaram a cortar ramos e raminhos, troncos e tronquinhos. As mulheres, umas puxavam as trancas cortadas para o lado, desimpedindo o caminho; outras apanhavam algumas pinhas; eu e a minha filha decidimos percorrer o local e tirar algumas fotografias.

Quando regressámos, olhámos para o trabalho e achámos que não estava grande coisa: os pinheiros, de um lado tinham hastes e ramos, do outro ficaram quase depenados. Comecei a dizer ao meu marido que desbastasse em volta do pinheiro e não só de um lado. O ti Joaquim que não era preciso, que assim já estava bom, que os pinheirinhos já não estavam asfixiados e podiam crescer à vontade, que era trabalho que não valia a pena, que… que… que… E a minha filha que os pinheiros estavam horríveis, que era uma questão de estética, que as arvorezinhas se se vissem ao espelho morriam de desgosto de tão feias que se veriam, que assim, que assado, que… que… que…

O meu marido pegou no serrote e decidiu acertar os pinheiros, ou seja, cortar os ramos à volta das árvores, deixando-os mais atraentes, com os ramos mais simétricos.

- Ó ti Joaquim, a menina tem uma certa razão! Os pinheiros estão muito mais bonitos! – exclamou o ti João.

Terminado o trabalho ali, subimos de novo para o tractor e rumámos a casa para fazer o almoço.

Ouviu-se um apito ao longe, a ti Maria pegou na carteira e saiu rapidamente. Pouco depois, chegava com um saco de sardinhas fresquinhas e alguns carapaus. O almoço seria peixe assado com batatas cozidas com a pele e salada de tomate e pepino.

Enquanto se preparava o almoço, a minha filha fotografava borboletas, aranhas e gafanhotos. A ti Alice apanhou tomates e pepinos e foi preparar a salada.

A ti Maria anunciou que de tarde íamos fazer doce e compota e que era preciso ir apanhar fruta.

Apontou-nos uns baldes pretos e disse que fossemos colher uvas.

Estava uma cesta de verga muito bonitinha em cima de uma tina e eu achei que as uvas ficariam lindíssimas na cestinha com umas folhas verdes por baixo. A ti Celeste disse logo:

- Vamos às uvas com um balde e depois escolhemos as mais bonitas e colocamos na cesta.

Peguei num balde e lá fui. Comecei a colher os cachos e a limpá-los dos bagos podres, dos bagos secos, dos bagos rachados… E, quando estavam com um ar mais apresentável, dispunha-os, cuidadosamente, no fundo do balde forrado com folhas de videira. Volvidos alguns minutos, estavam todos à minha volta, a olhar e a sorrir:

- Ó senhora professora, falta muito? – perguntou a ti Almerinda.

Olhei para os baldes atulhados de uvas e o meu apenas com meia dúzia de cachos.

- Para encher o balde? Sim, um bocadinho. – respondi.

- Pelo andar da carruagem, não almoçamos hoje – disse o meu marido trocista.

- Ah, mas as uvas da mãe não são para fazer doce, são para comer! As vossas estão com um aspecto desgraçado – disse a minha filha aprovando o meu trabalho, enquanto nos encaminhávamos para casa.

- Ó senhora professora, as suas uvas vieram de onde? – perguntou a ti Maria, prosseguindo admirada:

- Nem parece vinho da mesma cepa! Tem a certeza que não as comprou por aí a algum vendedor?

- Pronto, já sabemos que as uvas da senhora professora é que são boas!...




A Mena na cozinha

Salada de grão

1 lata de grão cozido
1 pepino pequeno
2 tomates
1 pimento vermelho assado
1 cebola
salsa
2 latas de atum
canónigos
4 ovos cozidos
sal
pimenta
azeite
vinagre

Abra a lata de grão; corte o pepino e o tomate aos cubinhos; pique a cebola e a salsa; desfie o atum;

corte o pimento aos quadradinhos e os ovos aos bocadinhos, reservando um para enfeitar.

Junte os canónigos e misture tudo muito bem. Tempere, enfeite com o ovo e sirva.
Bom apetite!





Trabalhinho:





quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Prece

Está aqui!



Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistamos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa, Mensagem

Uma "Prece" supõe um eu, um tu e um pedido. Há um pedido respeitoso e urgente a fazer a um destinatário ausente (superior, ascendente), ("Senhor") que pode ser entendido como Senhor/Libertador, Deus, D. Sebastião (divinizado). Esta invocação é feita por um eu plural, o povo português, daí os pronomes pessoais (restam-nos" e "...em nós criou"), assim como, a forma verbal, "conquistemos" e o pronome possessivo "nossa", na última estrofe.
Face ao estado de decadência do país, perpetuado desde o desaparecimento de D. Sebastião, há o pedido para que este devolva à Pátria a chama oculta debaixo das cinzas (linguagem metafórica), isto é, que venha regenerar a nação.

Desejando ser um criador de mitos, Fernando Pessoa aproveita o mito sebastianista, visto que D. Sebastião representa para o povo português uma hipótese de salvação e de regeneração (tal como Jesus Cristo). O poeta acredita no destino messiânico de Portugal, e, deste modo, na segunda parte da Mensagem apela ao passado heróico dos portugueses, por lhes restar "hoje.../ O mar universal e a saudade", para a motivação e tentativa de restabelecimento de uma imagem que morrera com o passado.

Evidencia-se uma oposição nas duas primeiras estrofes entre o Passado e o Presente: um Passado glorioso que, para tal, teve que ultrapassar muitas dificuldades, contudo, "Tudo vale a pena /Se a alma não é pequena", e um Presente invadido pela "saudade". Morfologicamente, salienta-se a dicotomia passado/presente a nível das formas verbais ("veio... foi... criou... ocultou"/"é... resta-nos... não é finda... pode erguê-la"), assim como os advérbios de tempo "hoje" (v. 3), subentendendo-se o "ontem".

Apesar de estas duas estrofes transmitirem uma ideia de desencanto, poderão ser separadas pela adversativa "Mas" (no início da segunda estrofe) que remete para duas ideias opostas. Assim, na primeira estrofe, faz-se referência à luta no passado para ultrapassar os obstáculos, necessários à universalidade, restando hoje (princípios do século XX) a saudade desse passado vitorioso. Contudo, na segunda estrofe, "a chama" (o sonho) que a vida criou nos portugueses, no passado, poderá reacender ainda, oferecendo esperança de um futuro melhor, com a vinda de um redentor. O advérbio de tempo "ainda", no final do verso 6, surge aqui a conotar fé, confiança num porvir superior, espiritual.

O tema de desencanto manifestado nas duas primeiras estrofes apresenta-se, a nível lexical, através de vocábulos de carácter negativo: os nomes (noite, tormenta, silêncio, saudade, frio, cinzas e vento); os adjectivos (vil, hostil, morto); e os verbos (restar, ocultar).
A nível estilístico, surge-nos a apóstrofe "Senhor", que remete para um pedido de aflição; a metáfora hiperbólica que atravessa as duas estrofes.
Do ponto de vista fónico, predominam os sons nasais ("noite/alma/tanta/tormenta/restam-nos/silêncio/mar universal/em nós/ainda/ainda não é finda/cinzas/mão/vento/ainda") a traduzirem uma ideia de monotonia, tristeza; assim como a repetição da oclusiva /t/ a sugerir a ideia de sofrimento; do mesmo modo, as vogais fechadas e semifechadas ("vil"/"hostil") remetem-nos também para uma negatividade.

Este poema é o último da Segunda Parte da Mensagem, "Mar Português, constituindo como que uma ponte para "O Encoberto". A tripartição da obra Mensagem (Brasão, Mar Português, O Encoberto) é simbólica. Como esotérico que era, Fernando Pessoa seguiu algumas profecias, indicando, que o processo imperial português falharia duas vezes, apesar de cada vez ficar a semente que faria germinar o império seguinte - esta continuidade gerou-se a nível dinástico, ficando por consumar uma 3.ª fase, a do Quinto Império.
A 1.ª parte desta obra "épico-lírica" (Brasão) simboliza a fundação da nacionalidade, quer a nível do espaço geográfico, quer no que diz respeito à fundação duma determinada identidade. Na 2.ª parte (Mar Português), o poeta salienta a grandeza do sonho convertido em acção, unificando o acto humano e o Destino traçado por Deus. Assim, o último poema, "Prece", constitui uma ponte para a 3.ª parte (O Encoberto), podendo até fazer-se uma ligação com os dois últimos versos do poema "O Infante" ("Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal"). A " Prece" é o prenúncio do Quinto Império, na medida em que, pertencendo à parte onde se faz a apologia do apogeu da nação portuguesa, há que ter "saudade" (v. 4) de um passado glorioso, há que sonhar novamente, sendo, talvez, a maneira de fazer "acordar" os portugueses do início do século XX do marasmo intelectual e moral em que viviam. Para tal, só a vinda de um messias, já profetizada por Bandarra e Padre António Vieira, poderia salvar a Pátria, aparecendo numa manhã de nevoeiro, pois depois da "Tempestade" vem a "Bonança" e D. Sebastião virá regenerar a Pátria, não na conquista de um império terreno, mas sim espiritual (o Quinto Império).






A Mena na cozinha

Esparguete com salmão fumado

Esparguete cozido
100g de salmão fumado
1 dl de natas
1 dente de alho
sal
pimenta
azeite

Coza o esparguete. Corte o salmão em pedacinhos. Numa frigideira, leve um pouco de azeite e o alho laminado ao lume. Quando o alho estiver lourinho, junte o salmão, deixe cozinhar um pouco e, por fim, as natas. Tempere. Deixe fervilhar e retire do lume. Faça um "ninho" com a massa e coloque no centro o preparado de salmão.

Bom apetite!



Trabalhinho:



Colar com peças em prata, pérolas de rio e ametistas.