Consílio dos Deuses no Olimpo
A 1ª parte descreve-nos o espaço e a organização dos deuses no consílio (estrofes
Os deuses deixaram os seus locais de governação, vindos do Norte, do Sul, do Nascente e do Poente, para se dirigirem ao Olimpo para um consílio convocado da parte de Júpiter pelo jovem Mercúrio. O poderoso pai dos deuses aguardava os seus súbditos sentado num trono de estrelas. Como determinava a ordem, os deuses sentavam-se em cadeiras marchetadas de ouro e pedrarias e em lugares determinados consoante a antiguidade. Júpiter situava-se em lugar mais alto, seguido, mais abaixo, pelos deuses mais velhos e, ainda mais abaixo, pelos deuses mais novos.
O plano da viagem e o plano mitológico
| Repara Em toda a narração estão presentes dois planos – O Plano da Viagem e o Plano dos Deuses. Esta associação revela que a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia depende do parecer favorável dos deuses. Os deuses, ao dificultarem ou facilitarem a viagem dos portugueses, permitem que a acção se desenvolva. |
O Plano dos Deuses ou Mitológico era fundamental numa epopeia, mas nesta obra os deuses não têm apenas a função de embelezar a acção, eles são elementos geradores da própria acção.
“neto gentil do velho Atlante” = Mercúrio “as partes onde / A Aurora nasce e o claro Sol se esconde”. = Nascente / Poente “Estava o Padre ali sublime e dino, Que vibra os feros raios de Vulcano,” = Júpiter "Eternos moradores do luzente Estelífero pólo, e claro assento,” = deuses Nestes casos, o poeta substitui as palavras Mercúrio, Nascente e Poente por expressões mais longas e descritivas, para chamar a atenção para características específicas, e também para tornar o texto mais bonito.
Perífrase A este recurso de estilo dá-se o nome de perífrase. O prefixo peri- significa “andar à volta”, portanto, a perífrase consiste numa frase que “anda à volta”, que aponta para uma entidade sem a referir. |

Depois de caracterizado o espaço onde se vão reunir os deuses, o consílio inicia-se com o discurso de Júpiter (estrofes
O pai dos deuses refere que o valor dos portugueses é tão grande que pode obscurecer a fama dos antigos impérios dos assírios, persas, gregos e romanos.
Júpiter faz uma descrição enaltecedora da nação portuguesa, forte, capaz de actos grandiosos e que revela o propósito de navegar até ao Oriente como o destino – “Fado eterno” – lhes prometeu.
Depois dos portugueses terem passado por “tão ásperos perigos”, das tripulações estarem extenuadas pelos trabalhos da viagem, Júpiter determina, então, que os navegadores sejam recebidos e “agasalhados” na costa africana. O discurso de Júpiter é apresentado através do discurso directo.
Esta terceira parte consiste na apresentação das opiniões dos outros deuses, destacando-se os pareceres de Baco e de Vénus (estrofes
Depois de apresentada a decisão de Júpiter, os deuses vão dando as suas opiniões. Destas destacam-se a de Baco, que é contra os portugueses, pois considera que eles se tornarão superiores a si no Oriente, e a de Vénus, que defende com amor os portugueses, pois via neles as virtudes romanas – a valentia, as vitórias no norte de África e o idioma tão parecido com o latim.
Assim, Baco, com receio de perder a glória no Oriente, e Vénus, com desejo de a ganhar, pois sabe que será celebrada onde quer que os portugueses cheguem, entram em discussão e levanta-se um grande tumulto entre os deuses. As opiniões destes deuses são transmitidas em discurso indirecto.
Se leres a estrofe 35, apercebes-te que a confusão gerada entre os deuses foi grande, até os próprios verbos sugerem essa confusão: “rompendo”, Brama”, “murmura”, “Rompem-se”, “ferve”. O tom utilizado nesta estrofe é hiperbólico, há um exagero intencional da realidade para enfatizar a confusão.
Esta quarta parte expõe o discurso de Marte, deus da Guerra (estrofes
No meio da confusão gerada pelos deuses, Marte, “dando uma pancada penetrante” com o cabo da lança no trono, apresenta a sua opinião favorável aos portugueses. Marte apoiava os portugueses provavelmente porque estes eram protegidos por Vénus, por quem Marte “morria” de amores, ou então porque reconhecia os feitos lusitanos, considerando que era um povo que merecia protecção. Marte aconselha Júpiter a não voltar atrás na decisão de apoio aos portugueses.
“E dando uma pancada penetrante,Com o conto do bastão no sólio puro,O Céu tremeu, e Apolo, de torvado, Um pouco a luz perdeu, como enfiado.” Na realidade, uma pancada, por muito forte que seja, não faz tremer o céu. Estamos perante um exagero do poeta, que pretende, com este recurso, dar mais força ao texto. A este recurso dá-se o nome de hipérbole. A hipérbole é um recurso estilístico que consiste em referir-se a um ser, circunstância, sentimento ou objecto, exagerando os seus atributos |
Decisão final de Júpiter e conclusão do Consílio (estrofes 41).
Depois de Marte apresentar a sua opinião favorável aos portugueses. Júpiter concordou, com uma inclinação de cabeça, e deu por terminado o consílio. Os deuses partiram de regresso às suas moradas.
Resumindo, Júpiter e os deuses consentiram a paragem e o descanso dos portugueses na costa africana para recuperarem forças e, posteriormente, seguirem viagem rumo ao desconhecido, à Índia.
Trabalhinho:
A Mena na cozinha
Rolinhos de pescada com mexilhão
sal
pimenta
limão
6 batatas
1 cebola
azeite
6 dentes de alho
2 folhas de louro
1/4 pimento vermelho
1/4 pimento verde
1/4 pimento amarelo
1/4 pimento laranja
0,5 dl de vinho branco
coentros
750 g de mexilhão com casca
Sirva o peixe e os mexilhões com a cebolada, acompanhados com as batatas coradas e decore com coentros.
Bom apetite!