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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Touros e cavalos


Fui à tourada com uma amiga. Como ela se atrasou um pouco, fui dar uma vista de olhos nos cavalos.


A tourada estava prestes a começar e, logo ali ao lado, decorria uma manifestação contra as touradas. O engraçado foi ter visto algumas pessoas que gritavam a altos pulmões que os direitos dos animais eram fundamentais e minutos depois gritavam olés dentro da praça de touros. Enfim!





E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Ruy Belo

Este poema divide-se em duas partes lógicas: um antes (passado, no qual predomina o Pretérito Imperfeito do Indicativo, que marca a continuidade de uma acção passada) e um agora (presente, em que se destaca o uso do Presente do Indicativo).

O passado é associado à juventude, à casa dos pais, um espaço de sonho e imaginação e o presente é o tempo das viagens, da descoberta, mas também da perda da inocência de criança.

"eu conhecia já o rebentar do mar" = Antes de sair de casa dos pais, o sujeito poético já revelava conhecimento do mundo.

"das páginas dos livros que já tinha lido" = A leitura era a grande fonte do seu conhecimento passado.

"e era só ouvir o sonhador falar/ da vida como se ela houvesse acontecido" = O sujeito poético falava da vida que imaginou como se já a tivesse vivido.

"e havia para as coisas sempre uma saída" = Tudo era fácil e havia sempre uma solução para os problemas.

"Só sei que tinha o poder de uma criança" = Tinha o optimismo de uma criança perante os objectivos que quer atingir.

O sujeito poético apresenta-nos duas idades: a juventude entre o sonho, a inocência e a felicidade e a idade adulta, idade em que o sujeito lírico se sente privado destes aspectos. Neste poema está expressa a dicotomia “antes” e “agora”. O “antes” corresponde à idade da infância e da juventude, que terminou no momento em que o sujeito poético decidiu sair de casa dos pais e viajar. Antes, o “eu” conhecia a vida através dos livros, da leitura e do acto de sonhar. Nessa idade, não havia preocupações e tudo era possível, bastava sonhar. O “rolo das manhãs” é o símbolo de todos os possíveis que existiam na juventude do sujeito lírico. Por oposição, surge a idade adulta. No antes “tudo era possível”, mas no agora, implicitamente, o sujeito lírico transmite a ideia de que já nada é possível como era antigamente. Esta ideia é reforçada através do pretérito imperfeito, expressando uma felicidade durável, constante, transportando o sujeito poético para o reino do encantamento, do “era uma vez”. Este tempo verbal é utilizado na referência à juventude, pois a idade adulta traz a instabilidade, a inconstância.
Depois de viajar, o sujeito poético quase não consegue precisar o tempo da sua juventude dourada “Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer”. No entanto, sabe que tinha o poder de uma criança, o poder de transformar toda a realidade. As crianças têm, como os poetas, o poder de transformar a realidade. A viagem marca a transição para a idade adulta e, do ponto de vista simbólico, representa um trajecto de experiência activa, um momento de descoberta, de aprendizagem e de conhecimento. Descoberta e conhecimento de um mundo que nos rodeia, dos outros e de nós mesmos.
Em conclusão, neste poema, a ideia de viagem está ligada ao próprio acto de crescer, de descoberta de uma realidade que não era visível no mundo fantasioso da infância e da juventude: uma realidade bem mais amarga, onde o homem se confronta com as suas próprias limitações.



Trabalhinho:



sexta-feira, 20 de março de 2009

Poemas à Morte de Inês de Castro


À Morte de Inês de Castro

As filhas do Mondego a morte escura,
Longo tempo, chorando, memoraram.

CAMÕES, Lusíadas. Canto 3, cxxxv

A Ulina
Soneto dedicatório

Da miseranda Inês o caso triste
Nos tristes sons, que a mágoa desafina,
Envia o terno Elmano à terna Ulina,
Em cujos olhos seu prazer consiste.

Paixão, que, se a sentir, não lhe resiste
Nem nos brutos sertões alma ferina,
Beleza funestou quase divina,
De que a memória em lágrimas existe.

Lê, suspira, meu bem, vendo um composto
De raras perfeições aniquilado
Por mãos do Crime, à Natureza oposto.

Tu és cópia de Inês, encanto amado;
Tu tens seu coração, tu tens seu rosto...
Ah!, defendam-te os Céus de ter seu fado!


A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro


Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.




«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

«Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

«Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

«Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

«Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

«De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

«Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.»


Bocage





Antes do fim do mundo, despertar,
Sem D. Pedro sentir,
E dizer às donzelas que o luar
E o aceno do amado que há-de vir...

E mostrar-lhes que o amor contrariado
Triunfa até da própria sepultura:
O amante, mais terno e apaixonado,
Ergue a noiva caída à sua altura.

E pedir-lhes, depois fidelidade humana
Ao mito do poeta, à linda Inês...
À eterna Julieta castelhana
Do Romeu português.

Miguel Torga



Inês Morreu


Inês morreu e nem se defendeu
da morte com as asas das andorinha
pois diminuta era a morte que esperava
aquela que de amor morria cada dia
aquela ovelha mansa que até mesmo cansa
olhar vestir de si o dia-a-dia
aquele colo claro sob o qual se erguia
o rosto envolto em loura cabeleira
Pedro distante soube tudo num instante
que tudo terminou e mais do que a Inês
o frio ferro matou a ele.
Nunca havia chorado é a primeira vez que chora
agora quando a terra já encerra
aquele monumento de beleza
que pode Pedro achar em toda a natureza
que pode Pedro esperar senão ouvir chorar
as próprias pedras já que da beleza
se comovam talvez uma vez que os humanos
corações consentiram na morte da inocente Inês
E Pedro pouco diz só diz talvez
Satanás excedeu o seu poder em mim
deixem-me só na morte só na vida
a morte é sem nenhuma dúvida a melhor jogada
que o sangue limpe agora as minhas mãos
cheias de nada
ó vida ó madrugada coisas do princípio vida
começada logo terminada.

Ruy Belo



Trabalhinhos:

Um adereço para o cabelo de uma princesa,
uma grande fornada de Fimo





























e um saquinho


Dia do Pai


Um presente
para um pai
sempre presente.
















A Mena na cozinha

Frango com caril e leite de coco

4 peitos de frango
sal
pimenta
1 colher de caril
1 colher de farinha
1 dl de azeite
2 dl de leite de coco
1 pimento vermelho


Corte os peitos de frango em fatias e tempere com sal e pimenta. Misture a farinha com o caril e passe o frango por esta mistura.

Coloque o azeite num tacho. Quando estiver quente, junte o frango e deixe-o alourar, virando-o.

Regue com o leite de coco, tape e deixe cozinhar sobre lume brando durante 20 minutos. Se lhe sobrou caril com farinha, adicione-o ao leite de coco.

Entretanto, lave o pimento e corte-o em tiras finas ao mesmo tempo que o limpa das sementes e das películas brancas.
Adicione as tiras de pimento ao frango, rectifique o sal e deixe ferver mais 5 minutos.

Sirva com arroz branco e salada.
Bom apetite!