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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Início da narração e Consílio dos deuses


Paráfrase – Início da narração e Consílio dos deuses


19

A narrativa inicia-se com a viagem marítima dos portugueses. Estes encontravam-se já em pleno oceano Índico (in medias res), os ventos sopravam de feição e as naus iam cortando as ondas...

20

Os deuses reuniram-se no Olimpo para discutirem “as cousas futuras do Oriente). Atravessaram a Via Láctea, convocados, da parte de Júpiter, pelo jovem Mercúrio.

21

Os deuses que, têm o governo dos sete céus, reuniram-se todos, vindos do Norte, do Sul, do Oriente e do Ocidente.

22

Estava o pai dos deuses, Júpiter, sentado num trono feito de estrelas; a sua atitude era tão digna, sublime, e o aspecto era tão alto, severo e soberano que tornaria divino qualquer ser humano. A coroa e o ceptro eram feitos de pedras mais brilhantes que o diamante.

23

Os deuses estavam sentados, em cadeiras marchetadas de ouro e de pérolas, de acordo com a sua hierarquia: primeiro os mais antigos e honrados e depois os mais jovens, quando Júpiter começou a falar com uma voz forte e firme.

24

Júpiter começou por saudar os presentes e passou seguidamente ao assunto, o “valor da forte gente de Luso”, os Portugueses, dizendo que os Fados determinaram que a sua fama faça esquecer a de antigos impérios: “De Assírios, Persas, Gregos e Romanos”.

25

Referiu-se ao passado glorioso dos Lusos mencionando as suas vitórias contra os mouros, na reconquista cristã, e os castelhanos na luta pela manutenção da independência e paz com Castela, salientando a desigualdade entre os exércitos.

26

Recuando mais no tempo, salientou a resistência lusitana frente aos romanos com Viriato e Sertório, que era romano e que acabou por comandar batalhas contra os romanos.

27

Alertou por fim os deuses para o presente dos Lusos: estes desafiam o mar desconhecido em pequenas embarcações “não temendo” a força dos ventos, determinados em chegar à Índia.

28

Os Fados já determinaram que os portugueses dominarão o Oceano Índico durante muito tempo. Já suportaram “o duro Inverno” no mar e já estão cansados por causa da longa viagem. Parece justo, então, que cheguem à terra desejada.

29

Júpiter termina o seu discurso enaltecendo a coragem dos Portugueses que ultrapassaram todos os obstáculos (“Tantos climas e céus experimentados”, tantos perigos e “ventos inimigos”) e por isto determina que sejam recebidos, como amigos, na costa africana para que, depois de restabelecidos, possam seguir “sua longa rota”.

30

Findo o discurso, os deuses, pronunciaram-se ordenadamente apresentando as suas ideias. Baco não concordava com Júpiter, porque temia que os “seus feitos no Oriente” fossem esquecidos se os portugueses lá chegassem.

31

Baco “tinha ouvido aos Fados que viria / uma gente fortíssima de Espanha” (os Portugueses) e que dominaria toda a costa indiana, fazendo esquecer qualquer fama anterior. Dói-lhe perder assim a glória conquistada.

32

Baco já dominou a Índia, façanha cantada pelos poetas, receia agora cair no esquecimento se lá chegarem os Lusos.

33

Vénus não concordava com Baco, pois era muito afeiçoada “à gente lusitana”, porque via nela as qualidades dos seus amados romanos: a coragem guerreira contra os mouros e a língua tão parecida com o latim.

34

Além destas causas, Vénus sabia pelos Fados que iria ser celebrada onde quer que os Portugueses chegassem. Então, um (Baco) com receio de perder a glória e outra (Vénus) com desejo de a ganhar, entram em discussão, defendendo a sua causa com o apoio de outros deuses.

35

Gerou-se uma grande discussão entre os deuses. Como ventos ciclónicos que na densa floresta partem ramos, arrancam as folhas das árvores, silvam e fazem estremecer toda a montanha, assim era o tumulto que se levantou entre os deuses, no Olimpo.

36

Marte, que apoiava Vénus por causa de amores antigos ou porque os Lusos mereciam a sua protecção pelas suas qualidades guerreiras, levantou-se, atirando o escudo para trás das costas, visivelmente irritado.

37

Levantou um pouco a viseira do elmo, colocou-se em frente de Júpiter e bateu com o cabo da lança no chão de tal forma que o céu tremeu e o próprio sol empalideceu de medo.

38

E disse: Pai, a quem obedecem todas as criaturas, se não queres que esta gente sofra afrontas, como já tinhas decidido, não ouças por mais tempo as razões de quem é suspeito (Baco).

39

Se o medo não lhe turvasse o raciocínio, Baco deveria defender os portugueses, que descendem de Luso, seu íntimo. Esqueça-se o que ele disse, porque reage com inveja e nunca a inveja triunfará sobre o que o Céu deseja.

40

E tu, Pai de grande poder, não voltes atrás na decisão já tomada, “pois é fraqueza desistir-se da cousa começada”. Manda, pois, Mercúrio mostrar aos Portugueses um porto seguro onde se possa informar da Índia e recuperar as suas forças.

41

Ouvido isto, Júpiter, inclinando cabeça, concordou com Marte, e esparziu néctar sobre os deuses, dando por terminada a assembleia. E todos os deuses partiram a caminho de suas moradas.

42

Enquanto isto se passava no Olimpo, os Portugueses navegavam já no Oceano Índico entre a costa africana e a ilha de Madagáscar. O sol estava muito quente e situava-se no signo de peixes (entre 10 de Fevereiro e 11 de Março).



A convocatória


Como pudeste ler, os deuses foram convocados para se reunirem em consílio no Olimpo, a fim de decidirem sobre o destino dos portugueses.

Ora, o documento usado para convocar as pessoas para uma reunião é designado de convocatória e respeita determinadas regras. Observa atentamente o exemplo:

Convocatória

A Associação de Estudantes da Escola Básica Integrada de Santo André convoca todos os finalistas para uma Assembleia Ordinária a realizar no dia 3 de Fevereiro, pelas 18.00h, no Refeitório da Escola, a fim de dar cumprimento à seguinte Ordem de Trabalhos:

Ponto 1: Apresentação das propostas para a Viagem de Finalistas;

Ponto 2: Apreciação das propostas apresentadas;

Ponto 3: Selecção da proposta mais adequada.

15 de Janeiro de 2009

João Paulo Mascarenhas

Presidente da Associação de Estudantes

A reunião é sempre convocada com a antecedência considerada necessária, geralmente com o mínimo de 48 horas. Nas associações a antecedência é normalmente de 8 dias.



Discurso directo, indirecto e indirecto livre


Discurso directo – surge quando o narrador dá a conhecer os pensamentos da personagem através da fala desta, isto é, o narrador introduz a personagem e deixa que ela própria fale. Discurso de 1.ª e 2.ª pessoa.

Repara no exemplo: “Quando Júpiter alto, assim dizendo,/Cum tom de voz começa, grave e horrendo:”. O Poeta indicou a personagem que ia falar, utilizando para isso um verbo declarativo “dizendo”, os dois pontos e a mudança de verso para iniciar o discurso de Júpiter: “Eternos moradores do luzente…”

Depois de apresentada a decisão de Júpiter, os deuses vão dando a sua opinião, destacando-se a de Baco e a de Vénus. As suas opiniões não são, no entanto, transmitidas em discurso directo, mas sim em discurso indirecto.

Discurso indirecto – surge quando o narrador reproduz ele próprio a fala das personagens, não lhes dando lugar para falar. Discurso de 3.ª pessoa.

Repara no exemplo: “O padre Baco ali não consentia/No que Júpiter disse, conhecendo…”. Neste exemplo, não foi Baco que transmitiu a sua opinião, mas sim o Poeta que a deu a conhecer.

Há ainda uma terceira forma de discurso que não surge neste caso, mas que deves conhecer, o discurso indirecto livre.

Discurso indirecto livre – surge quando há uma combinação entre o discurso directo e o discurso indirecto, pois dá-se uma aproximação entre o narrador e a personagem que discursa, parecendo que falam ao mesmo tempo, em uníssono. Na realidade é o narrador quem fala (discurso indirecto), mas através das palavras da personagem (discurso directo). Esta forma de discurso mantém a expressividade do discurso directo, omitindo o verbo declarativo que introduz este discurso, e operando as mesmas transformações do discurso indirecto.

Apesar de não haver nenhum caso de discurso indirecto livre no texto, imagina este exemplo: Entre os deuses, Baco dava a sua opinião. Não consentia! Então, os portugueses iam tornar-se mais famosos do que ele no Oriente? Nem pensar em perder a sua glória!


A acta


O encontro dos deuses (consílio), que nos é relatado, é semelhante a uma reunião onde os participantes debatem sobre um assunto e no fim tomam uma decisão.

O resumo da reunião e as decisões que foram tomadas ficam registados num documento designado por acta.


Atenta no exemplo de acta que se segue:


Acta do Consílio dos Deuses



Aos dois dias do mês de Março de mil quatrocentos e noventa e oito realizou-se, pelas dez horas, no Olimpo, um Consílio dos Deuses com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto único – Deliberação sobre a ajuda a dar aos portugueses na descoberta do caminho marítimo para a Índia.

A reunião foi presidida por Júpiter e estiveram presentes todos os deuses convocados.
A abrir a sessão, Júpiter recordou à Assembleia os feitos heróicos já realizados pelos portugueses, um povo com pouco poder, mas tão valoroso que já tinha vencido mouros e castelhanos. Referiu ainda que, no momento presente, enfrentava, com parcos recursos, mas grande determinação, os perigos marítimos, tendo como objectivo chegar às terras do Oriente. Declarou, também, que já lhe estava prometido pelo Fado eterno, o domínio, por muito tempo, dos mares do oriente. Tinham passado um Inverno rigoroso no mar e enfrentado duros perigos. Os navegantes estavam exaustos, por isso, decidira que a armada fosse amigavelmente recebida na costa africana, para retemperar forças antes de prosseguir a viagem.
Na sequência desta declaração, Baco manifestou a sua discordância, defendendo que, se chegassem ao Oriente, os portugueses dominariam a região e os seus feitos fariam esquecer as famas anteriores. Ele próprio, Baco, deixaria de ser adorado e perderia a sua glória.
A deusa Vénus, discordando de Baco, apoiou a decisão de Júpiter, argumentando com as qualidades do povo português, semelhantes às do povo romano, descendente do seu filho.
Gerou-se, então, grande tumulto na Assembleia.
O deus Marte, levantando-se para expor as suas razões, repôs a ordem na reunião e dirigindo-se a Júpiter, incentivou-o a não dar ouvidos a Baco, pois as suas opiniões não se baseavam na razão, mas em sentimentos mesquinhos, como a inveja, e aconselhou-o a não voltar atrás com a decisão tomada, pois seria sinal de fraqueza.
Júpiter concordou com as palavras de Marte, fazendo um gesto de aprovação, e, de seguida, espalhou néctar sobre os deuses que se preparavam já para regressar aos seus planetas.
E nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a sessão da qual se lavrou a presente acta que, vai ser assinada nos termos da lei.

O Presidente: Júpiter

O Secretário: _______________



Como reparaste, numa acta há determinadas regras que têm de ser obrigatoriamente cumpridas:

· Os números têm de ser escritos por extenso.

· Os espaços em branco têm de ser trancado.

· Não se usam abreviaturas nem siglas.

· Os erros têm de ser corrigidos directamente, por exemplo. “…, digo,…”- não é permitido o uso de corrector ou borracha.

· No caso de esquecimento de algum aspecto, antes das assinaturas, deve escrever-se “Em tempo… seguido do assunto omitido.

· As actas normalmente escrevem-se em livro próprio para esse fim.

· A acta é lida, aprovada ou não, e assinada na reunião seguinte àquela a que diz respeito.


Para redigires uma acta, deves ter em atenção:

  • O número de ordem da acta.
  • A data, a hora e o local da reunião realizada.
  • O tipo de reunião: ordinária ou extraordinária.
  • A pessoa que preside à reunião, quem a convocou, e as pessoas presentes e ausentes.
  • A ordem de trabalhos.
  • O resumo das principais intervenções.
  • As decisões tomadas.
  • A fórmula de encerramento.
  • As assinaturas do Presidente da reunião e secretário ou de todos os presentes.


A Mena na cozinha

Sopinha verde

4 ou 5 batatas
1 cebola
2 dentes de alho
1 alho francês
1 curgete
1,5 l de água
espinafres picados
sal
azeite
hortelã

Descasque as batatas, a cebola e os alhos. Corte tudo em cubos, corte também o alho francês e a curgete. Leve tudo ao lume em água a ferver durante 20 minutos, ou até os legumes ficarem cozidos. Reduza tudo a puré. Adicione os espinafres picados congelados e deixe cozer mais 5 minutos. Tempere com sal e azeite. Enfeite com folhinhas de hortelã, se gostar!
Bom apetite!



Trabalhinho:

Cachecol