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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Há certas horas


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos p'ra chorar, que desejamos uma presença amiga, para nos ouvir paciente, a brincar connosco, a fazer-nos sorrir...

Alguém que ria das nossas piadas sem graça...
Que ache as nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...

Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:

Acho que está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:

Sou seu amor! E estou Aqui!


William shakespeare



Agenda e respectivo embrulho.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Recicl'arte

Ainda as cápsulas de Nespresso!
Com estas cápsulas coloridas faz-se um sem número de trabalhinhos lindos! Aqui utilizei-as para fazer flores para decorar um arranjo para alindar a nossa Biblioteca. Utilizei apenas material reciclável: as referidas cápsulas, folhas, pinhas e troncos que apanhei no pinhal defronte da minha casa... Depois a cola, as tintas, a imaginação e criatividade trataram do resto.


Se Nada Há de Novo


Se nada há de novo e tudo o que há

já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.

William Shakespeare

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Parabéns, Mena!

Hoje, sou pequenina! Assim, como a minha filhota, quando fez um aninho, há treze anos. Por isso, hoje, não cozinho, não faço nada... Bem, já dei aulas, mas isso não conta, porque é com um enorme prazer que o faço... Ah, como estava a dizer... hoje não cozinho, logo não há receita para ninguém. Vou comemorar com os meus três amores e no fim-de-semana, vou juntar a família e alguns amigos e fazer um petiscozito.
Agora, vou passear...





Dedico este poema a todos os meus amigos e amigas que têm feito e continuarão a fazer parte da minha vida e com quem posso sempre contar. Todos, mesmo, os virtuais também, claro!

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare





Miminhos


Mimos enviados por esta menina





Trabalhinho:
colar em tons de Outono







Obrigada a todos os que me visitam e a todos que me "entupiram" o telemóvel com mil mensagens lindas.
Que para o ano estejamos todos aqui outra vez.
Beijinhos.
Eu estou aqui, contem sempre comigo, com a minha amizade!


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adeus, avô!

Adeus Avô!


Estou triste, o meu avô partiu!

Flores para o meu avô

O dia está lindo, mas a minha alma só vê escuridão.

Poemas a condizer com o meu estado de espírito

"A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto".

A morte é a curva da estrada

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


Fernando Pessoa



Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira



Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!
Florbela Espanca


De suspirar em vão já fatigado,
Dando tréguas a meus males, eu dormia.
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descarnado
sustentava a cruel, e me dizia:
"Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado..."

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada.
Que armada de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

"Emprega noutro objecto os teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores".
Bocage

A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Álvares de Azevedo

"Está morto: podemos elogiá-lo à vontade!"

Machado de Assis


"(…) Se a morte é a extinção de todo o sentimento e se parece com um daqueles sonos em que nada vemos, mesmo em sonho, morrer é então um maravilhoso lucro. (…) Se a morte, portanto, for qualquer coisa de semelhante, eu defendo que ela é um ganho, pois que a inteira sucessão dos tempos não parecerá mais do que uma só noite."

"Se alguma vez quisermos ter um puro conhecimento de qualquer coisa, é necessário alienarmos o nosso corpo e olhar apenas com a alma as coisas em si mesmas. Só alcançaremos, segundo parece, aquilo que desejamos e pretendemos amar, a sabedoria, depois da nossa morte (...), durante a nossa vida, nunca!" .
Platão

Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.

Macbeth, Acto 5, Cena 5