Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
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segunda-feira, 10 de junho de 2019
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Porque hoje é o meu dia e o de todos os portugueses
Apresento-me...
O meu nome é Luís Vaz de Camões e vivi
em Portugal no século XVI. Aqueles que mais tarde viriam a ocupar-se da minha
vida (os meus biógrafos) viram-se em sérios embaraços para sabê-lo, visto que não
conseguiram obter documentos seguros a meu respeito. Muitas histórias se
inventaram sobre mim, mas, como diria mais tarde, no século XX, um famoso
cineasta, de origem irlandesa e de nome John Ford, "quando a lenda
ultrapassa a realidade, publique-se a lenda…”
De qualquer modo, vou, para que a minha
apresentação seja mais completa, dizer-vos que nasci em Portugal, em Lisboa,
por volta de 1524.
A minha família era pobre e pobre vivi
sempre. No entanto, e porque, mesmo pobre, a minha família pertencia à nobreza,
pude ser educado no contacto com os clássicos gregos e latinos, e conhecer toda
a literatura e civilização desses dois povos. Li, nomeadamente, os livros que
considero os mais importantes do Mundo: os poemas de Homero sobre a
Guerra de Tróia - A Íliada - e sobre as aventuras do sábio Ulisses - A
Odisseia - e o poema de Virgílio, narrando as navegações de Eneias -
A Eneida. Aprendi também muitas lendas ligadas aos Gregos e Romanos,
como a lenda dos Argonautas, navegadores que procuravam encontrar o velo de
ouro. E fiquei a saber a mitologia dos Gregos e Romanos e, portanto, as histórias
dos seus deuses e deusas. Gostei também de ler coisas relacionadas com o Rei
Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, bem como sobre Carlos Magno e os Doze
Pares de França. Pude conhecer igualmente outros livros e autores estrangeiros
muito admirados e lidos no meu tempo, como Ariosto e Petrarca e
gostei particularmente dos sonetos deste último.
Para além da leitura, Ocupava eu o meu
tempo em distracções próprias de Jovens, como namorar as cachopas bem lindas do
meu tempo, em Coimbra, segundo dizem, e, mais tarde, em Lisboa. Os meus biógrafos
haveriam de inventar-me muitas namoradas, nomeadamente entre as donzelas e
damas da Corte e mesmo amores por princesas. Não sou eu quem vos dirá se é
verdade ou mentira tudo quanto pensaram descobrir porque, aqui para nós, até
fico vaidoso de saber de tantos namoros... A verdade é que nem sempre fui
muito bem comportado e vi-me envolvido em brigas. É que eu era bom espadachim e ai de quem se metesse
comigo!... Estive preso por diversas ocasiões, nomeadamente em Constância dizem os habitantes dessa linda terra junto
ao Tejo. Mas também sobre isso não há certezas e eu, mesmo que me lembrasse, não
iria desapontá-los.
Frequentei também Os serões da Corte e
fiz muitos versos às damas; mais tarde seriam publicados com o título de Lírica.
Ganhei fama, adeptos (sobretudo entre as damas) e inimigos, gente invejosa
do meu êxito e do meu talento de poeta lírico.
A determinada
altura fui para soldado, profissão própria de nobres, e fui combater os Mouros
para o Norte de África, zona em que o meu Rei queria obter territórios. A vida
na tropa não foi nada boa, porque mesmo quando a guerra é justa - e eu até
achava as guerras contra os Mouros justas e santas, pois acreditava serem
boas para o meu Rei e para poder
levar-se a verdadeira religião a África e ao Oriente, - o perigo é grande de
morrer jovem ou de ser ferido. E foi isso mesmo que sucedeu: fui ferido em
combate e perdi para sempre um dos meus olhos. Eu até era um rapaz jeitoso e
com sorte junto das moças, mas algumas, por maldade, ou simplesmente porque
eram tontas, troçavam de mim por ser cego de um dos olhos, chamando-me
"cara sem olhos” Vingava-me, fazendo versos e até fazendo humor sobre a
minha infelicidade... Como estes:
Sem olhos vi o mal claro
que dos olhos se
seguiu:
pois cara sem olhos viu
olhos que lhe
custam caro.
De olhos não faço
menção,
pois quereis que
olhos não sejam;
vendo-vos, olhos
sobejam,
não vos vendo,
olhos não são.
Tempos
depois, fui enviado para a Índia, dizem alguns que como castigo por mau
comportamento, outros que por vingança de algum rival por mim vencido nos amores
ou nas brigas. Não me ralei. A verdade é que senti um enorme prazer em poder
repetir a viagem que tantos portugueses já tinham feito antes e que Vasco da
Gama, para mim o mais importante herói de Portugal, fizera pela primeira vez em
1498. Gostei de conhecer a costa africana, o Oceano Atlântico e também o Índico
e de ir prestar serviço para Goa, capital do Império Português do Oriente.
Claro que eram viagens difíceis, mas gostei muito de poder conhecer novos céus,
novos climas, novos usos e costumes tão diferentes dos nossos, novas formas de
arte, outras religiões e mulheres lindíssimas como a Bárbara e a Dinamene, de
beleza tão diferente das mulheres europeias, duas cativas que de mim fizeram
para sempre um cativo seu. Sobre a primeira escrevi eu
Aquela cativa
Que me tem cativo
Porque nela vivo
Já não quer que viva
Tal como tinha acontecido em Lisboa,
também por estas bandas me não faltaram inimigos... e, a certa altura, fui
enviado para Macau, com um cargo oficial. Gostei de estar nesse território chinês
ocupado por portugueses. Diz a lenda que em Macau escrevi os meus Lusíadas numa
gruta adequada ao trabalho de fazer poesia... Acusaram-me de fraudes. Estava
inocente, mas tive de regressar a Goa, em cuja prisão passei dias amargos...
Por sinal, da minha estadia na prisão existe um retrato.
No Oriente fui igualmente vítima de um
naufrágio em que quase perdi a vida e no qual salvei a custo Os Lusíadas. Esse
naufrágio no rio Mecom deixaria em mim uma enorme tristeza e um grande
desalento. É que nele morreu a minha
Dinamene, que recordaria sempre com saudade e mágoa. À sua recordação dediquei poemas muito sentidos. É que nunca mais me foi tão doce a vida, após a
perda da minha amiga, tão jovem, tão bela, a quem eu tanto amava e que me amava
tanto a mim. Sonho muitas vezes com ela, vejo-a, chamo-a pelo nome..
Dina!...
e antes que diga mene
acordo e vejo
que nem um breve engano posso ter.
Regressei algum tempo depois a Portugal
e à minha Lisboa. Ao contrário de tantos que na Índia fizeram fortuna rápida, regressei
mais pobre do que quando tinha saído. Tanto, que só tive dinheiro para pagar a
viagem até à Ilha de Moçambique. Por lá fiquei, até que amigos que vinham da Índia
me pagaram o resto da viagem.
Em Lisboa aguardava-me, ansiosa, a
minha querida mãe, uma das muitas que tinham visto partir os filhos com
amargura e medo de os não voltar a ver, como conto no meu livro Os Lusíadas.
Vinha fraco, pobre e doente. Tive, felizmente, o apoio de um escravo que
veio comigo. Melhor direi, de um grande amigo, o António, mais conhecido por
Jau, por ser natural da ilha de Java. Muito lhe devo pela amizade e até porque
muitas vezes pedia esmola para eu poder sobreviver. Tratei de conseguir a
publicação do meu livro, em que procurei ser um digno continuador do génio de Homero
e Virgílio. Não era fácil publicar um livro em Portugal. Os Portugueses não
ligavam muito à arte e à poesia, o que é pena. Pedi audiência ao Rei, um jovem
simpático que prometia ser valente - D.
Sebastião - e pedi-lhe que me
permitisse ler-lhe o meu poema - que aliás lhe dedicava. Se ele aceitasse
ouvir-me, haveria de ver que era muito mais importante ser rei dos Portugueses
do que ser rei do Mundo.
O Rei
aceitou ouvir-me longamente e os seus olhos brilhavam de entusiasmo ao ouvir a
história do povo lusíada, ou português, bem mais importante que as muitas histórias
dos antigos, já cantadas por Homero e Virgílio. Após a leitura, agradeceu-me e
prometeu pagar-me uma pensão razoável até ao fim dos meus dias. Nem sempre a
pensão chegou, porque os reis são bem mais rápidos a prometer do que a cumprir
algumas das suas promessas... Também é certo que o jovem rei estava envolvido
na preparação de uma expedição militar a Marrocos (mal ele sabia que aí haveria
de perder a vida...), e essas coisas de guerras exigem muito dinheiro...
Seja como for, e isso é que importa, o
meu livro foi publicado em 1572 e com tanto êxito, que logo nesse ano houve uma
segunda edição. É bom
que eu diga aos meus jovens leitores do século XX que, nessa altura, pouca
gente sabia ler. De mim ficaram os meus versos, as composições líricas, em que
trato de assuntos sentimentais, emotivos; algumas peças de teatro - EI-rei
Seleuco, Anfitriões, Filodemo. Mas a minha melhor e mais conhecida obra é,
de facto, Os Lusíadas.
Já chega de tanto falar
de mim. Afinal, se hoje sou conhecido em todo o Mundo, tal se deve aos meus
poemas e não à minha vida como pessoa. E, se a vida me não correu muito bem,
depois da minha morte tornaram-me o símbolo da nossa pátria e daquilo que há de
melhor no povo português. Tanto que, mais tarde, transferiram o que restava do
meu corpo para o Mosteiro dos Jerónimos, para um túmulo junto ao de Vasco da
Gama, onde hoje sou visitado por muitos portugueses e estrangeiros, que me põem
umas flores de vez em quando. Muitos desses visitantes, se calhar, nunca me
leram, mas ouvem falar de mim como um dos grandes poetas da humanidade e como símbolo
da nossa pátria. Por isso, a data da minha morte, 10 de Junho, é assinalada
como dia feriado: o Dia de Portugal.
Amélia Pinto Pais
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Luís de Camões,
Luís de Camões (biografia)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Sete anos de pastor Jacob servia - Camões
Sete anos
de pastor Jacob servia
Labão,
pai de Raquel, serrana bela;
Mas não
servia ao pai, servia a ela,
E a ela
só por prémio pretendia.
Os dias,
na esperança de um só dia,
Passava,
contentando-se com vê-la;
Porém o
pai, usando de cautela,
Em lugar
de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o
triste pastor que com enganos
Lhe fora
assim negada a sua pastora,
Como se a
não tivera merecida,
Começa de
servir outros sete anos,
Dizendo:
- “Mais servira, senão fora
Para tão
longo amor tão curta a vida!”
Luís de Camões
O amor
não tem limites, vai além da vida. Depois de sete anos de trabalho, Jacob diz a
Labão, pai de Raquel: "Mais servira, se não fora / Para tão longo amor tão
curta a vida!". O seu amor transcendia o plano histórico em que ele vivia
e projectava-se para uma zona ideal, indiferente à astúcia e à malícia de
Labão. Jacob teria a sua amada custasse o que custasse, pois o sentimento não
era de carne, mas do espírito. Ele vivia somente pelo amor. A servidão podia
atingir-lhe o corpo, mas nunca a alma, pois ela gozava de plenitude em razão do
sentimento que o ligava a Raquel. Jacob servia a ela, a si próprio ou ao Amor,
não a Labão, por isso servia destemido e contente.
Este
poema de Camões trata de um assunto de inspiração bíblica, embora Jacob se
sacrifique devido ao amor por Raquel. Este amor acaba por se enquadrar no que
se considera ser o alto amor, o amor verdadeiro, sublime, que subsiste
platonicamente durante catorze anos.
Vejamos,
então, a história bíblica que está presente no soneto: Labão enganou Jacob,
fazendo-o trabalhar para ele durante sete anos. Prometera-lhe o casamento
com uma das filhas, mas deu a Jacob a mão da filha mais velha, Lia. Jacob
persistiu e, para ter Raquel, acordou com o Tio que teria de trabalhar mais
sete anos, sem qualquer remuneração. Tendo trabalhado, assim, durante catorze anos por amor.
É o valor do amor a mensagem bíblica fundamental, que serve esta parábola, tal
como o valor da persistência.
Este
poema é uma soneto, constituído por duas quadras e dois tercetos, versos
decassilábicos.... Mas, neste soneto há uma narrativa, conta-se uma história
com personagens e respectiva interacção, um tempo histórico específico e,
inclusivamente, notamos a existência do discurso directo nos dois últimos versos.
O uso do
Pretérito Imperfeito do Indicativo remete a história narrada para os longínquos
tempos bíblicos (“servia”; “Passava”). Na narração da história está
também presente o uso do gerúndio, que implica um prolongamento da acção
(“Vendo”).
Esta
composição poética rege-se pela simplicidade retórica e linguística. Tal como A
Bíblia apresenta uma linguagem igualmente simples, não se divisam no poema os
habituais cultismos renascentistas, frequentes na Lírica Camoniana. A figura de
retórica mais evidente no texto é o hipérbato (1.º verso; 1.ª estrofe; 1.º e 2.º
versos da segunda estrofe; dois primeiros versos do primeiro terceto), por necessidades
rimáticas.
Na
chave-de-ouro, certifica-se a ideia de que a duração daquele amor não poderia
abranger uma vida curta, como a humana e, sobretudo, o tempo perdido de Jacob
que só pode obter a mão de Raquel após catorze anos de extenuantes trabalhos.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dia mundial da poesia
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
A análise está aqui!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
O maior português de sempre

Julga-me a gente toda por perdido
Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.
Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.
Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;
Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.
Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.
Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.
Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;
Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.
Luís de Camões
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Etapas vencidas ou não!...
Os bons professores continuam a sair às catadupas, só não se reforma quem não pode.
Quase todos os dias há gente que sai e gente que entra. Mas a escola não fica melhor, antes pelo contrário! Não conheço uma grande parte dos professores da escola. Nos conselhos de turma, há sempre alguém desconhecido! Há turmas que este ano já tiveram vários professores a duas ou três disciplinas. Soube hoje que uma professora se foi embora e que os alunos vão ficar sem aulas nessa disciplina até ao final do ano. Dizia-me um aluno: "A professora não tinha mão nos alunos, arranjou outro trabalho e foi-se embora. Também quem é que quer ser professor hoje!"
Quase todos os dias há gente que sai e gente que entra. Mas a escola não fica melhor, antes pelo contrário! Não conheço uma grande parte dos professores da escola. Nos conselhos de turma, há sempre alguém desconhecido! Há turmas que este ano já tiveram vários professores a duas ou três disciplinas. Soube hoje que uma professora se foi embora e que os alunos vão ficar sem aulas nessa disciplina até ao final do ano. Dizia-me um aluno: "A professora não tinha mão nos alunos, arranjou outro trabalho e foi-se embora. Também quem é que quer ser professor hoje!"
A lírica camoniana
A mudança
Cá nesta Babilónia, donde manaA mudança
Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá donde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a desengana;
Cá, neste labirinto, onde a nobreza,
Com esforço e saber pedindo vão
Às portas da cobiça e da vileza;
Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!
Luís de Camões
A Torre de Babel, que significa a "porta do céu" ou a "porta de Deus", é mencionada na Bíblia (Génesis, 11), como uma das construções mais ambiciosas do homem. Chegados ao Oriente, os Babilónios estabeleceram-se na planície de Sinar, onde resolveram construir uma cidade, a Babilónia, uma das sete maravilhas do mundo, com suptuosos palácios, jardins suspensos e com uma torre coroada por um templo, no seu topo, por forma a alcançar o céu. Todavia, a Torre de Babel era obra do orgulho humano, pois pretendia estar à altura de Deus e eventualmente contra ele. Por essa razão, Deus resolveu castigar a obra do orgulho humano, confundindo os seus construtores, na sua linguagem, de tal forma que não se compreendessem uns aos outros. Sem se entenderem, interromperam os seus trabalhos de construção e dispersaram-se por toda a terra, dando origem às diversas culturas e diferentes línguas que se falam no mundo. A partir de então, Babel passou a ser sinónimo de confusão e a simbolizar o castigo divino sobre a arrogância, orgulho e paganismo humanos.
Os versos que se seguem atribuem determinadas características à Babilónia:
"cá, neste labirinto, onde a nobreza, / com esforço e saber pedindo vão / às portas da cobiça e da vileza;" = Babilónia é um lugar habitado por uma nobreza vil e ávida de poder;
"cá, onde o mal se afina e o bem se dana," = local minado pelo mal;
"cá neste escuro caos de confusão," = lugar definido como labirinto e caos de confusão;
"cá donde o puro Amor não tem valia," = sítio dominado pelo amor sensual e pela profanação do amor puro.
"cá, onde a errada e cega Monarquia / cuida que um nome vão a desengana;" = lugar governado por uma Monarquia errada e cega.
Nos treze primeiros versos do poema Cá nesta Babilónia, donde mana, o sujeito poético caracteriza a Babilónia como uma cidade do mal, da confusão e da corrupção. Vamos interpretar, agora, o último verso deste soneto - "Vê se me esquecerei de ti, Sião!"- a partir da leitura do Salmo 136 Junto dos rios da Babilónia, que narra o canto do povo hebreu desterrado na Babilónia.
Junto aos rios da Babilónia,
nos sentámos a chorar,
lembrando-nos de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
pendurámos, então, as nossas harpas,
Os que nos levaram para ali cativos
pediam-nos um cântico.
e os nossos opressores, um hino de alegria:
"Cantai-nos um cântico de Sião."
Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor
numa terra estranha?
Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
que a minha mão direita se paralise!
Pegue-se a minha língua ao paladar,
se eu não me lembrar de ti,
se não fizer de Jerusalém
a minha suprema alegria!
Lembrai-vos, Senhor, do que fizeram os filhos de Edom,
no dia da queda de Jerusalém, quando gritavam:
"Arrasai-a, arrasai-a até aos seus alicerces!"
Cidade da Babilónia devastadora,
feliz daquele que te retribuir
com o mesmo mal que nos fizeste!
Feliz de quem agarrar nas tuas crianças,
e as esmagar contra as rochas!
No último verso do poema Cá nesta Babilónia, donde mana o sujeito poético recorda o bem passado, exclamando que não se esqueceu de Sião, a sua verdadeira pátria.
De acordo com o texto bíblico, Babilónia é o símbolo do exílio dos judeus e Sião a sua pátria. Desta forma, Babilónia representa o mal presente e o mundo material, por oposição a Sião, símbolo da vida espiritual e do bem passado.
Comparativamente, também o sujeito poético se encontra exilado num lugar de sofrimento, corrupção e vileza e recorda saudoso a sua pátria. O desconcerto do mundo é, então, expresso pela oposição entre um espaço do mal do tempo presente e a recordação de um espaço do bem do tempo passado.
Os versos que se seguem atribuem determinadas características à Babilónia:
"cá, neste labirinto, onde a nobreza, / com esforço e saber pedindo vão / às portas da cobiça e da vileza;" = Babilónia é um lugar habitado por uma nobreza vil e ávida de poder;
"cá, onde o mal se afina e o bem se dana," = local minado pelo mal;
"cá neste escuro caos de confusão," = lugar definido como labirinto e caos de confusão;
"cá donde o puro Amor não tem valia," = sítio dominado pelo amor sensual e pela profanação do amor puro.
"cá, onde a errada e cega Monarquia / cuida que um nome vão a desengana;" = lugar governado por uma Monarquia errada e cega.
Nos treze primeiros versos do poema Cá nesta Babilónia, donde mana, o sujeito poético caracteriza a Babilónia como uma cidade do mal, da confusão e da corrupção. Vamos interpretar, agora, o último verso deste soneto - "Vê se me esquecerei de ti, Sião!"- a partir da leitura do Salmo 136 Junto dos rios da Babilónia, que narra o canto do povo hebreu desterrado na Babilónia.
Junto aos rios da Babilónia,
nos sentámos a chorar,
lembrando-nos de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
pendurámos, então, as nossas harpas,
Os que nos levaram para ali cativos
pediam-nos um cântico.
e os nossos opressores, um hino de alegria:
"Cantai-nos um cântico de Sião."
Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor
numa terra estranha?
Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
que a minha mão direita se paralise!
Pegue-se a minha língua ao paladar,
se eu não me lembrar de ti,
se não fizer de Jerusalém
a minha suprema alegria!
Lembrai-vos, Senhor, do que fizeram os filhos de Edom,
no dia da queda de Jerusalém, quando gritavam:
"Arrasai-a, arrasai-a até aos seus alicerces!"
Cidade da Babilónia devastadora,
feliz daquele que te retribuir
com o mesmo mal que nos fizeste!
Feliz de quem agarrar nas tuas crianças,
e as esmagar contra as rochas!
No último verso do poema Cá nesta Babilónia, donde mana o sujeito poético recorda o bem passado, exclamando que não se esqueceu de Sião, a sua verdadeira pátria.
De acordo com o texto bíblico, Babilónia é o símbolo do exílio dos judeus e Sião a sua pátria. Desta forma, Babilónia representa o mal presente e o mundo material, por oposição a Sião, símbolo da vida espiritual e do bem passado.
Comparativamente, também o sujeito poético se encontra exilado num lugar de sofrimento, corrupção e vileza e recorda saudoso a sua pátria. O desconcerto do mundo é, então, expresso pela oposição entre um espaço do mal do tempo presente e a recordação de um espaço do bem do tempo passado.
A Mena na cozinha
Salada de feijão
Salada de feijão
feijão cozido
cenoura ralada
alface
pimentos vermelhos assados
queijo
pepinos de conserva (cornichons)
3 ovos cozidos
atum
azeite e vinagre (ou maionese)
sal
cenoura ralada
alface
pimentos vermelhos assados
queijo
pepinos de conserva (cornichons)
3 ovos cozidos
atum
azeite e vinagre (ou maionese)
sal
Trabalhinho:
domingo, 9 de maio de 2010
Somos Benfica
A lírica camoniana: a mudança
O desconcerto do mundo - o erro e a contradição
Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e, para mais m’ espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau; mas fui castigado.
Assim que só para mim
anda o mundo concertado.
no mundo graves tormentos;
e, para mais m’ espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau; mas fui castigado.
Assim que só para mim
anda o mundo concertado.
Luís de Camões
A luta entre o bem/mal e a tentativa de agir correctamente sem, muitas vezes, ser recompensado sempre despertou o interesse de vários argumentistas, basta relembrar filmes como: “O Senhor dos Anéis” e os famosos filmes “Guerra das Estrelas”.
Nos versos que se seguem do poema "Os bons vi sempre passar": "Os bons vi sempre passar / (...) graves tormentos; / (...) os maus vi sempre nadar /em mar de contentamentos. " o desconcerto do mundo é apresentado através de um jogo contraditório à volta do qual se estrutura o poema. O sujeito poético constata (“vi sempre”) que tudo no mundo funciona ao contrário: enquanto os bons são castigados, os maus são premiados.
A constatação do desconcerto do mundo vai despoletar um efeito perverso no comportamento do próprio sujeito poético que acaba por se assumir como “mau”. Eis os versos que revelam o motivo pelo qual o sujeito decidiu ter este comportamento: "Cuidando alcançar assim /o bem tão mal ordenado,".
O sujeito poético decide assumir-se como "mau" na perspectiva de ser recompensado, já que "o bem" andava "tão mal ordenado". No entanto, acaba por ser castigado: "Assim que só para mim / anda o mundo concertado."
A Mena na cozinha
Frango com molho de tomate
Frango com molho de tomate
frango desfiado (sobras de frango cozido ou assado)
1 cebola
1 dente de alho
4 tomates maduros
vinho branco
azeite
sal
pimenta
1 cebola
1 dente de alho
4 tomates maduros
vinho branco
azeite
sal
pimenta
Bom apetite!
Trabalhinho:


