Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
No nosso almoço literário até os individuais estavam decorados com poemas de vários poetas.
Ficaram lindos, não ficaram?
Pais e filhos mostraram os seus dotes de leitores.
Alguns meninos e meninas, envergonhados perante um tão grande público, solicitaram o apoio dos pais.
Outros mostraram-se muito à vontade.
Os mais pequeninos precisaram de um passarinho a soprar-lhes ao ouvido as palavras mais difíceis.
Outros dramatizaram o texto. Era um diálogo, claro!
O sorriso mostra bem que está a gostar do que lê! Não acham?
Uns liam e outros treinavam ainda.
A cogitar... a meditar... a reflectir... a pensar... a matutar... a idear... a analisar...
Houve leituras mais entusiasmadas que outras!
Houve leitores suspensos nas palavras que iam sendo soletradas!
No fim, houve sorrisos rasgados... de... dever cumprido!
E porque o homem não vive só de poesia... Os actores deixaram o palco e banquetearam-se... Mereceram bem!
A corrente renascentista da lírica camoniana
Os modelos formais e temáticos da lírica camoniana revelam também a cultura humanística e clássica do poeta, sob a influência de autores greco-latinos, como Platão ou Ovídio, e italianos, como Petrarca ou Dante.
Temas:
- o petrarquismo
- o amor platónico
- a sensualidade
- a beleza divina
- a saudade
- o destino
- a mudança
- o desconcerto do mundo
Petrarquismo
Imitação e propagação do estilo poético de Petrarca e da sua obra Canzoniere, motivadas pela aspiração à perfeição formal que desde muito cedo dominou a poesia portuguesa.
Amor platónico
O amor platónico é aquele que nunca se concretiza.
Formas:
- o soneto
- a canção
- a écloga
- a elegia
- a ode
Soneto
Forma poética constituída por 14 versos distribuídos por duas quadras e dois tercetos. As quadras seguem o esquema rimático ABBA/ABBA e os tercetos o esquema CDC/CDC ou CDE/CDE.
O último terceto é, geralmente, a chave de ouro do poema, isto porque é nele que está contida a síntese do conteúdo do soneto.
A chamada medida nova corresponde aos versos decassilábicos que podem ser heróicos (quando acentuados nas 6ª e 10.ª sílabas) ou sáficos (quando acentuados nas 4.ª, 6ª e 8ª ou 10.ª sílabas).
Canção
Forma poética, de origem provençal, constituída por uma série de estrofes heterométricas (com versos de medida desigual) e rematadas por uma estrofe mais curta, que se converteu, segundo o modelo de Petrarca, na mais ilustre manifestação do lirismo amoroso da literatura renascentista.
Écloga
Por écloga entende-se, vulgarmente, um poema escrito sob a forma de diálogo, de conversa aberta entre as entidades presentes no texto e, muitas vezes, entre o autor, as personagens e o próprio leitor. A temática versada nas éclogas relacionava-se, quase sempre, com a vida campestre, os amores pastoris, as impossibilidades e não correspondências dos amores vários. Na chamada Época Clássica, a écloga servia também como meio para profundas reflexões morais, estéticas e filosóficas. O introdutor deste subgénero literário em Portugal foi Sá de Miranda, influenciado por escritores italianos como Dante e Boccaccio.
Elegia
Composição poética lírica, cujo tom é quase sempre melancólico e terno.
Ode
Composição poética lírica de assunto elevado, própria para ser cantada.
Trabalhinho:
Porta-chaves
A Mena na cozinha
Filetes no forno
filetes de pescada
2 cebolas
1 dente de alho
1 pimento amarelo
1 copo de vinho branco
sal
pimenta
1/2 malagueta grande
azeite
4 tomates maduros
Corte a cebola, a malagueta e o dente de alho às rodelas e leve ao lume com um pouco de azeite. Quando a cebola estiver transparente, junte o pimento cortado às tiras e os tomates aos pedaços.
Deixe cozinhar um pouco. Tempere e adicione o vinho.
Ponha parte do preparado anterior no fundo de um pirex. Disponha uma camada de filetes, salpique-os com um pouco de sal.
Por cima dos filetes, deite o resto da cebolada e leve ao forno.
Sirva com puré de batata ou batatas cozidas cortadas às rodelas e salada.
Bom apetite!
As memórias estão no meio-termo entre a autobiografia e a crónica, variando, de caso para caso, o peso relativo do eu no conjunto do narrado. São, sem dúvida, uma forma de escrita sobre si mesmo [...], mas dão-nos também, e sobretudo, o testemunho de um tempo e de um meio, somando ao relato de casos pessoais e familiares o de acontecimentos históricos e políticos. A narrativa memorialística tem um fundo histórico-cultural, sujeito embora à filtragem subjectiva de quem a produz. Nela se acumulam nomes de personagens ilustres [...] que foram actores da História, ao mesmo tempo que o memorialista é actor da sua história. O eu torna-se aqui flagrantemente social. [...]
O memorialista é um Narciso com o sentido da História: ao mesmo tempo que procura conciliar a admiração do leitor, presta um serviço aos vindouros, legando-lhes um testemunho cuja justificação primeira é o valor documental.
Clara Rocha, Máscaras de Narciso
Características do texto memorialístico
Género literário narrativo.
Escrita sobre si mesmo (perspectiva do eu).
Relato de vivências pessoais e familiares.
Recordação de acontecimentos passados com um fundo histórico-cultural.
Valor documental (testemunho de um tempo e de um meio)
O Discurso de José Saramago, Prémio Nobel da literatura 1998, perante a Real Academia Sueca, em 8 de Dezembro de 1998
O excerto do discurso que José Saramago proferiu perante a Real Academia Sueca, no dia 10 de Dezembro de 1998, na cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Literatura, é todo ele construído através de memórias da infância, transportando-nos para um tempo passado. Repara no predomínio do mesmo tempo verbal sempre que se descreve alguém ou determinado acontecimento.
De como a Personagem Foi Mestre e o Autor Seu Aprendiz
Por José Saramago
O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. (...) algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. (...) Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. (...)
Escrevi estas palavras há quase trinta anos, sem outra intenção que não fosse reconstituir e registar instantes da vida das pessoas que me geraram e que mais perto de mim estiveram, pensando que nada mais precisaria de explicar para que se soubesse de onde venho e de que materiais se fez a pessoa que comecei por ser e esta em que pouco a pouco me vim tornando. (...) Ao pintar os meus pais e os meus avós com tintas de literatura, transformando-os, de simples pessoas de carne e osso que haviam sido, em personagens novamente e de outro modo construtoras da minha vida, estava, sem o perceber, a traçar o caminho por onde as personagens que viesse a inventar, as outras, as efectivamente literárias, iriam fabricar e trazer-me os materiais e as ferramentas que, finalmente, no bom e no menos bom, no bastante e no insuficiente, no ganho e no perdido, naquilo que é defeito mas também naquilo que é excesso, acabariam por fazer de mim a pessoa em que hoje me reconheço: criador dessas personagens, mas, ao mesmo tempo, criatura delas. Em certo sentido poder-se-á mesmo dizer que, letra a letra, palavra a palavra, página a página, livro a livro, tenho vindo, sucessivamente, a implantar no homem que fui as personagens que criei. Creio que, sem elas, não seria a pessoa que hoje sou, sem elas talvez a minha vida não tivesse logrado ser mais do que um esboço impreciso, uma promessa como tantas outras que de promessa não conseguiram passar, a existência de alguém que talvez pudesse ter sido e afinal não tinha chegado a ser.
Enxerga - colchão grosseiro de palha; cama pobre;
Logrado - conseguido.
Este excerto do discurso de José Saramago é um relato do seu passado, das suas memórias de infância, daí a utilização predominante do pretérito imperfeito. Este é, por excelência, o tempo verbal da descrição do passado, porque transmite continuidade e durabilidade, contribuindo para a constância das características.
No discurso de José Saramago verifica-se um eu que remete para o passado e outro para o presente.
No momento dos acontecimentos, o sujeito da memória:
ouviu
“(…) o meu avô ia contando: lendas, aparições (…), palavras de antepassados (…)”
sentiu
“(…) um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava (…)”
No momento da escrita, o sujeito da memória:
pensa
“Escrevi estas palavras há quase trinta anos (…) pensando que nada mais precisaria de explicar para que se soubesse de onde venho (…)”
avalia
“Creio que, sem elas, não seria a pessoa que hoje sou (…)”
As vivências de José Saramago no seu passado, mais propriamente na sua infância, são reflectidas no momento da escrita no presente.
Na primeira parte do texto encontramos as seguintes vivências pessoais e familiares relatadas segundo uma ordem lógica.
Considero o meu avô um homem sapiente.
O meu avô era analfabeto.
O meu avô, Jerónimo Melrinho, começava a trabalhar muito cedo.
Os meus avós viviam com dificuldades.
Os meus avós maternos não sabiam, ler nem escrever.
O meu avô costumava contar-me histórias.
Era muito reconfortante ouvir as histórias do meu avô.
A Mena na cozinha
Filetes no forno com caril
5 ou 6 filetes de pescada
1 cebola
1 dente de alho
pimentos (vermelho, verde, amarelo, laranja)
salsa
cebolinho
caril
pimenta
sal
azeite
vinho branco
Corte a cebola e o alho às rodelas finas e disponha metade num tabuleiro de ir ao forno. Regue com um pouco de azeite. Por cima, ponha uma camada de filetes. Tempere com uma pitada de sal, pimenta e caril.
Salpique os filetes com a salsa e o cebolinho picados. Disponha, por cima dos filetes, uma parte dos pimentos cortados em tiras. Sobreponha o resto dos filetes e proceda do mesmo modo até gastar todos os ingredientes, não esquecendo de temperar com sal, pimenta e caril.
Termine com umas rodelas de cebola. Regue com um fio de azeite e com 1 dl de vinho branco. Leve ao forno.
Sirva com batatinhas cozidas, cortadas às rodelas.
Bom apetite!
Trabalhinho:
colar em trapilho
Selinho
Este miminho veio daqui e aqui fica para todas as minhas amigas blogueiras.