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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal, Dia de Camões


Ao Desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

Paráfrase do episódio do Adamastor

(Canto V)

37

Tinham passado cinco dias de navegação com ventos favoráveis quando, de repente, numa noite viram formar-se sobre as suas cabeças uma nuvem que escurecia os céus.

38

A nuvem era tão escura e carregada que inspirava um grande medo. Ouvia-se ao longe o estrondo das vagas contra os rochedos.

"Meu Deus - exclamei eu - que ameaça ou que segredo este mar nos mostra, que parece ser coisa pior que um temporal?"

39

Ainda eu não tinha acabado de dizer isto e já uma figura enorme, gigantesca e horrenda se erguia diante de nós. Tinha o rosto sombrio, a barba esquálida, os olhos encovados, a cor terrena e pálida, a postura era medonha e má, os cabelos cheios de terra e crespos, a boca era negra e os dentes amarelos.

40

Era tão grande que, posso assegurar-te, era um segundo colosso de Rodes, que foi uma das sete maravilhas do mundo.

Falava com um tom de voz horrendo e grosso, que parecia vir do fundo do mar. Arrepiavam-se as carnes e os cabelos só de o ouvir e ver.

41

E disse em tom irado: "Ó gente ousada, mais do que qualquer outra que tenha praticado grandes feitos! Tu, que nunca repousas dos trabalhos e das guerras, atreves-te a ultrapassar os limites proibidos e a navegar nos meus mares que nunca ninguém sulcou:

42

pois vens desvendar os segredos da natureza e do mar que nunca nenhum mortal conheceu, ouve os castigos que eu reservo para punir o teu atrevimento quer no mar, quer na terra que, com dura guerra, virás a dominar.

43

Fica a saber que todas as naus que fizerem esta viagem me terão como inimigo e eu farei com que haja naufrágios, ventos e tempestades terríveis.

A primeira armada que por aqui passar receberá um castigo inesperado, mas destruidor.

44

Aqui espero vingar-me do primeiro que me descobriu.

E não será esse o único castigo da vossa temeridade; todos os anos vereis naufrágios, perdições várias e o menos doloroso dos males será ainda a morte.

45

Do primeiro fidalgo que teve o título de Vice-rei, serei eterna sepultura.

Aqui deixará os troféus das suas vitórias sobre os turcos; aqui se vingarão dele as cidades de Quíloa e Mombaça.

46

Também um outro homem ilustre, na companhia da formosa dama que o Amor lhe deu, escapará vivo de um naufrágio, para encontrar em terra a morte com grande sofrimento.

47

Depois de terem caminhado muito tempo pela areia ardente, verão morrer os filhos de fome, verão os Cafres roubar à esposa os vestidos que a cobriam, até a deixarem exposta ao calor, ao frio, ao vento, inteiramente nua.

48

E, os que escaparem, verão os míseros amantes morrer abraçados na mesma sepultura, depois de lágrimas e lamentos que comoveriam as próprias pedras."

49

O monstro horrendo continuava a vociferar os nossos destinos quando lhe perguntei: "Quem és tu?"

Retorceu os olhos, deu um espantoso brado, como se a pergunta lhe tivesse doído, e respondeu:

50

"Eu sou aquele oculto e grande cabo que se estende em direcção ao Pólo Sul, desconhecido dos grandes geógrafos da antiguidade e a quem a vossa ousadia muito me ofende!

Aqui termino toda a costa africana.

51

Fui um filho da Terra, do mesmo modo que o foram os Gigantes revoltados.

Chamo-me Adamastor, e estive na guerra contra Júpiter; não fui dos que colocaram monte sobre monte para chegar ao céu, mas andei no mar, em guerra contra Neptuno.

52

Foram os amores da esposa de Peleu que me fizeram tomar tão grande empresa.

Desprezei outras deusas do céu para amar só a princesa das águas. Vi-a uma vez, na companhia da Nereides, sair nua das águas, e logo senti um desejo que ainda agora dura.

53

Como não era possível conquistá-la, dado que sou muito feio, resolvi tomá-la pela força das armas, e expus o assunto a Dóris. Esta fala-lhe, mas ela respondeu-lhe com um sorriso: "Qual será o amor da deusa que aguente o dum gigante?

54

...mas, para evitar a guerra, procurarei uma forma de, respeitando a honra, evitar prejuízos", respondeu-me Dóris. Fiquei convencido e, ingenuamente, desisti da guerra. Como são cegos os amores! Fiquei cheio de desejo e de esperanças.

55

E numa noite prometida por Dóris, aparece-me ao longe o vulto de Tétis, única, despida.

Corro para ela como louco, abraço-a e beijo-lhe os olhos, as faces, os cabelos.

56

Ó! Tenho até vergonha de o contar: julgando ter nos braços quem amava, encontrei-me abraçado a um duro monte, e em vez de apertar seu rosto angélico, tinha um penedo nas mãos e eu próprio transformado em penedo.

57

Ó formosa ninfa! Já que a minha presença não te agradava, que te custaria manter-me nesta ilusão, fosse ela monte, nuvem, sonho ou nada?

E fujo, quase louco, do desgosto e do vexame ali sofridos, a procurar outro mundo onde ninguém da minha dor se risse.

58

Já então meus irmãos tinham sido vencidos e transformados em montes e também eu, como contra o céu não há defesa, comecei a sentir o castigo dos meus atrevimentos,

59

A carne é agora terra dura; os ossos fizeram-se penedos. Estes membros que aqui vês e esta figura estendem-se pelo mar. Enfim, transformei-me neste cabo. E, para ainda mais me magoar, cerca-me Tétis nestas águas.

60

E, dizendo isto, com um medonho choro, o Adamastor desapareceu diante dos nossos olhos. Desfez-se a nuvem negra e o mar soou lá longe. Eu pedi a Deus que removesse as trágicas profecias do Adamastor.



Trabalhinho:

Brinco

Este é o trabalho que tenho entre mãos e venho propor-vos um desafio: O que é que vai sair daqui? Este bordado é para quê? Quem adivinhar receberá um presente mym. Que tal? Aceitam ou não?
Podem passar o desafio, assim haverá mais gente a tentar acertar! O presente vale mesmo a pena!

Meninas, algumas de vós estão bem perto de fazer bingo. Vá lá, não desistam!

Aqui fica mais um bocadinho:



A Mena na cozinha

Lombo assado no forno

1 lombo de porco
sal
pimenta
alho em pó
massa de pimentão
azeite

Barre a carne com sal, pimenta, alho em pó e massa de pimentão. Coloque num pirex um pouco de azeite no fundo para a carne não se colar. Disponha a carne sobre o azeite e regue-a generosamente com azeite.

Leve a carne ao forno e deixe cozinhar a 180º.

Sirva com esparguete ou fitas e com uma boa salada.
Bom apetite!