Foi um almocinho especial! Não foi hoje, mas ontem... Uma batotazita!

Bem-Vindos a este espaço! Aqui encontrarão retalhos da vida de uma mulher... Retalhos, porque a minha vida é isso mesmo... é composta por mil pedacinhos que se vão tecendo e juntando para construir uma teia, umas vezes mais colorida... outras mais sombria... Mas no fim, tudo se conjuga harmoniosamente...
Foi um almocinho especial! Não foi hoje, mas ontem... Uma batotazita!

A lógica de Einstein
Conta certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado. A tarde estava nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.
Quando os bombeiros chegaram e viram o acontecido, perguntaram ao menino:
Albert Einstein
A influência de Camões noutros poetas
Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co'o sacrílego gigante;
Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.
Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.
Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.
Neste soneto, o sujeito poético analisa a sua vida, comparando-a com a de Camões. Para estabelecer essa comparação, utiliza advérbios de intensidade e conjunções comparativas: “quão”, “como” (três vezes).
A comparação é, geralmente, feita por meio de advérbios de intensidade (quão, tão, etc.) e de conjunções ou locuções subordinativas comparativas (como, assim como, etc.). Estas últimas têm, muitas vezes, expressões correlativas (assim como… assim também, como… também, etc.), o que está patente nos versos “Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,/ Também carpindo estou, saudoso amante.”
A influência de Camões em Bocage é notória na comparação que o sujeito poético estabelece entre ambos:
O destino - "quão semelhante / Acho teu fado ao meu,"
O abandono da pátria - "Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,"
Os perigos do mar - "Arrostar co’o sacrílego gigante"
A vida na Índia - "Como tu, junto ao Ganges sussurrante,"
A penúria - "Da penúria cruel no horror me vejo."
A infelicidade no amor - "Também carpindo estou, saudoso amante."
No entanto, o sujeito poético também nos aponta uma diferença fundamental que o distingue inegavelmente de Camões: “Não te imito nos dons da Natureza.”
As semelhanças traçadas entre Camões e Bocage ao longo do soneto são em maior número do que as diferenças. No entanto, as semelhanças apenas aproximam as vidas de Camões e Bocage em relação aos infortúnios vividos por ambos. Pelo contrário, as diferenças colocam a ênfase na superioridade de Camões, considerado por Bocage um modelo a seguir, um poeta verdadeiramente dotado. Em suma, Bocage reitera a ideia de imitar Camões na vida, mas não nas qualidades poéticas, no talento inato de um génio.
CAMÕES E A TENÇA
Irás ao Paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce
Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou seu ser inteiramente
E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto
Irás ao Paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência
Este País te mata lentamente
Neste poema, Sophia dirige-se a Camões. Repara nos elementos linguísticos que revelam a presença do destinatário no poema.
O sujeito poético deste poema interpela o próprio Camões, assumindo-o como seu destinatário. Por isso, abundam as marcas linguísticas de 2.ª pessoa gramatical, que revelam a co-presença de duas figuras: o sujeito lírico e o destinatário do poema (Camões). Desta forma, Sophia parece prestar uma sentida homenagem a Camões, revelando a influência que este poeta teve na cultura e literatura portuguesas.
A interpelação de Camões feita pelo sujeito poético manifesta-se não só através de marcas linguísticas, mas também através de vários aspectos biográficos do poeta:
· A convocação do poeta para reclamar a tença que lhe foi prometida - "Irás ao paço. Irás pedir que a tença//Seja paga na data combinada"
· As críticas aos Portugueses pela forma como trataram Camões em vida - "E aqueles que invocaste não te viram//Porque estavam curvados e dobrados"
· A atitude dos portugueses nos nossos dias - "Este país te mata lentamente//País que tu chamaste e não responde//País que tu nomeias e não nasce"
· A recriação dos versos iniciais de Erros meus, má fortuna, amor ardente - "Em tua perdição se conjuraram//Calúnias desamor inveja ardente//E sempre os amigos sobejaram//A quem ousou mais ser que a outra gente"
Este poema de Sophia de Mello Breyner baseia-se em vários aspectos biográficos de Camões:
- a atribuição de uma tença anual de 15 mil réis por D. Sebastião pela publicação de Os Lusíadas em 1772, escassa e sempre paga em atraso;
- a referência ao envolvimento em rixas, quer por calúnias, quer por envolvimentos amorosos;
- a pouca importância que os portugueses daquela época dedicaram a Camões.