A carta
A epistolografia
Meu amigo:
Escrevo-te para daqui a um século, cinco séculos, para daqui a mil anos... É quase certo que esta carta te não chegará às mãos ou que, chegando, a não lerás. Pouco importa. Escrevo pelo prazer de comunicar. Mas se sempre estimei a epistolografia, é porque é ela a forma de comunicação mais directa que suporta uma larga margem de silêncio; porque ela é a forma mais concreta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo. Além disso, seduz-me o halo de aventura que rodeia uma carta: papel de acaso, redigido numa hora intervalar, um vento de acaso o leva pelos caminhos, o perde ou não aí, o atira ao cesto dos papéis e do olvido, ou o guarda entre os sinais da memória. Por sobre tudo, porém, agrada-me falar desde o centro deste Inverno e desta cidade mortal que me cercam. Ouço as vozes subterrâneas à alegria mecânica, aos passos cronometrados, à azáfama de nervo e esquecimento que adivinho ao longe, numa metrópole-síntese construída em arame e cimento, e é bom que essas vozes ressoem na minha boca.
Vergílio Ferreira, Carta ao Futuro
A carta formal e a carta pessoal (carta informal)
A correspondência traduz a necessidade de comunicação de um eu com um outro, de um remetente com um destinatário, e portanto, num movimento de exteriorização. Quando tencionamos escrever uma carta, devemos pensar na nossa relação com o destinatário e na situação contextual em que esta está a ser escrita, de forma a optarmos por uma carta formal ou pessoal. A isto chamamos de adequação discursiva.
Cabeçalho
- Identificação do destinador/remetente.
- Identificação do destinatário (nome, cargo que desempenha) – sobretudo nas cartas formais.
- Local e data com o mês por extenso (à direita da página).
- Saudação/ Fórmula de tratamento (à esquerda da página):
· A um superior/alguém distante - Exmo. Senhor, Exma. Senhora Directora, Meu caro senhor...
· A alguém íntimo - Queridos pais, Saudoso irmão, Estimado amigo, Querida Ana...
Corpo da carta
- Parágrafo inicial: apresentação breve e clara do objectivo da carta.
- Parágrafos de desenvolvimento: tratamento com algum pormenor do assunto da carta.
Final da carta
- Encerramento do assunto através do reforço de uma ideia expressa ao longo do texto.
- Fórmula/ expressão de despedida (adaptadas ao tipo de carta e de relação entre destinador e destinatário).
- Assinatura do remetente.
- Em algumas ocasiões, P.S. – post scriptum – e notas.
Linguagem
Cartas formais
- Registo de língua cuidado, adequado ao destinatário e à situação, o que é visível nas formas de tratamento, no vocabulário escolhido e na construção frásica.
- Predomínio da função referencial, centrada no contexto, cuja ênfase é dada às informações veiculadas pela mensagem.
Cartas pessoais
- Registo de língua familiar, assinalado por expressões marcadas
- Predomínio da função emotiva, centrada no emissor e na expressão das suas emoções, sentimentos, pensamentos e estados de espírito.
- Não está sujeita a fórmulas rígidas.
Trabalhito:
Este selinho veio daqui e aqui fica para todas as minhas amigas blogueiras.
A Mena na cozinha
Bifes de peru com curgete
1 curgete
2 colheres de leite
1 sopa de cebola
1 pacote de natas
queijo ralado
Leve ao forno a cozer.
Bom apetite!
Fez ontem 50 anos que Asterix nasceu. E ontem festejámos também o décimo quinto aninho de vida da minha filhota.